sexta-feira, dezembro 29, 2006

O Ministério da Assistência Aos Outros (The Ministry of Refreshing Others - English Video)

Por David Wilkerson

Alguns cristãos tendem a pensar no apóstolo Paulo como se ele fosse sobre-humano por causa dos escritos poderosos e de seu maravilhoso ministério. Mas se Paulo não fosse feito da mesma carne e do mesmo sangue que nós - se não fosse sujeito às mesmas tentações e tribulações - então ele não teria nada a dizer à igreja; todas as suas epístolas teriam sido escritas em vão.

A verdade é que Paulo escreveu muitas de suas cartas durante os períodos mais difíceis de sua vida. Ele abertamente confessa à igreja de Corinto que vivenciou tribulações e angústia mental profundas: "Atribulados: lutas por fora, temores por dentro" (2 Coríntios 7:5). Ao escrever isso, o grande apóstolo estava na Macedônia para onde havia ido sentindo-se deslocado, ineficiente e totalmente rejeitado pela igreja.

Como Paulo chegou a esse ponto? Vejamos o que havia por trás da situação. Paulo havia acabado de escrever a primeira epístola aos coríntios, uma repreensão severa com objetivo de corrigir uma situação de imoralidade na igreja. Apesar de conter uma mensagem difícil, Paulo a havia escrito em meio à angústia e lágrimas.

A razão para essa carta foi um vergonhoso ato de fornicação para o qual estavam sendo feitas vistas grossas. Paulo escreve aos coríntios algo assim: "Vocês estão cheios de si e orgulhosos, se recusando a chorar por esse pecado feito abertamente em seu meio. Vocês não julgaram a situação corretamente. Deveriam ter tirado de sua comunhão aquele que perpetuou isso, até que vissem nele arrependimento genuíno". Paulo então os instrui para que tal seja "entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus]" (I Coríntios 5:5).

Foi uma mensagem forte e dura. E após um tempo, Paulo se lamenta tê-la enviado (v. 2 Coríntios 7:8). Em verdade, a partir daquele dia Paulo sofria, se preocupando sobre como os coríntios reagiriam a tal. Será que eles não compreenderiam bem os seus motivos? Ou saberiam que ele a havia escrito em amor, com interesse profundo quanto aos caminhos da igreja? Ele mais tarde lhes escreve dizendo, "Não falo para vos condenar" (7:3).

Sei como Paulo se sentiu. Ao longo dos anos tive de trazer aquilo que alguns poderiam chamar mensagens duras por instrução do Senhor, através de Sua palavra. Após isso, me prostrava com o rosto em terra, orando, "Deus, será que fui longe demais? A Tua palavra manda que não repreendamos o justo e nem abençoemos o ímpio. Diga-me, eu feri os Teus justos com essa mensagem?".

Paulo também soubera que falsos profetas haviam se infiltrado na igreja de Corinto, fazendo com que "desprezassem" os seus sofrimentos. Na verdade, tais pessoas diziam o seguinte sobre ele: "Se Deus está de verdade com esse homem, então por que tantas acusações vergonhosas estão se acumulando contra ele? Por que Paulo está sendo jogado na prisão? E como um homem de Deus pode dizer que está 'desesperançado da vida'? Não dá para entender como que um homem de oração pode ser tão atacado e diminuído. Se Paulo tivesse realmente fé, ele não estaria vivendo esses problemas".

Acusações como essas ainda são lançadas hoje contra servos consagrados que enfrentam sofrimento e críticas. Quantas vezes você já ouviu um cristão falando assim de outro cristão, "Alguma coisa de errado deve ter na vida dele para enfrentar tanto sofrimento". No caso de Paulo, o ponto era seus críticos querendo quebrar a sua autoridade espiritual.

No entanto Paulo diz que não se arrependeu por ter enviado a carta aos coríntios. Antes, ele instrui seu filho espiritual Tito para ir a Corinto, e explicar qual o propósito que havia na carta: "Diga a eles que os amo, e não quero que nada de mal lhes aconteça, mas que essa situação tem de ser tratada. Depois, me encontre em Trôade e diga que tipo de efeito a carta teve".

Quando Paulo Escreveu a Segunda Carta aos Coríntios,
Havia Ainda Mais Razões Para Ele se Agitar no Espírito

Após enviar Tito nessa missão, Paulo parte para Trôade, parando em Éfeso. Deus move-se poderosamente lá através de Paulo, e suas pregações de unção movem multidões. Muitos que ouviram a sua mensagem correm à casa para pegar seus livros de ocultismo, e a seguir se reúnem no centro da cidade para os queimar em enorme fogueira.

Isso mexeu com os ferreiros de Éfeso, que tiravam a maior parte de sua renda da venda de ídolos da deusa Diana. De repente, vêem seu sustento virando fumaça na frente deles. Eles então se levantam irados contra Paulo, acusando-o de fanatismo religioso e dizendo que ele queria destruir sua adoração. As acusações promovem uma agitação em massa, e Paulo por pouco perde a vida. Quando mais tarde ele escreve que se "desesperou da vida", ele estava comentando sobre esse incidente, "Achei que iriam me matar".

Não podemos ter certeza sobre o quê mais aconteceu em Éfeso, pois Paulo não nos conta. Só o que sabemos é que a sua experiência o fez sentir-se atribulado "acima de nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida" (2 Coríntios 1:8). Realmente, fala das perseguições, de sua perplexidade, de seu espírito abatido. Agora, indo para Trôade, ele deseja ardentemente ver seu piedoso filho em Cristo, Tito - o qual poderia reerguer o seu espírito. Paulo poderia descarregar o coração sobre Tito, e saber qual havia sido o impacto de sua carta.

Mas quando Paulo chega a Trôade, Tito não está lá. Ele espera que seu filho espiritual chegue, mas Tito não aparece. Nesse ínterim, portas para o ministério se abrem para Paulo em Trôade, mas à essa altura o coração do apóstolo já estava esgotado. Paulo fala de sua experiência: "Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, não tive, contudo, tranqüilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia" (2 Cor. 2:12-13).

Paulo fez algo que nunca havia feito na vida, algo que era o contrário de tudo que pregara. Em vez de ministrar quando as portas lhe foram abertas, Paulo foi embora. Sim, se deslocou inquieto para a Macedônia. Que imagem a deste ferido soldado da cruz: o grande apóstolo estava abatido, fragilizado e impotente, desfalecendo diante de uma crise da mente, do corpo e do espírito. Por que? O quê levou Paulo a esse ponto? O próprio apóstolo explica: "Não tive paz de espírito, pois não encontrei meu irmão Tito". Estava só, e precisava desesperadamente do conforto de alguém.

Conheço algo do quê Paulo passou, a partir de minhas próprias experiências e de outros que enfrentaram as mesmas situações. Satanás sempre vem nos atacar quando estamos esgotados e cansados pelas batalhas. É nessa hora que estamos mais vulneráveis às suas mentiras, e creio que o inimigo esmurrou Paulo com duas terríveis delas. Primeiro, acho que lhe disse, "Tito não veio porque te rejeita". E aí veio essa mentira: "Tito não está aqui porque você deixou de ser eficiente, Paulo. Você feriu muito os crentes de Corinto e os afastou. O teu ministério simplesmente não dá frutos".

Só Imagino as Outras Mentiras
Que Satanás Lançou Sobre Paulo

Ouço o Diabo cochichando, "Deus não está mais contigo, Paulo. Todo mundo te rejeitou na Ásia. Ninguém mais está contigo. Até o teu filho espiritual Tito foi contaminado com dúvidas pelos teus oponentes em Corinto".

"Enfrente a coisa, Paulo - você perdeu a unção. Veja só Apolo, cujas pregações atraem enormes multidões. Todo mundo alardeia a eficiência do ministério dele, enquanto você só tem números pequenos. Você acabou gerando levantes onde pregou, e os avivamentos que promove acabam se fechando, exatamente como em Éfeso. Você não é amado, Paulo - e ninguém mais precisa de ti. Está claro que você está sendo castigado por Deus. De algum modo você ofendeu o Espírito Santo, e o Senhor retirou a mão de ti".

Se você já andou com o Senhor com intimidade, sabe muito bem o quê Paulo estava enfrentando. Satanás é o pai da mentira, e em verdade nesse exato momento ele pode estar lhe enviando as mesmas mentiras que lançou sobre Paulo: "Você foi rejeitado por todos. Você não tem ministério, não tem lugar na obra do reino de Deus. Só está ocupando espaço". Isso vem das profundezas do inferno.

Davi sabia o que é ser sufocado pelas mentiras demoníacas. No Salmo 140 ele cita estar "no dia da batalha" tanto física quanto espiritualmente. Este piedoso homem ora ao Senhor dizendo do "homem violento, cujo coração maquina iniqüidades e vive forjando contendas. Aguçam a língua como a serpente; sob os lábios têm veneno de áspide... estenderam-me uma rede à beira do caminho" (Salmo 140:1-5).

Ainda assim, a despeito da situação, Davi exulta, "Ó Senhor, tu me protegeste a cabeça no dia da batalha" (140:7). Eis basicamente o testemunho de Davi: "Deus, Tu fostes escudo para a minha mente, protegendo-me das mentiras demoníacas. Poderes do inferno aguçaram a língua contra mim. Mas tu protegeste os meus pensamentos para que as mentiras de Satanás não destruíssem as minhas idas e vindas".

Como Deus Leva Consolo e Renovação Ao Seu Povo
Na Hora do Abatimento

Como o Espírito Santo trouxe consolação a Paulo? O próprio apóstolo nos conta: "Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito" (2 Cor. 7:6). Tito chega à Macedônia com espírito de renovação, e subitamente o coração de Paulo se eleva. Com a comunhão entre os dois, a alegria flui pelo corpo, pela mente e espírito de Paulo, e o apóstolo escreve, "sinto-me grandemente confortado e transbordante de júbilo em toda a nossa tribulação" (2 Cor. 7:4). Paulo estava declarando, "Continuo enfrentando problemas, mas o Senhor me deu o que preciso para a batalha. Ele me renovou através de Tito".

Ao longo de todos os meus anos de ministério, tenho visto homens e mulheres de Deus chegando ao limite da resistência, abatidos e totalmente perdidos. Tenho me angustiado por esses queridos irmãos e irmãs em suas dores, perguntando ao Senhor, "Pai, como esses Teus servos vão conseguir sair desse abismo de sofrimento? Onde está o poder que vai tirá-los de lá? O quê eu posso dizer ou fazer para ajudá-los?".

Creio que a resposta está bem aqui, no testemunho de Paulo. Cá está um homem que chega a um esgotamento tão profundo, que deixa de ser ele próprio. Paulo estava no momento mais negro de seu ministério, afundado como nunca. Contudo poucas horas após, ele havia saído totalmente daquela fossa negra e se rejubilava em alegria e gozo. Uma vez mais, o amado apóstolo sentia-se amado e útil.

Como tudo isso aconteceu? Primeiro, vamos ver o quê aconteceu em Corinto. Quando Tito chegou lá para encontrar os líderes da igreja, ele recebeu o seu próprio refrigério glorioso. Um despertamento estava tendo lugar na igreja, pois haviam seguido a instrução de Paulo, e agora Deus os estava abençoando poderosamente. Se apenas o Senhor tirasse a cortina naquela hora, e mostrasse a Paulo o quê estava acontecendo! Ele teria visto as mentiras de Satanás sendo expostas, e lembrado que os pensamentos de Deus quanto a ele eram pensamentos de bem, e que tudo isso fora parte do Seu plano.

Agora Tito chega à Macedônia com notícias encorajadoras: "Paulo, os irmãos de Corinto enviam seu carinho e amor! Eles removeram o pecado que estava em seu meio e trataram com os falsos profetas. Eles não desprezam mais os teus sofrimentos, mas se rejubilam em teu testemunho".

Essa palavra de refrigério, trazida por um querido irmão em Cristo, imediatamente levantou Paulo daquela cova de abatimento: "Deus que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito" (2 Coríntios 7:6). Você está vendo o exemplo aqui? Deus usa pessoas para o refrigério do Seu povo. Ele não enviou um anjo para renovar Paulo. O conforto recebido por esse homem veio através da renovação do espírito de Tito, que por sua vez levou refrigério ao de Paulo.

O Exemplo de Paulo e Tito
Ilustra Um Formato Que Aparece por Todas as Escrituras

Em Atos 27, Paulo estava em um barco indo para Roma quando fez uma parada em Sidom. Paulo pede permissão ao centurião para visitar alguns amigos na cidade, e "Júlio... permitiu-lhe ir ver os amigos e obter assistência" (Atos 27:3). Aqui está um outro exemplo de Deus usando crentes para o refrigério de outros crentes.

Vemos isso também em 2 Timóteo, quando Paulo comenta sobre um certo crente, "Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas; antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar... E... quantos serviços me prestou" (2 Timóteo 1:16-18).

Onesíforo era também um dos filhos espirituais de Paulo, e amava Paulo de modo tão profundo e incondicional, que foi procurá-lo nos sofrimentos deste. Uma vez, quando Paulo estava preso, Onesíforo saiu pela cidade procurando por ele até achá-lo. A sua motivação simplesmente era: "O meu irmão sofre. Ele passou pelo terror do naufrágio, e agora está sendo esbofeteado por Satanás. Preciso encorajá-lo".

O ministério da assistência inclui claramente procurar os que sofrem. Hoje se ouve muito na igreja sobre poder: poder para curar os enfermos, poder para ganhar os perdidos, poder para vencer o pecado. Mas digo que há um grande e curativo poder que flui de uma pessoa revigorada e renovada. Depressão, angústia mental ou um espírito perturbado podem causar todos os tipos de doenças físicas, mas um espírito que esteja revigorado e encorajado - um espírito que faça com que as pessoas sintam-se aceitas, amadas e úteis - é o bálsamo curativo do qual mais se necessita.

Encontramos esse ministério de refrigério no Velho Testamento também. Quando Davi estava sendo perseguido pelo rei Saul, ele chegou à exaustão e à dor, forçado a fugir dia e noite. Durante esse período sentiu-se rejeitado pelos líderes e pelo povo de Deus. Então, em um momento crucial, Jônatas, o amigo de Davi vai até ele: "Se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi... e lhe fortaleceu a confiança em Deus, e lhe disse: Não temas, porque a mão de Saul, meu pai, não te achará; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo" (I Samuel 23:16-17).

Essa palavra de refrigério não poderia ter sido mais oportuna para Davi. Ele tinha acabado de sofrer uma horrenda rejeição após ter agido de modo abnegado e com bondade. Davi e os seus homens haviam arriscado suas vidas para salvar a aldeia de Queila - e por um certo tempo encontraram refúgio lá. Porém mais tarde, quando Saul estava atrás dele, Davi orou: "Senhor, será que estas pessoas vão me entregar a Saul?". Deus respondeu para ele, "Sim, eles te rejeitarão. Saia da cidade agora".

Os Salmos mostram exatamente o quanto Davi sentia-se por baixo na época. A sua alma se via derrubada, e ele clamava continuamente, "Deus, onde estás?". Leve em consideração também a dolorosa provação de Jônatas em relação ao seu maligno e possuído pai. Mesmo assim este piedoso amigo "lhe fortaleceu a confiança em Deus", dizendo-lhe, "O Senhor está contigo, Davi, e tu ainda és amado em Israel. Você pode não estar sentindo isso agora, mas serás rei. A tua obra apenas começou".

Isso era tudo que Davi precisava ouvir - "Deus ainda está contigo" - e imediatamente o seu espírito foi renovado para prosseguir. Vemos exemplos assim um após o outro nas escrituras: Deus não envia um anjo ou uma visão, mas um outro crente para o refrigério de Seus queridos".

Paulo Nos Ensina Que
Há um Propósito Glorioso em Nossas Tantas Tribulações

É possível em meio às tribulações nos vermos dentro de um vácuo de falta de fé, sem esperanças e desistindo de tudo. Isso acontecendo, acabamos amargos e de corações endurecidos - a menos que enfrentemos a situação com a verdade. O fato é que jamais sairemos desses tempos de confusão e de sentimentos de rejeição, a menos que compreendamos porque Deus permite tais problemas em nossas vidas. Estou convencido de que para muitos leitores, essa é a palavra de cura para eles, da parte de Deus.

Quando Paulo se assentou para escrever a segunda carta aos coríntios, ele via diante dele uma multidão que enfrentava os mesmos tipos de sofrimento que ele. Ele lhes diz, "Quero que saibam que as aflições que tenho vivido são do mesmo tipo das que vocês têm passado em seus períodos de tribulação".

"Se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto" (2 Cor.1:6). Paulo estava dizendo, "Deus está usando as minhas tribulações para me ensinar as maneiras de confortar. Então, quando vocês estiverem enfrentando as suas aflições, saberão que as minhas palavras para vocês têm poder, pois eu também passei por elas".

Foi uma maravilhosa revelação do Espírito Santo. Paulo se conscientizou, “Foi por isso que Deus permitiu todo este esbofeteamento. O Espírito Santo vai aquietar a minha alma e me curar através disso, para que eu possa consolar e renovar outros em suas lutas”. "É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus" (2 Cor. 1:4).

Hoje há uma avalanche de livros, tapes e vídeos sobre "como superar tal coisa". É uma mensagem seriamente necessária, e muitos materiais fazem bem quando ensinados por ministros sinceros e retos. Mas creio que Paulo esteja tentando nos dizer: "As únicas palavras que trazem refrigério real e cura duradoura vêm do que é aprendido em nossas tantas aflições e tribulações".

Você Acha Que Não Tem Ministério
Ou Que Não Tem Utilidade no Reino de Deus ?

Há não muito tempo recebi uma carta de uma ex-freira que hoje é ministra ordenada. Essa mulher tem cinqüenta e nove anos, e após sofrer um derrame recentemente, caiu em depressão profunda. Fazendo uma reavaliação de sua vida, ela decidiu planejar o seu funeral e escreveu o seguinte obituário para si própria:

"Esposa de ninguém. Mãe de ninguém. Afastada da família pela salvação. Realizou nada de importância na vida. Viveu em pobreza. Morreu uma verdadeira derrotada". O meu coração se partiu ao ler isso, ao refletir sobre a triste idéia de chegar até o meu Senhor com nada. Mas um pastor deu à essa mulher uma cópia de minha mensagem "Eu Trabalhei em Vão", e ela me escreveu: "Irmão David, as tuas palavras me encorajaram e renovaram".

Não se engane: Deus usa pessoas para o refrigério de outras pessoas. Ele ama de tal maneira este tipo de ministério que levou o profeta Malaquias a falar disso como sendo a obra mais necessária nos últimos dias. Malaquias descreve como, nos seus dias, o povo de Deus se fortaleceu reciprocamente através de edificação um a um: "Os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros" (Malaquias 3:16).

Quando isso aconteceu exatamente? A palavra de Malaquias veio durante um tempo de impiedade avassaladora, quando o "devorador" havia destruído muito fruto da terra. O povo de Deus tinha se desanimado e começou a duvidar se andar com o Senhor valia a pena. Começaram a pensar "A gente aprendeu que compensa servir ao Senhor, obedecer a Sua palavra e nos interessarmos por Suas coisas. Mas a gente vê os orgulhosos, e os que fazem concessões - e são eles que parecem felizes. Eles aspiram a prosperidade, uma vida despreocupada, curtir a vida ao máximo".

O Espírito Santo começou a se mover em Israel, e logo o temor do Senhor veio sobre um povo faminto por Deus. De repente todos em Israel, jovens e velhos, se tornaram missionários um a um. Pelo estímulo do Espírito Santo, as pessoas abriram-se umas para as outras, fortalecendo, edificando-se reciprocamente - e confortando os que as rodeavam.

Estou convencido de que a palavra de Malaquias sobre esse ministério é uma imagem espelho dos dias atuais. O Senhor tem nos dado um retrato de um derramamento do Espírito Santo nos últimos dias, à medida que o povo de Deus pára de fazer fofocas e de reclamar, e em vez disso ministra assistência. Está acontecendo por telefone, por carta, e-mail, e boca à boca. E Deus está tão satisfeito com esse ministério, que está registrando tudo isso conforme aprendemos. Toda palavra de bondade que é proferida, todo telefonema, toda carta que é escrita, todo esforço para confortar os abatidos é registrado no (livro) "memorial". E a Bíblia diz que cada um de nós cujos atos são registrados, será precioso para Ele: "Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos Exércitos" (Malaquias 3:17).

Possa Deus ajudar os que se queixam de não ter um chamado, ou de não ter portas abertas para o ministério. Digo a eles: tire os olhos da sua situação, e pare de se preocupar quanto a ser molestado. Pare de tentar agradar a Deus planejando uma obra grande e sacrificial. Em vez disso, levante-se, procure e revigore um irmão ou uma irmã que sofre.

Seja um Tito com alguém que esteja abatido no espírito. Ore para ter o espírito de Onesíforo, que saiu em busca dos que sofriam para lhes trazer cura. Pense no seguinte: foi-lhe dado todo o poder do céu para renovar um crente em dores, alguém que precisa da consolação que Deus deu unicamente a você. Sim, há pessoas que precisam de você, e o Senhor pretende que as consolações do seu passado tragam refrigério a elas. Ligue à essa pessoa ou busque esse alguém hoje e diga, "Irmão, irmã, quero orar por ti, e te encorajar. Tenho uma boa palavra para ti".

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quarta-feira, dezembro 27, 2006

A Vida de Renúncia

Por David Wilkerson

Os cristãos atualmente ouvem muito a respeito da vida de renúncia. Mas o que isto significa exatamente? A vida de renúncia é o ato de devolver a Jesus a vida que Ele lhe concedeu. É abandonar o controle, os direitos, o poder, a direção, tudo o que você faz e diz. É entregar totalmente a vida em Suas mãos, para que Ele a conduza como quiser.

Eu me pergunto: onde estes santos conseguiram a autoridade espiritual e o vigor para fazerem tudo o que fizeram? Eles eram um outro tipo de gente, servos de um tipo totalmente diferente daquele que vemos hoje na igreja. Eu simplesmente não consigo me ver relacionado a eles, e ao seu caminhar. Sei que não sou totalmente do tipo deles. E não conheço um único cristão que seja.

O próprio Jesus viveu uma vida de renúncia: "Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (João 6:38). "Eu não procuro a minha própria glória" (8:50). Cristo nunca fez algo da própria vontade. Ele nunca deu um passo, nem disse uma palavra, sem ser instruído pelo Pai. "Eu nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou... porque faço sempre o que lhe agrada" (8:28-29).

A submissão total de Jesus ao Pai é um exemplo de como todos nós deveríamos viver. Você pode dizer: "Jesus era Deus na forma humana. Sua vida estava entregue antes mesmo de vir à Terra". Mas a vida de renúncia não é imposta a ninguém, incluindo Jesus.

Cristo pronunciou estas palavras sendo um homem de carne e osso. Afinal, Ele veio ao mundo não para viver como Deus, mas como ser humano. Ele viveu a vida do mesmo modo que nós. E, como nós, tinha vontade própria. Ele optou por entregar esta vontade totalmente ao Pai: "Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Tenho autoridade para a entregar, e também para reavê-la" (João 10:17-18).

Jesus estava nos dizendo: "Não se enganem. Este ato de auto-entrega está totalmente sob a Minha vontade. Estou optando por dar a Minha vida. E não estou fazendo isto porque alguém Me disse para fazê-lo. Ninguém está tomando a Minha vida de Mim. Meu Pai Me deu o direito e o privilégio de entregá-la. Ele também deu a opção de Eu passar de Mim este cálice e evitar a cruz. Mas escolho fazê-lo, por amor e completa submissão a Ele".

Nosso Pai celeste deu a todos nós este mesmo direito: o privilégio de escolhermos uma vida de renúncia. Ninguém é forçado a abrir mão de sua vida para Deus. Nosso Senhor não nos faz sacrificar nossa vontade, devolvendo-Lhe nossas vidas. Ele nos oferece livremente uma terra prometida, cheia de leite, mel e frutas. Mas podemos optar por não entrar neste lugar de plenitude.

A verdade é que podemos ter tanto de Cristo quanto quisermos. Podemos nos aprofundar nEle o quanto optarmos, vivendo plenamente segundo Sua palavra e direção. O apóstolo Paulo sabia disso. E escolheu seguir o exemplo de Jesus - o de uma vida de submissão total.

Paulo tinha sido no passado uma pessoa que odiava Jesus, um perseguidor de cristãos convencido da própria justiça. Ele mesmo afirmou que literalmente respirava ódio contra os seguidores de Cristo. Também era um homem muito obstinado e ambicioso. Paulo era bem instruído, tendo sido ensinado pelos melhores mestres da época. E era fariseu, entre os mais zelosos líderes religiosos judeus.

Desde o princípio Paulo estava em ascensão, a caminho do sucesso. Ele tinha a aceitação da ordem religiosa da época. E tinha uma clara missão, com recomendações de seus superiores. Na verdade, ele tinha sua vida toda planejada, sabendo exatamente aonde estava indo. Paulo estava confiante de estar fazendo a vontade de Deus.

Mas o Senhor tomou este homem que venceu por si próprio, obstinado, independente - e o transformou num ardente exemplo da vida de renúncia. Paulo tornou-se uma das pessoas mais dependentes, plenas e conduzidas por Deus de toda a história. Em verdade, Paulo declara que a sua vida é um modelo para todos que quiserem viver inteiramente entregues a Cristo: "Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna" (1 Timóteo 1:16).

O apóstolo estava dizendo: "Se você quer saber quanto custa viver uma vida de renúncia, veja a minha. Você determinou em seu coração ir mais a fundo com Jesus? Aqui está o que você poderá ter que suportar". Paulo sabia que poucos estariam dispostos a seguir seu exemplo. Mas a sua vida é um modelo para todos que escolherem a vida de renúncia integral.

1. O Caminho da Renúncia Começa com Deus nos Levando à
Uma Sensação de Total Fragilidade.

Deus inicia o processo nos fazendo cair do alto do cavalo. Para Paulo isto aconteceu literalmente. Ele estava indo seguro de si em direção a Damasco, quando uma luz ofuscante veio do céu. Paulo foi derrubado ao chão, trêmulo. Então uma voz falou do céu, dizendo: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (Atos 9:4)

As palavras levaram Paulo de volta a um evento de meses atrás. De repente este justo fariseu compreendeu porque sua consciência estava irrequieta. Paulo tinha suportado longas noites de agitação, atormentado por inquietação e confusão - pois tinha visto algo que o abalara até o âmago.

Paulo tinha acompanhado o apedrejamento do apóstolo Estevão. Creio que Paulo lembrou do olhar na face de Estevão diante da morte. Estevão tinha uma expressão celestial, uma presença santa em torno de si. E suas palavras tinham tanto poder. Eram penetrantes e cheias de poder de convencimento. Este homem humilde não se importava nem um pouco com a aprovação do mundo; ele não estava impressionado com as autoridades religiosas. E não tinha medo da morte.

Tudo isto expunha o vazio da vida de Paulo. Este fariseu dos mais devotos percebeu que Estevão tinha algo que ele não possuía. Paulo tinha tido contato face à face com um homem totalmente submisso a Deus, e isto o tornou infeliz. Provavelmente ele pensou: "Eu me preparei durante anos lendo as escrituras. Mas este homem sem estudos proclama a palavra de Deus com autoridade. Eu tive sede de Deus toda a minha vida. Mas Estevão tem o próprio poder do céu, mesmo ao morrer. Ele claramente conhece Deus, como jamais encontrei outra pessoa. Todavia todo esse tempo, estive perseguindo a ele e aos seus companheiros".

Paulo sabia que estava faltando algo em sua vida. Ele tinha conhecimento de Deus, mas nenhuma revelação própria, como Estevão. Agora, de joelhos e tremendo, ele ouve estas palavras do céu: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues" (Atos 9:5). Foi uma revelação sobrenatural. E as palavras viraram o mundo de Paulo de cabeça para baixo. Creio que à estas alturas, ele deve ter ficado durante horas sobre sua face, chorando, como que dizendo:

"Eu estava totalmente enganado. Gastei todos estes anos com educação e estudo, praticando boas obras. Mas o tempo todo, eu estava no caminho errado. Jesus é o Messias. Ele veio, mas eu não O conheci. Todas aquelas passagens em Isaías fazem sentido agora. Eram a respeito de Jesus. Agora entendo o que Estevão possuía. Ele tinha um conhecimento íntimo de Cristo".

A escritura diz: "Trêmulo e assustado (Paulo) disse: Senhor, que queres que eu faça?" (Atos 9:6). A conversão de Paulo foi uma obra dramática do Espírito Santo. E que convertido incomum foi este homem. Ele era o perseguidor do povo de Deus. Seu testemunho seria uma evidência poderosa e irrefutável para o evangelho de Jesus Cristo. Certamente Deus iria usar Paulo de maneiras incríveis. "Levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer" (9:6).

Tente imaginar Paulo então. Este fariseu com alto grau de escolaridade estava agora emudecido e cego. Ele teve de ser conduzido à cidade pelos amigos. Parecia que tudo na sua vida tinha desmoronado. Mas a realidade é a seguinte: Paulo estava sendo conduzido pelo Espírito Santo à uma vida de renúncia. Quando ele pergunta: "Senhor, que queres que eu faça?", seu coração estava clamando: "Jesus, como posso servir-Te? Como posso Te conhecer e agradar? Nada mais importa. Tudo que tenho realizado na minha carne é estrume. Tu és tudo para mim agora".

Paulo passou os três dias seguintes jejuando e orando. Todavia nenhuma palavra veio do céu. Ele tinha ensinado e pregado a outros, mas nenhum dos seus conhecimentos podia ajudá-lo agora. Ele estava totalmente fragilizado. Ele deve ter orado: "Ó Deus, Tu me destes um desejo tão grande em conhecer-Te. Por favor, mostra-me o que fazer. Estou tão cego e confuso, nada faz sentido".

Digo a todo seguidor consagrado a Jesus: preste atenção à esta cena. Aqui está o modelo para a vida de renúncia. Quando você decidir a se aprofundar em Cristo, Deus colocará um Estevão no seu caminho. Ele o confrontará com alguém cujo semblante tem o brilho de Jesus. Esta pessoa não está interessada nas coisas do mundo; não se preocupa com os aplausos dos homens. Ela se preocupa apenas em agradar ao Senhor. E a vida dela vai expor a complacência e as concessões que você tem feito, condenando-o seriamente.

Assim como Paulo, você sentirá repentinamente a sua falência. Perceberá que independente de quantas boas obras tenha procurado realizar, você não encontrou Jesus. E terminará num beco sem saída: confuso, desorientado, incapaz de dar um sentido à toda a revelação anterior. Mas será tudo um agir de Deus. Ele o levará a este estado de total desamparo.

2. O caminho da Renúncia Leva a Muito Sofrimento.

"Este é para mim um instrumento escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome" (Atos 9:15-16). Paulo recebeu a promessa de um ministério frutífero. Mas teria que suportar grandes sofrimentos para realizá-lo.

Sofrimento é um assunto amplo, incluindo muitos tipos diferentes de dor: agonia física, angústia mental, aflição emocional, dor espiritual. De acordo com as escrituras, Paulo experimentou cada uma delas. Ele sofreu um espinho na carne, naufrágios, apedrejamentos, açoites, roubos; enfrentou rejeição, zombaria, mexericos maliciosos; suportou perseguições de todos os tipos. E às vezes sentiu-se perdido, confuso, incapaz de ouvir algo de Deus.

Este modelo de sofrimento da vida de Paulo não será experimentado por todos que buscam a vida de renúncia. Mas de alguma maneira, todo crente consagrado irá se defrontar com a dor. E há um propósito atrás de tudo isso. Veja, sofrimento é uma área da vida sobre a qual não temos controle. É a área na qual aprendemos a nos render à vontade de Deus.

Eu chamo este sofrimento de escola da renúncia. É um local de treinamento onde, como Paulo, caímos sobre nossas faces e terminamos clamando: "Senhor, não dá para agüentar isso". Ele responde: "Bom. Deixe comigo. Entregue tudo a Mim, corpo, alma, mente, coração, tudo. Confie plenamente em Mim".

Se você tomar o caminho da renúncia, da submissão completa, sofrerá muito mais do que o cristão mediano, complacente. Se um crente que faz concessões sofre, é apenas para o seu benefício. O Senhor pode estar usando a dor para desabituá-lo de algum pecado particular. E ninguém mais vai aprender com as suas lições. Mas se você deseja a vida de renúncia, o seu sofrimento eventualmente se tornará um grande conforto para outros. Paulo afirma:

"Bendito seja o Deus... o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação. É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos" (2 Coríntios 1:3-6).

Paulo está falando aqui de sofrimentos que são permitidos por Cristo. Nosso Senhor permite estas dores nas nossas vidas, para nos tornar testemunhas da Sua fidelidade, diante dos outros. Ele quer confirmar que é o "Deus de toda consolação" (1:3). O objetivo do nosso sofrimento não é apenas nos levar à uma completa entrega à Sua vontade. Também é para "vossa (dos outros) consolação e salvação" (1:6). Resumindo, os maiores ministérios de consolação são fruto dos nossos maiores sofrimentos.

3. O Caminho da Renúcia Leva à Uma Única Ambição.

Paulo não tinha outra ambição, outra força que o impulsionava na vida, do que esta: "Que possa ganhar a Cristo" (Filipenses 3:8).

Conheço um jovem pregador, homem de Deus, que tem amizade com muitos outros pregadores jovens pelo país inteiro. Perguntei-lhe qual ele considerava ser o maior problema entre seus companheiros. Ele disse: "A pressão para ser bem sucedido". Sua resposta me espantou. Eu sabia que a busca do sucesso é comum na sociedade secular. Então também é uma praga na igreja? Ele explicou: "Ministros jovens acham que precisam produzir grandes números na sua igreja imediatamente. Eles sentem uma forte pressão para apresentar crescimento da noite para o dia".

Isto também é um problema para ministros mais antigos. Eles vêm trabalhando arduamente durante anos, esperando ver sua igreja crescer. Quando então uma nova igreja, de um pastor jovem, começa a crescer, os mais velhos se sentem pressionados a conseguir o mesmo. Eles correm para conferências sobre crescimento de igrejas, procurando técnicas para aumentar seus números.

Já perdi a conta de quantas cartas tenho recebido, que dizem basicamente o seguinte: "Nosso pastor acaba de retornar de uma conferência, animado com uma 'nova fórmula de sucesso'. Diz que nossos cultos precisam ser mais amigáveis com pecadores. Então ele alterou completamente o louvor, bem como os sermões. É um lugar diferente agora. Alguns meses atrás o Espírito Santo se movia poderosamente aqui. Mas agora as pessoas estão saindo, porque o Espírito foi embora".

Um pastor ficou perplexo diante do conselho de um especialista em crescimento de igrejas. Este lhe disse: "Sua igreja não pode crescer se Jesus é tudo o que você oferece". Este "especialista" omitiu Cristo! A resposta a qualquer problema da igreja está prontamente disponível, mas este homem não a conheceu. Como? Ele se afastou justamente da ambição que Paulo diz ser necessária: ganhar a Cristo.

Pelos padrões atuais de sucesso, Paulo foi um fracasso total. Ele não construiu nenhum prédio. Ele não tinha uma organização. E os métodos que ele usava eram desprezados por outros líderes. Na verdade, a mensagem que Paulo pregava ofendia muitos de seus ouvintes. Às vezes foi até apedrejado por isso. Seu assunto? A cruz.

Jovens ministros têm dito: "Irmão David, você é um sucesso. Você tem um ministério pelo mundo todo. Você pastoreia uma mega-igreja. Até escreveu um best-seller. A sua reputação é para a vida toda. Bem, e eu? Por que não posso ir pelo mesmo caminho?".

Às vezes tenho me sentido tentado a responder: "Mas eu paguei um preço. Você não conhece os sofrimentos que passei nesta caminhada". Não, esta não é a resposta. O fato é que conheço homens bem mais piedosos que eu, que sofreram bem mais do que poderia sequer imaginar. Foram fiéis e consagrados, suportando terríveis sofrimentos, alguns até à morte. Todavia os nomes destes homens não são conhecidos pelo mundo afora.

Esta não é absolutamente a questão. Quando todos estivermos diante de Deus no julgamento, não seremos julgados segundo nossos ministérios, nossas realizações ou o número de convertidos. Haverá apenas uma medida para o sucesso neste dia: nossos corações estavam totalmente entregues a Deus? Pusemos de lado as nossas próprias vontades e prioridades, para aceitar as dEle? Sucumbimos à pressão dos outros e seguimos a multidão, ou buscamos apenas a Ele para nos guiar? Corremos de um curso para outro procurando um objetivo na vida, ou encontramos a nossa realização nEle?

Eu tive o chamado para pregar a palavra de Deus desde os oito anos de idade. E posso dizer honestamente que, durante toda a vida, a minha maior alegria tem sido ouvir o Senhor. Eu sei que quando estou diante das pessoas para pregar, estou divulgando uma mensagem que Deus me deu. E esta mensagem precisa trabalhar na minha própria alma, antes de me atrever a pregá-la a outros. Deleito-me em esperar no Senhor, para ouvir: "Este é o caminho, ande por ele".

Agora, aos setenta anos, tenho apenas uma ambição: aprender mais e mais a dizer apenas as coisas que o Pai me dá. Nada que digo ou faço de mim mesmo vale alguma coisa. Quero poder afirmar: "Sei que meu Pai está comigo, pois faço apenas a Sua vontade".

4. O Caminho da Renúncia Traz Contentamento Onde
Quer que Você Esteja, e Com o quê For que Possua

Muitos cristãos vivem descontentes continuamente. Nunca estão satisfeitos com o que têm. Estão sempre olhando para o futuro, pensando: "Se conseguir pelo menos fazer isto, ou ter aquilo, estarei feliz." Mas sua realização nunca chega.

Contentamento foi um enorme teste na vida de Paulo. Afinal, Deus disse que o usaria poderosamente: "Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel" (Atos 9:15). Quando Paulo inicialmente recebeu esta comissão, "logo, nas sinagogas, pregava que Jesus era o Filho de Deus" (9:20). O apóstolo ficava mais ousado a cada sermão: "Saulo, porém, se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Jesus era o Cristo" (9:22).

O que aconteceu em seguida? "Os judeus deliberaram entre si matá-lo" (9:23). Seria o fim - ao chamamento a Paulo para pregar aos filhos de Israel. Eles não só rejeitaram sua mensagem, mas tramaram sua morte. Que início desastroso para um ministério que Deus disse seria poderoso.

Paulo então decidiu ir a Jerusalém, para se encontrar com os discípulos remanescentes de Jesus. "Mas todos o temiam, não acreditando que fosse discípulo" (9:26). Agora Paulo enfrentava uma rejeição ainda pior. Seus próprios irmãos em Cristo o rejeitavam.

Finalmente, Paulo raciocinou assim: "Ao menos posso alcançar os gentios". Todavia, quando um proeminente gentio, Cornélio, procurou um pregador para compartilhar o evangelho, ele não pediu a Paulo. Em vez disso, se dirigiu a Pedro. Sem dúvida, Paulo ouviu as notícias gloriosas vindas da casa de Cornélio: "O Espírito Santo desceu sobre os gentios. O Senhor revelou Cristo a eles!".

Posteriormente, na conferência de Jerusalém, Paulo teve de ouvir Pedro declarando: "Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem" (Atos 15:7). Aparentemente, Deus tinha determinado que o avivamento entre os gentios viria através de outra pessoa. Pelo que Paulo percebia, ele estaria de fora, observando as coisas acontecerem.

O que você acha que passou pela cabeça de Paulo ao vivenciar estas coisas? A verdade é que através de tudo isso - o desapontamento, a dor, as ameaças à sua vida - Deus estava ensinando ao seu servo uma coisa crucial: Paulo estava aprendendo a ter contentamento, gradualmente, passo a passo.

Mais tarde, quando Paulo pregou na Antioquia, sua mensagem foi contestada pelos líderes judeus. Então Paulo declarou: "Eis que nos voltamos para os gentios" (Atos 13:46). Paulo pregou lá aos não judeus, e muitos se converteram; "e divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região" (13:49). Mas antes que pudesse saborear a vitória, "os judeus incitaram as mulheres devotas de alta posição... e levantaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora da sua região" (13:50).

Em seguida Paulo voltou sua atenção para Icônio. Ao pregar lá, mais uma vez "creu uma grande multidão, tanto de judeus como de gregos" (14:1). Um avivamento caiu sobre a cidade. Mas, novamente "houve um motim tanto dos gentios como dos judeus, juntamente com as suas autoridades, para os ultrajarem e apedrejarem" (14:5).

Você pode imaginar a confusão e o desencorajamento de Paulo? A cada movimento, o seu chamado parecia frustrado. Deus lhe tinha prometido um ministério de evangelização com muitos frutos. Mas cada vez que pregava, ele era amaldiçoado, rejeitado, agredido, apedrejado. Como ele respondia? "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Filipenses 4:11).

Paulo não questionava, nem reclamava. Ele não buscava saber quando chegaria a pregar a reis e governadores. Ele dizia, basicamente: "Posso não estar vendo agora o que o Senhor me prometeu. Mas estou avançando pela fé, pois estou contente em ter Jesus. Por causa dEle, posso viver cada dia - ao máximo".

O Contentamento de Paulo em Qualquer Circunstância
Era o Resultado de uma Vida Submissa.

Paulo não tinha pressa de ver tudo cumprido na sua vida. Ele sabia que tinha uma pétrea promessa de Deus, e se apegou à ela. No momento ele estava contente em poder ministrar em qualquer lugar que estivesse: testemunhando a um carcereiro, a um marinheiro, a algumas mulheres na beira do rio. Este homem tinha uma missão de âmbito mundial, no entanto era fiel no testemunhar de um em um.

Paulo também não tinha ciúmes de pessoas mais jovens que pareciam deixá-lo para trás. Enquanto eles viajavam o mundo, ganhando judeus e gentios para Cristo, Paulo estava na prisão. Era obrigado a ouvir notícias a respeito de grandes multidões sendo convertidas por homens - com os quais ele tinha discutido sobre o evangelho da graça. Mas Paulo não os invejava. Ele sabia que uma pessoa entregue a Cristo pode viver tanto na escassez quanto na abundância: "Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento... tendo, porém, alimento e com que nos vestir, estejamos contentes" (1 Timóteo 6:6-8).

O mundo hoje poderia dizer a Paulo: "Você está no fim da vida agora. Todavia não tem economias, nem investimentos. Tudo que tem é uma muda de roupa". Eu sei qual seria a resposta de Paulo: "Ah, mas eu ganhei a Cristo. De fato tenho a verdadeira vida".

"Mas o diabo está te importunando continuamente, Paulo. Você vive em dor constante. Na verdade, você sofre mais que qualquer outro que conheço. Como pode ser isto?"

Paulo responderia: "Eu me glorio nas minhas aflições. Quando estou fraco, aí é que na verdade estou mais forte. Não meço minha força pelos padrões do mundo, mas pelos do Senhor."

"E quanto a seu rival, Apolo? Ele tem a atenção das massas. Mas você ministra apenas a pequenos grupos, ou mesmo uma pessoa. Apolo é um orador eloqüente, mas a sua fala é desprezível, Paulo."

Paulo diria: "Nada disso me incomoda. Eu não busco a glória nesta vida. Tenho uma revelação da glória que me aguarda".

"E quanto a promessa que Deus lhe deu? Ele disse que você testemunharia diante de reis. A única vez que o fez, estava acorrentado. Você teve de pregar enquanto estava preso. Onde está o cumprimento da promessa de Deus em sua vida?"

Paulo diria: "Meu Senhor manteve Sua palavra a mim. Não foi do modo que eu esperava, mas do jeito dEle. Indiferente às minhas correntes, preguei Cristo em plenitude. E olha, aqueles dirigentes foram tocados. Quando terminei a pregação eles tremiam. O Senhor me foi favorável, da Sua maneira".

"Paulo, você acabou sendo um tolo. Todos na Ásia se voltaram contra você. Quanto mais você ama outros, menos é amado. Você trabalhou todo esse tempo para construir a igreja de Deus, mesmo fazendo tarefas humildes. Mas ninguém valoriza isso. Mesmo os pastores que você instruiu, agora zombam de si. Alguns até lhe baniram dos seus púlpitos. Por que você continua neste ministério? Você não tem sido sucesso em nenhum sentido da palavra."

E Paulo: "Eu já deixei este mundo, com todas as suas ambições e bajulações. Não necessito dos louvores dos homens. Veja, eu fui arrebatado ao paraíso. Ouvi palavras inefáveis, palavras que não são lícitas ao homem proferir. Portanto você pode ter toda a competição deste mundo, com todas as suas rivalidades. Eu decidi nada saber entre vós, senão a Cristo, e Este crucificado.

Posso lhe dizer, eu sou vencedor. Eu achei a pérola de grande valor. Jesus me concedeu o poder de entregar tudo, e de tomar novamente. Bem, eu entreguei tudo, e agora uma coroa me aguarda. Tenho apenas um objetivo nesta vida: ver meu Jesus face a face. Todos os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a alegria que me aguarda".

Que os nossos corações possam ser como o de Paulo, enquanto buscamos a vida de renúncia.

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terça-feira, dezembro 26, 2006

A Seriedade da Falta de Fé

Por David Wilkerson

Poucos, dentre os cristãos sérios, acham ter falta de fé. Já há anos fico embaraçado diante de algo que Jesus disse: "Quando porém vier o Filho do homem, porventura achara fé na terra?" (Lucas 18:8). A pergunta implica em falta de fé não simplesmente sobre a terra, mas entre o povo de Deus.

Por que Jesus disse isso? Fé é um dos assuntos sobre os quais mais se fala na igreja. Piedosos pregadores a enfatizam, e há uma enxurrada de livros sobre o assunto. Grandes empreendimentos estão sendo feitos, gigantescos projetos sendo desenvolvidos, tudo em nome da fé. Então, o que Jesus está nos dizendo quando pergunta: "Quando a trombeta finalmente soar, será que encontrarei alguma fé?".

Encontramos uma pista na sóbria advertência de Hebreus 3:12: "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo". Este verso diz que devemos reconhecer incredulidade em nós mesmos toda vez que nos "afastarmos do Deus vivo". Mas, o que significa se afastar de Deus?

Isso acontece por meio de nossas dúvidas quanto à fidelidade de Deus. Se permitirmos que mesmo pequenas sementes de incredulidade cresçam em nossos corações, vamos acabar em uma situação triste. Essa passagem adverte: "Fique alerta, e não deixe que incredulidade alguma crie raízes. Às vezes o Senhor pode parecer estar distante de ti. Mas não deixe que o seu coração fuja da realidade da Sua fidelidade".

Um pastor de uma outra cidade se aproximou de mim há pouco tempo atrás, após um de nossos cultos na igreja. Ele falava, e sua cabeça se curvava em desencorajamento. Disse que por um tempo havia se reunido mensalmente com um grupo de pastores de várias denominações em sua cidade.

"Mas irmão David", disse, "as nossas reuniões estavam ficando deprimentes. Os números estão baixando porque mais e mais pastores estão deixando o ministério. Nunca mais ouvimos uma palavra de Deus. E muitos tocam o ministério sentindo-se fracos. Perderam a alegria. Agora suas esposas estão fartas e insistem para que eles desistam. Isso deprime porque amo estes homens. Estou faminto para que ouçamos do Senhor outra vez".

Vejo algo semelhante acontecendo em muitas faculdades bíblicas e seminários. Algumas destas instituições na verdade se tornaram estufas de incredulidade. Os alunos entram convencidos da inerrância das escrituras, do dom divino para a operação de milagres, de um céu e inferno literais. Mas se expressarem suas crenças durante as aulas, um professor pode ridicularizá-los. Ele chama essas crenças de "velha escola", e zomba, considerando-os iletrados e inseguros. Muitos jovens sinceros se graduam sem fé alguma, pois lhes foi roubada toda a confiança em Deus.

Mas a Bíblia nos diz sem usar termos duvidosos: "Sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11:6).

Quero lhe mostrar a seriedade com a qual Deus vê o nosso pecado de falta de fé.


1. Incredulidade é o Pecado que Exaspera e Irrita a Deus


Em Êxodo 17, Israel chega a um deserto chamado Sim. Não havia água potável à vista, e o povo nervoso condenava Moisés: "Dá-nos água para beber" (Êxodo 17:2). Tratavam o ungido de Deus como se ele fosse seu operador particular de milagres. Mas nenhum deles se voltou a Deus em oração. Ninguém disse, "Vejam, Deus tem-nos operado muitos milagres relacionados com a água. Ele abriu o mar Vermelho para nos livrar do faraó; adoçou as águas amargas de Mara. Certamente proverá água potável para nós aqui".

Você conhece o resto da história. Deus instruiu Moisés para chegar até uma rocha e bater nela. Ao fazê-lo, rios de água fluíram, mais que o necessário para cuidar da sede do povo. Mas o Senhor pôs o nome de incredulidade nesse episódio. Chamou o lugar de Massá, que quer dizer provocação, assim como também exasperado, áspero, irritado. Deus estava dizendo a Israel: "Vocês me deixaram extremamente irritado com essa incredulidade".

Por favor entenda, o Senhor não ficou só ligeiramente machucado aqui; Ele se exasperou a ponto de chegar à cólera. Mas Ele não foi provocado simplesmente pelas reclamações do povo. Foi muito pior do que isso: eles O haviam acusado de havê-los abandonado na hora do sofrimento. Disseram a Moisés: "Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?... Está o Senhor no meio de nós ou não?" (17:3,7).

A inferência e conclusão deles foi, "Se Deus está conosco, onde está Ele agora? Não vemos nenhum sinal da Sua presença ou do Seu poder. O Senhor está vivo ou morto? Como se vai crer num Deus que permite estas coisas tão terríveis?".

A gente pode pensar, "Pobre Israel. Eles só estavam querendo dar água para os filhos que choravam. Qualquer um se desespera sem água. Quem não vai reclamar?". Mas a questão aqui não era falta da água. Nem era que Deus estivesse retendo bênçãos para o povo. Ele tinha acabado de dar toda a água que Israel precisava, tirada da rocha.

Não, Deus estava irritado por uma causa muito boa. Encontramos a razão disso mais tarde nas escrituras, quando Moisés relembra o episódio de Massá. Ele diz: "Rebeldes fostes ao mandado do Senhor, vosso Deus, e não o crestes, e não obedecestes à sua voz. Rebeldes fostes contra o Senhor, desde o dia em que vos conheci" (Deuteronômio 9:23-24). Moisés estava dizendo a Israel: "Desde o dia em que lhes conheci, vocês têm sido rebeldes. Vocês nunca obedeceram ou creram na palavra de Deus".

Então, qual foi o ponto real? Segundo Moisés, foi que Israel nunca verdadeiramente teve fé. Nunca se comprometeram inteiramente a confiar no Senhor. Na verdade, esses israelitas abrigavam ídolos o tempo todo. Guardavam pequenos deuses escondidos nas tendas, para voltarem a eles caso Deus falhasse. O Senhor diz: "Me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto... e acaso não levantastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar?" (Atos 7:42-43).

Dá para você imaginar a exasperação de Deus com o povo agora? Eles O estavam culpando pela falta de água, reivindicando, "Por que o Senhor não respondeu às orações?". Ainda assim, se voltavam a deuses estranhos para livrá-los. A zanga de Deus aqui não era um teste quanto à fé de Israel; era um chamado trovejante ao arrependimento. De modo algum Ele havia retido Seu favorecimento para com eles.

Um jovem pastor há pouco me escreveu contando de uma experiência como a de Israel. Ele diz:

"Quando fui ao Senhor, não abandonei as minhas músicas do mundo. Eu não me preocupava quanto à possibilidade de os músicos trazerem algo de mal. Era a minha música, e pastor algum iria me persuadir a deixá-la. Até cheguei a apresentá-la aos grupos de mocidade que eu dirigia. Eu queria atrair multidões de garotos dando-lhes a música que queriam. Usávamos hard rock, punk, rap, mosh pits. Mas aí o grupo da mocidade começou a morrer espiritualmente. Pararam de ouvir a palavra de Deus e os meus ensinos, e todos os tipos de imoralidade irromperam. Foi morte total."

"Eu orei e orei para que Deus de algum modo os despertasse, mas nada aconteceu. Um dia, o Espírito Santo me respondeu de um modo muito duro: 'Você trouxe seu ídolo estranho para dentro da Minha casa. Trata-se da sua música pagã, a qual você sabe que Eu detesto. E agora você corrompeu todo o seu rebanho com ela. Remova esse ídolo do seu coração, e tire-o destes jovens. Aí então Me moverei em seu meio'."

"Imediatamente me livrei da música. E no lugar dela trouxe música de louvor. Tornei minhas mensagens simples e diretas, direto das escrituras. E logo o Espírito Santo estava se movendo de novo. Agora os meus jovens estão tendo jeito espiritual."

Isso é exatamente o que Deus queria fazer em Israel. Ele estava dizendo ao povo: "Não estou retendo de vocês as coisas boas. Quando me pediram para cuidar de sua sede, Me movi instantaneamente, trazendo água da rocha. Agora estou só tentando chamar a sua atenção. Quero lhes falar a respeito das coisas escondidas de suas vidas".


Você Acha que Deus Vê as Suas Coisas Ocultas?


Você acha que o Senhor abençoa os cristãos que tentam servi-Lo enquanto presos à cobiça favorita? Esse é o real crime da incredulidade: abrigar algo em secreto e não levá-lo à luz de Deus para livramento.

Uma coisa é estar amarrado à uma cobiça habitual e odiar isso. Tal pessoa despreza seu pecado secreto e luta fortemente contra ele. Ele clama a Deus por libertação e busca o conselho piedoso de outros. Esse servo pode estar seguro de que o Senhor será paciente com ele em meio da sua luta.

Pense bem: os israelitas ainda estavam carregando seus ídolos em Massá. Isso quer dizer que tinham se agarrado a eles através das ondas que se abriam a eles no mar Vermelho. Ficaram agarrados a eles até mesmo quando o exército do faraó os fustigava. E os ocultaram mesmo depois de Deus adoçar as amargas águas em Mara. Agora, em Massá, Deus livra-os novamente sem condenação, enchendo suas barrigas com água fresca. Em verdade, o tempo todo Deus havia abençoado Israel a despeito de sua idolatria.

Contudo o povo prosseguiu escondendo o pecado. Eles louvavam ao Senhor, desfrutando de Sua proteção sob a nuvem de dia, e sob a coluna de fogo à noite. Por que prosseguiram assim? Porque "visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal" (Eclesiastes 8:11).

A falta de fé de Israel nada teve a ver com o poder de Deus para livrá-los. Eles haviam-nO visto operando milagres para eles inúmeras vezes. Não, essas pessoas simplesmente não levavam os mandamentos de Deus a sério. Se acomodaram ao pecado, porque o Senhor não julgou-os logo por ele. Eles não temiam as conseqüências; afinal, nenhum de seus filhos havia morrido, e ainda tinham maná e carne do céu.

Em resumo, os israelitas haviam perdido o temor de Deus. Secretamente eles pensavam: "É nestas alturas que nós deveríamos ter sido consumidos pelo fogo, por não crermos na ira de Deus. Mas Ele nunca trouxe condenação pelos nossos pecados. Então, vamos poder continuar nosso culto (aos deuses)". Eles tomaram como certo a declaração de Jeremias: "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim" (Lamentações 3:22).


2. A Incredulidade Impede Qualquer Livramento do Poder e

do Domínio de Satanás


Estou convencido de que todo pecado não dominado é causado pela incredulidade. E agora mesmo, multidões de cristãos estão lutando uma batalha perdida contra o pecado. O fato é que muitos deles até já desistiram da luta. Estão convencidos de que algum espírito demoníaco forte construiu uma fortaleza dentro deles, e não pode ser expulso. Então vivem em desventura, amarrados por um pecado que os assedia. Paulo expressa o grito destes corações: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" (Romanos 7:24).

Mas Paulo responde à sua própria pergunta no versículo seguinte: "Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor" (7:25). Em outras palavras, "Jesus Cristo me liberta do poder e do domínio do pecado". Como acontece isso? Seria isso apenas uma verdade teológica que devemos aceitar? Ou será que há algo mais de prático a se fazer? Como é que Cristo verdadeiramente nos liberta?

A resposta é tão simples, que muitas vezes não a entendemos. É tão simples para os hindus, que a rejeitam em favor de obras. Preferem rastejar quilômetros tentando pacificar Deus por seus pecados. Os judeus também rejeitam essa verdade, preferindo guardar mais de 630 regras e regulamentações, na esperança de equilibrar os livros, por seus pecados. Os muçulmanos preferem se prostrar e praticar bons atos tentando apaziguar Alá por seus desvios. Mesmo muitos cristãos vão preferir acrescentar alguma regra de auto-dependência, para seus livramentos. Fazem promessas a Deus e tentam derrotar todos os desejos da carne em sua própria força.

Mas cá está o evangelho simples e descomplicado: toda vez que há genuíno arrependimento, há perdão instantâneo. E há purificação instantânea, bem como contínua abertura para o trono de Deus. Se cremos nessas verdades, nos tornamos livres.


O Pecado Faz Com Que Queiramos
Nos Esconder da Presença de Deus


Cá está a essência da falta de fé entre os cristãos: quando pecamos, falhando com Deus, tendemos a fugir de Sua presença. Achamos que Ele está muito zangado para querer comunhão conosco. Como poderia Ele de algum modo compartilhar de intimidade conosco, tendo nós pecado de modo tão grave?

Então paramos de orar. Em nossa vergonha, pensamos: "Não posso voltar para Deus desse jeito". E começamos a tentar produzir nossa volta às boas graças dEle. Ficamos convencidos de que precisamos só de tempo para nos limpar. Se conseguirmos ficar puros durante algumas semanas, evitando o nosso hábito pecaminoso, achamos que provaremos a nós mesmos sermos dignos de nos aproximarmos do Seu trono novamente.

Isso é incredulidade maligna, e um crime aos olhos de Deus. Quando confessamos nosso pecado, incluindo os hábitos que nos assediam, Deus não nos interroga. Ele não exige prova de arrependimento, perguntando "Você se arrependeu de verdade? Não estou vendo nenhuma lágrima. Você promete nunca mais cometer esse pecado? Agora vá, jejue dois dias por semana, e ore uma hora por dia. Se você conseguir isso todo este tempo sem cair, teremos comunhão de novo".

Que isso nunca ocorra. Quando Jesus nos reconciliou com o Pai na cruz, foi para sempre. Isso quer dizer que se eu pecar, não tenho de ser reconciliado com o Pai tudo de novo; não estou cortado do Senhor, subitamente irreconciliado. Não, o véu de separação foi rasgado permanentemente na cruz, e eu para sempre tenho acesso ao trono de Deus, através do sangue de Cristo. A porta nunca está fechada para mim: "Pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele" (Efésios 3:12).

A Bíblia declara claramente que se qualquer um de nós pecar, temos um advogado com o Pai em Jesus Cristo. Podemos ficar fora da sala do trono nos sentindo péssimos e impuros à porta. Mas se permanecemos lá, nos recusando a entrar, não estamos sendo humildes; estamos agindo em incredulidade. "Acheguemo-nos, portanto, em confiança, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna" (Hebreus 4:16).

Quando é a nossa "ocasião oportuna"? É toda vez que falhamos em relação ao nosso bendito Senhor. No momento que pecamos, estamos necessitando graça e misericórdia. E Deus nos convida a irmos então ousadamente ao Seu trono, com confiança, para recebermos tudo de que necessitamos. Não devemos ir até ele só quando nos sentimos justos ou santos; devemos ir toda vez que precisarmos.

E mais, não temos de esperar que nossas almas sejam limpas. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I João 1:9). João diz que para sermos purificados, não temos de trabalhar por horas, dias ou semanas. Acontece instantaneamente, assim que vamos ao Senhor.

Então, você tem a fé para crer no perdão instantâneo de Deus? Você consegue aceitar a comunhão instantânea e ininterrupta com o Pai? É exatamente isso que as escrituras insistem que façamos. Veja, a mesma fé que nos salva e perdoa é também a fé que nos guarda. Pedro diz que somos "guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo" (I Pedro 1:5). Que verdade incrível.

No entanto, a nossa falta de fé nos impede de acessar o poder guardador de Deus. E com o passar do tempo, à medida que enfrentamos o ataque contínuo do pecado, podemos começar a nos desesperar. Amado, isso simplesmente não deveria ocorrer. Deus nos deu maravilhosas promessas da Nova Aliança. Mas elas não têm nenhum valor a menos que creiamos e nos apropriemos delas. O nosso Senhor se comprometeu a pôr a Sua lei em nossos corações, ser Deus para nós, não nos deixar cair, implantar o Seu temor em nós, nos dar poder para obedecer, nos levar a andar em Seus caminhos. Mas temos de crer inteiramente nisso.


3. Lucas 3
Inclui um dos Casos Mais Reveladores
da Seriedade da Falta de Fé


Você se lembra do piedoso Zacarias, pai de João Batista. Zacarias era um sacerdote consagrado que sofreu devido a um único episódio de incredulidade. A sua história ilustra simplesmente a seriedade com a qual Deus vê esse pecado.

As escrituras dizem que Zacarias era justo "diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor" (Lucas 1:6). Eis um homem pio que vestia as túnicas de sua respeitada posição. Ele ministrava diante do altar de incenso, o quê representava prece e súplica, atos de pura adoração. Em resumo, Zacarias era fiel e obediente, um servo que ansiava pela vinda do Messias.

Um dia, enquanto Zacarias ministrava, Deus enviou o anjo Gabriel lhe dizer que sua esposa iria ter um filho. Gabriel diz que o nascimento do filho seria motivo de júbilo para muitos em Israel, e deu a Zacarias instruções detalhadas sobre como educar o menino. Mas, enquanto o anjo falava, Zacarias tremeu de medo. De repente, a mente deste consagrado homem se encheu de dúvidas, e ele cedeu à terrível falta de fé. Ele pergunta ao anjo, "Como saberei isto? Pois eu sou velho, e minha mulher, avançada em dias" (v. 1:18).

Deus não recebeu de bom grado a dúvida de Zacarias, e passou essa sentença para o sacerdote: "Todavia, ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas cousas venham a realizar-se; porquanto não acreditaste nas minhas palavras" (1:20).

O que esse episódio nos diz? Diz que a falta de fé bloqueia os nossos ouvidos para Deus, mesmo quando Ele está falando claramente a nós. Ela trava o recebimento de revelações novas. E nos afasta da comunhão íntima com o Senhor. De repente, por termos deixado de ouvir de Deus, nada temos para pregar ou testificar. Não importa o quanto somos fiéis ou diligentes. Como Zacarias, trazemos a nós mesmos uma paralisia tanto dos ouvidos quanto da língua.

Finalmente, somos confrontados por esse versículo em Hebreus: "Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade" (Hebreus 3:19). Só um pecado deixou Israel fora da terra prometida: a incredulidade.

Por que as pessoas perderam a fé? Canaã representa um lugar de repouso, paz, frutos, segurança, plenitude, satisfação, tudo que um crente verdadeiro anseia. É também quando o Senhor fala claramente ao Seu povo, orientando-o: "Esse é o caminho, caminhe por ele". Mas Israel não pôde entrar na terra prometida por causa de um pecado.

Esse pecado não foi adultério (e as escrituras chamam esses israelitas de geração adúltera). Não foi o divórcio desenfreado. (Jesus disse que Moisés concedeu divórcio a essa geração devido à dureza de seus corações.) Não foi a ira, a inveja ou revanchismo. Não foi nem mesmo a idolatria secreta. Todos estes pecados foram resultado da incredulidade.

Não, foi esse pecado, a falta de fé, que impediu o povo de Deus de entrar em Canaã. Assim, Hebreus nos encoraja hoje, "Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, seguindo o mesmo exemplo de desobediência" (Heb. 4:11).

Conheci muitos cristãos que decidiram levar a sério o seu caminhar com o Senhor. Se determinaram a ser mais estudiosos da palavra, e jejuaram e oraram com renovada convicção. Dispuseram seus corações a apegarem-se ao Senhor em meio a todas as situações da vida. Observando suas vidas, a minha ideia é, "Certamente toda essa consagração produzirá um brilho de alegria. Eles não conseguem deixar de refletir a paz e o descanso de Deus".

Mas muitas vezes, o oposto ocorreu. Muitos nunca entraram efetivamente no prometido descanso de Deus. Ainda estavam inseguros, inquietos, questionando a direção de Deus, preocupados com o futuro. Por quê? Porque possuíam um fermento habitual de incredulidade. Toda a sua devoção e atividade haviam se tornado inúteis por isso.

O servo que crê apega-se à promessa divina da Nova Aliança: "Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis" (Ezequiel 36:27). Ele também se apega a essa palavra: "Fa-lo-ei aproximar, e ele se chegara a mim... guia-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho reto em que não tropeçarão" (Jeremias 30:21; 31:9).

Finalmente, Hebreus declara: "Resta entrarem alguns nele" (Hebreus 4:6). O escritor está dizendo basicamente: "Alguém tem de entrar nessa incrível promessa". Eu lhe pergunto: por que não você, crente? Por que não eu? Se a nossa falta de fé está nos deixando de fora, devemos orar, "Senhor, ajude-me em minha incredulidade. Cure a minha falta de fé. Me dá abundância de fé".

O nosso Deus nos fez incríveis promessas. Então, apropriemo-nos de Sua maravilhosa palavra. Que cada um de nós possa entrar em Seu prometido descanso. Então nossas vidas serão um testemunho irradiante a essa geração.

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quinta-feira, dezembro 14, 2006

Eu Trabalhei em Vão (I Have Labored in Vain - English Video)

Por David Wilkerson

Essa é uma mensagem para todos os que estejam vivendo embaixo de um peso de desencorajamento. Você olha para a sua vida e se deprime com as expectativas que falharam. Você sente que não realizou muito na vida, e à medida que o tempo se esvái vê que muitas promessas não foram cumpridas. Durante anos você orou e orou, mas as coisas que acredita Deus ter lhe falado não se realizaram. Outros que lhe cercam parecem ter tudo, desfrutando do cumprimento de muitas promessas - mas você carrega uma sensação de fracasso.

Olhando ao passado, você se lembra de todos os momentos difíceis. Você conheceu rejeição, sensação de total incapacidade e de fraqueza. Você amou tanto o Senhor, entregando corpo e alma para agradá-Lo, fazendo tudo que sabia. Mesmo assim, finalmente chegou um momento quando se convenceu: "Trabalhei em vão; me esforcei por nada. Foi tudo futilidade". E agora uma coisa irritante entra na cabeça, e cochicha, "Você errou o alvo; não chegou nem perto. A sua vida é prova de que não fez diferença alguma no mundo".

Se você está passando por essa sensação de fracasso, então está em boa companhia. Em verdade, está entre gigantes espirituais.

Muitos Grandes Servos de Deus ao Longo da História
Acharam Ter Falhado em Seu Chamado

O profeta Elias olhou sua vida e gemeu: "Senhor, leve-me. Não sou melhor do que os meus pais, e todos eles falharam contigo. Por favor, tire a minha vida. Tudo foi em vão" (parafraseado).

E o rei Davi? Ele ficou tão desanimado quanto àquilo que achava ser unção desperdiçada em sua vida, que queria bater asas como um pássaro em direção a um lugar isolado. "Quem me dera asas como de pomba! Eis que fugiria para longe e ficaria no deserto" (Salmo 55:6-7).

Até mesmo o grande apóstolo Paulo tremeu de medo ao pensar ter vivido uma vida como obreiro inútil, "Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco" (Gálatas 4:11).

João Calvino, um dos pais da Reforma, teve a mesma terrível experiência. Na hora da morte disse, "Tudo que eu fiz não teve valor algum... os ímpios alegremente atacarão essa palavra. Mas repito tudo de novo: tudo que fiz não teve valor algum".

São Bernardo também suportou esse terrível desânimo. Em seus últimos dias ele escreve, "Falhei em meus propósitos... As minhas palavras e meus escritos foram um fracasso".

David Livingstone foi um dos missionários mais usados no mundo - seus feitos reconhecidos até mesmo pelo mundo secular. Livingstone abriu o continente africano para o evangelho, plantando muitas sementes e sendo usado por Deus para despertar a Inglaterra às missões. Deu corpo e alma, seguindo uma vida sacrificial para Cristo.

No entanto, durante o vigésimo terceiro ano no campo missionário, Livingstone expressou as mesmas dúvidas terríveis destes outros grandes servos. Ele também achou que seu ministério todo teria sido em vão. O seu biógrafo o cita em seu desânimo: "Tudo que eu fiz apenas serviu para que se abrisse o comércio de escravos africanos. As sociedades missionárias não mostram fruto após vinte e três anos de trabalho. Todo o trabalho parece ter sido em vão... eu trabalhei em vão".

Um dos grandes missionários que impactaram a minha vida foi George Bowen. A sua vida foi um exemplo poderoso, e seu livro, "Love Revealed" (amor revelado), é um dos maiores livros que já li sobre Cristo. Solteiro, Bowen se afastou da riqueza e da fama para ser missionário em Bombaim, na Índia, no meio do século 19. Quando viu os missionários lá vivendo bem acima do nível das pessoas às quais ministravam, Bowen deixou o sustento da missão e escolheu viver em meio às mais pobres delas. Se vestia como os indianos, e abraçou a pobreza, vivendo numa habitação humilde, e subsistindo às vezes só com pão e água. Ele pregava nas ruas sob calor sufocante, distribuindo literatura do evangelho e chorando pelos perdidos.

Esse homem tremendamente consagrado havia ido à Índia com altas esperanças pelo ministério do evangelho. E havia dado tudo que tinha com essa finalidade, o seu coração, a mente, corpo e espírito. Mesmo assim, em seus mais de quarenta anos de ministério na Índia, Bowen não teve nenhum convertido. Foi só após a sua morte que as missões descobriram que ele era um dos mais amados missionários do país. Até mesmo os adoradores de ídolos viam Bowen como exemplo do que é um cristão.

Hoje, a vida humilde de Bowen e suas palavras de poder ainda incendeiam a minha alma, e a alma de outros pelo mundo. Contudo tal como muitos antes dele, Bowen suportou uma terrível sensação de fracasso. Ele escreve: "Sou o ser mais inútil da igreja. Deus me fere e esmaga com desapontamentos. Ele me edifica, e então permite que eu caia de novo ao nada. Eu gostaria da companhia de Jó, e simpatizo com Elias. Todo o meu trabalho é em vão".

Alguns leitores podem dizer, "Os grandes homens de Deus não deveriam usar uma linguagem dessas. Eles não deveriam nem ter esse tipo de sentimentos. Isso soa como medo e incredulidade". No entanto essa é a linguagem de muitos gigantes da fé, grandes homens e mulheres que consideramos exemplos fiéis. Todos eles tiveram o mesmo horrível sentimento de que "Não consegui chegar àquilo que Deus me chamou. Eu fracassei". Conheço o terrível som dessa linguagem em meu próprio coração.

Você Ficaria Chocado Se Soubesse
que Jesus Experimentou Essa Mesma Sensação
de Ter Realizado Pouco?

Em Isaías 49:4 lemos essas palavras: "Eu mesmo disse: debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças...". Note que essas não são palavras de Isaías, que foi chamado por Deus em idade matura. Não, elas são palavras do próprio Cristo, proferidas por Alguém que diz "O Senhor me chamou desde o meu nascimento, desde o ventre de minha mãe... o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó e para reunir Israel a ele" (49:1,5).

Quando cheguei à essa passagem, a qual eu já havia lido muitas vezes antes, o meu coração se maravilhou. Eu mal podia acreditar no que estava lendo. As palavras de Jesus aqui quanto a "trabalho inútil" foi uma resposta ao Pai, que havia acabado de declarar "Tu és o meu servo... por quem hei de ser glorificado" (49:3). Lemos as surpreendentes palavras de Jesus respondendo no verso seguinte: "Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças" (49:4).

Após ler isso, me levantei em meu escritório e disse, “Que maravilha! Mal posso acreditar que Jesus fosse tão vulnerável, confessando ao Pai que estava experimentando aquilo que nós humanos enfrentamos. Em Sua humanidade, experimentou o mesmo desencorajamento, o mesmo desânimo, as mesmas feridas. Ele estava tendo os mesmos pensamentos que já tive em relação à minha própria vida: 'Não é isso que eu entendi estava me sendo prometido. Desperdicei o meu esforço. Foi tudo em vão'”.

Ler aquelas palavras fizeram com que eu amasse Jesus ainda mais. Me conscientizei de que Hebreus 4:15 não é só um cliché: o nosso Salvador verdadeiramente é tocado pelo que sentimos em nossas enfermidades, e foi tentado em todas as maneiras como nós somos - contudo sem pecar. Ele conheceu essa mesma tentação de Satanás, e ouviu a mesma voz acusadora: "Você não cumpriu a missão. A tua vida é um fracasso. Você não tem o quê apresentar como resultado do trabalho".

Qual foi exatamente a missão de Cristo? Segundo Isaías, foi trazer Israel de volta para Deus, tirar as tribos de Jacó da corrupção e da idolatria: tornar "a trazer os remanescentes ("os guardados") de Israel" (49:6). O historiador Josephus fala sobre a situação de Israel nos dias de Jesus: "A nação judaica havia se tornado tão má e corrupta no tempo de Cristo, que se os romanos não a houvesse destruído, Deus teria feito cair fogo dos céus, como no passado, para os consumir". Em resumo, Cristo foi enviado como judeu entre os judeus, para livrar o povo de Deus do poder do pecado, e libertar todos os cativos.

Jesus testifica, "(O Senhor) fez-me como uma flecha polida, e me guardou na sua aljava" (49:2). O Pai O havia preparado desde a fundação do mundo. E o mandado dado a Cristo foi claro: "Fez a minha boca como uma espada aguda" (49:2). Jesus deveria pregar uma palavra como espada de dois gumes para penetrar no mais duro dos corações.

Então Cristo veio ao mundo para cumprir a vontade de Deus e promover reavivamento em Israel. E fez exatamente como lhe foi ordenado, sem proferir sequer uma palavra e sem realizar um único ato senão o que Lhe foi orientado pelo Pai. Jesus ficou exatamente no centro da vontade de Deus, recebendo autoridade total e a mais poderosa das mensagens. Mas Israel O rejeitou: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1:11).

Pense nisso: Jesus pregou à uma geração que viu milagres incríveis - olhos cegos se abrindo, surdos ouvindo, os aleijados podendo andar. Contudo os milagres de Cristo foram repudiados ou minimizados, e Suas palavras ignoradas, incapazes de penetrar o coração endurecido das pessoas. Em verdade, a pregação dEle só enfureceu as seitas religiosas. Os próprios seguidores decidiram que a Sua palavra era dura demais e se afastaram dEle (v. João 6:66). No fim, até os discípulos mais chegados, os doze escolhidos, O abandonaram. E a nação que Jesus veio para levar de volta ao Pai gritava: "Crucifica-O".

Diante de qualquer olhar humano, Cristo falhou totalmente em Sua missão. O encontramos perto do fim do Seu ministério, junto a Jerusalém, lamentando a rejeição de Israel, chorando pelo Seu aparente fracasso em reuni-los, e com esperanças aparentemente frustradas. "Jerusalém, Jerusalém... Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta" (Mateus 23:37-38).

Imagine a dor que Cristo deve ter sentido ao proferir tais palavras. Posso apenas especular, mas creio que esse foi o momento quando Jesus se lamentou, "Trabalhei em vão". Imagino Satanás cochichando a Ele nesse momento, "Essa é a casa que fostes chamado a salvar, e a deixastes desolada e deserta".

Por um curto período, o Pai permitiu que Cristo experimentasse esse desespero humano da sensação de fracasso na vida: "Me entreguei inteiro, dei a minha força, o meu trabalho, a minha obediência. O quê mais eu poderia fazer para salvar esse povo? Todo o meu trabalho foi em vão". Ele sentiu o quê todo grande guerreiro de Deus ao longo das eras já experimentou: a tentação de se acusar de fracasso, quando um mandado claro de Deus parece não ter sido cumprido.

Por Que Jesus, ou Qualquer Homem ou Mulher de Deus
Haveria de Dizer Essas Palavras em Desespero:
"Eu Trabalhei em Vão" ?

Como poderia o próprio Filho de Deus fazer uma declaração destas? E por que gerações de crentes fiéis têm sido reduzidas à palavras tão enganosas? É tudo resultado de se comparar resultados pequenos com altas expectativas.

Pode-se pensar: "Esta mensagem parece que se aplica só a ministros, ou àqueles chamados para realizar uma grande obra para Deus. Percebo que ela é dirigida a missionários ou a profetas da Bíblia. Mas o que ela tem a ver comigo?".

A verdade é que todos nós somos chamados a um grande propósito em comum, e a um ministério: ou seja, sermos como Jesus. Somos chamados a crescer em Sua semelhança, a sermos transformados em Sua imagem. Você simplesmente não pode ser um cristão a menos que esse seja o seu chamado, esse seja o seu único alvo na vida: "Quero me tornar mais e mais como Cristo. Quero ser liberto de todo egoísmo, de toda ambição humana, de toda inveja, impaciência, ira, e da atitude de pensar mal dos outros. Quero ser tudo aquilo que Paulo diz que eu devo ser - para andar em fé e em amor. Senhor, o meu coração anseia ser como Tu".

Que expectativas elevadas! E você tem todas as promessas de Deus para lhe sustentar. Você segura nas mãos a espada de dois gumes, e seu coração se propõe a ser como Jesus. Então você começa a agir para se tornar como Ele.

Em pouco tempo, algumas mudanças maravilhosas começam a acontecer. Você fica mais paciente. Cada reação carnal que surge dentro de si, você rejeita, dizendo: "Isso não é ser igual a Jesus". A sua família, amigos, vizinhos e companheiros de trabalho percebem que você se torna melhor. Toda noite, você pode curtir a vitória daquele dia, e se parabeniza dizendo: "Consegui! Fui mais bondoso hoje. Hoje foi um dia bom, semelhante a Jesus".

Há alguns meses atrás, escrevi uma mensagem entitulada "Chamados para a semelhança de Cristo". Nela digo que a semelhança com Cristo começa em sermos como Jesus junto àqueles que estão pertos de nós. Verdadeiramente creio nisso. Logo, se você é casado, essa pessoa mais perto é o seu cônjuge. Então me dispus a me tornar o esposo mais semelhante a Cristo que um homem pode ser. E trabalhei nisso, me esforçando para ser mais paciente, compreensivo e atencioso.

Na primeira semana, batalhei para rejeitar toda e qualquer irritação. Fiquei o tempo todo recordando: "Jesus não iria fazer isso. Ele não iria dizer o quê quero dizer. Então não vou dizer. Vou ser como Ele".

No fim da semana, perguntei à minha esposa Gwen, "Você tem visto mais de Jesus em mim?". Ela respondeu, "Sim, eu vejo". Fiquei encorajado. Eu pensei, "É isso aí. Finalmente, após todos estes anos, descobri o quê é preciso fazer para ficar mais como Jesus".

Então a semana ruim chegou. Perdi a minha semelhança com Cristo - pelo jeito a cada movimento. No fim da semana, perguntei a Gwen, "O quê você acha de mim agora?". Ela disse, "Mais parecido com Paulo".

Eu gostaria de dizer que a cada dia, sob todos os aspectos, estou me tornando mais como Jesus. Mas a minha luta humana na carne para ser tal como Cristo simplesmente não funcionou. E o fato é que nunca funcionará. Eu continuo lutando com pensamentos, palavras e sentimentos diferentes dos de Cristo. A minha carne não possui a habilidade de lançar fora a carne. Tal trabalho é feito unicamente pelo Espírito Santo: "Se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis" (Romanos 8:13). Em resumo, render-se à obra do Espírito Santo é a única maneira de se tornar verdadeiramente como Cristo.

É em meio à essa guerra contra a carne que muitas vezes caímos no engano. Somos tentados a pensar que fomos chamados, ungidos, e que aprendemos de mestres piedosos - e assim sendo, por que então continuamos a pensar em coisas da carne. Às vezes sucumbimos diante dos mesmos pensamentos que ressoaram ao longo das eras entre o povo de Deus: "Trabalhei em vão. Desperdicei o meu tempo e a minha força. Jamais vi acontecendo aquilo que Deus me prometeu. Não consegui realizar os planos e atos".

Pergunte a Qualquer Jovem Que Esteja se Afastando de Cristo
Por Que Esfriou com Ele

Se você perguntasse a um jovem ou à uma jovem, "Por que você voltou ao que era antes?", encontrará a mesma mentira demoníaca plantada no coração deles: "Eu fiz o possível. Orei, li a Bíblia. Fui à igreja, e testemunhei para os meus amigos na escola. Me esforcei ao máximo para viver de modo reto. Mas nunca recebi o milagre que eu precisava. As minhas orações não eram respondidas, e não era liberto. Depois de tudo isso, acabei derrotado. Eu não conseguia tirar da minha cabeça a coisa de que não adiantava, que a minha carne não iria mudar nunca. E que era perda de tempo. Eu sentia que tudo que fizera fora em vão".

E os pais e as mães retos, que tão diligentemente oraram pelos filhos que estavam esfriando? Deus lhes deu promessas e eles se agarraram à elas, clamando a Ele em fé. Mas o tempo passou e o filho nunca reagiu. E agora estes consagrados santos suportam a mesma terrível mentira: "Você falhou, trabalhou em vão. Perdeu tempo estes anos todos. Essa luta só serviu para te esgotar. Não adiantou nada".

Muitos que lêem esta mensagem estão desanimados porquê não experimentaram a promessa que Deus lhes fez. Eles não invejam as bênçãos que o Senhor dá aos outros. Eles não se comparam com alguém que pareça estar desfrutando de um milagre. Não, no momento estão olhando para as suas próprias vidas. E estão comparando o que crêem Deus lhes prometeu com o quê parece estar acontecendo nesse momento. Para eles, suas vidas parecem um fracasso absoluto.

Examinando o seu caminhar com toda a honestidade e sinceridade, eles parecem ver pouco progresso. Fizeram tudo que Deus lhes disse para fazer, sem jamais hesitar diante de Sua palavra e mandamentos. Mas o tempo passa, e eles vêem apenas o fracasso. E agora estão aniquilados, com o espírito ferido. Eles pensam, "Senhor, será que tudo foi em vão? Será que ouvi a voz errada? Será que fui enganado? Será que a minha missão terminou em ruínas?".

Há Duas Coisas Que Eu Quero Colocar em Sua Mente
Com Essa Mensagem

Primeiro de tudo, você agora sabe a partir de Isaías 49 que o Senhor conhece a sua batalha. Ele a lutou antes de você. E não é pecado ter pensamentos assim, ou ver-se deslocado com um sentimento de fracasso diante de experiências que lhe despedaçam. Jesus mesmo experimentou isso e era sem pecado.

Segundo, é muito perigoso permitir que essas mentiras do inferno infectem e incendeiem a sua alma. Jesus nos mostrou como sair desse desânimo com a seguinte declaração: "Debalde tenho trabalhado... todavia o meu direito está perante o Senhor, a minha recompensa, perante o meu Deus" (Isaías 49:4). Em hebraico a palavra direito aqui é "veredicto". Cristo está dizendo em verdade, "O veredicto final está com o meu Pai. Somente Ele julga tudo que fiz, e se fui eficiente ou não".

Através dessa passagem Deus está reforçando o seguinte para nós: "Pare de emitir veredictos em relação ao teu trabalho para Mim. Não é da sua conta julgar se foi eficiente ou não. Você ainda não sabe o tipo de influência que teve. Você simplesmente não tem a visão para conhecer as bênçãos que lhe estão chegando". Na verdade, não conheceremos muitas destas coisas enquanto não estivermos diante dEle na eternidade.

Em Isaías 49, Jesus ouve o Pai dizendo com todas as letras:

"Sim, Israel ainda não foi reunido. Sim, eu lhe chamei para reunir as tribos, e isso não aconteceu do jeito que o imaginavas. Mas esse chamado é uma coisa pequena comparado com o quê lhe deverá vir. Não se compara com o que tenho preparado. Eu agora vou lhe tornar em luz para o mundo todo. Israel será finalmente reunido; essa promessa será cumprida. Mas tu te tornarás uma luz não apenas para os judeus, mas para os gentios. Tu trarás salvação para o mundo inteiro".

"Israel não se deixou ajuntar; contudo aos olhos do Senhor serei glorificado, e o meu Deus será a minha força. Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os guardados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra" (Isaías 49:5-6).

Prezado santo, enquanto o Diabo está mentindo, dizendo que tudo que você fez foi em vão, que nunca verá cumpridas as suas expectativas, Deus em Sua glória está preparando uma bênção maior. Ele tem coisas melhores preparadas, acima de qualquer coisa que você possa imaginar ou pedir.

Não devemos mais ouvir as mentiras do inimigo. Pelo contrário, devemos descansar no Espírito Santo, crendo que Ele cumprirá a obra de tornar-nos mais como Cristo. E devemos nos erguer da desesperação e nos sustentar sobre essa palavra: "Sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (I Coríntios 15:58).

Chegou a hora da abundância em seus trabalhos. O Senhor está lhe dizendo basicamente: "Esqueça e abandone essa 'idéia de fracasso'. Está na hora de voltar para a obra. Nada foi em vão! Há muita coisa chegando para ti - então pare com esse abatimento e alegre-se. EU não deixei você pra trás. Proverei abundâncias maiores do que você possa imaginar ou pedir!".

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