quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Convertendo em Dissolução a Graça de Deus (Turning the Grace of God Into Lasciviousness)

Por David Wilkerson

Em sua carta à igreja, Judas traz uma terrível advertência: “Aos chamados, queridos em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo... senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a batalhar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos. Pois certos homens se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Judas 1-4).

Judas está nos prevenindo de que falsos profetas se infiltrarão na casa de Deus com um objetivo em mente: converter em dissolução a graça do Senhor. Ele está dizendo: “Satanás está enviando uma falsa doutrina para ser infiltrada na igreja. E ela virá através de pastores, mestres e evangelistas. Eles pegarão a graça de Deus, e sutilmente vão distorcê-la com manipulação, até que finalmente produza dissolução no povo de Deus.”

Para captarmos inteiramente a seriedade da exortação de Judas, precisamos entender o significado de dissolução. Este termo engloba todos os meios possíveis de pecado. Literalmente, dissolução quer dizer “falta de disciplina moral, ausência de respeito por padrões morais aceitáveis.” A palavra vem do latim “lascivia”, significando paixão e luxúria solta e desenfreada. Quer dizer licenciosidade, irrestrição, remoção de toda contenção. Também significa tudo que é sujo, degradante, pervertido e obsceno.

Jesus chama a lascívia de pecado do coração: “O que sai do homem é o que o contamina. Pois do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a lascívia” (Marcos 7:20-22).

Como Judas, o apóstolo Paulo também se referiu à lascívia que viu ocorrendo na igreja. Ele escreve aos coríntios em termos duros: “Receio que, quando chegar, não vos ache como eu vos quero... e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da impureza, prostituição e lascívia que cometeram” (2 Coríntios 12:20-21).

Ora, nesta mesma passagem, Paulo chama os coríntios de “amados.” Realmente, essas pessoas eram filhos de Paulo no Senhor. E foram incrivelmente abençoados por Deus. Haviam sido orientados pelo próprio Paulo, por Timóteo, Tito e outros ministros piedosos. E Paulo lhes lembra: “Falamos... e tudo isto... para a vossa edificação” (12:19).

Quando lemos as duas cartas de Paulo para esta igreja, vemos os ensinamentos incrivelmente poderosos que lhes deu. Ele escreve sobre a ressurreição, sobre a vinda do Senhor, o tribunal de Cristo, a morte para o pecado, a justificação pela fé, o céu, inferno. Paulo fielmente exortou tais pessoas, chegou até elas, insistiu com elas. Sem a menor dúvida, nenhum outro corpo de crentes foi pastoreado com tanto amor, apresentado à verdade com tanta convicção, e tão edificado pelo evangelho da graça.

Ainda mais, os coríntios foram abençoados além dos ensinamentos de Paulo. Experimentaram movimentos e operações poderosas do Espírito Santo em seu meio. E a eles foram concedidos muitos dons espirituais, incluindo cura, profecias, línguas, interpretação, revelações divinas. Essa igreja flamejava como corpo vibrante e profético.

Contudo, incrivelmente, alguns destes mesmos crentes abençoados continuavam vivendo em imoralidade. Paulo acusa “muitos” deles de serem lascivos (12:21). Ele escreve: “É esta a terceira vez que vou ter convosco... Já anteriormente o disse... agora... o digo aos que antes pecaram... que, se outra vez for, não os pouparei... Portanto, escrevo estas coisas estando ausente, para que, estando presente, não use de rigor, segundo o poder que o Senhor me deu para edificação, e não para destruição” (2 Coríntios 13: 1-2, 10).

Paulo não mostrou falsa delicadeza nas palavras. Ele estava dizendo: “Por três vezes lhes adverti quanto ao pecado na sua igreja. Todos vocês ouviram pregações piedosas e convincentes; todos participaram do dom da graça de Deus. E mesmo assim, alguns distorceram esta graça ao continuar a viver deliberadamente na impureza. Lembro-lhes: o meu dom é o da edificação, não o da destruição; sou chamado a lhes edificar na preciosa fé. Mas quando voltar a terceira vez, talvez não tenha alternativa senão tratar duramente com vocês. Não vou poupar ninguém que ainda estiver cedendo ao desejo do pecado.”

Eu pergunto: como poderiam tais pessoas, que foram abundantemente abençoadas, escolher permanecerem nessa situação tão sórdida? Do mundo se espera lascívia, abertura total à luxúria, mas não do povo de Deus. É evidente, porém, que este pecado tinha crescido a níveis alarmantes na casa de Deus.


Podemos Fazer Esta Pergunta
Quanto à Igreja de Hoje


Todo domingo pessoas que se declaram cristãs se reúnem na casa de Deus para adorar, ouvir Sua palavra e desfrutar de comunhão. Contudo, muitas destas mesmas pessoas de aspecto santificado levam vidas cheias de luxúria. Vivem em fornicação, mantém casos extra conjugais, alimentam o vício da pornografia. Diga-me: como pode um crente que recebeu luz continuar fazendo estas coisas?

Primeiro, consideremos a profecia de Apocalipse 12. Somos informados de que um diabo furioso invadirá a terra nos últimos dias para seduzir o povo de Deus: “O diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta. Quando o dragão se viu lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho varão... Então a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, a fim de fazer com que ela fosse arrebatada pela corrente” (Apocalipse 12: 12-13,15).

Esta passagem descreve o ataque de Satanás contra a igreja nestes últimos dias. O diabo vai vomitar uma inundação de imundície tão ampla e poderosa, que levará até mesmo muitos dos eleitos de Deus. Paulo diz aos coríntios que isso já estava ocorrendo entre eles, pois muitos já haviam sido levados pela enchente satânica da lascívia.

No momento, creio que a lascívia se tornou uma epidemia na igreja. De costa à costa, milhões de pessoas estão mergulhando na imundície erótica. Até no interior do país, nas montanhas, fazendas, lugarejos, pessoas de todas as idades estão alimentando a alma com obscenidades. Isto está sendo canalizado diretamente para dentro de seus lares via satélite. Essa corrente de sujeira está se infiltrando tanto, que até avós idosos estão cedendo.

Profetizei este fenômeno em meu livro de 1974, chamado A Visão. Isto foi antes da invenção do vídeo-cassete, numa época que nem a palavra sexo podia ser usada na TV. Eu escrevi:

Como Satanás atormentará e enganará as pessoas escolhidas por Deus? Ele fará isto seduzindo a humanidade, e criando um desmoronamento moral. Ele abrirá as comportas do inferno, e buscará batizar o mundo na imundície erótica, no obsceno e na sensualidade. Este desmanchamento moral superará tudo que a mente humana pode buscar. Espíritos demoníacos de luxúria já estão varrendo as nações, trazendo nudismo, perversão e uma inundação de imundícies.

Há hoje, um banho de sujeira chegando para atormentar a mente e a alma do mais consagrado dos cristãos. A Bíblia diz, que Ló era atormentado na alma dia e noite pelo que via e ouvia em Sodoma. Os cristãos em breve serão expostos à uma sujeira, e à uma sensualidade tão violentas, que será preciso se agarrar firmemente em Deus para sobreviver. Os que vigiam se prostrarão sobre seus rostos. Os que não entrarem na arca da segurança de Deus, serão carregados por este dilúvio de lixo.

As grandes redes de TV serão pegas por esse desmoronamento. Prevejo que os programas breve buscarão apresentar cenas com seios à mostra. O topless será a nova moda para os que tentam liberalizar a mídia. No começo será feito “com bom gosto”. Mas quando a comunidade artística juntar-se ao coro de aplausos por esse grande atalho à liberação, as comportas se abrirão, e vai valer tudo. Até sacerdotes aplaudirão a nudez na TV, dizendo que é uma saudável evolução. O surpreendente, é que os que se pronunciarem contra isso, não serão ministros ou pessoas conhecidas como cristãos consagrados, porém serão os políticos e membros da própria Hollywood.

Esteja avisado, em futuro não muito distante, os filmes pornográficos mais perniciosos e proibidos serão mostrados via cabo depois da meia noite. A TV a cabo já é alvo dos traficantes de pornografia. Em algumas grandes cidades dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa, filmes proibidos para menores estão à disposição em alguns hotéis. Eles vêm da Suécia, da Dinamarca e dos Estados Unidos. Estes filmes vis projetarão nudismo, relações sexuais, homossexualismo, perversão com animais e sadismo.

As pessoas pagarão para que estes filmes eróticos sejam lançados diretamente nas salas de suas casas... O pagamento será feito através de uma conexão eletrônica, projetada diretamente para as casas. E nossos lares serão chamados palácios do prazer.

Escrevi isso 27 anos atrás. Não só tudo isto está acontecendo, como já ninguém controla, mesmo na igreja.

Mesmo assim, a maioria dos cristãos que lêem esta mensagem, provavelmente acham que isso não se aplica a eles. Eles se perguntam: “Por que escrever esta mensagem a servos que não aceitam nenhum tipo de lascívia? Precisamos de edificação.”

Quero explicar porque escrevo esta advertência a crentes piedosos e consagrados:


Essa Não é Uma Advertência
Àqueles Que Sorrateiramente Entram nos Cinemas Pornô
Ou Alugam Vídeos Sujos


Não escrevo isso para os cristãos que se entregam à sujeira, seja pela TV, por vídeos ou Internet. Antes, o meu objetivo é fazer com que você examine o tipo de evangelho em que crê. Isso envolve o seu conceito de graça. Quero que você teste se permitirá em seu coração qualquer fermento de falsa doutrina quanto ao significado da graça de Deus. No fim, esse pode ser um assunto de vida ou morte.

Veja, o diabo provavelmente não está inclinado a lhe fisgar com imundície. Ele talvez saiba que nunca conseguirá lhe tentar com pecados grosseiros. Contudo, se ele conseguir perverter o conceito que você tem da graça - se conseguir que você veja a graça como desculpa para a permissividade - então aí ele poderá lhe fazer cair na rota da escravidão. Logo estará fazendo coisas que nunca imaginaria. E, pior, ele lhe terá vendido a mentira de que está tudo bem em você ceder ao pecado.

Por esta razão, Judas não faz rodeios. Ele nos diz diretamente porque tantos na casa de Deus estão sendo levados pela correnteza diabólica da licenciosidade: “Pois certos homens se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Judas 4). Com esse único versículo, Judas revela o plano inteiro de Satanás para enganar os eleitos de Deus. O diabo vai sutilmente colocar na igreja, ministros de todos os tipos para perverter o evangelho da graça.

No entanto, se você possui uma compreensão verdadeiramente bíblica da graça, o inimigo não vai conseguir lhe enganar. Ele jamais será capaz de lhe seduzir com a lascívia.

Então, o que é a verdadeira graça bíblica?


A Verdadeira Graça Bíblica é a Capacitação do Espírito Santo
Para Viver Uma Vida Piedosa e Negar o Mal


“Pois a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, para que vivamos neste presente século sóbria, justa e piedosamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tito 2:11-13).

Esta passagem revela duas características que a graça bíblica sempre produz na vida de um crente: 1. Expectativa e ardente desejo pela volta do Senhor, e 2. Temor e reverência santos por Deus. Estes dois frutos da obra da graça são inseparáveis. Simplesmente não podemos ter um, sem o outro.

O escritor aos Hebreus insiste: “Retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e santo temor” (Hebreus 12:28). Este verso amarra a graça diretamente com reverência. Em resumo, reverência é um conceito de Deus que inclui assombro, respeito e sobriedade.

O apóstolo Pedro também liga graça com reverência sóbria: “Cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo” (I Pedro 1:13). Com isso Pedro não está nos encorajando a ficar com caras tristes, ou a andar por aí sem alegria. Pelo contrário: ele fala de uma reverência que produz o verdadeiro júbilo no coração. Ele diz em essência: “Se você tem uma revelação da graça de Jesus - Seu amor, Sua santidade e Sua beleza - isso lhe produzirá assombro e reverência.”

Ora, quando Judas diz que homens ímpios se infiltrarão na igreja, a palavra que usa para ímpios quer dizer “sem reverência.” Em outras palavras, estes mestres trarão leviandades e coisas frívolas à casa do Senhor. Eles tentarão distorcer e perverter toda reverência pelas coisas divinas.

Jeremias profetiza sobre esses ímpios: “Deveras, sou contra... diz o Senhor... (os que) fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas leviandades” (Jeremias 23:32). A palavra para leviandades aqui quer dizer espuma ou frivolidades. Jeremias está dizendo: “Estes falsos mestres riem do que deve ser reverenciado, respeitado e visto com assombro. Eles ridicularizam a sobriedade proveniente da verdadeira adoração de Deus.”

Qual o objetivo do diabo ao trazer espírito de leviandade? O objetivo é fazer com que você creia que Deus não fala sério quanto ao pecado. Satanás quer que você ache que inexiste ira em Deus, que a graça cobre qualquer justa condenação. Por isso, às vezes você vai ouvir o inimigo cochichar: “Não precisa se preocupar com a luxúria. Há abundância de misericórdia e de perdão no Senhor.”

Paulo diz que estes ministros ímpios “detêm a verdade pela injustiça” (Romanos 1:18). Em outras palavras: eles conheceram a verdade e a experimentaram. Foram edificados e reprovados por ela. “Porque Deus lhes manifestou” (Romanos 1:19). Porém, apesar de serem abençoados pela verdade de Deus, se afastaram dela. Recusaram-se a abandonar os caminhos de lascívia, e em lugar disso se entregaram à luxúria. Em retorno, Deus os entregou inteiramente ao engano do pecado.

Quando Judas fala “que convertem em dissolução a graça de nosso Deus” (Judas 4), a palavra convertem aqui significa modificam, acrescentam algo. Vem da raiz que quer dizer derrubar a verdade, ou seja, estender a verdade sobre o chão e torná-la passiva. Em resumo, no passado a graça de Deus se erigia destacada e eficiente na vida desses ímpios. Mas por não abandonarem o pecado, tornaram a verdade lisa e plana e pisaram sobre ela, removendo todo seu significado e poder. Como proclama Isaías: “A verdade anda tropeçando pelas ruas... A verdade ausentou-se” (Isaías 59: 14-15).

Vejo a verdade de Deus sendo tratada dessa maneira por toda a igreja atualmente. Há pouco assisti um vídeo, pertencente à uma igreja do tipo que busca com superficialidades seus membros, vídeo que mostrava o “Programa de David Letterman.” O pastor listava as dez maiores razões pelas quais os garotos se chateiam na igreja. Algumas das coisas que ele mencionava eram tão tolas, eram tão extremamente distanciadas do verdadeiro caráter de Cristo, que não posso repeti-las. Contudo a congregação inteira ria e aplaudia. Este pastor estava convertendo o evangelho da graça em frivolidade. Através de uma distorção sutil do seu significado, ele a estendia sobre o chão e removia seu poder.

Você pode se perguntar: de onde vêm estes ministros ímpios? Como são capazes de se infiltrar na igreja para perverter a graça de Deus? Será que o diabo os pega num vil cine pornô e os veste de anjos de luz? Ou, seriam ateus que se disfarçaram de pastores e foram enganando os outros até chegarem ao púlpito?

Não. Paulo diz o seguinte sobre eles: “Deus lhes mostrou a verdade” (v. Romanos 1:19). Numa certa época, estes homens conheceram o total significado da graça. Contudo de alguma maneira, se viciaram em algum desejo não esquecido. Neste ponto, começaram a deter a verdade pela injustiça. Tiveram de inventar uma falsa graça para desculpar sua lascívia. Assim, agora estão pregando um falso Cristo, através de um conceito pervertido da graça.


A Maioria dos Leitores Desta Mensagem
Não São Como os Homens Que Judas Descreve


Judas diz isto sobre estes ministros ímpios: “Falsos mestres, (que) sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade, e blasfemam das dignidades” (Judas 8). Em contraposição, creio que a maioria das pessoas que lêem esta mensagem são tementes a Deus, servos obedientes. Não se interessam pela sujeira. Deixaram a lascívia, e estão andando na graça que leva à santidade.

Ainda assim, creio que alguns leitores podem lutar contra o que chamo “deslize para a lascívia”. Tais cristãos não se entregam ao desejo, mas ocasionalmente eles na verdade têm um encontro com algo impuro. Vemos um exemplo disto em uma avaliação cedida por um hotel especializado em convenções. O informe declara que o maior número de filmes pornográficos para os quartos via TV, foram pedidos durante uma convenção religiosa. Na verdade, mais filmes pornográficos foram lançados aos quartos durante a convenção daquela igreja, do que durante todos os outros tipos de convenções lá existentes.

Percebe-se que muitos ministros e obreiros cristãos podem estar viciados em algum tipo de luxúria. Pesquisas feitas entre pastores mostraram que isto é impressionantemente verdadeiro. Contudo, creio que muitos destes crentes são atormentados mais por deslizes ocasionais para a lascívia. Toda vez após cederem ao desejo, estes servos batalhadores sentem o peso da culpa, e se arrependem. Ainda mais, desejam muito se livrar destes erros ocasionais.

Quero me dirigir a todos os cristãos deste tipo agora: Satanás compreende que você vai clamar a Deus toda vez que pecar. E ele sabe que você sempre receberá o perdão de Deus. Então, enquanto você ainda tiver certa medida do temor de Deus em seu coração, ele não poderá lhe obrigar a qualquer desejo sexual ou pecado. Como, então, o inimigo finalmente se apodera do povo de Deus? Como ele recruta os que conheceram a genuína graça, lhes arma com um evangelho falso, e os envia às igrejas para tentar enganar os eleitos?

A única maneira pela qual o diabo pode lhe prender a um pecado, é vendendo-lhe uma mentira. Em resumo, tem de lhe convencer que a mentira dele é realmente a verdade. E ele faz isso em geral, persuadindo os cristãos de que podem manter-se seguros à verdade de Deus, enquanto ainda em pecado. Pode-se opor perguntando: “Como Satanás conseguiria persuadir qualquer cristão sincero de que está tudo bem em pecar? Eu jamais acreditaria que Deus deixe passar ou desculpe meu pecado.”

Satanás vende sua mentira persuadindo os cristãos de que graça é simplesmente um rio infindável de perdão. Ele lhe sussurra: “Você pode continuar voltando para o pecado, enquanto continuar voltando para o altar. Jesus não disse que devemos perdoar os outros pelo menos 490 vezes? Com certeza seu amoroso Salvador vai lhe perdoar muito mais vezes do que isso. Enquanto tiver um coração arrependido, e continuar chorando pelo pecado, vai estar tudo bem para você. Você pode ceder ao desejo sexual mil vezes, e Ele livremente lhe perdoará todas as vezes.”

Isto soa tão perto da verdade. Em verdade, não há fim para o perdão de Deus para aqueles que vão a Ele com um coração genuinamente arrependido. Então, essa declaração verdadeiramente é 95 por cento evangelho. Contudo, os outros 5 por cento são veneno puro. E finalmente vão destruir sua alma. Os “5 por cento de mentira” de Satanás em relação à graça, é o fermento demoníaco que estraga todo o pão.


Você Acha Que “Isso Nunca Vai Acontecer Comigo” ?


Talvez você esteja pensando: “Freqüento uma igreja onde um pastor piedoso prega uma palavra sólida e bíblica. Não conheço nenhum ministro que torça o evangelho da graça levando-o à permissividade. Os sermões que ouço são a respeito da graça da Nova Aliança, e sobre a misericórdia de Deus pelos que lutam. Aprendi que, apesar de não ter poder em minha carne para vencer o pecado, o Espírito de Deus me capacita a obedecer Sua palavra.”

Você captou uma verdade incrivelmente libertadora, transformadora de vidas. Mesmo assim, se Satanás lhe vir se desviar ocasionalmente para a lascívia, compreenderá que você tem uma tendência para esse pecado. Ele saberá que você não quer na verdade ser livre. Ainda mais, através do continuado pecado, você lhe deu entrada para a sua mente. E é exatamente assim que ele implantará uma mentira em você. Ele lhe injetará uma distorção única e mortal sobre a verdade, que soará mais ou menos assim:

“Essa verdade não é uma maravilha de libertação? Em si, você não possui a capacidade para resistir ao pecado. Então Deus promete enviar o Espírito Santo para fazer por você o que você não pode fazer. A única coisa que lhe é necessária é continuar chorando (pelo pecado), e seus deslizes não terão importância. O Espírito Santo sabe a hora de se apresentar e lhe capacitar. É claro que você não pode ser julgado por um pecado que não consegue controlar.”

Você vê a mentira embutida neste evangelho da graça? É a mentira que diz que o cristão não tem responsabilidade pessoal pelo pecado. E leva a culpar Deus pelo seu pecado. Você dirá: “Por que o Espírito Santo não veio quando fui tentado? Eu fiquei esperando que Ele me desse poder, mas Ele não apareceu. É por isso que cedi ao desejo. Não foi culpa minha.”

A verdade é que, se não quiser ficar livre da luxúria, você vai agarrar o dom divino da graça, e correr com ele direto para o pecado. Mas Paulo decifra a indução ao erro contida neste raciocínio: “Permaneceremos no pecado, para que a graça aumente? De modo nenhum” (Romanos 6:1-2).

Graças a Deus, Judas nos dá três salvaguardas contra as seduções das mentiras de Satanás em relação á graça. Judas diz: “Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna” (Judas 20-21). Note três coisas neste verso:

1. Devemos edificar nossa fé. Como? Através do estudo diligente da palavra de Deus. Contudo, a fé não vem só por ler a Bíblia, mas ouvindo - ou, fazendo - o que lemos. Devemos ler a palavra de Deus, aplicá-la ao coração, e aceitar sua repreensão. Isso produzirá em nós sobriedade espiritual. Então, não importa que tipo de mensagem nos é pregada, não seremos levados pelas mentiras ou leviandades de qualquer homem.

2. Devemos orar no Espírito Santo. Isto quer dizer que não devemos só orar na igreja, mas fechando-nos com o Senhor em particular. Devemos pedir ao Espírito de Deus que faça brilhar Sua luz sobre nossos corações, e recebamos Sua correção, para que possamos obter graça para qualquer carência.

3. Devemos em nada ficar ansiosos, mas em lugar disto, aguardar a vinda de nosso Senhor. Se estamos estudando a palavra de Deus e orando no Espírito, então não podemos deixar de aguardar o súbito aparecimento de Jesus. Saberemos que este mundo não é o nosso lar, e aguardaremos a chegada de nosso Senhor para nós a qualquer momento.

Se você estiver aplicando estas três salvaguardas, então entenderá a verdadeira graça. E não será seduzido pela lascívia através de qualquer mensagem pervertida sobre a graça. Deus nos assegura em Sua aliança: “Dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo... e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” (Ezequiel 36: 26-27). Deus jura pôr Seu Espírito em nós, o Qual nos dará poder para obedecermos tudo que nosso Senhor nos exige.

Mesmo assim, Deus amarra uma condição à esta promessa. Ele diz: “Eu, o Senhor, o disse, e o farei. Assim diz o Senhor Deus: Uma vez mais ouvirei o pedido da casa de Israel e farei isto por eles” (Ezequiel 36:36-37).

É aqui que entra a nossa responsabilidade pessoal. Não devemos viver passivamente, sempre esperando que o Espírito Santo apareça toda vez que formos tentados. A nossa função é de contínuo inquirir o Senhor, ou seja, sermos pessoas de oração. Ele está nos dizendo: “Se você verdadeiramente deseja poder sobre o pecado, então terá de Me buscar em favor disto. Se Me buscar de todo o coração, aplicando-se de verdade, cumprirei todas as promessas da Minha aliança na sua vida.”

Todos temos em nosso interior capacidade para orar, ler a palavra de Deus, e ansiar pela breve volta de Jesus. Se fizermos estas coisas, declara Judas, colheremos os benefícios desta prece: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos jubilosos e imaculados diante da sua glória” (Judas 24).

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terça-feira, fevereiro 13, 2007

Você Não Tem de Compreender Suas Aflições - Você Tem a Graça (You don't have to understand your afflictions - You've got Grace)

Por David Wilkerson

Uma querida senhora cristã de nossa lista de correspondência nos escreveu uma carta de partir o coração:

“Em 1972 perdemos um filho com a Síndrome de Down devido à pneumonia. Ele tinha só dezessete meses de idade. Sete anos mais tarde, em 1979, perdemos o nosso filho de quinze anos. Ele foi eletrocutado em nosso quintal enquanto subia numa árvore.”

“Agora o nosso filho de vinte e quatro anos está com diabetes. E eu estou com câncer e recebendo quimioterapia. Eu lhe pergunto sinceramente: é pecado perguntar a Deus, 'Por que?' Será que Ele entende nossas coisas humanas?”

“Pastor David, alguma vez o senhor ficou zangado com Deus por algum tempo? Eu já, e sei que é errado. Envergonho-me destes pensamentos. Mas fico tão confusa tentando compreender por que os cristãos sofrem tanto. Sei que não somos mais merecedores do que os outros. Mas fico abalada com todo sofrimento que estamos enfrentando.”

“Tenho medo e ansiedade. Mas quero substituir todos meus temores por uma fé robusta, apesar do sofrimento. Mesmo assim, fico perguntando: por que tanto sofrimento? Por quanto tempo vai durar?”

Fico só imaginando o horror de se achar o filho caído no chão, morto, eletrocutado. Entendo o choro da mãe: “Ó Deus, por que tive de enterrar mais um filho? Por que dois dos nossos filhos morreram, e o outro está com uma doença mortal? Eu tenho câncer, e me sinto mal por causa da radiação e da quimioterapia. Todos fomos atingidos. Por que tanto sofrimento? Quando vai acabar isto?”

Não sei explicar porque esta família tem enfrentado tantas aflições. Mas posso lhe dizer: não é pecado perguntar por que. Até o nosso bendito Senhor fez esta pergunta, pendurado na cruz, em dores. O próprio Jesus foi chamado: “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Isaías 53:3). Eu creio que Cristo entende todo o nosso questionamento, pois Ele se encontra totalmente ligado à nossa angustia humana.

Ele ouve quando clamamos: “Deus, por que o Senhor está me fazendo passar por isso? Sei que não vem da sua mão - porém o Senhor está permitindo o ataque do diabo. Por que tenho de me levantar toda manhã com essa nuvem negra sobre mim? Por que tenho de agüentar esta dor? Quando vai acabar este pesadelo?”

O mundo secular cobra uma explicação para toda dor e todo sofrimento da vida. Muitos não crentes têm me perguntado: “Sr. Wilkerson, se Deus existe - se Ele realmente ama, como o senhor diz - por que Ele permite que as pessoas continuem morrendo de fome? Por que Ele permite que inundações e a fome destruam países pobres, acabando com milhares de uma só vez? Por que Ele deixa que a AIDS mate milhões de pessoas na África? Por que milhares estão sendo aniquilados nos países devastados pela guerra, países que nunca tiveram paz?”

“Simplesmente não consigo crer em seu Deus, reverendo. Eu devo ter mais amor do que Ele - porque se tivesse o poder, eu faria cessar todo este sofrimento.”

Não vou tentar responder por que as nações sofrem, ou por que existe esta fome terrível, ou pestes, inundações, doenças e destruições. Contudo, as Escrituras efetivamente lançam luz quanto ao sofrimento do mundo, através do retrato que traz do povo de Deus, o antigo Israel. Esta nação sofreu calamidades similares: holocaustos, cativeiro, falência econômica, doenças estranhas (das quais algumas atingiram só Israel). Algumas vezes o sofrimento de Israel era tão terrível, que até seus inimigos tiveram pena.

Por que Israel sofreu estas coisas tão terríveis? As Escrituras deixam claro: em todos os casos, eles abandonaram Deus, e se voltaram para a idolatria e a feitiçaria.

Vemos a mesma coisa acontecendo em muitos países hoje. Por exemplo: por duzentos anos, missionários transbordaram na África. Mesmo assim, países africanos inteiros rejeitaram Cristo - perseguindo e matando milhares de missionários e milhões de convertidos. Tragicamente, toda vez que um país rejeita o evangelho - e se volta para a idolatria e o ocultismo - o resultado é pobreza, insanidade, doença e sofrimento indescritível.

Isso é uma realidade no Haiti. Neste instante, o país está literalmente enlouquecido. Recebemos uma carta de um casal de missionários que nosso ministério sustenta lá. Eles dizem que seus vizinhos de cada lado foram assaltados e espancados - e acham que devem ser os próximos. Pediram que oremos por sua proteção.

Por que tanta calamidade no Haiti? Porque o satanismo manda lá, e a feitiçaria na prática é a religião oficial do estado. Observamos isto ao vivo durante uma viagem para pregações que fizemos lá. Falei com feiticeiros e vi o resultado de suas práticas de macumba: pobreza, desespero, medo, doença, fome, corrupção.

O mundo não pode pôr em Deus a culpa por nenhuma destas coisas. É uma obra clara de Satanás - ele quer que toda a influência cristã seja removida da ilha. Sim, o Haiti tem sido evangelizado - mas os haitianos estão rejeitando o evangelho, amando mais as trevas do que a luz. E o trágico resultado é o sofrimento atroz.

Por todo o planeta, os ímpios poluem a terra, o ar e o mar. No entanto o mundo culpa Deus por todas as mudanças atmosféricas que causam enchentes, fome e doenças, afligindo o homem e os animais. As pessoas insistem no direito à promiscuidade e em ter múltiplos parceiros sexuais - e no entanto culpam Deus pela disseminação da AIDS. Os funcionários da ONU recebem zombaria ao tentar ensinar abstinência sexual nos países pobres.

Aqui nos Estados Unidos, um mar de sangue inocente é derramado. Segundo os últimos números, 40 milhões de bebês foram mortos por aborto. No Congresso, está para passar uma lei que diz que se um bebê sobrevive a um procedimento abortivo, a mãe pode optar por deixar que a criança morra. O bebê é simplesmente deixado de lado - sem alimentos ou cuidados, e levado a morrer de fome. Agora em todo o país as enfermeiras estão se manifestando, declarando não conseguir dormir à noite por ouvirem o choro destas crianças mortas.

Esta geração corrupta possui uma desconsideração grosseira pela vida. Ainda assim, parecemos incapazes de atinar o porquê de nossas crianças acabarem matando os colegas de escola. Afirmamos não entender porquê cinco assim chamados adolescentes normais matam o dono de uma lanchonete chinesa por um lanche de menos de quinze dólares. A razão destas tragédias é muito clara: estamos colhendo o que plantamos, ao derramarmos sangue inocente.

Quando o mundo grita: “E onde Deus está que não vê isso?”, eu respondo: “Ele está chorando pelo que a humanidade fez.”


Quero me Concentrar na Aflição e
no Sofrimento do Povo de Deus


Neste exato instante, muitos dos que lêem esta mensagem estão passando por profundo sofrimento: dor física, agitação emocional, tentações insuportáveis - e estão perguntando, “Por que?” Talvez isto lhe descreva. Você já está cansado de sentir-se perdido e condenado; sentir que Deus por alguma razão está zangado com você. Você está esgotado de se auto-examinar constantemente. Está cansado dos maus conselhos recebidos, que só lhe fizeram piorar.

Talvez há muito tempo você se pergunte o porquê. Então você pergunta: “Senhor, Tu sabes que O amo. Minha fé em Ti é grande. Mas este sofrimento continua sem cessar. Não sei até quando vou agüentar. Até quando o Senhor vai levar isto?”

O apóstolo Paulo diz que a vida dele é um exemplo de como devemos lidar com nossas aflições. Ele escreve: “...por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna.” (I Timóteo 1:16).

Em minha opinião, além de Jesus ninguém sofreu tanto - de tantas maneiras, nas mãos de tanta gente - quanto Paulo. No exato momento de sua conversão, Paulo foi avisado de antemão dos sofrimentos que enfrentaria: “Mas o Senhor lhe disse... pois eu lhe (Paulo) mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (Atos 9:15-16). O próprio Jesus está declarando aqui: “Mostrarei a Paulo o quanto terá de sofrer por minha causa.” Igualmente, devemos seguir o modelo do exemplo de Paulo.


1. O Modelo de Paulo Começa
com uma Grandeza de Revelações


As provações e os sofrimentos mais profundos são dirigidos aos consagrados servos que recebem revelações provenientes da intimidade do coração de Deus. Paulo testifica: “para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne” (2 Coríntios 12:7).

Se você submeteu seu coração inteiramente a Cristo, se está determinado a conhecê-Lo na intimidade, a buscá-Lo com entusiasmo para que lhe abra Sua palavra - então você será lançado na rota do sofrimento. Você viverá tempos difíceis, profundas agonias, grandes aflições das quais o cristão frio, carnal não tem conhecimento.

Isso foi uma verdade na vida de Paulo. Quando ele se converteu, não ficou satisfeito em aprender sobre Cristo nem mesmo através dos discípulos de Jesus em Jerusalém. Este homem queria conhecer o Senhor intimamente por si mesmo. Logo, Paulo disse: “não consultei carne e sangue” (Gálatas 1:16). Antes, se isolou na Arábia por três anos (v. 1:16-17).

Na verdade, a revelação de Cristo que Paulo recebeu não veio de uma pessoa. O apóstolo testifica: “porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo” (1:12).

Dou graças a Deus pelos professores bíblicos. Eles nos abrem as Escrituras, revelando muitas maravilhas e segredos da fé. Mas o fato é que a revelação de Jesus Cristo não pode ser ensinada. Tem de ser dada pelo Espírito Santo. E ela chega àqueles que, como Paulo, se fecham na sua própria Arábia, determinados a conhecer Cristo.

Uma qualidade separa os dois tipos básicos de cristãos. Um tipo diz: “Dei meu coração a Jesus” - mas é só isso que podem declarar sobre sua fé. Eles se alegram porque vão para o céu e não para o inferno. Mas não avançam em seu caminhar com Cristo.

O outro tipo diz: “Dei meu coração a Jesus - mas não vou sossegar enquanto não conhecer o Seu coração.” Este servo não descansará enquanto não carregar o fardo de Cristo, andar como Cristo andou, agradar a Deus como Cristo agradou a Deus. Este tipo de determinação simplesmente não pode ser ensinado.

Porém, fique avisado - se você quer realmente que Jesus dê a você o Seu coração, então deve ficar preparado para suportar aflições. Na verdade, a revelação que você receber será acompanhada por sofrimentos e aflições como você nunca viu.

Paulo diz que recebeu revelações de Deus que foram ocultas dos olhos dos homens por séculos: “O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito...” (Efésios 3:5).

Quando Paulo fala de receber revelações (v.2 Coríntios 12:7), a palavra que ele usa quer dizer “retirar a venda, revelar coisas ocultas.” Deus removeu a venda de grandes mistérios da fé - e mostrou a Paulo as maravilhas de Sua palavra salvadora.

Finalmente, Paulo refere-se à uma suprema visão que recebeu catorze anos antes, logo após ter sido salvo. Ele descreve quando foi “arrebatado ao paraíso [céu] e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir” (2 Coríntios 12:2-4). Em resumo, a Paulo foi dada uma revelação do céu que não se pode falar.

Que incrível grandeza de revelação Paulo recebeu. Ele experimentou um incrível passeio pelo céu, vendo e ouvindo coisas jamais testemunhadas ao mundo. Contudo, assim que Paulo recebeu estas revelações, ingressou em grande sofrimento.


2. O Modelo de Paulo Inclui um Espinho na Carne


“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne” (2 Coríntios 12:7).

Há dois tipos de sofrimento entre os crentes. Primeiro, as aflições e as tentações comuns à toda a humanidade. Jesus diz que a chuva cai sobre os justos e os injustos (v. Mateus 5:45). Ele se refere aos problemas determinados pela vida: as lutas dentro do casamento, as preocupações com os filhos, as batalhas contra a depressão e o medo, as pressões financeiras, doenças e morte - coisas igualmente comuns aos santos e aos pecadores.

Contudo há os sofrimentos que afligem só os justos. Davi escreve: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra”. Veja, Davi não diz que o livramento é súbito ou imediato. Em muitos casos, a cura pode vir com o tempo, através da oração, da confiança e da fé.

Este é o tipo de sofrimento que Paulo enfrentava. As grandes revelações que recebeu, rapidamente o lançaram na rota da grande aflição que duraria toda a vida. Pense bem: no tempo que Paulo escreveu esta carta aos coríntios, ele era cristão por catorze anos - e ainda não havia sido liberto do espinho que descreve. Ele sabia que iria provavelmente viver com esta aflição até morrer.

Não sabemos com exatidão o que era o espinho de Paulo. Estudiosos bíblicos especulam que poderia ter sido um problema ocular, ou um defeito da fala, talvez gagueira. Há um comentarista que se estende para provar que o espinho de Paulo era uma falha no caráter - possivelmente, um temperamento explosivo. Outras especulações vão de paixões carnais, a pensamentos demoníacos que o pressionavam, até mesmo à uma esposa injuriosa. Porém todas estas suposições continuam mera especulação.

De qualquer maneira, Paulo admitia haver uma grande batalha em sua vida. Ele estava dizendo: “Ao sair daquela grande revelação do paraíso, um espinho apareceu na minha carne. Um mensageiro de Satanás me esbofeteou.” A frase “me esbofeteou” aqui quer dizer “deu um tapa em meu rosto.” Paulo está declarando: “Deus permitiu que o diabo desse um tapa em meu rosto.”

Então, o que era este mensageiro de Satanás que esbofeteava Paulo, dando tapas em seu rosto? Não creio que fosse uma mera questão física, como visão fraca ou defeito da fala. E nem acho, como já aconteceu, que o esbofeteamento de Paulo fosse uma tempestade de mentiras e acusações demoníacas destinadas a desencorajá-lo.

Não, acho que temos uma pista na frase de Paulo “para que não me ensoberbecesse” (2 Cor. 12:7). Acho que Paulo está falando aqui da auto-exaltação, orgulho pessoal. Veja, Paulo tinha sido fariseu - e todos os fariseus eram orgulhosos. Dentro deles estava impregnada uma atitude de superioridade: “Estou alegre de não ser como a multidão de pecadores comuns.” Além disso, Paulo tinha razões na carne para ser orgulhoso: era altamente inteligente, bem como abundantemente aquinhoado de dons pelo Espírito Santo.

Acho que o diabo sabia que este orgulho era a fraqueza básica de Paulo - e o atacava com isso. Ele bajulava Paulo, alisava seu ego, e o atingia com um pensamento de orgulho após o outro: “Você é o único que recebeu esta revelação.” Que maior espinho poderia haver que ter Satanás alimentando diariamente seu ponto mais vulnerável? Paulo tinha de ir à cruz constantemente, submetendo à ela seus dons, para mortificar o orgulho.

Satanás também sabia que a inclinação de Davi era a luxúria. Ele alimentou a fraqueza deste homem de Deus colocando uma mulher se banhando bem à frente dos seus olhos. Igualmente, à toda hora, o diabo dá tapas em nosso rosto com oportunidades e tentações que alimentam nosso orgulho, nossa luxúria, ambição, nosso medo - segundo a fraqueza básica que tenhamos.

Mas o diabo não podia esbofetear Paulo sem primeiro obter permissão de Deus. Sabemos, por exemplo, que Deus permitiu que Satanás testasse Jó. E agora Deus tinha um propósito ao permitir o espinho de Paulo. Ele sabia que a maior ameaça ao testemunho de Paulo não era a sensualidade, ou a ganância, ou o elogio dos homens; não, Paulo era desligado das coisas da carne. Antes, sua fraqueza era o orgulho, que veio por receber grandes revelações.

Paulo escreve: “três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim” (2 Cor. 12:8). Está dizendo basicamente: “Busquei com diligência o Senhor, de todo o coração - e Ele se revelou para mim e em mim. Até mostrou-me Sua glória nos céus. Porém, naquele exato momento, comecei a experimentar uma pulsante lembrança da minha fragilidade humana. Implorei ao Senhor: 'Remova isso. Chega desta fraqueza, deste assédio demoníaco. Até quando terei de ser humilhado por estes ataques? Até quando tenho de agüentar este sofrimento? Por favor, Senhor, livra-me.”'


3. O Modelo de Paulo Finaliza
Com a Resposta de Deus.


Deus não se preocupou em explicar coisa alguma a Paulo. E não concedeu o pedido de um fim para seu sofrimento. Nem removeu o espinho ou afastou o mensageiro de Satanás. Contudo, Deus concedeu a Paulo algo muito melhor. Ele revelou como Paulo viveria todos os dias em vitória: “Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Cor. 12:9).

Deus estava basicamente dizendo: “Paulo, vou lhe conceder graça para os sofrimentos de cada dia. E isso lhe será suficiente, em tudo que enfrentar. Você não precisa compreender tudo que está enfrentando; então poderia parar de perguntar o por que. Você tem a minha graça - e isso é tudo que precisa.”

Recebemos cartas de pessoas que têm vidas de incrível sofrimento. Jovens escrevem de serem criados em lares cheios de feitiçaria - de serem espancados, abusados, negligenciados. Um moço de dezesseis anos escreve que seus pais o iniciaram nas drogas.

São pessoas que gritam: “Amo a Deus - tenho orado e O buscado. Depositei nEle toda a minha confiança. Mas à cada dia ainda enfrento inimigos poderosos - e não vejo sinal de libertação.”

Não quero desencorajar ninguém. Mas, como Paulo, a sua aflição pode ser do tipo que sobrevem aos mais justos de Deus. Se for assim, você pode ter de viver cada dia apoiado inteiramente na Sua graça. O livramento não será uma experiência súbita, de uma só vez - mas um caminhar dia a dia.

Eu lhe digo outra vez: não é pecado perguntar a Deus o por quê; por que tanto sofrimento, por que esta dor que não acaba. No entanto, também digo: você pode muito bem parar de perguntar - porque Deus não responde este tipo de pergunta. Ele não nos deve nenhuma explicação por nossos sofrimentos.

Davi pergunta com sinceridade, “Por que estás abatida, ó minha alma? ...por que te (Deus) esqueceste de mim? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos? ...Por que te perturbas (minha alma) dentro de mim?” (Salmo 42:5,9,11). Sabemos que Deus amava Davi. Mesmo assim as Escrituras não mostram nenhum registro de Deus respondendo suas perguntas.

Jesus perguntou: “Por que este cálice não pode passar de mim? Pai, por que me abandonastes?” (v. Mateus 26:39; 27:46). Contudo em nenhum lugar da Bíblia lemos uma resposta de Deus ás perguntas do Seu amado Filho.

Eu pessoalmente tenho feito estas mesmas perguntas a vida toda. Quando eu tinha vinte e oito anos de idade, trouxe minha família para Nova York para trabalhar com as gangues e os viciados. Aí um dia, poucos anos após termos nos mudado, minha esposa Gwen começou a se dobrar de dor. Corremos para um hospital, e ela recebeu uma cirurgia de emergência. E aí ouvimos a terrível palavra: câncer. Ela tinha um tumor no intestino do tamanho de uma laranja.

Lembro-me das minhas perguntas para Deus naquela época: “Por que, Senhor? Deixamos tudo e viemos para cá seguindo sua orientação. Entregamos nossas vidas para ministrar nestas ruas. Então, por que estamos passando por isso agora? O Senhor está zangado comigo por algum a razão? O que eu fiz?”

Fiz as mesmas perguntas mais cinco vezes - toda vez que Gwen foi surpreendida por um outro câncer. Também as fiz em cada uma das vinte e oito cirurgias dela.

Perguntei a Deus outra vez em Houston, Texas, quando nossa filha Debbie jazia em posição fetal, na angústia do câncer. Ela tinha um tumor na mesma região de sua mãe. Eu gritei: “Senhor, Gwen já foi o suficiente; agora, é demais. Por que?”

Perguntei por que outra vez quando nossa outra filha, Bonnie, estava acamada num hospital em El Paso, Texas, recebendo radioterapia contra o câncer. Ela estava cercada por médicos com aventais protetores feitos de chumbo, com o corpo recebendo bombardeamento por três dias de radiação mortal. Os médicos deram à ela 30 por cento de chance de sobreviver. Eu gritei: “Deus, o Senhor tem de estar zangado comigo. Não há outra explicação. Até quando o Senhor acha que vou agüentar?”

Finalmente fui sozinho com o meu carro para uma estrada deserta - e por duas horas bradei diante de Deus: “Isso não vai acabar? Dou a Ti tudo que é meu, à cada dia. Porém quanto mais Te busco, mais sofrimento vejo.”

Também sei o que é ser esbofeteado por um mensageiro de Satanás. Tenho sido seriamente tentado e alvo de sedução. Tenho tido inimigos me provocando por todos os lados. Tenho sido caluniado por boatos, recebido falsa acusação, rejeitado por amigos. Nestas horas negras me ajoelho, chorando: “Por que, Senhor? És tudo aquilo que desejo. Por que permites que Satanás me assedie? Até quando vou ter de lutar com essa fraqueza?” Porém, assim como Deus não explicou nada para Paulo, Ele nunca respondeu minhas perguntas.

Creio que uma vez no céu, o Senhor nos explicará tudo. Teremos toda a eternidade para receber nossas respostas. E, assim que tudo nos tiver sido revelado, veremos que cada coisa era parte de um plano perfeito - orquestrado por um Pai amoroso que sabia o que era necessário para nos manter dobrados sobre nossos joelhos, e caminhando em direção a Ele.


Até Chegar Esse Dia, Deus Diz:
“Tenho Toda a Graça Que Você Precisa Para Triunfar”


Sempre ouvimos que a definição de graça é, simplesmente, favor e bênção não merecidos vindos da parte de Deus. Contudo creio que graça é muito mais do que isso. Em minha opinião, graça é tudo aquilo que Cristo significa para nós na hora do sofrimento - poder, força, bondade, misericórdia, amor - para nos conduzir na aflição.

Ao rememorar os anos que se passaram, anos de grandes provações, sofrimento, tentações e aflição, posso testificar que a graça de Deus foi suficiente. A Sua graça cuidou de Gwen. E também cuidou de Debbie e Bonnie. Hoje, minha esposa e minhas filhas estão todas saudáveis e fortes - e agradeço ao Senhor por isso.

A Sua graça também cuidou de mim. E isso é o suficiente para o dia de hoje. Então, algum dia na glória, meu Pai me revelará o belo plano que tinha todo este tempo. Ele me mostrará como obtive paciência através dos sofrimentos; como aprendi a ter compaixão pelos outros; como Seu poder foi aperfeiçoado na minha fraqueza; como aprendi Sua absoluta fidelidade para comigo; como, e com esperança digo isso, me tornei mais semelhante a Jesus.

Ainda podemos perguntar por que - porém tudo continua um mistério. Estou preparado para aceitar isso até que Jesus venha para mim. Não vejo um fim para minhas provações e aflições. Eu as tenho tido por mais de cinqüenta anos, e elas continuam.

Porém, em todas essas coisas, continuo recebendo uma porção sempre crescente do poder de Cristo. Na verdade, as maiores revelações que tive de Sua glória vieram durante os tempos mais difíceis. Semelhantemente, em seus momentos mais fracos, Jesus liberará em você uma medida maior do Seu poder.

Poderemos jamais compreender a nossa dor, nossa depressão e nosso desconforto. Poderemos jamais saber por que nossas orações para cura não foram respondidas. Mas não precisamos saber o porquê. Nosso Deus já nos deu a resposta: “Você tem a minha graça - e, meu filho amado, é só disso que você necessita.”

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