segunda-feira, julho 25, 2011

Cântico Certo, Lado Errado

David Wilkerson

Israel encontrava-se em situação dificílima e sem esperança. Eles se encontravam em uma cilada, com o Mar Vermelho diante deles e montanhas à direita e à esquerda. Um faraó furioso e seus carros de ferro se aproximando por trás.

Essa é uma história muito familiar que você tem ouvido a vida toda na igreja. Os filhos de Israel foram guiados por Deus à uma crise horrível onde foram cercados por inimigo feroz. Por incrível que pareça, o Senhor havia guiado o Seu povo propositalmente à essa situação precária. Creio que esta é uma historia de grande importância para a igreja hoje - em verdade para esse momento da historia.

Israel estava cercado, aparentemente sem esperança. E isso causou pânico em todo o acampamento de Israel. Esposas e filhos choravam, se apertando junto aos pais e avós. Um grupo de anciãos irados veio sobre o líder Moisés, acusando, "Por acaso não havia tumbas suficientes no Egito? Você nos arrastou até aqui para morrermos. Lá no Egito lhe dissemos para nos deixar em paz. Antes sermos escravo do faraó do que morrer nesse deserto miserável!".

Imagino se Moisés pode ter tido um momento de apreensão naquela hora. Imagino-o pondo-se de joelhos, clamando, "Senhor, o que está acontecendo? Como é possível que essa seja a Tua vontade para conosco?". No entanto, parece que Deus o repreendeu ao responder, "Por que clamas a mim?" (Êxodo 14:15).

Surpreendentemente, naquele momento negro Deus operava um milagre de livramento para Israel. Repentinamente os ventos foram movidos tão poderosamente que dividiram o mar em dois. Com uma rota de fuga milagrosa diante deles, o povo cruzou o mar em terra seca. Então, quando Faraó e seu exercito tentou segui-los, as ondas tombaram e os afogaram nas atrozes águas.

"Assim o Senhor, naquele dia, salvou Israel da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. E viu Israel a grande obra que o Senhor operara contra os egípcios; pelo que o povo temeu ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu servo" (Êxodo 14:30 e 31).

Recomendo que você note a seguinte palavra nessa passagem, pois ela é o coração da minha mensagem: "(Quando) Israel viu a grande obra que o Senhor operara... então cantaram Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor" (14:31- 15:1, itálicos meus).

Quando os israelitas viram o que acontecera, irromperam com toque de tamborins e começaram a cantar um glorioso cântico de louvor a Deus. "Cantarei ao Senhor porque gloriosamente triunfou... o Senhor é a minha força e o meu cântico; ele tem se tornado minha salvação... eu o exaltarei... Quem entre os deuses é como Tu, ó Deus? Quem é como Tu... admirável em louvores, operando maravilhas?" (15:1-2, 11).

Era o cântico certo, mas o povo de Deus o cantava do lado errado

O cântico de vitória dos israelitas não foi entoado do lado certo – isto é, no lado do teste – do mar Vermelho. Ao contrário, foi entoado depois que viram o poder de Deus operando – depois do livramento. "Então cantaram Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor" (Êxodo 15:1, itálicos meus).

Todavia, as pessoas diziam umas às outras, "Que grande testemunho! Pense bem. Esse milagre será comentado pelos ímpios e pagãos do mundo. Eles saberão que nosso Deus é todo poderoso!". "Os povos o ouvirão, eles estremecerão... Então os príncipes de Edom se pasmarão; dos poderosos dos moabitas apoderar-se-á um tremor, derreter-se-ão todos os habitantes de Canaã" (15:14-15).

Quão seguro e poderoso o povo de Deus deve ter se sentido naquele momento. Eles cantaram sobre como seriam temidos e respeitados dali em diante. Era como se dissessem, "Esse é bem um testemunho poderoso. Podemos nos gabar de Deus ter nos livrado de uma situação totalmente sem esperança. Todos saberão que o Senhor é conosco com Seu incrível poder e força".

No entanto, esse testemunho não era dos israelitas. Era somente de Deus. O Senhor disse, "Glorificar-me-ei em Faraó e em todo seu exército... e os egípcios saberão que eu sou o Senhor" (14:17-18). Deus fez com que o Egito conhecesse o Seu poder. Enquanto isso, Israel era reprovado em seu teste. Somente Moisés tinha o direito de cantar no lado da vitória do apuro. Em termos simples, o povo estava cantando o cântico certo do lado errado. Eles tinham um testemunho do livramento de Deus, mas nenhum testemunho de confiança Nele.

Você entende? Esse cântico – o cântico de fé – era um cântico que Deus queria muito tê-los ouvido cantando no lado da prova. Qualquer um consegue cantar depois que a vitória chega. Até mesmo os maiores incrédulos são capazes de oferecer cânticos de jubilo uma vez que Deus tenha-lhes provido livramento. Mas tal cântico não é um testemunho de fé.

A grande necessidade dessa hora é a de cristãos que aprenderam a cantar o cântico de livramento no lado da provação

Gideão tinha apenas um pequeno exército de 300 homens; no entanto, ele bradou em fé antes da batalha. Como o Senhor deve ter ansiado para que um Gideão se levantasse naquele acampamento aterrorizado no mar Vermelho, e lembrasse a todos da fidelidade de Deus para com eles no passado. Veja bem, no que se refere ao Senhor, a hora de se levantar é no momento mais negro. É quando tudo parece sem esperança, quando não aparece nenhuma saída, quando somente Deus pode salvar e livrar. Os apuros de Israel no mar Vermelho foram provocados por Deus como uma experiência de aprendizado para eles, um momento para construírem sua fé. A fé não estaria sendo testada de outra maneira se tudo estivesse correndo de modo suave.

Se ao menos Israel tivesse lembrado dos milagres que Deus operara no Egito em favor deles. Se ao menos tivessem crido em Sua palavra quando diz que os conduziria em Seus braços tal como um pai carrega o filho. Se ao menos alguns deles tivessem começado um cântico de adoração - a mesma canção que foi entoada mais tarde do lado errado. Se ao menos o povo tivesse confiado no Senhor, bradando, "Ele é a minha força! Meu Deus triunfará. Quem é como Tu, ó Senhor?". Diga-me, o que teria acontecido?

Eles teriam estabelecido uma fé forte e duradoura em Deus – uma fé testada e provada pelo fogo da provação. A fé teria emergido tão inabalável que os faria suportar cada luta na jornada pelo deserto logo adiante. Eles teriam obtido um alicerce de fé sobre o qual iriam construir. E com o passar do tempo, teriam aprendido a louvar a Deus confiantemente em todas as circunstâncias, com uma fé tão forte que o inferno teria estremecido.

Mas Israel não cantou. Ao invés disso, eles se amuaram. Eles murmuraram e reclamaram. Eles acusaram Deus de negligente. E perderam toda confiança em Seu amor e interesse por eles.

Você pode perguntar, "Como se pode cantar o livramento quanto se está sofrendo tanto quanto Israel?"

Alguns leitores podem dizer, "Não é natural cantar nessas circunstâncias. Somos apenas humanos. Se estivéssemos no lugar de Israel, teríamos reagido da mesma forma. Teríamos chorado de medo. É completamente natural pensar na família, esposa e filhos, quando se enfrenta tamanha provação".

Que não se entenda mal: nosso Deus é um Pai terno e amoroso. Há tempo de chorar, tempo para dar vazão aos nossos medos. E agora mesmo muitos no corpo de Cristo estão oprimidos pelo medo do futuro, medo de como vão superar essa situação. Como pastor de uma igreja por mais de vinte anos, não encaro isso de modo leviano. Com freqüência tenho orado, "Senhor, estás pedindo que o Teu povo se alegre estando desempregados e perdendo suas casas? Eles estão em desespero por conta do sofrimento. Eles não têm vontade de cantar. O Senhor não poderia aliviar um pouco?".

Ao longo dos evangelhos vemos o Senhor repreendendo os discípulos por falta de fé, dizendo, "Onde está a sua fé?". É uma cena que já vimos vez após vez. No entanto, creio que o Senhor não estava repreendendo Moisés quando lhe disse, "Por que clamas a mim?". Ao contrário, Deus não aceitou passivamente os insultos do povo. Insinuaram que Ele permitiria que os filhos deles fossem devorados pelo inimigo. E Ele foi ofendido com as acusações deles.

"E as crianças que vocês disseram que seriam levadas como despojo, os seus filhos que ainda não distinguem entre o bem e o mal, eles entrarão na terra. Eu a darei a eles, e eles tomarão posse dela" (Deuteronômio 1:39).

Quando estamos feridos devemos de todas as formas clamar ao Senhor. Quando estamos angustiados com uma situação devemos orar, "Senhor, socorro!". Devemos levar a Ele todas as nossas dores e desapontamentos, pois Ele deseja nos ouvir. Então, depois de derramarmos nossos corações, Ele deseja que nos levantemos com fé, encaremos nossa luta e proclamemos, "Não posso fazer nada por mim mesmo. Deus é a minha força. Portanto, não temerei. Me aquietarei e verei a salvação do Senhor".

Israel entoou um cântico de vitória depois do livramento. No entanto, eles cantaram não com fé, mas com alívio. Era um cântico sem embasamento de confiança. Isso foi revelado três anos mais tarde, quando Israel voltou aos velhos caminhos de dúvida e medo diante da próxima provação.

Amado, temos um Pai terno e amoroso que é tocado pelo sentimento de nossas enfermidades. Até mesmo Jesus chorou em Seu momento de luta; Ele conhece a nossa dor por experiência própria. E enviou Seu Espírito Santo para nos confortar, afirmando esperança e paz à nossas almas.

O mundo requer de nós um cântico em meio à nossas horas mais difíceis

"Junto aos rios de Babilônia, ali nos assentamos e nos pusemos a chorar, recordando-nos de Sião. Nos salgueiros que há no meio dela penduramos as nossas harpas, pois ali aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções; e os que nos atormentavam, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos um dos cânticos de Sião. Mas como entoaremos o cântico do Senhor em terra estrangeira?" (Salmos 137:1-4).

Esse salmo está descrevendo o cativeiro de Israel pelos babilônicos. À essa altura o povo de Deus perdera tudo, incluindo sua terra natal. Agora os apreensores queriam ouvir os cânticos de vitória que os israelitas eram famosos por entoar. "Cantem para nós! Toquem para nós os seus cânticos tão conhecidos. Ouvimos falar dos grandes cânticos de vitória que vocês oferecem ao seu Deus. Cante-os para nós".

Amado, o mundo ainda reivindica um cântico de vitória do povo de Deus. Isso soa como desafio para nós. O que eles realmente querem saber é o seguinte, "Como você vai reagir na crise de agora? Ouvimos que o seu Deus é fiel e todo-poderoso. E nesse momento você está numa situação terrível. Então, vai parar de cantar? Ou você confia no seu Deus numa hora dessas? Antes de chegar à essa situação, você cantava sobre a fidelidade dEle. Era mentira? Por que não agora? O teu Deus mudou? Aquilo era você cantando fábulas? Os seus cânticos de vitória eram simplesmente fantasia de criança? Ou será que a sua fé agüenta quando a dureza chega?".

Não acredito que essa reivindicação foi feita apenas por escárnio. Creio que os babilônicos queriam ouvir um testemunho. A sua própria religião os deixara vazios, áridos, sem esperança. Sabemos pela palavra de Deus que não há paz para os perversos. E o mundo quer a paz assim como nós.

A capa de uma revista estampou recentemente: "Nova York – Farra todas as noites!". De fato, toda noite de fim de semana em Times Square você mal consegue andar por causa da multidão de pessoas que vêm para festejar. No entanto, nas altas horas da noite, as 2 ou 3 da manhã, a lamúria começa. Gritos desesperados se levantam das ruas revelando a verdadeira angústia desses farristas. O som é perturbador e inconfundível: é a alma humana chorando o vazio e a falta de esperança.

Quando leio esse salmo, creio que os babilônicos estavam igualmente desesperados. Eles tinham ouvido falar do Deus de Israel, esse Deus que operava milagres, que se preocupava com Seu povo, que lhes era uma forte torre de segurança. Esses captores queriam tal testemunho verdadeiro para si mesmos. Quase ouço um apelo deles dizendo: "Por favor, cantem para nós os cânticos alegres que vocês cantavam em Sião. Mostrem-nos um Deus que tenha o poder de dar esperança nos dias negros. Se Ele é o Deus de vocês, por que estão chorando agora? Onde está a paz de vocês, a alegria? Onde está a força dEle em favor de vocês?".

Os babilônicos precisavam ver o povo de Deus cantando um cântico de vitória em meio à sua noite de maior desolação. Eles ansiavam ver um testemunho que traria paz ao coração não importa o que estivesse acontecendo. Imagino-os dizendo, "Vocês poderiam nos mostrar um milagre, mas isso não importaria. Não nos importamos em ver paralíticos andando, ou cegos tendo as vistas restauradas. Só queremos ver um povo cujo Deus seja fonte de paz quando tudo dá errado. Esse é o milagre que precisamos".

"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti" (Isaías 26:3).

Amado, esse é o mesmo milagre, a maravilha sobrenatural, que o mundo quer ver nesse momento.

Os israelitas cativos eram um testemunho deplorável da fidelidade de Deus

Os israelitas que foram presos na Babilônia se recusavam a cantar. Evidentemente não tinham aprendido nada de suas experiências anteriores. Qualquer teste que houvessem encarado fôra em vão. Todos os avisos, profecias, e mensagens de esperança do Senhor foram desperdiçados com eles.

Então os babilônicos foram embora consternados. Eles devem ter dito entre eles, "Esses israelitas não são diferentes de nós. Eles supostamente deveriam ter um Deus poderoso, mas claramente Ele é incapaz de lhes dar alegria em tempos árduos. Que vantagem há em buscar um Deus assim? Simplesmente não há esperança na terra. Quando tempos difíceis os atingem, os israelitas caem em desespero da mesma forma que nós".

Amado, esse mundo não responde a grandes sermões. Os programas das igrejas não os afetarão. Depois de verem tantos "milagres da medicina" sendo desenvolvidos na vida até mesmo a cura tem impacto pequeno. Eles viram bypasses de coração, membros reimplantados novamente, transplantes de coração, olhos, fígado, pulmões, curas que de fato a sabedoria de Deus torna possível.

O que o mundo anseia é a visão de um cristão que esteja sendo testado profundamente – alguém que esteja com problemas, encurralado, sem saída – e no entanto, cante. Esse cristão se alegra, confiando no seu Deus. Ele não reclama da situação. Pelo contrário, ele canta as fidelidades do Senhor. Ele não confia nem no homem e nem em circunstâncias, mas em Deus.

Esse é o milagre que ganhará os perdidos: o milagre da paz genuína em tempos difíceis. Por quê? Os mundanos e perversos também estão em situação difícil, e querem esperança.

As nossas dúvidas devem receber um golpe de morte no lado da provação, caso contrário nos tornaremos murmuradores confirmados

Cânticos de vitória entoados depois da vitória não são cânticos de fé verdadeiros. Por quê? Porque as nossas dúvidas não receberam um golpe de morte com a experiência. Veja, quando experimentamos um livramento vitorioso, temos uma torrente temporária de ação de graças; ficamos naturalmente alegres pois nosso Deus agiu misericordiosamente em nosso favor apesar das nossas dúvidas. No entanto, o que acontece com nossas dúvidas depois? Elas são apenas submergidas ainda mais no fundo do coração.

Caro santo, o fato é que Deus lhe conduziu para a sua presente situação. Você está cercado de obstáculos por todos os lados - com algo semelhante a um inimigo chegando cada vez mais perto. E como Moisés você pode estar dizendo: "Senhor, tens me guiado fielmente toda a minha vida. Mas não entendo o que estou passando. O futuro parece tão sombrio".

Agora mesmo estamos vivendo um tempo de caos que o mundo jamais viu. E Satanás está usando o medo para atormentar multidões. Bem em meio a esse tempo, nosso Deus está chamando Seu povo, dizendo: "Como vocês vão encarar isso? Vocês vão crer em Minhas promessas apesar de tudo que lhes cerca? Vocês vão crer em Mim apesar dos seus mais profundos medos?".

Para fazer isso, temos que fixar nossas mentes no Senhor. "Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti." (Isaías 26:3). A nossa vontade tem de estar envolvida nisso. Não importa quão inacreditavelmente negra se torne nossa situação, algo dentro de nós deve se levantar com fé e dizer, "Não, Diabo. Não, mundo. Eu vou confiar Naquele que tem fielmente me livrado todas as vezes".

É quando a perfeita paz chega. É concedida pelo próprio Senhor, que se agrada de nossa confiança Nele. Então, enquanto o caos reina em toda a volta, as nossas vidas afirmarão a poderosa mensagem de Sua alegria. Ele nos deu um cântico para cantarmos ao mundo: "O Senhor é fiel. Ele livra o Seu povo!".

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sexta-feira, julho 22, 2011

Vivendo na Perfeita Vontade de Deus

David Wilkerson

Nós cristãos nos empenhamos muito para encontrar a vontade de Deus para as nossas vidas. Crendo tê-la encontrado, batalhamos arduamente para vê-la cumprida em nossas vidas.

Estou convencido de que esse empenho para encontrar a vontade de Deus – para viver nela, andar nela e ver seu cumprimento – pode se tornar a nossa maior batalha. E a batalha se intensifica sempre que nos encontramos em circunstâncias difíceis.

Muitos cristãos simplesmente não conseguem aceitar a sua situação nesse momento. Suas vidas estão esgotadas por sérios problemas. Para alguns o fardo é uma doença prolongada. Para outros é um querido não salvo. E agora para um número crescente de pessoas a batalha é uma crise financeira. Pouquíssimos cristãos aceitam que tais fardos possam ser parte da perfeita vontade de Deus para as suas vidas.

Recentemente muitas pessoas me escreveram perguntando por que prego tantas mensagens sobre os problemas e aflições das pessoas pertencentes ao corpo de Cristo. Evidentemente, os que me escrevem essas cartas não estão dentre os que precisam de uma palavra de cura vinda do Senhor.

No entanto a verdade é que multidões de preciosos filhos de Deus estão enfrentando tempos difíceis. E estão desnorteados pois não conseguem compreender porque o Senhor permite que lutas tão penosas continuem. Muitos desses santos aumentam a agonia se convencendo de que fizeram algo de mal, e isso os colocou fora da vontade de Deus.

Os Estados Unidos e outras nações estão nesse momento sob a ira do Deus Todo Poderoso

Ninguém que esteja vivo hoje pode duvidar de que estamos enfrentando turbulências e apertos como nunca experimentados na terra. Como cristãos, cremos que durante tais tempos a igreja de Jesus Cristo se levanta para a sua melhor hora. Pregamos que nossas vidas devem ser raios de esperança em meio a grandes mudanças bruscas, provando a habilidade de Cristo em guardar Seu povo em todas as circunstâncias. E exortamos uns aos outros no tocante à fé, à esperança e a se apropriar das promessas de Deus.

De minha parte, tenho enviado mensagem atrás de mensagem encorajando a fé e a constância em meio a tempos de provas. E tenho alertado das conseqüências da incredulidade durante tais tempos. Muitos cristãos têm respondido, escrevendo que têm sido ajudados e encorajados na fé.

Como pregador do evangelho, sei que toda fé e esperança sustentadoras devem ter uma verdade alicerçante sobre a qual possam crescer. Que alicerce de verdade é esse? Simplesmente isso: preciso saber e crer que estou dentro da perfeita vontade de Deus – agora mesmo, exatamente onde estou, nesse exato momento, e lugar.

Em termos simples, não importa a situação em que me encontro, se estou andando em paz ou sofrendo, se estou rico ou pobre, doente ou saudável, preso ou livre: devo crer que estou no centro da perfeita vontade de Deus para minha vida; eu aceito que os meus passos têm sido ordenados pelo Senhor.

Pessoalmente me identifico com Paulo: seja qual for o estado que me encontre, estou satisfeito

Agradeço a Deus pelo exemplo de Paulo. Esse apóstolo fiel conhecia a abundância de bênçãos e também o regozijo em tempos de adversidade. Não importava sua condição exterior, não importava quão opressoras fossem suas circunstâncias, Paulo sempre soube que estava no centro da perfeita vontade de Deus.

Paulo escreveu muitas de suas epístolas às igrejas enquanto encarcerado em uma cela de prisão, limitado, desprezado, excluído dos crentes e aparentemente de todo o ministério. Fala-se muito de condições dolorosas de vida. No entanto, Paulo nunca disse ser prisioneiro das circunstâncias. Ao invés, ele chamava a si próprio "prisioneiro de Cristo".

Em sua epístola aos Colossenses, Paulo declara a vontade dele a todos os santos que sofrem: "Sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; para que possais andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus, corroborados com toda a fortaleza, segundo o poder da sua glória, para toda a perseverança e longanimidade com gozo" (Colossenses 1:9-11).

Incrivelmente, Paulo escreveu essas palavras de esperança e exortação enquanto estava na prisão; na verdade, foram produto de seu maior período de enclausuramento, provavelmente na Cesaréia. Quando Paulo escreveu essas palavras ele não tinha esperança alguma de ser liberto; tanto quanto pudesse saber, ele poderia ficar ali por anos, possivelmente o resto de seus dias.

Está claro que Paulo tinha feito as pazes com suas dolorosas circunstâncias

Em lugar algum nessa carta encontramos Paulo questionando o Senhor. O apóstolo havia entrado na plena compreensão espiritual da vontade de Deus. E aceitara suas circunstâncias como vontade do Senhor para sua vida naquele momento. Por isso Paulo escreveu triunfante aos Colossenses, "Oh, que vocês cheguem a esse completo entendimento espiritual da vontade de Deus para vocês".

Você pode imaginar? Aqui estava Paulo em total cativeiro, privado de qualquer tipo de liberdade. No entanto, ele falava de "andar de maneira digna do Senhor... agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus".

À aquela altura, muitos na igreja que sabiam da situação de Paulo tinham pena dele. Achavam que sua utilidade ao Senhor tinha chegado ao fim. Eles viam Paulo como acabado no auge da carreira, incapaz de fazer qualquer coisa para avançar o reino de Deus. Mas na realidade, Paulo estava crescendo em todo o entendimento, vida e verdade espirituais.

Há não muito tempo atrás, um jovem cristão maravilhoso descarregou sua grande ansiedade comigo. Ele disse, "Sinto chamado do Senhor para trabalhar com jovens e crianças. Mas todas as portas ao ministério só se fecham para mim. Eu oro para que elas se abram, mas Deus parece não ouvir meu clamor. Me sinto inútil, amarrado pelas circunstâncias".

"O único ministério que exerço agora é uma vez por semana. Ajudo com uma casa de assistência aos necessitados em uma das nossas favelas. Sirvo como um irmão mais velho ao filho de um pastor, porque seu pai está muito doente. Mas é só isso que estou fazendo. Creio que Deus tem mais para mim".

Quando ouvi isso, disse ao jovem, "Quero que você entenda uma coisa. O que você está fazendo agora é mais precioso ao Senhor do que se você estivesse pregando para milhares de pessoas em algum estádio. Utilidade a Ele não tem nada a ver com números".

"Você está cumprindo o teu papel em salvar o filho desse pastor. Vá e seja um amigo para aquelas crianças que Deus lhe deu na favela, mesmo que sejam poucas. Fique satisfeito nesse tempo e nesse local. E saiba que você está vivendo na perfeita vontade de Deus, porque está sendo fiel nas pequenas coisas".

Diga-me, cristão: você está em paz com sua situação atual? Você consegue confiar que Deus está realizando Sua obra perfeita em você através de cada circunstância? Se você não consegue, se tornará impaciente, desanimado e com o tempo, bravo com Deus, amargo e endurecido.

Pedro escreve, "Portanto os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem" (1 Pedro 4:19). De igual modo, Paulo instrui, "Em tudo daí graças, pois essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1 Tessalonicenses 5:18).

Viver na perfeita vontade de Deus pode conduzir a "tribulações em tudo"

Paulo escreve, "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos" (2 Coríntios 4:8-9).

"Em tudo atribulados" — você pode se identificar com essa frase? Pode ser isso que você esteja experimentando na vida agora mesmo. Talvez você esteja enfrentando dor física, tensão conjugal, problemas financeiros, preocupações com os filhos. A vida pode ser totalmente esmagadora às vezes.

O fato é que é possível estar na perfeita vontade de Deus, e ainda assim estar abatido às vezes. Podemos andar bem no centro de Sua vontade e ainda estarmos perplexos, atribulados e perseguidos.

Alguns cristãos têm atribulações de todos os lados por tanto tempo que pensam, "Isso não pode ser de Deus. É demais para agüentar. O meu sofrimento e a minha provação estão durando tempo demais. Me sinto completamente abandonado nessas lutas. O Senhor deve estar me castigando por meus pecados passados. Não há outra explicação".

Paulo nos apresenta três verdades maravilhosas às quais se agarrou e o preservaram do desespero:

1. "Ainda que nosso homem exterior esteja se consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia" (2 Coríntios 4:16)

Ouça a verdade que Paulo está declarando a nós:

"Sim, todas essas muitas tribulações e lutas desgastaram o meu homem exterior. Minha carne está, de fato, mais gasta. Mas, ao mesmo tempo, algo maravilhoso está acontecendo em minha alma. Todas essas coisas estão cooperando para o bem em mim. Estou crescendo no meu conhecimento do Senhor e de Seus caminhos".

Paulo sabia que estava vivendo na perfeita vontade de Deus. Ele tinha consciência de que todas as lutas não estavam acontecendo por estar sob a ira de Deus. Pelo contrário, Paulo sabia mais profundamente do que nunca, que estava sendo grandemente amado pelo Senhor.

Em suma, Paulo aceitara sua condição daquele momento. E agora ele estava aprendendo a ter paciência: "Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa" (Hebreus 10:36).

2. Paulo desviou seus olhos do que é temporário e os focou naquilo que é eterno

Veja as palavras de Paulo:

"Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que não se vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas" (2 Coríntios 4:17-18).

Paulo está nos dizendo, "Tire os olhos das tribulações. Não se concentre nas coisas que estão vindo sobre a terra. Todas elas hão de passar. O seus problemas e tribulações não significam nada à luz da glória eterna que espera o povo Deus. Um instante em Seu paraíso e você não se lembrará de nada disso".

Está escrito sobre Cristo, "O qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz" (Hebreus 12:2). O próprio Jesus disse, "Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima" (Lucas 21:28).

3. De acordo com Paulo, quando há "tribulações por todos os lados" – quando trevas e incertezas se aproximam – Deus ordena uma luz maravilhosa para brilhar em nossos corações

Paulo está falando aqui de uma gloriosa manifestação do conhecimento da glória de Cristo que vem até nós em nossas tribulações:

"Porque Deus, que disse: das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo" (2 Coríntios 4:6). Paulo está descrevendo nada menos do que uma nova revelação da glória de Deus na pessoa de Cristo.

Quando Paulo recebeu essa revelação, ele estava na prisão e sem um tostão. No entanto, repentinamente sua vida mudou. Muito embora continuasse com pouca comida na prisão, ele se vivificava pela renovada revelação da glória de Cristo que recebia diariamente.

Paulo não acusou a Deus de castigá-lo durante esse tempo. Ele nunca duvidou da vontade de Deus. Por quê? O céu havia se aberto para ele. À medida que contemplava a glória de Cristo, Paulo era transformado diariamente pelo que via, "de glória em glória" (2 Coríntios 3:18).

O que é a glória de Cristo, e como podemos contemplá-la?

O simples pensar em relação à glória de Cristo é aterrador. Foi descrita como o poder e a majestade do Senhor, Sua autoridade e esplendor, o grande EU SOU.

O problema é que não consigo me aprofundar em nenhuma dessas coisas. Minha mente humana é simplesmente incapaz de compreender tamanha grandeza.

Nas últimas semanas pedi ao Senhor para ancorar meu coração nesses tempos de más notícias. Busquei nEle uma palavra que me desse paz em meio a todos os inquietantes acontecimentos.

Ouvi o Espírito Santo cochichar, "David, contemple a glória de Cristo. É isso que o manterá ancorado em paz".

"Obrigado, Senhor" eu orei. "Mas o que é exatamente a glória de Cristo?".

Para mim, Sua glória desce de encontro a algo que eu necessite e entenda: misericórdia, benevolência amorosa. Isso é mais do que simplesmente a bondade de Cristo. É a Sua benevolência amorosa – então é a Sua terna benevolência amorosa.

Isso pode ser apenas uma faceta de Sua glória. Mas é como precisamos ver a Cristo – a exata semelhança do Pai celestial, que é cuidadoso, terno, amoroso e bondoso com Seus filhos.

Paulo contemplava a glória de Cristo cada manhã

Esse servo de Deus, tantas vezes afligido, acordava muitos dias profundamente atribulado. Houve incontáveis vezes em que ficou abatido e perplexo. Mas Paulo atiçava a alma a olhar para o alto, para que pudesse contemplar a glória de Cristo – significando a misericórdia e a benevolência amorosa da pessoa de Cristo. À medida que Paulo fazia isso, o Espírito Santo o renovava com forças para enfrentar cada dia.

Jeremias escreveu essa profecia: "Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra, porque destas cousas me agrado, diz o Senhor" (Jeremias 9:24).

Repare no primeiro item dessa lista de coisas nas quais Deus tem prazer: misericórdia, benevolência. Sua mensagem é clara para nós: somos chamados para nos gloriarmos em Sua misericórdia.

Davi testificou em seus Salmos, "Todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim. Contudo, o Senhor durante o dia, me concede a sua misericórdia, e à noite comigo está o seu cântico, uma oração ao Deus da minha vida" (Salmos 42:7-8, itálicos meus).

Se Jesus Cristo é o seu Senhor, Ele ordena que a luz de Sua amorosa benevolência brilhe em sua alma

A glória de Cristo – essa terna e amorosa bondade que brilha em nossos corações à medida que oramos e buscamos Sua palavra – transforma-nos, "de glória em glória", na semelhança de Cristo. E a revelação do amor, compaixão e cuidado que recebemos Dele deve brilhar de nós para outros.

Essa revelação é acrescentada diariamente dentro de nós "pelo Espírito do Senhor". De fato, é o Espírito Santo quem nos conduz à glória de Cristo. O Espírito opera o brilhar em nós e o nosso transformar através de cada circunstância. Finalmente, Ele nos mostra como fazer brilhar a Sua cuidadosa e amorosa benevolência a outros que estão precisando.

Pergunto: o que as suas atuais circunstâncias estão fazendo a você e em você? Há uma brandura de Cristo brilhando de você? Você pede ao Espírito Santo para lhe dar olhos que enxerguem as dores e necessidades dos outros? Essa é a transformação que Paulo diz ter lugar em nós pelo Espírito de Deus.

Somente aqueles que estão descansando na perfeita vontade de Deus podem crer que "todas as coisas cooperam para o bem" na pior das circunstâncias. Então, caro santo, levante sua cabeça e testifique a si mesmo, aos céus e às suas circunstâncias: "Estou vivendo na perfeita vontade de Deus, venha o que vier". Amém!

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quinta-feira, julho 21, 2011

O Alto Preço da Misericórdia

David Wilkerson

“Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:35-36, itálicos meus).

Por toda a Bíblia, um tema poderoso ressoa: “O Senhor, teu Deus... é Deus misericordioso” (Deuteronômio 4:31, itálicos meus). Esse tema da misericórdia está na essência do Velho Testamento; lemos dele vez após vez em Deuteronômio, Crônicas, Neemias e Salmos: “O Senhor, vosso Deus, é misericordioso e compassivo”. Igualmente vemos o mesmo tema da misericórdia em cada um dos evangelhos e por todo o Novo Testamento: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:36).

As escrituras nos dizem algo do custo da misericórdia de Deus por um mundo pecador

O Senhor não abriu mão desse mundo pecador, ímpio e consumido pela cobiça; ao olhar para cá diante da explosão de libertinagem sobre a terra, não se afastou de Sua criação. Pelo contrário, enviou o Seu próprio Filho para o nosso meio; e, em Sua terna misericórdia, o Senhor ofereceu o Seu Filho como sacrifício. Ele lançou sobre Cristo a iniquidade de todos nós.

Pense no alto custo que Jesus pagou pela misericórdia; o peso desse preço simplesmente não pode ser calculado; ninguém pode medir a dor de Cristo ao tomar sobre Si os pecados do mundo. Contudo, as escrituras efetivamente nos dão detalhes claros quanto ao custo que Jesus pagou pela misericórdia que ministrou sobre a terra.

Primeiro, Jesus foi rejeitado por todo o mundo religioso. Os líderes do Seu tempo imediatamente lançaram sobre Ele malignidade clara; e mais, foi zombado e desprezado por ricos e pobres, tanto por intelectuais quanto por iletrados. E a Sua mensagem foi recusada por todos senão por alguns poucos.

De acordo com Salmos, o nome de Jesus se tornou canto de bêbados. Finalmente, a sociedade inteira cuspiu nEle, abusou dEle, prendeu-O à uma cruz e O matou.

Como beneficiários da misericórdia de Deus, você e eu conhecemos algo do preço que Jesus pagou para estender tal misericórdia a um mundo perdido. A terna misericórdia dEle encontrou você pessoalmente em seu cativeiro ao pecado. Ele ouviu o clamor do seu coração e lhe libertou. Ele lhe transformou, abriu os seus olhos, lhe encheu com Seu Espírito Santo. E o tornou um vaso de honra para proclamar o Seu evangelho.

Não se engane: a misericórdia que você recebeu custou caro. Pregamos que a misericórdia de Deus é de graça, imerecida e portanto sem custo para nós – e que o preço por ela foi totalmente pago pelo sangue derramado por Cristo. E, realmente, tudo isso é verdade: Deus está plenamente satisfeito pelo preço que Jesus pagou para nos trazer Sua misericórdia. E agora recebemos o céu por herança. A Sua misericórdia concede segurança de vida eterna a todo verdadeiro crente.

No entanto há um preço do lado humano – do nosso lado – quanto à misericórdia de Deus. Quanto ela custa a nós? É o alto preço de se tornar uma testemunha real do poder desta misericórdia que temos recebido. O fato é que, oferecer a mesma misericórdia que nos foi dada vai nos custar muito aqui na terra; é um preço que podemos esperar pagar em nosso dia a dia.

Veja, Jesus nos ordena, “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:36). E, como Cristo mostrou com Seu exemplo, ser misericordioso como o Pai é misericordioso tem um alto preço. Jesus pagou o preço dessa misericórdia em Sua carne. E você e eu podemos esperar pagar o mesmo preço; como Ele, enfrentaremos rejeição total; como mensageiros do evangelho, as nossas palavras não serão aceitas pelo mundo. De fato, quanto mais Cristo for exaltado em nossas vidas, mais podemos esperar que a misericórdia de Deus seja ridicularizada e rejeitada.

O primeiro custo dessa misericórdia paga por Jesus foi a Sua posição celestial; a misericórdia O moveu a vir à terra para assumir a forma humana. E por fim, a misericórdia que Ele ofereceu ao mundo lhe custou a vida. Mesmo assim, o exemplo da misericórdia de Jesus é um modelo a todos que querem segui-Lo. Ele nos diz, basicamente, “A Minha vida lhe mostra qual é o preço da misericórdia. É a rejeição total por parte do mundo”.

Paulo pagou o mesmo alto preço pago por Jesus na terra para praticar a misericórdia de Deus

Jesus nos alerta, “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós” (João 15:20). O apóstolo Paulo testifica essa verdade: “Nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (I Coríntios 4:12-13).

O que devemos fazer diante dessa rejeição? Jesus responde: “Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu” (Lucas 6:23).

Essa é uma verdade difícil de engolir. Como podemos nos regozijar e exultar diante de uma perseguição cruel? Amado, tudo isso é parte do alto preço a ser pago pela misericórdia. Como foi com Paulo, que era visto como escória, assim é com o corpo de Cristo, a igreja. Há um preço que todos precisamos pagar quando pregamos Jesus e Sua misericórdia.

Porém este alto preço não é só rejeição da parte de um mundo incrédulo; não é apenas desaprovação e rejeição de uma mídia atéia e liberal. Também enfrentamos denúncias e condescendência do mundo religioso que faz concessões. Jesus avisa aos discípulos a respeito de “os homens vos odiarem... e... vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do homem” (Lucas 6:22). Tudo que Jesus descreve aqui aconteceu com Ele nas mãos do sistema religioso dos Seus dias.

Certa época de sua vida, o apóstolo Paulo foi uma poderosa força de tal perseguição. Em verdade, quanto mais ele fustigava o “povo de Jesus”, mais os líderes religiosos lançavam elogios sobre ele. À cada crente que Paulo jogava na prisão, mais aqueles líderes o aplaudiam e sua reputação crescia.

O seu nome era Saulo no início, e era um jovem e poderoso fanático. Não cometia nenhuma ilegalidade segundo a lei judaica e desfrutava dos louvores dos altos oficiais da sinagoga. Qual é a nossa primeira imagem deste destacado homem nas escrituras? Encontramos Paulo quando ele se mostra aprovando o brutal apedrejamento de Estevão. Saulo era conhecido naquela região do mundo como o perseguidor número um da igreja de Cristo. Ele estava decidido a varrer o nome de Jesus da face da terra, extinguir a igreja em sua infância.

Mas chegou o dia quando a misericórdia brilhou sobre Saulo. Vejo o zeloso fariseu no início daquele dia especial. Ele havia pedido uma audiência com o sumo sacerdote: “O jovem que persegue o povo de Jesus solicita permissão para levar sua cruzada a Damasco. Ele jura prender todos eles. Ele acha ter condições de apagar esse 'fogo de Jesus'”.

Com a bênção dos líderes judeus, Saulo vai a Jerusalém com seu bando de homens visando a próxima missão. Imagine a cena deles sendo encorajados pelo sumo sacerdote e por todos os escribas e fariseus. Mas aí, um pouco antes da cidade de Damasco, a misericórdia brilha sobre Saulo.

Como a misericórdia agiu sobre esse homem perdido e desencaminhado? Ela não tentou confundi-lo. Ela não o acusou. Ela não tentou destruí-lo. Antes, a misericórdia já anteriormente paga e gratuita do Senhor derrubou Saulo de rosto no chão. E uma voz falou a ele, dizendo, “Saulo, Saulo, sou Jesus. Por que você está Me perseguindo?” (v. Atos 9). A mensagem de Cristo a esse fanático foi clara: “É a Mim que você está tocando, Saulo. Quando você prende um cristão, está fazendo o mesmo comigo”.

Saulo foi totalmente dominado por essa revelação. Temporariamente tornado cego, foi levado à casa de um homem de oração e cheio do Espírito Santo em Damasco chamado Ananias. Em um pequeno quarto lá, Saulo invoca o nome de Jesus. Ananias explica a ele o alto preço da misericórdia que havia recebido: “Agora, Saulo, você vai sofrer em favor do nome dEle”.

Pense no alto custo da misericórdia que Saulo recebeu naquele dia. Com a consciência aferroando, certamente ele se lembrou do apedrejamento de Estevão... recordou cada crente que havia lançado à prisão... viu novamente o rosto de todos os que atacara. Oh, que misericórdia cara esse homem recebeu.

Com o novo nome de Paulo, o apóstolo passou o resto de sua vida pregando e escrevendo da misericórdia de Deus. E testificou continuamente do alto preço de praticar essa misericórdia num mundo corrompido. Por dois milênios, os escritos de Paulo têm recordado à igreja o que Jesus nos disse: “Os homens vão lhe odiar. Irão se afastar de ti. Irão lhe rejeitar e lhe chamar de indigno. Mas essa será a hora de se regozijar e pular de alegria!”.

Satanás teme, abomina e odeia o poder da misericórdia de Deus

Foi a misericórdia, pura e simples, que dizimou o reino do Diabo na terra. Satanás jamais achou que poderia perder seu poder sobre os viciados, os refugos desesperançados da humanidade. Mas a misericórdia trouxe libertação à multidões de pessoas que no passado ele tinha cativas.

Agora Satanás entende que estamos no fim dos últimos dias. E está resolvido a narcotizar toda uma geração, a entorpecê-la quanto à necessidade que tem da misericórdia de Deus. Ele quer erigir barricadas na mente dos jovens, tal que a misericórdia de Deus não os toque. Assim ele liberou hordas demoníacas de plantadores e produtores de drogas para promover esse mal.

No começo quando vim à Nova York na década de 50, a praga era mais maconha e drogas receitadas. A heroína não tinha o domínio que veio a ter mais tarde. Nas últimas décadas, Satanás trouxe o crack e depois a metadona cristalizada. Agora introduziu novas drogas que possuem poder maior de viciar: variedades de cocaína e heroína do México, Iraque, Colômbia e Afeganistão.

Nesse ínterim, o Diabo liberou um oceano de álcool sobre os jovens. Faculdades e colégios têm sido inundados por um espírito de farras e agito, com barris de cerveja, vinho, etc alimentando bebedeiras e embriaguez. Adolescentes aos montes estão entrando em clínicas seculares para reabilitação, enquanto outros continuam presos ao vício. Tudo isso é o recurso final do Diabo para escravizar multidões e “imunizá-las” contra a mensagem misericordiosa de Jesus.

Mas a misericórdia de Deus tem um poder surpreendente a ser liberado.

A misericórdia quebrou a corrente de todos os vícios, arrebatando multidões de pessoas do reino de Satanás para o reino de Cristo

Houve uma época, com milhões de pessoas narcotizadas por todo o mundo, em que Satanás achava haver prevalecido; realmente, o que se dizia por todo o mundo é que uma vez o Diabo tendo prendido alguém, essa pessoa não teria mais esperança.

Mas em toda geração Deus envia o Seu Espírito Santo aos caminhos e aos descaminhos. E Ele vai direto ao coração do território de Satanás: para dentro das favelas, cortiços, às “bocadas” de crack, para dentro dos terrenos baldios e becos, à qualquer lugar onde os viciados fiquem em torpor. E a misericórdia tem brilhado sobre os mais fracos, os sujos, os maiores dos decaídos pelas drogas, os esquecidos e rejeitados pela sociedade – os tidos como inapelavelmente perdidos.

O primeiro viciado em heroína a ser salvo e liberto através do ministério do Desafio Jovem foi Sonny Arguizoni. Sonny agora funciona como bispo de mais de 600 igrejas por todo o mundo, constituídas de ex-viciados. Na conferência do ano passado destas igrejas, 1.000 ex-prostitutas formaram um coral para cantar louvores a Deus por Seu poder libertador.

Nicky Cruz, o famoso ex-líder de gangue, treinado e formado pelo Desafio Jovem, tem pregado o evangelho da misericórdia a milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo, com multidões sendo salvas e libertas.

O mundo todo deveria se levantar em gratidão a Deus por Sua libertação salvadora, por restaurar os que estavam perdidos e abandonados pela humanidade

No mínimo, a sociedade deveria agradecer a Deus por salvar pais bêbados e reuni-los à suas esposas e filhos. Mas, lhe garanto, isso nunca acontecerá. Em todas as gerações, o mundo tem rejeitado o poder de Jesus para transformar vidas, mesmo quando confrontado com claras provas do contrário. Vi isso acontecendo inúmeras vezes nos primeiros dias do Desafio Jovem.

Anos atrás fui convidado à uma conferência médica em Nova York, quando Nélson Rockefeller era o governador. O seu multimilionário programa antidrogas havia falhado em trazer cura aos viciados. Levei comigo, à conferência, alguns graduados de nosso programa do Desafio Jovem. Eles estavam limpos por mais de dois anos e estavam frequentando institutos bíblicos ou se preparando para cursar Serviço Social, para poderem ajudar outros como foram ajudados. Dois dos jovens deram seus testemunhos àquele grupo de médicos e especialistas, dizendo como Jesus os havia libertado e que não tinham nenhum desejo por drogas.

O psiquiatra que se levantou a seguir falou como se houvesse ignorado tudo que os meus jovens haviam dito. Suas primeiras palavras foram, “Depois de tudo que fizemos, sabemos que inexiste cura conhecida para o viciado em drogas”. Um médico não religioso sentado ao meu lado ficou atônito com isso. Ele me cochichou, “Esse homem não estava na sala quando os seus jovens falaram?”.

O fato é que o mundo jamais irá aceitar Jesus como resposta. Se Cristo é a origem de toda misericórdia liberada – se a misericórdia da cruz é a causa dos milagres – tudo isso será posto de lado como lixo.

E mais, temos de ter cuidado com esses poderes do mundo que chegam cochichando, “Queremos ajudar”. Em muitos casos, ofertas do mundo para dar assistência aos ministérios podem ser inspiradas por Satanás; ajudas podem ser oferecidas via fundos ou programas do governo. Torna-se perigoso a todo ministério centrado em Cristo ficar dependente de fundos governamentais.

No fim, quando um ministério fica dependente de recursos do mundo, acaba se tornando apenas mais uma instituição de caridade, e fica faltando o poder de Cristo para verdadeiramente libertar. Além disso, fundos do governo com o tempo cessam, encerrando um trabalho que se iniciou como sendo do Senhor, mas se tornou dependente do mundo para operar.

Ofereço um alerta a todo ministério dirigido por Cristo: fique preparado, pois a pressão se tornará feroz. Toda igreja que buscar o ganho de almas e discipulado logo estará sob perseguição e difamação; o mundo chamará o seu trabalho de fraude.

Mas você deverá se lembrar do que Jesus nos disse: “Folgai nesse dia, exultai, porque grande é vosso galardão nos céus” (Lucas 6:23).

A prática da misericórdia do Senhor lhe custará uma confrontação em relação ao corpo de Cristo, confrontação transformadora de vida

Deus tem estado tratando comigo em relação ao Seu corpo espiritual. E eis o que Ele tem me mostrado: o modo que a maioria dos cristãos vive hoje prova que não compreendemos plenamente a relação de Jesus com o Seu corpo.

Imagine a angústia de Paulo em Damasco quando Cristo confrontou-o com a realidade do Seu corpo. O Senhor lhe diz, “Eu sou Jesus. E você está Me perseguindo”. Saulo havia achado que estava simplesmente tratando com indivíduos, fazendo o trabalho de Deus erradicando hereges judeus. Ele não sabia que estava atacando o próprio corpo do Senhor quando saía perseguindo a igreja.

Agora Saulo é sacudido pela seguinte verdade: “Jesus tem um corpo espiritual. Ele é o cabeça, nos céus. E o Seu corpo – os Seus filhos na terra – são ligados ao cabeça. É um corpo, constituído de crentes que são carne de Sua carne. E qualquer pessoa que for contra um deles na realidade estará indo contra Ele”. Cada uma das pessoas “de Jesus” que Paulo havia perseguido e aprisionado – tudo que ele havia dito e feito contra elas – foi sentido pessoalmente pelo próprio Cristo. A confrontação que Saulo teve com essa verdade transformou a sua vida.

Como Paulo apóstolo, ele chegou a compreender o quão profundamente Deus amou a Sua igreja. Viu que aos olhos do Senhor, a igreja era uma pérola de alto valor. Era também noiva imaculada para o Seu Filho – um corpo corporativo invisível, constituído de filhos provenientes de todas as tribos e nações da terra, comprados pelo sangue.

Estou convencido de que não levamos essa verdade a sério como deveríamos

Se compreendêssemos inteiramente essa verdade em relação ao Seu corpo, isso iria significar o fim de todos os rancores na igreja... o fim de toda amargura... o fim de todo preconceito, de toda competição, orgulho, mexericos e divisões carnais.

Agora mesmo, o mundo precisa de um exemplo vivo da cara misericórdia de Cristo. As tensões nunca foram maiores. Por décadas nos países africanos, tribo lutou contra tribo; essas guerras tribais promoveram pobreza, doenças, lares destruídos, e geraram feroz ódio nas gerações novas. Enquanto isso, na Europa e nos Estados Unidos a tensão racial está se expandindo através da sociedade, infiltrando-se mesmo dentro das igrejas.

Não se engane pensando que um presidente da república possa cuidar desses problemas. A dispendiosa misericórdia necessária em todo o mundo só pode vir através dos que experimentaram e receberam tamanha misericórdia para si mesmos. E esse é o chamamento de alto custo da igreja de Jesus Cristo. É oferecer a misericórdia que rebaixa o ego em favor de um irmão ou irmã – e, como Jesus demonstrou – mesmo em favor de um inimigo.

Eu lhe exorto a parar aqui e a se confrontar com essa verdade

Não dê andamento em sua vida ou ministério – pare todos seus planos e boas obras – enquanto não se confrontar com as implicações de ser um membro do corpo de Cristo. O Senhor declara o seguinte em relação à igreja, “Essa é a Minha pérola de grande preço, a noiva para o Meu Filho”. Pense no milagre que é ser parte de tal corpo. Pense também no grande chamado feito a esse corpo para mostrar misericórdia a um mundo impiedoso.

Quando Paulo de modo notável escreveu aos coríntios, foi para uma igreja que havia se virado contra ele. Ainda assim, pensando nela como corpo de Cristo, ele escreve, “Vocês tornaram-se muito queridos para mim. Todos vocês têm o meu coração. Amo e estimo cada um de vocês”.

Simplificando, a misericórdia enxerga além das faltas e quedas, além da auto-justificação. Se nós verdadeiramente crermos que ferimos Cristo pessoalmente toda vez que ferimos um irmão ou irmã – que aquilo que dizemos e fazemos contra qualquer membro de Seu corpo é, como Jesus disse, “contra Mim” - então iremos trabalhar dia e noite para acertar as coisas. E não iremos parar enquanto não estivermos limpos de tudo.

Contudo, a verdade é que podemos tratar mal as pessoas. Podemos separar-nos de um irmão ou irmã. Podemos ferir e magoar alguém. Podemos fazer e pensar ofensas raciais. Podemos facilmente comentar de forma inapropriada os outros. E achamos que “fica só entre eu e Deus”; então confessamos isso ao Senhor, nos arrependemos, e aí prosseguimos achando que está tudo bem. Mas nunca raciocinamos sobre o quanto nós ferimos Jesus – ou o nosso irmão – no processo. Não ferimos apenas um irmão, nós ferimos o Senhor; na verdade, ferimos todo o corpo, porque se um sofre, todos sofrem.

Mas aqui está a revelação que nos é dada: “Eu pertenço ao corpo de Cristo! E assim também o meu irmão, a minha irmã. Todos somos um. Isso resolve todo mexerico, toda tensão, todo rancor, porque estamos conectados ao Cabeça”.

Deixo-lhe com a mesma mensagem que Paulo trouxe a seus cooperadores

  • “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:3-4).
  • “Rogo... que vivam em harmonia no Senhor” (Filipenses 4:2).
  • “Portanto, como eleitos de Deus, santos, e amados, revesti-vos de compaixão, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3:12-14).

Eis como Paulo resume tudo. Na realidade, eis aqui a misericórdia vivida em plenitude: “Vocês se tornaram (são) muito amados por nós” (I Tessalonicenses 2:8). Eu lhe pergunto: todos os seus irmãos e irmãs em Cristo são amados por você? Quando a vida do nosso Cabeça flui para nós, membros do Seu corpo, começamos a amar não apenas uns aos outros mas até os nossos inimigos.

Senhor, que sejamos misericordiosos, como Tu fostes misericordioso conosco!

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