domingo, agosto 28, 2011

Amando os que se Perdem

David Wilkerson

Atualmente fala-se muito da situação perigosa do mundo. Nação após nação em problemas, à beira do desastre econômico. Ainda assim em meio a todo o medo e agitação que sufocam o mundo Deus ainda está amando e salvando as almas perdidas.

A Sua maravilhosa obra de salvação nunca muda. Ela não é afetada pela economia. O Seu Espírito Santo que busca e convence não é prejudicado pela situação de Wall Street nem pelas oscilantes finanças globais. O poder salvador de Deus jamais foi limitado por contas bancárias que encolhem.

O fato é que o nosso Senhor nunca faz remendos em Suas promessas. Elas são sempre "sim e amém" em todos os tempos e sob quaisquer circunstâncias. Deus não prometeu prover todas as nossas necessidades com exceção de quando estivermos desempregados. Ele não prometeu ser Jeová Jiré, o nosso Provedor, com exceção de épocas em que a economia amedronte.

As promessas de nosso Senhor nunca mudam. E isso inclui a Sua promessa quanto à salvação dos que se perdem

Quando Deus nos ordena ir por todo o mundo para ganhar os perdidos, Ele não inclui alguma cláusula de exceção; Ele não diz: "Preguem o evangelho de Meu Filho Jesus Cristo à todas as nações – menos em tempos difíceis". Ele nunca disse, "Acredite na salvação de muitos – a menos que haja grandes abalos no mundo".

Graças a Deus, Ele nunca disse que o mundo está corrompido demais, endurecido demais, entregue demais à cobiça para ser alcançado pelas Boas Novas. Em nenhum momento da história o Senhor em algum momento limitou Suas ternas misericórdias – e nunca o fará. Nesse momento, os Estados Unidos e o resto do mundo podem ainda ser poupados de condenação – se houver arrependimento verdadeiro. Claro, tal arrependimento iria requerer uma grande humildade e retorno em massa para o Senhor. Mas o nosso Senhor nunca rescindiu Sua impressionante oferta de misericórdia.

Em verdade, o Senhor providenciou para que ninguém precisasse perecer. As escrituras dizem que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Pelo contrário, Ele deu Seu próprio Filho para que nenhum pereça e todos tenham vida eterna.

A despeito da grande dádiva de Deus, o mundo odeia o Cristo que os ama

Jesus declarou que veio buscar e salvar o que se havia perdido. Ele que tinha poder para abrandar ventos e mares, que poderia mandar cair fogo do céu para destruir os iníquos, que encarnava a justiça – esse mesmo Jesus veio como servo humilde.

E trouxe cura ao povo. Cristo ouvia pacientemente multidões de pessoas arruinadas pedindo livramento das aflições. Ele abriu olhos cegos. Ele fez aleijados andar. Ele curou enfermos. Abriu a língua e ouvidos aos mudos e surdos. Jesus até ressuscitou mortos. Simplificando, Jesus libertou os cativos exatamente como prometera fazer; Ele fielmente rompeu todas as formas de cativeiro que encontrou.

A verdade é que nenhum ser humano alguma vez amou os perdidos mais do que Jesus amou; Ele sofria por serem como ovelhas dispersas e confusas necessitando de pastor; Ele chorava pela cegueira espiritual deles; Ele derramou a própria vida por eles na cruz. Pessoa alguma na história deveria ter sido mais amada ou respeitada. Cristo deveria ter sido honrado e estimado por todos. Porém a despeito de todo o Seu derramar de amor sacrificial, o mundo O odiou sem motivo.

Havia milhares e milhares de razões para se amar Jesus, e nem uma única razão para odiá-Lo. O que teria feito para ser tão odiado e desprezado? Os evangelhos falam de Cristo bondoso, paciente, longânimo, perdoador, cheio de ternura e misericórdia, desejando que ninguém se perdesse. É chamado de pastor, mestre, irmão, luz nas trevas, médico, advogado, reconciliador. Ele viveu fazendo só o bem. Ninguém alguma vez teve motivo para odiá-Lo. Então por que o ódio profundo e cruel por Cristo? Por que a violência feita contra Ele e Seu nome?

Jesus foi odiado pelo mundo porque veio como luz para livrar o mundo das trevas. João escreve: "E a condenação (o motivo para odiá-Lo) é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas (descobertas)" (João 3:19-20).

Jesus declara o seguinte a respeito de Si: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida" (8:12). Isso explica o motivo de Jesus ter sido tão odiado. O Seu evangelho é um chamado ao mundo para que "deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz" (Romanos 13:12).

Esta é a razão de o mundo odiar Cristo, tanto naquela tempo quanto agora

Jesus prometeu libertar os pecadores das correntes das trevas, torná-los livres de todo poder satânico. Mas eles não quiseram isso. Por que? O que o cristão vê como liberdade, o mundo vê como escravidão.

"Liberdade? Que liberdade?" eles perguntam quando lhes é oferecida a liberdade em Cristo. "Eu já sou livre. Fui liberto de todas as restrições, de todos os tabus sexuais. E estou liberto da escravidão da Bíblia. Estou livre para adorar o deus que eu próprio escolher, e no meu caso não quero deus nenhum".

O fato simples é que o mundo ama as coisas deste mundo. E ama os prazeres do pecado. Como Jesus colocou, eles preferem as trevas. Por isso, como Cristo preveniu os discípulos, "Por Eu ter lhes escolhido do mundo, o mundo os irá odiar como Me odiou", ou seja, "Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia" (João 15:18-19).

É por isso que a sociedade libera esforços maciços para erradicar tudo que seja pertinente a Jesus... é por isso que há tanto desdém por Seus seguidores... que os tribunais tentam proibir a simples menção do Seu nome... que há tanta aversão, mesmo insultos em relação aos que declaram a Bíblia como bússola moral. Tudo isso tem a ver com a nossa missão como sustentadores da Sua luz.

Pense no seguinte: como testemunhas de Cristo, somos chamados para uma tarefa aparentemente impossível. Estamos pedindo que o mundo abandone as coisas que lhe são mais caras: os seus pecados. Aos seus olhos, o caminhar cristão – uma vida de pureza e santidade – parece uma forma de escravidão. A idéia que nós temos de céu para eles parece mais o inferno. Quando nos ouvem falar do evangelho, é ofensa ao seu modo de vida. O evangelho de Cristo os chama para se arrependerem dos pecados que amam, para se arrependerem de rejeitar o Deus que morreu por eles na cruz. Chama por uma vida de santidade, quando por anos tentaram silenciar a consciência, matar qualquer noção de que poderia estar chegando um dia de acerto de contas.

O evangelho de Cristo também diz que a bondade pessoal deles não os torna merecedores da vida eterna. Pede àquele que venceu por seus próprios esforços que morra para si e para suas ambições egoístas, e que dê a sua vida pelos outros. Declara que o próprio senso de integridade dele é nada aos olhos de Deus. Tal evangelho é uma ameaça à sua pérola de grande preço: as suas conquistas pessoais, coisas pelas quais ele batalhou muito tempo para obter. Se você diz que a retidão e a justiça dele não lhe trazem méritos para a salvação, ele não concordará.

Na última ceia Jesus diz, "Novo mandamento vos dou" (João 13:34)

Ao fim de Seu tempo com os discípulos antes da crucificação, Jesus alertou, "Alguns de vocês serão rejeitados, alguns serão presos, alguns serão mortos. Todos vocês serão perseguidos" (v. João 16:2). Que mensagem de despedida; os discípulos iriam ser odiados, vistos como escória da terra!

Contudo Jesus lhes deu uma palavra de orientação na mesma ocasião. Qual foi a instrução final? Foi sobre como alcançar a geração deles após Ele partir. Essa palavra de orientação nada tinha a ver com métodos de evangelismo - Jesus já havia dito aos discípulos que eles deveriam ir por todo o mundo pregando o evangelho, e que iriam precisar do poder do Espírito Santo para fazer isso. Estas duas coisas já estavam claras para eles.

Agora, Eles lhes diz, "Vos dou um novo mandamento". Jesus dizia simplesmente: "Se obedecerem esse novo mandamento, todos os homens irão saber quem vocês são. E saberão exatamente o que vocês representam. Eles poderão te odiar. Poderão lhes chamar de fanáticos, e lhes expulsar das sinagogas. Mas saberão que vocês são Meus".

Eis o mandamento de Jesus aos Seus discípulos: "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros" (13:34, itálicos meus). Note que isso não é uma opção; é o mandamento de Jesus. E é aí que todo esforço evangelístico deve começar.

Veja, as escrituras deixam claro que devemos alimentar os pobres, e a igreja sempre fará isso fielmente. Devemos cumprir muitas boas obras, por meio das quais pregamos Cristo ousadamente. Mas para penetrarmos nas "trevas profundas" precisamos nos apoderar deste novo mandamento de Jesus. Por que a nossa obediência à esta ordem é necessária para irromper em meio às trevas? Cristo explica: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (João 13:35, itálicos meus).

De acordo com Jesus, unicamente este tipo particular de amor – um amor pelos co-participantes da fé – irá ganhar a atenção de uma geração que se perde. É o mesmo tipo do amor de auto-negação e sacrificial que Jesus mostra a cada um de nós. E tal amor pela nossa família em Cristo não pode ser cumprido em palavras apenas, mas por atos.

Este mandamento consegue duas coisas. Primeiro, é a única maneira de se responder ao ódio que vem do mundo: "como eu vos amei... vos ameis uns aos outros" (13:34). O nosso amor pelo outro é um refúgio e porto seguro para todos os do corpo de Cristo.

Segundo, através deste mandamento o Espírito Santo revela à nossa geração o seu grande sendo de necessidade. Por que multidões de pessoas se voltam à bebedeiras? Por que multidões buscam as drogas como nunca antes? Por que a frequência de suicídios está crescendo? A explicação é simples: por todos os lados as pessoas estão sofrendo. A enfermidade do pecado está presente em massa, com multidões de pessoas infectadas pelo vazio.

As pessoas atualmente têm muito pouco no que confiar. Instituições que foram confiáveis por muito tempo estão desmoronando. As estruturas econômicas e morais se desintegraram. Inexiste segurança financeira ou pessoal. A quem se pode recorrer? Onde se pode encontrar exemplos de amor real e permanente nesses dias tão agitados e de perigo?

O mundo necessita sermões ilustrados – poderosos exemplos pessoais - do amor de Deus

Em João 17:21, Jesus faz esta oração: "A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste" (itálicos meus).

Pense nisso: até em Suas horas finais, Jesus continuava desejando ardentemente a humanidade perdida. E estava dando à igreja orientações específicas sobre como ganhar essas multidões que se perdiam. Atente às Suas palavras finais sobre o assunto: "Sejam como um só! Deixem de lado toda disputa e divisão, para que o mundo possa crer em Mim".

Alguém pode pensar, "Isso soa muito simplista. Será assim mesmo que a igreja vai conseguir chegar aos corações endurecidos? É assim que devemos combater as trevas profundas? Será que simplesmente por se amar uns aos outros isso verdadeiramente irá conceder poder sobrenatural para combater o ódio?".

A resposta é sim, sim e sim, definitivamente! Segundo Jesus, o poderoso amor de Deus é revelado mais claramente ao mundo pelo amor incondicional do Seu povo, de uns para os outros.

Nesse exato momento, uma das estratégias principais de Satanás contra a igreja é plantar divisões e contendas. Para todo lado que olho no corpo de Cristo em todo o mundo, fico convencido de que hordas de demônios foram enviadas em missão para dentro das paredes da igreja. E o objetivo é destruir o amor dos cristãos entre si.

A estratégia do Diabo é sutil: ele provoca briga de uma raça contra outra raça e de ricos contra pobres no corpo de Cristo. A discórdia racial, especificamente, está sendo alimentada em todo o mundo por meio da televisão e outros recursos da mídia. Há anos eu não via esse ódio racial sendo vomitado, mas agora está infiltrando as paredes da casa de Deus.

Agradeço a Deus porque a Igreja de Times Square foi levantada sem distinção de cores ou entre pobres e ricos. Todos os que entram por nossas portas são tratados com o mesmo respeito e o mesmo amor de boas vindas. Temos desfrutado das bênçãos de Deus por vinte e dois anos, e acredito que isso em parte seja porque temos obedecido o mandamento de Cristo para amar uns aos outros como Ele nos amou.

É claro que todo cristão afirma não ter preconceito. Mas se não obedecermos a Deus nesse assunto – se não clamarmos pedindo que Ele remova de nossos corações a mínima semente de divisão que haja – então o nosso testemunho ao mundo irá perder força. Não teremos nada para impactar as trevas profundas. E o testemunho que Deus nos confiou será perdido.

Tragicamente, o mundo religioso ficou dividido por séculos

Por gerações, terríveis divisões jogaram cristãos uns contra os outros. Irmão se levantou contra irmão, irmã contra irmã, e denominações inteiras foram arruinadas.

A verdade é que verdadeiramente amo o meu irmão só quando posso estar lado a lado com ele em adoração a Jesus. Sei que verdadeiramente amo o meu irmão quando posso estar confiantemente diante do trono de Cristo sabendo que nada tenho em meu coração contra ele. Sei que verdadeiramente amo o meu irmão quando tenho o mesmo amor por ele que Jesus mostrou por mim.

Como amamos verdadeiramente uns aos outros como Cristo nos ama?

Acontece quando perdoamos os que nos ofenderam, como Cristo nos perdoou.

Acontece quando buscamos os que se desviaram, fazendo tudo que está em nossas forças para restaurá-lo.

Acontece quando consideramos os outros melhores do que nós mesmos.

Prezado santo, apelo a você hoje: abandone toda a sua amargura, contenda e desrespeito. Não impeça a bênção de Deus em sua vida e no seu lar. Obedeça esse novo mandamento a você e lembre-se da Sua palavra: "Através disso todos os homens saberão que vocês são Meus – quando amarem uns aos outros!". Então os que se perdem verão e conhecerão o amor de Deus através de Seu povo obediente, jubiloso e sacrificial – a igreja. Amém!

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segunda-feira, agosto 15, 2011

Ressuscitado dos Mortos

David Wilkerson

Como cristãos, cremos na ressurreição de Jesus Cristo. Após a crucificação do Senhor, o Espírito Santo entrou no túmulo onde Ele jazia e O ressuscitou. É por isso que na Páscoa cantamos que Cristo se levantou da tumba vitorioso, e agora reina para sempre com os santos.

Também cremos que pelo poder de Cristo seremos ressuscitados. Isso acontecerá quando Jesus voltar. As escrituras dizem que todos seremos transformados num piscar de olhos. O Espírito Santo nos elevará desta terra com corpos incorruptíveis e nos colocará na presença do próprio Senhor.

Essa é a ressurreição que Paulo descreve nas epístolas; é o poder de um Deus que levanta os mortos.

Quero lhe mostrar que Cristo ainda ressuscita os mortos hoje

Falo agora da vida ressurreta que Deus dá aos que estão mortos espiritualmente. Paulo descreve esse tipo de poder doador de vida em sua carta aos Efésios:

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2:1-6).

Nesse momento muitos cristãos estão mortos no espírito, sem vida real.

Quando se vive segundo a carne, com o tempo virá morte. Não estou falando da morte física. Estou falando de se ter a vida sugada. Por exemplo, quanto mais atado você fica a bens materiais e prazeres da carne, mais pungente é a tentação para se mergulhar fundo neles. E mais vazio você se torna. Isso é morte espiritual.

Paulo refere-se a isso quando diz que temos uma “sentença de morte, para que não confiemos em nós mesmos e sim no Deus que ressuscita os mortos” (2 Coríntios 1:9). Ele testifica basicamente: “O Senhor me livrou de uma grande morte. E continua me livrando. Ele será fiel para me livrar no futuro também”.

Há uma história poderosa por trás do que Paulo está dizendo aqui. Numa ocasião ele estava pregando em Éfeso, uma cidade que adorava a deusa Diana. Os artesões em Éfeso haviam feito fortunas vendendo pequenas réplicas da deusa. Mas quando Paulo entra em cena, ele prega “O teu deus é falso. Há apenas um verdadeiro Deus. E o Seu Filho viveu e morreu para que os que estão mortos no pecado possam viver”.

Furiosos, os comerciantes de prata compreenderam que sua sobrevivência estava em risco. Então agitaram a multidão para que prendessem Paulo, resolvidos a matá-lo. Paulo ficou convencido de que ia morrer.

Na iminência da morte Paulo escreveu essas sentidas palavras

Paulo confessa: “(a) tribulação que nos sobreveio... foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida” (2 Coríntios 1:8, itálicos meus). Ele acrescenta, explicando, “Já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós e sim no Deus que ressuscita os mortos” (1:9, itálicos meus).

Diga-me, você alguma vez esteve assim tão aniquilado como Paulo estava, tão distante de recursos? Alguma vez já esteve esvaziado de toda força, tão sufocado a ponto de desesperar até da vida? Quando Paulo diz: “Me desespero da vida”, está dizendo que enfrentou uma sentença de morte: “Recebemos a sentença de morte”.

Mas Deus entrou em cena e o livrou. Havendo experimentado um milagre, Paulo escreveu à igreja em Éfeso: “Ressuscitei dos mortos. O Senhor me tirou da sepultura. Vi o inferno de frente, mas Deus me ressuscitou!”.

Aqui em Nova York vemos multidões na vida diária que parecem estar vibrantes e com vida, mas estão mortos

Essa cidade parece ser a própria definição de vida; não fica quieta momento algum. Presidentes de corporações gigantescas ficam ocupados fazendo acordos, enormes varejistas movem suas mercadorias, companhias de entretenimento vendem milhares de ingressos para shows e exibições.

Enquanto isso, nas ruas camelôs alardeiam seus artigos, donos de cafés servem refeições e motoristas de táxi vão e vêm pegando passageiro após passageiro. Tudo no maior agito e tumulto, com pessoas apressadas. Nova York simplesmente não é uma cidade que tem aparência de morte.

Porém o Espírito de Deus se move nos corações, insistindo nas perguntas: “A vida é só isso? Comprar, vender, se manter ocupado? Atividade por si se traduz como vida real? O que está por trás de tanta ocupação?”.

À noite, as pessoas se lançam às ruas para participar da vida noturna. Para os que não conhecem Cristo, farrear na cidade parece divertido. O pecado é prazenteiro, e a vida noturna nesta cidade tem a aparência de estar muito viva.

Mas o pecado acaba trazendo enfado. E o mesmo pecado que traz prazer também traz dor na alma quando a farra acaba.

Deus fala sério quando diz, “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23)

Por todo o capítulo 8 de Romanos, Paulo faz um esboço das realidades destrutivas do pecado. Ele diz: “Se você vive segundo a carne, morrerá. Ser guiado pela luxúria, viver só pelos sentidos, leva à morte. O corpo está morto devido ao pecado”.

Em resumo, morte significa não ter vida. E somente Jesus concede vida, declarando, “Eu sou a ressurreição e a vida”.

Devido à falta de vida nos incrédulos, tudo que eles perseguem leva à morte. Essa é a razão pela qual tantos buscam o álcool e drogas “recreativas”. O “barato” não é mais curtição para eles. Não, é uma tentativa de amortecer a dor criada pelo pecado, uma dor causada pelo vazio real.

“Obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza” (Efésios 4:18-19).

Que condição terrível Paulo está descrevendo. Ele diz, “Estas pessoas estão tão entregues ao mundo dos prazeres, que deixaram de sentir, ficaram insensíveis”. Ou seja, ficaram amortecidas a qualquer discernimento de Deus ou da vida.

Em Sua misericórdia o Senhor busca toda alma que esteja entorpecida.

Paulo faz um contraste em relação aos que são do corpo de Cristo: “Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento” (Efésios 4:20-23).

Paulo torna sua mensagem simples: “Você pode ser ressuscitado. Você pode ser transformado. Você pode ingressar na nova vida”.

Quando preguei essa mensagem em nossa igreja em Times Square, vi uma mulher que assistia o culto - pessoa que havia passado anos dançando e bebendo pelas madrugadas. Ela literalmente havia passado dez anos num clube de dança da vizinhança tentando encontrar paz.

Ao entrar em nossa igreja ela estava cansada de tudo, morta espiritualmente. Chegou com coração desejoso, procurando. Ao me ouvir pregar, pensou, “Este homem está falando diretamente a mim. Ele está lendo a minha mente. Ele dever ser um médium!”.

Ela aprendeu mais tarde que o Espírito Santo estava revelando o conteúdo de seu coração. Aquela noite ela saiu de seu lugar e deu a vida a Jesus. Agora ela está viva pelo poder dAquele que é a ressurreição e a vida!

Em qualquer igreja você pode olhar os que estão ao seu lado,e ver pessoas que estavam mortas e foram ressuscitadas.

Como você, seus companheiros de igreja estavam mortos em transgressões e pecados. Em verdade, muitos dos casais felizes que você vê haviam planejado se divorciar certa vez; estavam convencidos de que o casamento havia acabado, e não havia chance. Mas Deus os levantou para uma nova vida.

Esta semana recebi e-mail de um pastor que havia deixado a igreja. Esse homem estava convencido de haver sido derrotado. Havia caído fundo no pecado e perdeu a esposa e filhos. Sua vida toda desmoronou, e ele se viu contemplando a morte.

Na hora mais negra, ele se ajoelhou e pediu socorro. Jesus veio até esse homem destruído, desesperado, e soprou vida nova dentro dele. Logo após, a esposa lhe telefona, dizendo, “Sinto falta de Jesus. Será que poderíamos tentar de novo?”.

Hoje esse pastor trabalha em um de nossos centros de reabilitação de drogas. Veja Efésios 2:1-2: “Ele (o Senhor) vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados... todos nós andamos... segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira”.

Talvez essa seja a descrição de sua experiência. Antes de conhecer o Senhor você agia segundo seu próprio querer; você foi levado pelo espírito deste tempo, experimentando todos os pecados e prazeres. Você achava que iria “desligar Deus” até mais tarde. Você achava que suas boas obras e doações lhe salvariam.

E então o Senhor veio até você. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2:4-6).

Amado, tudo isso se refere ao ganho da vida nova - a qual só pode ser encontrada em Cristo. Paulo não está falando aqui da ressurreição final; ele está descrevendo o que Deus faz na terra – ressurreição é aqui e agora!

Me diga se não é ressurreição quando o Espírito de Deus vai às ruas e alcança o pecador necessitado, transformando-o? Isso aconteceu a centenas e centenas de pessoas em nossa igreja. Muitos estavam vivendo nas ruas – alguns sem teto, outros viciados, prostitutas – e Jesus os tocou com nova vida.

O mesmo acontece por todo o mundo em igrejas que pregam o evangelho, sejam grupos grandes ou pequenos. Pessoas mortas são transformadas, recebem nova vida, porque em Cristo tudo se faz novo: “As coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:17).

Creio naquilo que chamamos de “encontros divinos”arranjados pelo Espírito Santo

Um jovem me enviou um e-mail recentemente contando do momento mais dramático de sua vida. Ele diz: “Eu estava em desespero por ter perdido tudo. Eu simplesmente sentia que não havia mais esperança pra mim. Eu tinha tentado todos os pecados, todas as maneiras possíveis de se achar paz. Mas nada ajudava. Finalmente decidi que já bastava. Pus um revólver na cabeça, pronto pra me matar. Aí então fiz uma última oração: 'Deus, se Tu existes, e se me amas, então me pare, ou estou morto'. Naquele momento, ouvi uma voz dentro de mim dizendo - 'Levante, olhe na tua caixa de correio'”. O jovem soltou o revólver e foi até a caixa de correio. Uma pessoa anônima havia lhe enviado um pacote. Ele abriu e descobriu uma cópia de meu livro A Cruz e o Punhal. O jovem se assentou e começou a ler. Continuou lendo até acabar toda a história. Ao fechar o livro começou a chorar. Ele clamou, “Deus, se Tu podes salvar Nicky Cruz, um perigoso chefe de quadrilha, então podes me salvar”.

Hoje este jovem está em chamas para Cristo. Deus veio e interveio, salvando-o de uma dupla morte!

Eu lhe pergunto: o que primeiro o levou a entrar numa igreja?

O que você esperava quando pela primeira vez assistiu a um culto de igreja? Você estava de coração aberto? Você tinha esperança de algo penetrar no seu coração e lhe trazer paz? Você tinha esperança de ser tocado em sua profundidade e receber conforto?

Lhe digo uma coisa: você não entrou na igreja por acaso; isso não veio do nada: o misericordioso Espírito de Cristo o levou lá. Em verdade, Ele tinha você no radar há algum tempo. “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós” (João 15:16).

O Senhor é soberano. Ele não brinca com a vida das pessoas. Ele pode mover céus e terra para conseguir Seus propósitos. E pode lhe colocar exatamente onde você está, tanto para lhe salvar como para mover o plano dEle para a sua vida.

Há alguns anos atrás uma jovem viciada em heroína veio me ouvir pregar. Ela sustentava o vício se prostituindo. Essa jovem endurecida há muito tempo não tinha mais sensibilidade; em verdade nunca havia chorado na vida. O seu coração era frio, amargo e morto interiormente.

Então, no meio da mensagem, ela sentiu algo aquecido por dentro. Subitamente foi levada a orar: “Deus, se Tu existes, por favor me faça chorar”.

Uma lágrima começou a cair. Depois outra. E outra e outra, até que finalmente um mar começou a rolar por sua face. E foi saindo cada grama da amargura e dos sentimentos de rejeição.

Essa jovem era Cookie Rodriguez, que mais tarde escreveu o livro Please Make me Cry (por favor, me faça chorar). Ela foi levantada dos mortos! Nesse momento Cookie viaja pelos estados do país contando a história do poder de ressurreição vindo de Deus.

Deus está chamando todos os Seus filhos e filhas pródigos para voltarem

Não é importante para Deus o quanto você se afundou no pecado. Não é importante você achar que Ele não o ama. O amor e a misericórdia dEle estão à porta do seu coração. Simplesmente abra essa porta, agora mesmo. Ele entrará e lhe levantará em novidade de vida.

Eis o chamado de Deus para você, de Efésios 4:17-23 (em paráfrase):

“Não siga o caminho de alguns, que estão alienados da vida de Deus pela ignorância que há neles devido à cegueira de seus corações. Eles estão desprovidos de sentimentos e sensibilidade, e se entregaram à lascívia. Tire tudo isso de ti, e seja renovado – ressuscitado - no espírito do seu entendimento e modo de pensar”. Amém!

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quinta-feira, agosto 11, 2011

A Benignidade do Senhor

David Wilkerson

Ao longo da Bíblia ouvimos essas palavras maravilhosas serem ditas por muitos servos de Deus: "O teu Deus é misericordioso, clemente, compassivo, ansioso por perdoar, grande em benignidade, tardio em irar-se'' (ver Êxodo 34:6, Deuteronômio 4:31, Jonas 4:2, Joel 2:13, Romanos 2:4). Essas palavras sobre a benignidade de Deus são recitadas vez após outra por homens como Moisés, Jonas, Davi, os profetas e o apóstolo Paulo.

Alguns cristãos podem ficar surpresos ao saber que Moisés falou da benignidade de Deus. Afinal de contas, Moisés ficou conhecido como o Legislador, trazendo duras admoestações sobre a obediência à lei de Deus. Ele alertou o povo que caso se recusassem a andar em retidão seriam julgados.

No entanto Moisés também teve essa grande revelação sobre a benignidade de Deus. Como ele soube desse aspecto da natureza de Deus? O Senhor revelou isso a ele na nuvem da Sua presença:

"Tendo o Senhor descido na nuvem, ali esteve junto dele e proclamou o nome do Senhor. E, passando o Senhor por diante dele, clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado" (Êxodo 34:5-7, itálicos meus).

Mesmo quando Moisés pregava os alertas quanto ao julgamento, ele sempre relembrava esse aspecto importante do caráter de Deus. De fato, Moisés instigava o povo dizendo, "Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então nos últimos dias voltarás para o Senhor teu Deus, e ouvirás a sua voz; porquanto o Senhor teu Deus é Deus misericordioso, e não te desamparará" (Deuteronômio 4:30-31).

No Velho Testamento, o povo de Deus O esqueceu vez após vez, no entanto em cada uma delas Ele os restaurou e abençoou incrivelmente

O Senhor tinha todo o direito de desistir de Israel, mas Ele sempre permaneceu fiel a eles. Neemias resume essa verdade maravilhosa sobre Sua natureza:

"Mas, tendo alcançado repouso, tornaram a fazer o mal diante de ti... todavia quando eles voltavam e clamavam a ti, tu os ouvias do céu, e segundo a tua misericórdia os livraste muitas vezes... Contudo pela tua grande misericórdia não os destruíste de todo, nem os abandonaste, porque és um Deus clemente e misericordioso" (Neemias 9:28, 31).

Isaías também conhecia esse aspecto da natureza de Deus. Como Moisés, Isaías pregou sobre o julgamento de Deus contra o pecado. Ele falou de dias negros de desespero que viriam aos que vivem em contínua rebelião. No entanto, no meio de uma de suas mensagens mais diretas, Isaías parou para fazer essa declaração:

"Celebrarei as benignidades do Senhor, e os louvores do Senhor, consoante tudo o que o Senhor nos tem concedido... segundo as suas misericórdias, e segundo a multidão de suas benignidades" (Isaías 63:7).

Para todo lado que Isaías se voltava ele via retrocesso e apostasia em Israel. No entanto, apesar disso, Isaías olhou para seu coração e recordou-se da revelação de como Deus realmente era. E começou a louvar a Deus pela Sua fidelidade: "Senhor, nos rebelamos contra Ti e nos desviamos do Teu Santo Espírito. Salve-nos novamente pela Tua graça. Mova a Tua compaixão para conosco. És cheio de benignidade".

O profeta Joel também deu alertas calamitosos sobre dias de densas trevas. Ele profetizou sobre terremotos terríveis e o escurecer do sol e da lua. No entanto, Joel pára repentinamente no meio de um alerta horrível e começa a falar da natureza amorosa de Deus:

"Todavia ainda agora diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal" (Joel 2:12-13).

A palavra "arrepende" aqui significa que Deus quer anular o julgamento que se deve seguir ao pecado. Simplificando, Ele não quer julgamento para nós. Seu desejo é que lamentemos pelos nossos pecados e nos voltemos a Ele para sermos restaurados.

O alicerce para toda vitória sobre o pecado é entender que Deus é terno e cheio de benignidade

"Assim diz o Senhor... mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor" (Jeremias 9:23-24).

Se você já caminhou com o Senhor algum período de tempo, provavelmente encorajou a outros de que Deus é clemente e perdoador. Agora lhe pergunto: quando você erra com o Senhor então de repente tudo isso se torna diferente? Você se encontra lutando em meio a sentimentos terríveis de culpa e de vergonha?

Você pode dizer, "Mas não deveríamos experimentar tais sentimentos quando pecamos?". De fato, tais sentimentos são resultados naturais do pecado. Mas como filhos de Deus não devemos continuar por dias e semanas pensando que nosso Pai está bravo conosco. Devido à provisão de Cristo na cruz, toda culpa e condenação podem ser rapidamente aliviadas. Assim Ele promoveu.

No entanto, mesmo depois de termos nos arrependido, podemos sentir como se devêssemos compensar nossas falhas com o Senhor. Como o filho pródigo, podemos ter o Pai nos abraçando, beijando nosso rosto, colocando um anel em nosso dedo e uma manta em nossas costas. Ele nos diz para esquecermos o passado, entrar à sua casa e desfrutarmos do banquete que preparou para nós.

Mas por dentro protestamos. A gente pensa: "Não posso entrar. Não sou digno! Pequei contra o Senhor. Preciso mostrar a Ele o quanto lamento. Preciso padecer, carregar um pouco mais essa culpa".

Para muitos cristãos é fácil acreditar que Deus perdoou os mais terríveis pecados de Israel. Não temos problema em aceitar que Ele perdoou Nínive no Velho Testamento e o ladrão à morte no Novo Testamento. Mas, estranhamente, achamos difícil aceitar o mesmo perdão para nós mesmos. Por alguma razão, é difícil para nós compreendermos que no momento em que nos voltamos a Ele, em arrependimento, Ele rápida e amorosamente nos aceita de volta como se jamais tivéssemos pecado.

A Bíblia promete que é possível entender a benignidade do Senhor

Repare nas palavras de Davi aqui: "Quem é sábio observe estas coisas, e considere atentamente as benignidades do Senhor" (Salmos 107:43, itálicos meus). Davi diz que esse salmo contém a chave para o entendimento das benignidades de Deus. Que chave é essa? É repetida quatro vezes no salmo: "Então clamaram...".

Davi havia recebido uma revelação tremenda do bondoso e perdoador coração de Deus. E descobriu isso simplesmente olhando como no passado Deus lidara com Seus filhos amados. Davi relata:

"Andavam famintos e sedentos; desfalecia-lhes a alma. E clamaram ao Senhor na sua tribulação, e ele os livrou de suas angústias; conduziu-os por um caminho direito... Dêem graças ao Senhor pela sua benignidade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens!" (107:5-8).

Quando os filhos de Israel se desviaram do Senhor ficaram famintos, sedentos e perdidos por causa do pecado. O que eles fizeram? "Clamaram ao Senhor... e ele os salvou de suas angustias" (107:6).

No entanto, mais uma vez eles se rebelaram e desviaram, caindo ainda mais fundo. De novo lemos: "Então clamaram ao Senhor... e enviou a sua palavra, e os sarou, e os livrou da destruição" (107:19, 20).

Finalmente, o povo de Deus mais uma vez veio ao seu beco sem saída. Uma tempestade se ergueu e suas almas se derreteram com tribulações: "Então clamam ao Senhor na sua tribulação, e ele os livra de suas angústias. Faz cessar a tormenta, de modo que se acalmam as ondas" (107:28, 29).

Eis o que o Senhor estava ensinando a Davi através dessa lição de historia: "Dê uma olhada nos registros de como lido com Meus filhos. Eles falharam comigo vez após outra. Mas então clamaram; Me buscaram. E Meu coração é tocado pelas lágrimas dos Meus filhos; sou movido com compaixão quando eles retornam para Mim. Essa é a Minha natureza. Sou tocado pelo sentimento de suas enfermidades".

Davi respondeu à essa revelação, "Veja quão facilmente o coração de Deus é movido. Oh, como Ele é rápido ao responder ao clamor de Seus filhos. Suas misericórdias não têm fim".

Amado, você não precisa continuar em agonia e culpa. Ao invés disso, vá ao Senhor, clame e confesse a Ele. Ele é um Pai carinhoso que é tocado pela totalidade de cada um dos seus clamores.

Houve um momento em que o próprio Davi precisou de uma revelação da misericórdia do Senhor

É bem conhecido que o rei Davi caiu em um pecado terrível, cometendo adultério e encobrindo-o com assassinato. Além disso, sabemos que Davi era cheio do Espírito Santo, portanto ele deve ter se sentido miserável. Davi só se manteria assim infeliz até que confessasse (a Deus) os atos horríveis que cometera.

O profeta Natã o confronta, dizendo: "Você trouxe vergonha ao nome de Deus". Imediatamente, Davi confessou e se arrependeu. Estando ele ainda chorando Natã assegurou a Davi, "Perdoados estão os teus pecados".

No entanto, ouvir essa afirmação não foi o suficiente para Davi. Veja, uma coisa é ser perdoado, e outra é estar livre e liberado pelo Senhor. Davi sabia que o perdão era a parte fácil. Agora ele queria se acertar com Deus, e ser capaz de ter sua alegria de novo. Então ele clama, "Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu santo Espírito" (Salmos 51:11).

O Salmo 51 foi sendo escrito à medida que Davi se lembrava da misericordiosa e longânima natureza do Senhor. No verso de abertura ele apela ao perdão carinhoso de Deus: "Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade, apaga as minhas transgressões segundo a multidão das tuas misericórdias".

Davi sabia exatamente o que fazer: Ele clamou! "Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o livrou de todas as suas angústias" (34:6). "Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor" (34:15). "Os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angustias" (34:17).

Prezado santo, eis aqui sua vitória sobre cada batalha. É possuir essa confiança: não importa o quão gravemente caiu, você serve a um Senhor que está pronto a perdoar; na verdade Ele está ansioso para curá-lo. Ele possui mais benignidade em seu favor do que você algum dia precisaria.

Portanto, aqui está a sua arma: clame! Clame como Davi clamou, com todo o seu coração. Vá ao Senhor e confesse seu pecado. Apele à Sua benignidade, dizendo, "Senhor, sei que me amas. E sei que estás pronto para me perdoar. Arrependo-me diante de Ti agora".

Naquele exato momento você ficará liberado com Deus. É fútil pensar que você pode retribuir qualquer quantia pelo seu pecado. Deus ama você de tal maneira que deu Seu Filho, Jesus, que já efetuou todo o pagamento. Nosso misericordioso e amoroso Advogado está ansioso para ajudá-lo e libertá-lo: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo" (1 João 2:1).

Lembro-me de um dia quando passeava calmamente com minha netinha, Tiffany e ela começou a andar em cima de um muro baixo, de concreto. Eu a segurava por trás para impedi-la de cair, mas ela tentava tirar minha mão. Até que deixei-a ir, e ela tombou, apesar de não ter se machucado. Quando ela caiu, não a rejeitei, claro. Eu não disse, "Olha só o que você fez. Você não é mais minha!". Nenhum avô amoroso faria isso.

O Senhor me mostrou através dessa experiência, "David, você se permite amar tanto essa criança. Mas às vezes você não Me deixa amá-lo da mesma forma. Você se incha de orgulho pelos seus filhos, mas às vezes não me permite que Eu me orgulhe de você".

Não muito depois daquele dia, ouvi o Senhor dizer uma palavra doce ao meu coração. Ele disse, "Filho, você me faz feliz. Você bendiz Meu coração!". Ninguém jamais disse algo melhor para mim em minha vida. E sei que aquela palavra particular para mim é verdade. A Bíblia diz que o Senhor se deleita em Seus filhos.

A benignidade de Deus é para ser desfrutada

Jonas era um profeta que entendia plenamente a benignidade do Senhor. Mas foi um homem que não pôde desfrutar ou apropriar-se dela. Ao invés disso, Jonas transformou a benignidade de Deus em um fardo para si mesmo.

Veja, os ninivitas eram inimigos de Israel. Agora Deus estava ordenando que Jonas fosse à ímpia cidade de Nínive e profetizasse sua rápida destruição. Mas Jonas fugiu apressadamente. Por quê? Por causa da benignidade do Senhor. Jonas explicou ao Senhor, "Pois eu sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal" (Jonas 4:2).

Em outras palavras: "Deus, tu me ordenastes que eu vá à Nínive para dizer que eles têm apenas quarenta dias antes da destruição vir. Mas não posso fazer isso porque Vos conheço. Tu és facilmente tocado. Lágrimas e arrependimento amolecem Teu coração. Sei o que vai acontecer. Quando vires os ninivitas clamando, vais mudar de idéia. Ao invés de mandar o julgamento, vais lhes agitar os corações em favor de Ti. Vou acabar parecendo um tolo!".

Finalmente, Jonas realmente foi à Nínive, mas somente através da barriga de um grande peixe que o cuspiu em terra seca. Jonas proclamou o julgamento de Deus a Nínive, e, mais do que certo, o povo se arrependeu. Os ninivitas, endurecidos pecadores, choraram, jejuaram, lamentaram e cobriram de saco até mesmo seus animais. Foi um dos avivamentos mais arrebatadores registrados na Bíblia.

No entanto, em meio a tudo isso Jonas se irou. Ele efetivamente se zangou por Deus ter poupado Nínive, ao invés de se alegrar por eles terem se tornado retos. Em suma, Jonas não desfrutou da benignidade de Deus. Amado, como povo de Deus, não ousemos cometer o mesmo erro. Precisamos agradecê-Lo pela Sua misericordiosa benignidade para conosco, para com Sua igreja, e para com nossa nação.

A benignidade de Deus deve ser proclamada

Devemos pregar sobre a benignidade do Senhor a todo ser humano. Davi testifica, "Apregoei tua fidelidade e a tua salvação; não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade" (Salmos 40:10).

Davi não apenas se apropriou dessa mensagem maravilhosa para si. Ele sabia que ela era também extremamente necessária para toda a igreja, igualmente para toda a nação, e para um mundo ferido. Ele era grato a Deus por tão grande amor, pois ele estava totalmente ciente de suas próprias falhas: "As minhas iniqüidades têm me alcançado" (40:12).

Não importa o quão terrivelmente as pessoas ao nosso redor têm pecado. Deus ainda ama a todos. Foi por isso que Ele enviou Seu filho. E devíamos estar pregando isso ao mundo. Você pode dizer como Davi, "Não escondi da grande congregação a tua benignidade"? Esse é o desejo dEle para todos nós.

Eis aqui um dos versículos mais citados e entoados em toda a palavra de Deus: "Porquanto a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão" (Salmos 63:3). Você pode perguntar, "O que significa, 'Sua benignidade é melhor do que a vida'?".

A verdade é que a vida é curta. Ela se murcha como a erva, que numa estação existe e na outra se vai. No entanto, a benignidade de Deus dura para sempre. Daqui a um milhão de anos Jesus será tão terno e amoroso conosco como é agora. Outros podem lhe tirar a vida, mas não podem tirar a benignidade de Deus.

Considere por um momento: Deus não está mais bravo com você pelo seu erro. Se você está pronto a esquecer seu pecado, poderá ser perdoado e restaurado nesse exato momento. A palavra diz que nada deve ficar entre Deus e nós – nenhum pecado, nenhuma culpa, nenhum pensamento nos condenando. Você pode dizer, "Minha vida é uma benção ao Senhor. E posso me regozijar e louvá-Lo. Estou limpo, livre, perdoado, justificado, santificado, redimido".

Você tem um Pai amoroso e carinhoso que se importa com você. Ele guardou cada lágrima que você já derramou. Ele viu cada uma das suas necessidades, conheceu cada pensamento seu. E Ele ama você! Se você pudesse ao menos ter o entendimento de quão terno ele é com você – quão paciente, cuidadoso, pronto para perdoá-lo e abençoá-lo – você seria incapaz de se conter. Você gritaria e louvaria até não ter mais voz: "A Sua benignidade é melhor do que a vida!". Amém

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