quinta-feira, julho 21, 2011

O Alto Preço da Misericórdia

David Wilkerson

“Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:35-36, itálicos meus).

Por toda a Bíblia, um tema poderoso ressoa: “O Senhor, teu Deus... é Deus misericordioso” (Deuteronômio 4:31, itálicos meus). Esse tema da misericórdia está na essência do Velho Testamento; lemos dele vez após vez em Deuteronômio, Crônicas, Neemias e Salmos: “O Senhor, vosso Deus, é misericordioso e compassivo”. Igualmente vemos o mesmo tema da misericórdia em cada um dos evangelhos e por todo o Novo Testamento: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:36).

As escrituras nos dizem algo do custo da misericórdia de Deus por um mundo pecador

O Senhor não abriu mão desse mundo pecador, ímpio e consumido pela cobiça; ao olhar para cá diante da explosão de libertinagem sobre a terra, não se afastou de Sua criação. Pelo contrário, enviou o Seu próprio Filho para o nosso meio; e, em Sua terna misericórdia, o Senhor ofereceu o Seu Filho como sacrifício. Ele lançou sobre Cristo a iniquidade de todos nós.

Pense no alto custo que Jesus pagou pela misericórdia; o peso desse preço simplesmente não pode ser calculado; ninguém pode medir a dor de Cristo ao tomar sobre Si os pecados do mundo. Contudo, as escrituras efetivamente nos dão detalhes claros quanto ao custo que Jesus pagou pela misericórdia que ministrou sobre a terra.

Primeiro, Jesus foi rejeitado por todo o mundo religioso. Os líderes do Seu tempo imediatamente lançaram sobre Ele malignidade clara; e mais, foi zombado e desprezado por ricos e pobres, tanto por intelectuais quanto por iletrados. E a Sua mensagem foi recusada por todos senão por alguns poucos.

De acordo com Salmos, o nome de Jesus se tornou canto de bêbados. Finalmente, a sociedade inteira cuspiu nEle, abusou dEle, prendeu-O à uma cruz e O matou.

Como beneficiários da misericórdia de Deus, você e eu conhecemos algo do preço que Jesus pagou para estender tal misericórdia a um mundo perdido. A terna misericórdia dEle encontrou você pessoalmente em seu cativeiro ao pecado. Ele ouviu o clamor do seu coração e lhe libertou. Ele lhe transformou, abriu os seus olhos, lhe encheu com Seu Espírito Santo. E o tornou um vaso de honra para proclamar o Seu evangelho.

Não se engane: a misericórdia que você recebeu custou caro. Pregamos que a misericórdia de Deus é de graça, imerecida e portanto sem custo para nós – e que o preço por ela foi totalmente pago pelo sangue derramado por Cristo. E, realmente, tudo isso é verdade: Deus está plenamente satisfeito pelo preço que Jesus pagou para nos trazer Sua misericórdia. E agora recebemos o céu por herança. A Sua misericórdia concede segurança de vida eterna a todo verdadeiro crente.

No entanto há um preço do lado humano – do nosso lado – quanto à misericórdia de Deus. Quanto ela custa a nós? É o alto preço de se tornar uma testemunha real do poder desta misericórdia que temos recebido. O fato é que, oferecer a mesma misericórdia que nos foi dada vai nos custar muito aqui na terra; é um preço que podemos esperar pagar em nosso dia a dia.

Veja, Jesus nos ordena, “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:36). E, como Cristo mostrou com Seu exemplo, ser misericordioso como o Pai é misericordioso tem um alto preço. Jesus pagou o preço dessa misericórdia em Sua carne. E você e eu podemos esperar pagar o mesmo preço; como Ele, enfrentaremos rejeição total; como mensageiros do evangelho, as nossas palavras não serão aceitas pelo mundo. De fato, quanto mais Cristo for exaltado em nossas vidas, mais podemos esperar que a misericórdia de Deus seja ridicularizada e rejeitada.

O primeiro custo dessa misericórdia paga por Jesus foi a Sua posição celestial; a misericórdia O moveu a vir à terra para assumir a forma humana. E por fim, a misericórdia que Ele ofereceu ao mundo lhe custou a vida. Mesmo assim, o exemplo da misericórdia de Jesus é um modelo a todos que querem segui-Lo. Ele nos diz, basicamente, “A Minha vida lhe mostra qual é o preço da misericórdia. É a rejeição total por parte do mundo”.

Paulo pagou o mesmo alto preço pago por Jesus na terra para praticar a misericórdia de Deus

Jesus nos alerta, “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós” (João 15:20). O apóstolo Paulo testifica essa verdade: “Nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (I Coríntios 4:12-13).

O que devemos fazer diante dessa rejeição? Jesus responde: “Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu” (Lucas 6:23).

Essa é uma verdade difícil de engolir. Como podemos nos regozijar e exultar diante de uma perseguição cruel? Amado, tudo isso é parte do alto preço a ser pago pela misericórdia. Como foi com Paulo, que era visto como escória, assim é com o corpo de Cristo, a igreja. Há um preço que todos precisamos pagar quando pregamos Jesus e Sua misericórdia.

Porém este alto preço não é só rejeição da parte de um mundo incrédulo; não é apenas desaprovação e rejeição de uma mídia atéia e liberal. Também enfrentamos denúncias e condescendência do mundo religioso que faz concessões. Jesus avisa aos discípulos a respeito de “os homens vos odiarem... e... vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do homem” (Lucas 6:22). Tudo que Jesus descreve aqui aconteceu com Ele nas mãos do sistema religioso dos Seus dias.

Certa época de sua vida, o apóstolo Paulo foi uma poderosa força de tal perseguição. Em verdade, quanto mais ele fustigava o “povo de Jesus”, mais os líderes religiosos lançavam elogios sobre ele. À cada crente que Paulo jogava na prisão, mais aqueles líderes o aplaudiam e sua reputação crescia.

O seu nome era Saulo no início, e era um jovem e poderoso fanático. Não cometia nenhuma ilegalidade segundo a lei judaica e desfrutava dos louvores dos altos oficiais da sinagoga. Qual é a nossa primeira imagem deste destacado homem nas escrituras? Encontramos Paulo quando ele se mostra aprovando o brutal apedrejamento de Estevão. Saulo era conhecido naquela região do mundo como o perseguidor número um da igreja de Cristo. Ele estava decidido a varrer o nome de Jesus da face da terra, extinguir a igreja em sua infância.

Mas chegou o dia quando a misericórdia brilhou sobre Saulo. Vejo o zeloso fariseu no início daquele dia especial. Ele havia pedido uma audiência com o sumo sacerdote: “O jovem que persegue o povo de Jesus solicita permissão para levar sua cruzada a Damasco. Ele jura prender todos eles. Ele acha ter condições de apagar esse 'fogo de Jesus'”.

Com a bênção dos líderes judeus, Saulo vai a Jerusalém com seu bando de homens visando a próxima missão. Imagine a cena deles sendo encorajados pelo sumo sacerdote e por todos os escribas e fariseus. Mas aí, um pouco antes da cidade de Damasco, a misericórdia brilha sobre Saulo.

Como a misericórdia agiu sobre esse homem perdido e desencaminhado? Ela não tentou confundi-lo. Ela não o acusou. Ela não tentou destruí-lo. Antes, a misericórdia já anteriormente paga e gratuita do Senhor derrubou Saulo de rosto no chão. E uma voz falou a ele, dizendo, “Saulo, Saulo, sou Jesus. Por que você está Me perseguindo?” (v. Atos 9). A mensagem de Cristo a esse fanático foi clara: “É a Mim que você está tocando, Saulo. Quando você prende um cristão, está fazendo o mesmo comigo”.

Saulo foi totalmente dominado por essa revelação. Temporariamente tornado cego, foi levado à casa de um homem de oração e cheio do Espírito Santo em Damasco chamado Ananias. Em um pequeno quarto lá, Saulo invoca o nome de Jesus. Ananias explica a ele o alto preço da misericórdia que havia recebido: “Agora, Saulo, você vai sofrer em favor do nome dEle”.

Pense no alto custo da misericórdia que Saulo recebeu naquele dia. Com a consciência aferroando, certamente ele se lembrou do apedrejamento de Estevão... recordou cada crente que havia lançado à prisão... viu novamente o rosto de todos os que atacara. Oh, que misericórdia cara esse homem recebeu.

Com o novo nome de Paulo, o apóstolo passou o resto de sua vida pregando e escrevendo da misericórdia de Deus. E testificou continuamente do alto preço de praticar essa misericórdia num mundo corrompido. Por dois milênios, os escritos de Paulo têm recordado à igreja o que Jesus nos disse: “Os homens vão lhe odiar. Irão se afastar de ti. Irão lhe rejeitar e lhe chamar de indigno. Mas essa será a hora de se regozijar e pular de alegria!”.

Satanás teme, abomina e odeia o poder da misericórdia de Deus

Foi a misericórdia, pura e simples, que dizimou o reino do Diabo na terra. Satanás jamais achou que poderia perder seu poder sobre os viciados, os refugos desesperançados da humanidade. Mas a misericórdia trouxe libertação à multidões de pessoas que no passado ele tinha cativas.

Agora Satanás entende que estamos no fim dos últimos dias. E está resolvido a narcotizar toda uma geração, a entorpecê-la quanto à necessidade que tem da misericórdia de Deus. Ele quer erigir barricadas na mente dos jovens, tal que a misericórdia de Deus não os toque. Assim ele liberou hordas demoníacas de plantadores e produtores de drogas para promover esse mal.

No começo quando vim à Nova York na década de 50, a praga era mais maconha e drogas receitadas. A heroína não tinha o domínio que veio a ter mais tarde. Nas últimas décadas, Satanás trouxe o crack e depois a metadona cristalizada. Agora introduziu novas drogas que possuem poder maior de viciar: variedades de cocaína e heroína do México, Iraque, Colômbia e Afeganistão.

Nesse ínterim, o Diabo liberou um oceano de álcool sobre os jovens. Faculdades e colégios têm sido inundados por um espírito de farras e agito, com barris de cerveja, vinho, etc alimentando bebedeiras e embriaguez. Adolescentes aos montes estão entrando em clínicas seculares para reabilitação, enquanto outros continuam presos ao vício. Tudo isso é o recurso final do Diabo para escravizar multidões e “imunizá-las” contra a mensagem misericordiosa de Jesus.

Mas a misericórdia de Deus tem um poder surpreendente a ser liberado.

A misericórdia quebrou a corrente de todos os vícios, arrebatando multidões de pessoas do reino de Satanás para o reino de Cristo

Houve uma época, com milhões de pessoas narcotizadas por todo o mundo, em que Satanás achava haver prevalecido; realmente, o que se dizia por todo o mundo é que uma vez o Diabo tendo prendido alguém, essa pessoa não teria mais esperança.

Mas em toda geração Deus envia o Seu Espírito Santo aos caminhos e aos descaminhos. E Ele vai direto ao coração do território de Satanás: para dentro das favelas, cortiços, às “bocadas” de crack, para dentro dos terrenos baldios e becos, à qualquer lugar onde os viciados fiquem em torpor. E a misericórdia tem brilhado sobre os mais fracos, os sujos, os maiores dos decaídos pelas drogas, os esquecidos e rejeitados pela sociedade – os tidos como inapelavelmente perdidos.

O primeiro viciado em heroína a ser salvo e liberto através do ministério do Desafio Jovem foi Sonny Arguizoni. Sonny agora funciona como bispo de mais de 600 igrejas por todo o mundo, constituídas de ex-viciados. Na conferência do ano passado destas igrejas, 1.000 ex-prostitutas formaram um coral para cantar louvores a Deus por Seu poder libertador.

Nicky Cruz, o famoso ex-líder de gangue, treinado e formado pelo Desafio Jovem, tem pregado o evangelho da misericórdia a milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo, com multidões sendo salvas e libertas.

O mundo todo deveria se levantar em gratidão a Deus por Sua libertação salvadora, por restaurar os que estavam perdidos e abandonados pela humanidade

No mínimo, a sociedade deveria agradecer a Deus por salvar pais bêbados e reuni-los à suas esposas e filhos. Mas, lhe garanto, isso nunca acontecerá. Em todas as gerações, o mundo tem rejeitado o poder de Jesus para transformar vidas, mesmo quando confrontado com claras provas do contrário. Vi isso acontecendo inúmeras vezes nos primeiros dias do Desafio Jovem.

Anos atrás fui convidado à uma conferência médica em Nova York, quando Nélson Rockefeller era o governador. O seu multimilionário programa antidrogas havia falhado em trazer cura aos viciados. Levei comigo, à conferência, alguns graduados de nosso programa do Desafio Jovem. Eles estavam limpos por mais de dois anos e estavam frequentando institutos bíblicos ou se preparando para cursar Serviço Social, para poderem ajudar outros como foram ajudados. Dois dos jovens deram seus testemunhos àquele grupo de médicos e especialistas, dizendo como Jesus os havia libertado e que não tinham nenhum desejo por drogas.

O psiquiatra que se levantou a seguir falou como se houvesse ignorado tudo que os meus jovens haviam dito. Suas primeiras palavras foram, “Depois de tudo que fizemos, sabemos que inexiste cura conhecida para o viciado em drogas”. Um médico não religioso sentado ao meu lado ficou atônito com isso. Ele me cochichou, “Esse homem não estava na sala quando os seus jovens falaram?”.

O fato é que o mundo jamais irá aceitar Jesus como resposta. Se Cristo é a origem de toda misericórdia liberada – se a misericórdia da cruz é a causa dos milagres – tudo isso será posto de lado como lixo.

E mais, temos de ter cuidado com esses poderes do mundo que chegam cochichando, “Queremos ajudar”. Em muitos casos, ofertas do mundo para dar assistência aos ministérios podem ser inspiradas por Satanás; ajudas podem ser oferecidas via fundos ou programas do governo. Torna-se perigoso a todo ministério centrado em Cristo ficar dependente de fundos governamentais.

No fim, quando um ministério fica dependente de recursos do mundo, acaba se tornando apenas mais uma instituição de caridade, e fica faltando o poder de Cristo para verdadeiramente libertar. Além disso, fundos do governo com o tempo cessam, encerrando um trabalho que se iniciou como sendo do Senhor, mas se tornou dependente do mundo para operar.

Ofereço um alerta a todo ministério dirigido por Cristo: fique preparado, pois a pressão se tornará feroz. Toda igreja que buscar o ganho de almas e discipulado logo estará sob perseguição e difamação; o mundo chamará o seu trabalho de fraude.

Mas você deverá se lembrar do que Jesus nos disse: “Folgai nesse dia, exultai, porque grande é vosso galardão nos céus” (Lucas 6:23).

A prática da misericórdia do Senhor lhe custará uma confrontação em relação ao corpo de Cristo, confrontação transformadora de vida

Deus tem estado tratando comigo em relação ao Seu corpo espiritual. E eis o que Ele tem me mostrado: o modo que a maioria dos cristãos vive hoje prova que não compreendemos plenamente a relação de Jesus com o Seu corpo.

Imagine a angústia de Paulo em Damasco quando Cristo confrontou-o com a realidade do Seu corpo. O Senhor lhe diz, “Eu sou Jesus. E você está Me perseguindo”. Saulo havia achado que estava simplesmente tratando com indivíduos, fazendo o trabalho de Deus erradicando hereges judeus. Ele não sabia que estava atacando o próprio corpo do Senhor quando saía perseguindo a igreja.

Agora Saulo é sacudido pela seguinte verdade: “Jesus tem um corpo espiritual. Ele é o cabeça, nos céus. E o Seu corpo – os Seus filhos na terra – são ligados ao cabeça. É um corpo, constituído de crentes que são carne de Sua carne. E qualquer pessoa que for contra um deles na realidade estará indo contra Ele”. Cada uma das pessoas “de Jesus” que Paulo havia perseguido e aprisionado – tudo que ele havia dito e feito contra elas – foi sentido pessoalmente pelo próprio Cristo. A confrontação que Saulo teve com essa verdade transformou a sua vida.

Como Paulo apóstolo, ele chegou a compreender o quão profundamente Deus amou a Sua igreja. Viu que aos olhos do Senhor, a igreja era uma pérola de alto valor. Era também noiva imaculada para o Seu Filho – um corpo corporativo invisível, constituído de filhos provenientes de todas as tribos e nações da terra, comprados pelo sangue.

Estou convencido de que não levamos essa verdade a sério como deveríamos

Se compreendêssemos inteiramente essa verdade em relação ao Seu corpo, isso iria significar o fim de todos os rancores na igreja... o fim de toda amargura... o fim de todo preconceito, de toda competição, orgulho, mexericos e divisões carnais.

Agora mesmo, o mundo precisa de um exemplo vivo da cara misericórdia de Cristo. As tensões nunca foram maiores. Por décadas nos países africanos, tribo lutou contra tribo; essas guerras tribais promoveram pobreza, doenças, lares destruídos, e geraram feroz ódio nas gerações novas. Enquanto isso, na Europa e nos Estados Unidos a tensão racial está se expandindo através da sociedade, infiltrando-se mesmo dentro das igrejas.

Não se engane pensando que um presidente da república possa cuidar desses problemas. A dispendiosa misericórdia necessária em todo o mundo só pode vir através dos que experimentaram e receberam tamanha misericórdia para si mesmos. E esse é o chamamento de alto custo da igreja de Jesus Cristo. É oferecer a misericórdia que rebaixa o ego em favor de um irmão ou irmã – e, como Jesus demonstrou – mesmo em favor de um inimigo.

Eu lhe exorto a parar aqui e a se confrontar com essa verdade

Não dê andamento em sua vida ou ministério – pare todos seus planos e boas obras – enquanto não se confrontar com as implicações de ser um membro do corpo de Cristo. O Senhor declara o seguinte em relação à igreja, “Essa é a Minha pérola de grande preço, a noiva para o Meu Filho”. Pense no milagre que é ser parte de tal corpo. Pense também no grande chamado feito a esse corpo para mostrar misericórdia a um mundo impiedoso.

Quando Paulo de modo notável escreveu aos coríntios, foi para uma igreja que havia se virado contra ele. Ainda assim, pensando nela como corpo de Cristo, ele escreve, “Vocês tornaram-se muito queridos para mim. Todos vocês têm o meu coração. Amo e estimo cada um de vocês”.

Simplificando, a misericórdia enxerga além das faltas e quedas, além da auto-justificação. Se nós verdadeiramente crermos que ferimos Cristo pessoalmente toda vez que ferimos um irmão ou irmã – que aquilo que dizemos e fazemos contra qualquer membro de Seu corpo é, como Jesus disse, “contra Mim” - então iremos trabalhar dia e noite para acertar as coisas. E não iremos parar enquanto não estivermos limpos de tudo.

Contudo, a verdade é que podemos tratar mal as pessoas. Podemos separar-nos de um irmão ou irmã. Podemos ferir e magoar alguém. Podemos fazer e pensar ofensas raciais. Podemos facilmente comentar de forma inapropriada os outros. E achamos que “fica só entre eu e Deus”; então confessamos isso ao Senhor, nos arrependemos, e aí prosseguimos achando que está tudo bem. Mas nunca raciocinamos sobre o quanto nós ferimos Jesus – ou o nosso irmão – no processo. Não ferimos apenas um irmão, nós ferimos o Senhor; na verdade, ferimos todo o corpo, porque se um sofre, todos sofrem.

Mas aqui está a revelação que nos é dada: “Eu pertenço ao corpo de Cristo! E assim também o meu irmão, a minha irmã. Todos somos um. Isso resolve todo mexerico, toda tensão, todo rancor, porque estamos conectados ao Cabeça”.

Deixo-lhe com a mesma mensagem que Paulo trouxe a seus cooperadores

  • “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:3-4).
  • “Rogo... que vivam em harmonia no Senhor” (Filipenses 4:2).
  • “Portanto, como eleitos de Deus, santos, e amados, revesti-vos de compaixão, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3:12-14).

Eis como Paulo resume tudo. Na realidade, eis aqui a misericórdia vivida em plenitude: “Vocês se tornaram (são) muito amados por nós” (I Tessalonicenses 2:8). Eu lhe pergunto: todos os seus irmãos e irmãs em Cristo são amados por você? Quando a vida do nosso Cabeça flui para nós, membros do Seu corpo, começamos a amar não apenas uns aos outros mas até os nossos inimigos.

Senhor, que sejamos misericordiosos, como Tu fostes misericordioso conosco!

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