domingo, novembro 25, 2012

Agradando a Deus

David Wilkerson

A Bíblia diz que quando Jesus foi batizado no rio Jordão, “eis que lhe se abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:16-17).
Seria possível atualmente Deus dizer o mesmo em relação aos Seus filhos? Será que Ele alguma vez olhou para você ou para mim e disse, “Eis aqui alguém em quem Me comprazo”? Segundo as escrituras, isso aconteceu com Enoque: “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte... Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hebreus 11:5). Nenhum de nós espera ser trasladado como Enoque foi. Mas todo cristão quer ouvir nosso Senhor dizer no Juízo, “Você viveu uma vida que Me agradou”.
Cristo disse, “Faço sempre o que lhe agrada” (João 8:29). O meu coração se agita quando leio essas palavras e me pergunto, “O que são essas coisas – que agradam ao Pai - das quais Jesus está falando? Como praticá-las?”. Ao refletir sobre isso, recordo-me que o Seu jugo é suave e Seu fardo é leve – então as coisas que Lhe agradam não podem trazer um jugo pesado. Claramente, Deus nos capacita a agradá-Lo a partir de Seu coração de amor.
Sua palavra revela as coisas que O agradam. Todas estas coisas são possíveis a todo crente. Compartilho algumas delas:

Amar uns aos outros agrada o Senhor

“E aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável. Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento que nos ordenou” (I João 3:22-23).
É impossível amar aos outros enquanto você não estiver completamente seguro do amor de Deus por você. João diz, “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (I João 4:16). Simplesmente não conseguimos amar os outros enquanto esta verdade não estiver firmemente estabelecida em nós: “A despeito de toda a minha fraqueza e falhas, Deus me ama”. Se estivermos convencidos do amor de Deus por nós, o Seu amor fluirá de nós naturalmente.
“Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (I João 4:11). O amor por nosso irmão descrito aqui não é simplesmente um aperto de mão, um abraço ou elogio. Não, esse tipo de amor significa ver a necessidade de nosso irmão e fazer algo a respeito. Na verdade, segundo João, se virmos o nosso irmão tendo necessidade e não fizermos nada quanto a isso, o amor de Deus não está em nós.
“Aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (I João 3:17-18). Se você verdadeiramente quer agradar a Deus – se você quer experimentar o amor dEle para com os outros – o Senhor abrirá os seus olhos para as necessidades.
Também, de acordo com as escrituras, se guardarmos rancor contra um irmão ou irmã, não possuímos o amor de Deus. Não temos o direito de testemunhar em nome de Deus se nos recusamos a perdoar alguém. Mais: se impedimos o perdão de outro, Deus impede o Seu perdão por nós. Então o amor não é algo apenas para ser falado. Trata-se de fazer, agir, viver.
Hoje na igreja se fala muito a respeito de unidade. Mas não creio que já tenhamos compreendido unidade como Deus vê. União não é simplesmente a atitude de “vamos todos nos juntar e abraçar uns aos outros. Deixaremos de lado os nossos preconceitos e doutrinas de estimação, e amaremos uns aos outros”. Isso não é unidade, é apenas cristandade normal.
Unidade significa unir você à necessidade de alguém sofrendo aflições, precisando de ajuda. O Espírito de Cristo nos une à necessidade dos outros desta maneira, levando-nos a exclamar, “Irmão, irmã, me deixe te ajudar. Quero estar ao teu lado, ser um contigo no seu problema”. Isso é agradável a Deus, e quando o fazemos Ele ordena bênçãos sobre nós.
Os cristãos egoístas e egocêntricos não conhecem este tipo de amor pelos outros. Por quê? Porque o dom do amor afetuoso é dado apenas aos que o buscam e oram por isso. Uma vez você tendo iniciado este jeito de dar e cuidar, Deus lhe enviará uma pessoa necessitada atrás da outra. Contudo isso não será fardo. Pelo contrário, isso o estimulará, pois você compartilhará da própria alegria de Deus.

Os que esperam “na sua misericórdia” agradam a Deus

“Não faz caso da força do cavalo, nem se compraz nos músculos do guerreiro” (Salmo 147:10). As referências a cavalos e músculos aqui representam a dependência da carne. “O cavalo não garante vitoria; a despeito de sua grande força” (Salmo 33:17).
Deus não tem prazer naqueles que tentam apaziguá-Lo se esforçando na força da carne. Tais pessoas enganam a si próprias. Elas acham que podem remover o pecado do coração infligindo sofrimentos a si próprias. Mas a carne nunca pode ser subjugada pelo poder humano. Isso simplesmente não vai acontecer por meio do jejum, de promessas ou mesmo se isolando numa ilha deserta.
Tenho um livro que conta inúmeras histórias de crentes ao longo da história que tentaram agradar a Deus pela carne. O autor diz: “Certo monge viveu cinquenta anos numa caverna subterrânea, tentando levar seu corpo à sujeição do Espírito. Outros se enterraram até o pescoço na areia ardente, na esperança de ‘queimar suas iniquidades’... Todos estes métodos de auto-tortura foram infligidos por monges tentando acabar com a presença do mal em si. Tentavam aniquilar aquela parte deles que cobiçava o pecado”.
O ensino de Paulo refuta tudo isso. Ele declara, “Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé” (Gálatas 5:5). “O Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo” (Romanos 15:13).
Este é o cristão que agrada a Deus: aquele que confia em Sua misericórdia. Orar, jejuar e praticar boas obras de caridade são todas coisas boas, e somos ordenados a praticá-las. Mas o salmista que fala do colocar confiança em cavalos e na carne está dizendo basicamente, “Primeiro vocês têm de crer que o Senhor é misericordioso convosco. Só então poderão praticar misericórdia para com os outros”.

A salvação de uma alma perdida é muito agradável ao Senhor

Quando saímos na busca de almas perdidas e alguém é ganho para Jesus, há grande júbilo no céu. Cristo traz esta parábola:
“Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas 15:4-7).
Tenho certeza de que você conhece essa parábola. É a respeito do cuidado do pastor por suas ovelhas. Se esse pastor perde uma só delas, ele sai atrás da ovelha perdida e não desiste enquanto não a acha. Então, quando a localiza, ele não a pune. Ele suavemente pega o animal ferido, desnorteado - e o embala nos braços; em seguida, o leva de volta ao redil regozijando-se.
Igualmente, o coração de Deus se alegra no resgate de uma alma perdida, fazendo com que o céu se jubile. Isso por si só deveria ser nossa motivação para ganhar almas: trazer alegria e prazer ao Senhor.

Está na hora de a igreja se concentrar de novo em ganhar almas

A sua própria comunidade é um campo que está pronto para a ceifa. Tudo que se exige é que você vá. Você não estaria lendo este texto se um pastor magrelo de 52 quilos vindo do interior não houvesse seguido o chamado de Deus para as ruas de Nova York. Eu morria de medo das cidades. Mas Deus partiu o meu coração em favor das almas perdidas e me orientou, “Quero que você vá até as gangues, viciados, prostitutas e ministre a Minha palavra a eles”.
Andando pela região do Brooklin e Spanish Harlem, eu orava, “Senhor, guie-me aos perdidos”. E Deus me deu encontros divinos por todo lado onde eu ia. Eu falava a todos sobre Jesus, sempre orando, “Senhor, envie o Espírito para convencê-los e abrir seus olhos”.
Uma vez encontrei um jovem parado sob um trem elevado, esperando o traficante de drogas. Fui até ele e disse, “Alguém está orando por você”. O garoto só balançou a cabeça e disse “A minha mãe ‘dos aleluias’ te mandou aqui, não foi?”. Eu disse, “Não, não conheço a sua mãe”. Ele respondeu, “Toda vez que vou vê-la, ela fica me caçando com essa coisa de Jesus. Ela ora por mim há anos. E agora aqui vem você”.
O nome do garoto era Sonny Arguinzoni. Deus se apoderou de Sonny do mesmo jeito que fez com Nicky Cruz. Uma das maiores alegrias da minha vida veio anos atrás quando fui visitar Sonny na Califórnia. Eu era o convidado dele em uma reunião cristã que ele dirigia sob uma tenda com 15.000 convertidos – ex-viciados em drogas, alcoólatras e prostitutas.
Veja, quando Sonny foi a Jesus, a sua vida se tornou do Espírito Santo. E a transformação que ocorreu nele não era simplesmente ir à igreja toda vez que as portas abriam. Não, ele submeteu-se ao Espírito Santo. E o Espírito o levou lá onde estavam os que sofriam.
Tudo isso se fez devido à obra de Deus em e através de um pastor assustado e magrelo do interior. O Espírito Santo deu-me um coração para os perdidos que eu não poderia evocar por mim mesmo. Se não fosse pelo poder sustentador dEle, eu jamais teria conseguido ir em frente, em meio à todas as provações e dificuldades que nosso minúsculo ministério enfrentou naqueles dias. Teria de ser uma obra de Deus, ou não iríamos durar.
A menos que o Espírito Santo faça a obra, poderemos testemunhar a quantas pessoas quisermos e nada acontecerá. Ninguém vai ao Pai a menos que seja atraído pelo Espírito. Só o Espírito Santo pode falar às profundezas do coração. E para ganhar os perdidos para Jesus, temos de nos ajoelhar, conhecer a voz do Espírito. Ele nos guiará às pessoas que Ele escolhe. E nos dará as palavras que diremos quando precisar.
Prezado santo, tudo isso é que agrada ao Senhor. Em verdade, de todas estas coisas que “o agradam” que Jesus mencionou, esta é a alegria e o prazer supremo dEle: nos ver indo a Ele com júbilo trazendo os nossos feixes da colheita. Então compartilhamos da alegria do céu quando as hostes gritam “Aleluia!”.

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