segunda-feira, julho 18, 2011

O Que Significa Viver Pela Fé

David Wilkerson

“Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé(Habacuque 2:4, itálicos meus). A frase que enfatizo aqui é familiar aos cristãos de todo o mundo. Por séculos, “viver pela fé” tem motivado decisões diárias de crentes de todas as gerações.

A profecia de Habacuque aqui é a primeira menção do conceito de viver pela fé; mais tarde, no Novo Testamento, o apóstolo Paulo evoca a frase três vezes. E hoje Habacuque 2:4 permanece como um dos textos mais pregados de todas as escrituras. Ele formou a base da doutrina de muitas igrejas. “Viver pela fé” fala de como somos justificados e santificados, como encontramos paz e alegria, como obtemos vitória sobre o pecado. Todas estas são maravilhosas aplicações da poderosa verdade de Habacuque.

Porém quero focalizar o contexto histórico desta passagem. Quando Habacuque falou de “viver pela fé” foi para ajudar Israel a saber como enfrentar uma crise que chegava. Cá estava uma verdade eterna destinada a ajudar o povo a superar a calamidade que estava prestes a vir sobre eles. E foi revelada durante dias muito similares aos dias atuais.

Habacuque havia recebido temível sentença da parte do Senhor quanto à uma calamidade de destruição vindo sobre Israel. À época, as leis de Deus estavam sendo ignoradas e desprezadas. Os juízes julgavam em favor dos ímpios. Os ricos utilizavam a lei de Deus para roubar os pobres e construir fortunas por meio de práticas fraudulentas. A cobiça se tornara obsessão pública.

Habacuque ficou profundamente ferido por tudo que Deus lhe mostrou. As escrituras chamam isso “sentença revelada ao profeta Habacuque” (1:1). O mundanismo havia se infiltrado na igreja; a moralidade havia sucumbido nas nações vizinhas. Quando Habacuque contempla tudo isso, clama: “Senhor, por que toda essa iniquidade? Por que o ímpio triunfa sobre o justo?”.

“Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida” (Habacuque 1:3-4).

Habacuque pergunta ao Senhor por quanto tempo Ele permitiria que tal perversidade continuasse: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?” (1:13). “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” (1:2).

Assim que o profeta se vê sufocado pela sentença, Deus lhe dá uma incrível visão

“Olhem as nações e contemplem-nas, fiquem atônitos e pasmem; pois nos dias de vocês farei algo em que não creriam se lhes fosse contado” (Habacuque 1:5). O Senhor diz a Habacuque: “Vou levantar a vara da correção para trazer julgamento sobre a terra. E tudo será obra Minha. Se Eu lhe contasse o quão rápido virá e o quão terrível será, você não Me acreditaria”.

Eis a palavra que Habacuque recebeu a respeito da vara de correção vinda de Deus: “Os caldeus estão vindo! Eles caminharão sobre toda a extensão da terra devorando tudo à frente” (vide 1:6).

Esta terrível visão abalou o íntimo de Habacuque. Ele conta: “Ouvi isso, e o meu íntimo estremeceu, meus lábios tremeram; os meus ossos desfaleceram; minhas pernas vacilavam. Tranquilo esperarei o dia da desgraça, que virá sobre o povo que nos ataca” (3:16).

Agora Habacuque reflete quanto ao seu chamado como profeta. Ele sabia que o remanescente santo de Israel iria até ele perguntando, “Como iremos superar estas coisas terríveis que estão chegando? Se o nosso país e os países ao redor estão sob correção de Deus, o que faremos? Como vamos viver? E o que o Senhor espera de nós?”.

Ouço as mesmas perguntas sendo feitas pelo povo de Deus agora mesmo, à medida que o nosso mundo enfrenta calamidades crescentes. E essas mudanças drásticas preocupantes que vemos é certamente obra de Deus. Mais uma vez Ele se levantou para tratar com a cobiça e a perversidade, tal como as de Sodoma. Ele também levantou o Seu bastão combatendo o roubo ganancioso contra as viúvas e a defraudação dos pobres.

Como reagiu Habacuque? Ele se ocultou com o Senhor em oração. Dispôs o coração para esperar no Senhor por uma palavra ao povo. Eis como o profeta iniciou sua oração: “Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que fala comigo, e o que eu responderei, quando eu for arguido (2:1, itálicos meus). Note que Habacuque começa abrindo seu coração à repreensão. Ele ora, “Senhor, que a Tua obra se inicie examinando primeiro a mim”.

Sabemos que Habacuque já havia questionado a lentidão de Deus em responder às suas orações: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?” (1:2). Me pergunto se Habacuque não teve de tratar com um pouco da “síndrome de Jonas” consigo mesmo. Ele sabia que não ousaria tripudiar dizendo, “Eu não disse?”, quando Deus derrubasse os orgulhosos.

O Senhor efetivamente deu a Habacuque uma palavra. E ela mudou a oração do profeta de, “Por que deténs Teu julgamento?” para, “Senhor, ao julgar, lembre-se da Tua misericórdia”. “Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos... na tua ira, lembra-te da misericórdia” (3:2).

Habacuque foi instruído a escrever a visão

A incrível palavra que Habacuque recebeu foi direcionada não só aos seus dias mas para todas as gerações, até o nosso tempo: “até o fim falará” (Habacuque 2:3). Deus deixou claro a Habacuque que essa palavra não era para os orgulhosos, ou para os que voltam-se para a carne confiando nas promessas dos homens.

Nesse momento, muitas pessoas da casa de Deus estão pondo suas esperanças na ajuda de emergência do governo – trilhões de dólares com objetivo de salvar a economia, resgatar o sistema financeiro, e promover milhões de empregos. Estão na esperança de que os mais brilhantes líderes da terra solucionem os nossos problemas e nos levem de volta à prosperidade. Oh, que arrogância achar que o dinheiro pode corrigir os caminhos do homem! Quanto orgulho achar que a moeda pode resistir aos caminhos de retidão de Deus.

“Pela fé” é a única maneira de o povo de Deus enfrentar calamidade ou aflição. Foi a única maneira nos dias de Habacuque, foi a única maneira em cada uma das gerações do Velho Testamento, e foi a única maneira no tempo do Novo Testamento. Agora na calamidade que enfrentamos no presente a mesma verdade fundamental se mantém: “O justo viverá pela fé”.

Mas, o que isso significa, viver pela fé? A palavra de Deus mostra que significa mais do que simplesmente crer. Viver pela fé é ver a mão de Deus e a Sua santidade em todas as calamidades e abalos: “Faz-se conhecido o Senhor, pelo juízo que executa” (Salmo 9:16).

“Senhor, a tua mão está levantada, mas nem por isso eles (os ímpios) a veem” (Isaías 26:11). O mundo não vê Deus levantando Sua mão para trazer correção. Mas os que vivem pela fé prontamente entendem, “O que estamos vendo é a mão de Deus agindo. Isso é a Sua santidade sendo estabelecida. Ele está cumprindo a Sua palavra”.

Se vamos viver pela fé, precisamos de temor reverencial pelo poder de Deus. E é impossível não se ver Sua impressionante força em ação no mundo de hoje. Pense no seguinte - as escrituras dizem: “Os bens do rico lhe são cidade forte” (Provérbios 18:11). Mas em apenas o tempo de duas semanas Deus abalou toda a terra travando seu poderoso sistema financeiro de crédito.

O que senão o poder de Deus poderia levar os homens a perder a confiança em suas fortunas, fazendo com que trilhões de dólares se dissolvessem em questão de semanas? O Seu juízo está claramente agindo. Mesmo assim, que grande misericórdia Ele também mostra expondo a fraude que tem lugar nas instituições financeiras mundiais! Que retidão e justiça Ele estabelece cortando os enganos produzidos pelas companhias hipotecárias que defraudaram os pobres!

Sabemos que Deus não se agrada em disciplinar. As escrituras dizem que isso não lhe dá prazer. Porém a palavra diz que todo ouro e prata serão devorados por toupeiras (v. Isaías 2:20). Isso acontecerá “ante o terror do Senhor e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra” (2:19). Tudo com o objetivo de levar o tremendo temor de Deus à todas as nações.

Estes dois lados da natureza de Deus julgamento justo e amor misericordioso – requerem que vivamos pela fé

O mesmo Deus que cede Seu tremendo poder para “espantar todas as coisas” é o mesmo Pai amoroso que age como nosso escudo e guarda. Veja o seguinte: de um lado Isaías diz, “(os pecadores) publicam o seu pecado e não o encobrem. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos” (3:9). Contudo exatamente no versículo seguinte, vemos: “Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações” (3:10). A despeito de todos os terríveis espantos, os que vivem pela fé serão guardados em segurança e estarão bem.

Nesse momento, creio que a igreja precisa de um curso renovando-a quanto à majestade e ao poder de Deus, como aconteceu com Jó. O Senhor disse a Jó, basicamente: “Que conversa é essa cheia de escuridão e desesperança que ouço de ti? Levante e Me ouça: 'Eu estabeleci os fundamentos da terra. Fiz a luz e as trevas. Criei a chuva, a neve, o gelo e o vento. Dei asas aos pássaros, e alimento os animais do campo. Eu controlo toda a natureza. Me diga, Jó, quem pode trovejar com voz como a Minha? Quem pode enxergar o coração de todos os homens e ver a sua situação? Quem mais pode identificar o arrogante, ver a sua situação e o derrubar?'”.

Amado, o mesmo Deus que sabe o nome e o endereço de toda pessoa altiva também conhece o seu nome, o seu endereço, a sua situação. E Ele lhe guardará em Seu coração todos os dias, em meio a toda calamidade. Aceitar isso é viver pela fé.

Se vivo pela fé, não temerei o futuro da igreja de Deus em tempos de calamidade: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Essa garantia de Jesus tem encorajado a fé de gerações. E tem o objetivo de nos sustentar agora na calamidade global do momento.

Também temos esse alerta: “Nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé” (I Timóteo 4:1). Em momentos de perigo como agora, líderes se levantarão “tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (2 Timóteo 3:5). Sob a influência de tais líderes falsos, o amor de muitos crentes esfriará ou ficará morno. Outros perderão inteiramente a fé e se desviarão de Cristo.

Porém, de acordo com Joel, ao mesmo tempo Deus irá derramar o Seu Espírito sobre toda carne (v. Joel 2:28-29). O salmista diz, “Envias o teu Espírito... e... renovas a face da terra” (Salmo 104:30). O Espírito de Deus nunca se esgotou. Ele pode se derramar como quiser. E toda vez que isso ocorrer, “Dez homens... agarrarão... a barra das vestes de um judeu (de um crente) e dirão: 'Nós vamos com você porque ouvimos dizer que Deus está com o seu povo'” (Zacarias 8:23).

Você está vendo o quadro? No meio de grandes calamidades haverá uma grande colheita. Os não salvos vão se virar para os crentes dizendo, “Deus está claramente contigo. Me diga, como posso conseguir essa paz?”.

Se vou viver pela fé, devo fazer como Noé e construir uma arca para superar a tempestade

“Pela fé, Noé... sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa” (Hebreus 11:7). A arca que Noé construiu representa Jesus Cristo. Inexiste outro lugar seguro sobre a terra. Quando Isaías profetiza de um rei vindo para reinar em justiça, está claramente descrevendo Cristo: “E será aquele Varão como um esconderijo contra o vento, e um refúgio contra a tempestade, como ribeiro de águas em lugares secos, e como a sombra duma grande rocha em terra sedenta” (Isaías 32:2).

Por todo o mundo as pessoas estão desesperadamente procurando um lugar seguro para esconder o seu dinheiro. Multidões estão comprando revólveres para proteger suas famílias daquilo que acham será um período negro de “cada um por si”. Isso inclui cristãos que crêem na Bíblia.

No entanto não há lugar de segurança garantido na terra, com exceção do habitar em Cristo. Não declaro isso como algum tipo de teologia oca que muitas vezes os cristãos falam sem pensar. Por mais de dois mil anos os que confiaram na segurança por meio de Jesus tiveram comprovação de que a palavra de Deus é fiel. “O nome do Senhor é uma torre forte; os justos correm para ela e estão seguros” (Provérbios 18:10).

Também sabemos que ao longo dos séculos os que confiaram em Jesus sofreram muito. Desde os tempos da cruz foram martirizados com muita maldade. Crentes do Novo Testamento perderam suas casas e terras e viveram em cavernas. Desde então multidões de pessoas perderam empregos e lares em épocas de calamidade. Muitos outros morreram em guerras e em cataclismas naturais.

Amado, um genuíno pregador da palavra de Deus jamais irá prometer que você não vai sofrer, que você não vai perder propriedades, que o seu estilo de vida será protegido. Mas há uma grande nuvem de testemunhas no céu que diriam a todos nós que amam Jesus: “É verdade que em Cristo estamos seguros – eternamente seguros. A Sua graça foi suficiente em todas as crises. Sim, houve situações de dor, sofrimento e dificuldades. Mas sofrimento algum jamais conseguirá tirar você de Cristo, a Arca de segurança”.

Eu lhe deixo com essa maravilhosa promessa de I Pedro 1:3-9:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma”.

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