quinta-feira, setembro 28, 2006

O Implacável Amor de Deus

Por David Wilkerson

Quero lhe falar a respeito da palavra implacável. Significa: não diminuido em intensidade ou empenho - sem concessões, indefectível, imperecível, incapaz de ser mudado ou persuadido por argumentos. Ser implacável é estar fixado em um determinado curso.

Que maravilhosa descrição do amor de Deus. O amor de nosso Senhor é absolutamente implacável. Nada pode impedir ou diminuir sua amorosa perseguição em busca tanto de pecadores, quanto dos santos. Davi, o salmista, o expressa dessa maneira: "Tu me cercas por trás e por diante...Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também" (Salmo 139: 5,7-8).

Davi está falando dos grandes altos e baixos que enfrentamos na vida. Está dizendo: "Há épocas em que sou tão abençoado, que me sinto nas alturas com tanta alegria. Outras vezes, parece que estou dentro do inferno, condenado e indigno. Mas não importa onde eu esteja, ó Senhor - não importa o quão abençoado me sinta, ou qual seja a minha situação - Tu lá estás. E não consigo fugir do Teu implacável amor. E não consigo afastá-lo. Tu nunca aceitas os meus argumentos relacionados à minha indignidade. Até mesmo quando desobedeço - pecando contra a Tua verdade, assumindo que Tua graça já me é garantida - Tu nunca cessas Teu amor por mim. O Teu amor por mim é implacável!".

Num momento em que sentia-se derrubado, Davi ora: "Senhor, Tu assentastes minha alma em lugares celestiais. Me destes luz para compreender Tua palavra. Tu a tornastes lâmpada para os meus pés. Mas caí tanto, que não vejo como me recuperar. Fiz minha cama no inferno. E mereço ira, punição. És demasiadamente alto e santo para me amar na situação que estou".

Davi havia pecado seriamente. Este é o mesmo homem que desfrutava da retaguarda espiritual dada por conselheiros piedosos; era monitorado por homens justos da parte de Deus; era ministrado pelo Espírito Santo. Ele recebia revelações da palavra de Deus. Mesmo assim, a despeito de tantas bênçãos e de sua vida consagrada, Davi desobedeceu completamente a lei de Deus.

Tenho certeza que você conhece a história do pecado de Davi. Ele cobiçou a esposa de um homem, e a engravidou. A seguir tentou cobrir seu pecado embriagando o esposo, na esperança de que este iria dormir com a esposa grávida. Quando isso não deu certo, Davi assassinou o marido. Combinou enviar este homem à uma batalha perdida, sabendo que este morreria.

As escrituras dizem: "isto que Davi fizera foi mal aos olhos do Senhor" (2 Samuel 11:27). Deus chamou os atos de Davi de "grande mal". E enviou o profeta Natã para lhe dizer: "deste motivo a que blasfemassem os inimigos do Senhor" (12:14).

O Senhor então disciplinou Davi, dizendo que ele sofreria graves conseqüências. Natã profetiza: "também o filho que te nasceu morrerá" (12:14). Davi orou dia e noite pela saúde de seu bebê. Mas a criança morreu, e Davi sofreu profundamente pelas terríveis coisas que havia causado.

No entanto, a despeito do pecado de Davi, Deus manteve-se perseguindo-o em amor. Enquanto o mundo zombava da fé deste homem caído, Deus deu a Davi um sinal de Seu implacável amor. Bate-Seba agora era esposa de Davi, e ela deu à luz outra criança. Davi "deu o nome de Salomão; e o Senhor o amou" (12:24). O nascimento e a vida de Salomão foram uma bênção para Davi, algo totalmente imerecido. Mas o amor de Deus por Davi jamais se reduziu, até mesmo na hora de sua maior vergonha. Ele buscou Davi implacavelmente.

Considere também o testemunho do apóstolo Paulo. Quando lemos a vida de Paulo, vemos um homem disposto a destruir a igreja de Deus. Paulo era como um louco em seu ódio pelos cristãos. Ele respirava ameaças de morte contra todos os que seguissem Jesus. Ele buscou autorização do sumo sacerdote para caçar os crentes, poder atacar suas casas, e arrastá-los à prisão.

Após se converter, Paulo testifica que mesmo durante aqueles anos cheios de ódio - enquanto estava cheio de preconceitos, matando cegamente os discípulos de Cristo - Deus o amava. O apóstolo registra: "Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). Ele diz basicamente: "Mesmo eu não tendo consciência disso, Deus estava me buscando. Ele continuou me perseguindo em amor, até o dia em que literalmente me fez cair do cavalo. Esse é o implacável amor de Deus".

Ao longo dos anos, Paulo foi se tornando cada vez mais convencido de que Deus o amaria fervorosamente até o fim, em meio a todos seus altos e baixos. Ele declara: "Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (8:38-39). Ele estava declarando: "Agora que estou em Deus, nada pode me separar do Seu amor. Nenhum diabo, nenhum demônio, nenhum principado, nenhum homem, nenhum anjo - nada pode fazer Deus parar de me amar".

A maioria dos crentes lê esta passagem vez após outra. Ouviram-na sendo pregada há anos. Contudo acredito que a maioria dos cristãos acha que as palavras de Paulo são impossíveis de serem cridas. Toda vez que a maioria de nós peca e falha com Deus, perdemos todo o senso da verdade do Seu amor por nós. Então, quando algo de mal nos acontece, pensamos: "Deus está me chicoteando". Acabamos pondo a culpa em Deus por qualquer problema, luta, doença e dificuldade.

Na realidade, estamos dizendo que "Deus parou de me amar, porque falhei com Ele. Eu O desagradei, e Ele está zangado comigo". De repente nós paramos de compreender o implacável amor de Deus por nós. Esquecemos que Ele está continuamente indo em busca de nós o tempo todo, não importando qual seja a nossa condição. Contudo, a verdade é que não podemos enfrentar a vida com todos os seus terrores e sofrimentos, sem nos agarramos à essa verdade. Temos de estar convencidos do amor de Deus por nós.

Conheço muitos ministros que falam muito do amor de Deus, e livremente o oferecem aos outros. Mas quando o inimigo chega bramindo como uma inundação para dentro de suas próprias vidas, eles são levados. Caem numa poça de desespero, incapazes de confiar na palavra de Deus. Eles não conseguem acreditar que Deus ainda os aceite, por estarem convencidos de que Ele desistiu deles.

Paulo chega a esse assunto crucial a todos nós, através de um único versículo. Ele havia escrito duas cartas aos coríntios. E escolheu terminar a última com essa prece: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós" (2 Coríntios 13:14).

Talvez você reconheça esse versículo. Ele é muitas vezes usado nos cultos da igreja como bênção. Geralmente é dito como hábito pelo pastor, e poucos ouvintes alcançam o seu enorme significado. No entanto esse verso não é só uma bênção. É o resumo de tudo que Paulo ensina aos coríntios quanto ao amor de Deus.

Esse versículo trata com três questões divinas: a graça de Cristo, o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo. Paulo estava orando para que os coríntios se apossassem destas verdades. Creio que se nós também compreendermos estas três questões, nunca mais duvidaremos do implacável amor de Deus por nós:

1. Primeiro, Paulo Considera a Graça de Jesus Cristo

O quê exatamente é graça? Quanto a isso sabemos o seguinte: seja a graça o quê for, Paulo diz que ela nos educa para que, "renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente" (Tito 2:12).

Como chegar a esse ponto, onde poderemos ser ensinados pela graça? E qual o ensino que a graça oferece? De acordo com Paulo, a graça nos educa a renegar a impiedade e as paixões mundanas, e a ter vidas puras e santas. Se é assim, então necessitamos que o Espírito Santo faça brilhar em nossas almas a verdade fundamental desta doutrina.

Encontramos o segredo da declaração de Paulo quanto à graça em 2 Coríntios 8:9. Ele afirma: "Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos". Paulo não está falando de riqueza material aqui, mas de riquezas espirituais. (Inúmeras passagens provam isso. Em todas as suas cartas, Paulo fala das riquezas da glória de Cristo, riquezas de sabedoria, riquezas de graça, de ser rico em misericórdia, fé e boas obras. Igualmente, o Novo Testamento se refere à riquezas espirituais como opostas à enganosa riqueza do mundo.)

Paulo está nos dizendo: "Aqui está tudo que você precisa saber quanto ao significado da graça. Chega a nós através do exemplo do Senhor. Em termos simples, Jesus veio abençoar e edificar os outros às Suas próprias custas. Essa é a graça de Cristo. Apesar de ser rico - em nosso favor se tornou pobre, para que através de Sua pobreza nos pudéssemos tornar ricos".

Jesus não veio para se mostrar grande ou para trazer glória para Si mesmo. Ele abriu mão de todos os direitos em relação à palavra "eu", objetivando toda ênfase sobre "os meus". Cristo deixou passar todas as oportunidades para ser o maior dentre os homens do Seu tempo. Pense nisso: Ele nunca orou pedindo bênçãos para Si próprio, para que fosse conhecido ou aceito pelos outros. Ele não ficou mostrando o Seu peso divino para ganhar poder ou reconhecimento. Ele não se exaltou às custas dos pobres, ou dos menos capazes. E não se glorificou em Seu próprio poder, habilidade ou resultados. Não, Jesus veio para edificar o corpo. E provou isso glorificando-se nas bênçãos de Deus para com os outros.

Quando Cristo andou pela terra, Ele não competia com ninguém. Certamente ouvia Seus discípulos glorificando os Seus poderosos feitos. No entanto, em toda humildade, Jesus respondia: "Voces farão mais do que Eu. Acreditem: vocês realizarão obras maiores do que as Minhas". Posteriormente, quando Lhe chegaram notícias de que os discípulos estavam operando exatamente estas obras, expulsando demônios e curando pessoas, Ele dançou de alegria.

Quantos de nós podem declarar tal tipo de graça? Segundo vejo, isso dolorosamente falta em muito da igreja. Poucos cristãos verdadeiramente se rejubilam quando vêem seus irmãos ou irmãs sendo abençoados por Deus. Isso é especialmente verdadeiro quanto a pastores. Quando vêem um outro ministro colhendo as bênçãos de Deus, eles pensam unicamente na situação deles mesmos. Eles dizem: "Há anos que luto em oração. Mas agora esse pastor jovem chega na cidade, e Deus começa a derramar bênçãos sobre ele. E eu?".

Cá esta o implacável amor de Deus: alegrar-se ao ver outros abençoados mais do que nós mesmos. Paulo escreve: "O amor seja sem hipocrisia (dissimulação)... Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Rom. 12: 9-10). Eis uma graça que deseja se conservar humilde, mesmo quando se alegra nas bênçãos dos outros.

Na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios,
Ele Descreve Ter Visto Muito Pouco Desse Tipo de Graça

Paulo encontrou os cristãos coríntios em competição entre si. A igreja estava cheia de auto-exaltação, auto-promoção. Homens e mulheres se glorificavam em seus dons espirituais, se chocando em busca de status e posições. Eles competiam ate à mesa de comunhão. Crentes importantes desfilavam seus alimentos exóticos, enquanto os pobres não tinham o que trazer. Outros eram tão orgulhosos, que não achavam nada de mais processar judicialmente o outro para resolver as disputas.

Tudo isso era contrário à graça que Paulo pregava. Esses coríntios tinham um imenso "Eu" carimbado sobre si. Com eles a coisa era ganhar e pegar, em vez de dar. Ainda hoje a palavra "coríntio" traz a conotação da carnalidade e do mundanismo deles.

Paulo diz a estes crentes: "Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais e sim como a carnais, como a crianças em Cristo...não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?" (I Coríntios 3:1,3). Pense no que Paulo está dizendo. Crianças buscam satisfazer unicamente as suas necessidades. Eles choram para se trocar as fraldas. E os coríntios eram infantis exatamente assim. Eram pessoas tolerantes com o pecado, alguns se entregando a fornicação e até ao incesto.

Ao pensarmos nestes crentes, a palavra "santamente" não nos vem a mente. Contudo, apesar de toda carnalidade, Deus direcionou Paulo a escrever à essas pessoas como "igreja de Deus...aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos...graças a vos outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (1:2,3).

Isso foi um erro? Será que Deus estava fazendo vistas grossas diante da permissividade da igreja? Não, nunca. Deus sabia tudo que se referia à situação dos coríntios. E Ele nunca fingiu não ver esses pecados. Não, esse endereçamento cheio de graça que Paulo traz à essas pessoas é um retrato do implacável amor de Deus. Tente imaginar o quanto os coríntios ficaram atônitos ao ouvirem a carta de Paulo sendo lida na igreja. Cá estavam crentes cheios de si, tentando ser o número um do grupo. Ainda assim, escrevendo sob inspiração divina, Paulo se dirige a eles como "santos" e "santificados em Cristo". Por que? Deus estava protegendo essas pessoas. Eu explico.

Se Deus nos julgasse segundo a nossa condição, seríamos salvos num minuto e condenados no outro. Seríamos convertidos dez vezes no dia, e nos desviaríamos dez vezes diariamente. Todo cristão honesto tem de admitir que a sua condição, na melhor das hipóteses, é de luta. Todos nós ainda estamos lutando, ainda tendo de depender da fé nas promessas de misericórdia de Deus. Isso porque ainda temos fraquezas e fragilidades em nossa carne.

Graças a Deus, Ele não nos julga segundo a nossa situação. Em vez disso, Ele nos julga segundo a nossa posição. Veja, mesmo sendo fracos e pecaminosos, demos os nossos corações a Jesus, e pela fé o Pai nos assentou com Cristo no celestial. Esta é a nossa posição. Portanto, quando Deus olha para nós, Ele nos vê não segundo a nossa condição pecaminosa, mas segundo nossa posição celestial em Cristo.

Por favor não entenda mal. Quando digo que Deus dá segurança ou protege o Seu povo em graça, não estou falando de uma doutrina que permite que os crentes continuem na promiscuidade pecaminosa. A Bíblia deixa claro que é possível a qualquer crente se afastar de Deus e rejeitar o Seu amor. Tal pessoa pode endurecer o coração tão repetidamente, e com tanta rigidez, que o amor de Deus não penetrará mais nas muralhas que ela erigiu.

Neste instante, você pode estar numa condição como a dos coríntios. Mas Deus vê a sua posição como estando unicamente em Cristo. Foi assim que Ele tratou com os coríntios. Quando Deus olhou para eles, Ele sabia que não tinham recursos para mudar. Eles não tinham nenhum poder em si próprios para subitamente se tornarem piedosos. É por isso que Ele inspirou a se dirigir a eles como santos santificados. O Senhor desejava que eles conhecessem a segurança da sua posição em Cristo.

Você luta contra uma fraqueza? Se é assim, saiba que Deus nunca será impedido em Seu amor por você. Ouça-O lhe chamando "santo", "santificado", "aceito". E apodere-se da verdade que Paulo descreve: "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (I Coríntios 1:30).

2. Paulo a Seguir Fala do Amor de Deus

Na primeira epístola de Paulo ao coríntios, ele dirige-se à necessidade da graça de Deus. Isso devido às quedas desse povo. Mas em sua segunda carta, Paulo se concentra no amor de Deus. Ele sabia que o implacável amor de Deus era o único poder capaz de transformar o coração de alguém. E a segunda carta de Paulo prova que Deus escolhe usar o Seu amor, como maneira de mostrar o Seu poder.

Primeiro Coríntios 13:4-8 nos dá uma poderosa verdade quanto ao implacável amor de Deus. Sem dúvida, você ouviu essa passagem muitas vezes, tanto em sermões como em casamentos: "A caridade [amor] é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca falha".

A maioria de nós pensa: "Esse é o tipo de amor que Deus espera de nós". É verdade, de certa maneira. Mas o fato é que ninguém pode corresponder a essa definição de amor. Não, essa passagem é toda relacionada ao amor de Deus. O verso 8 prova isso: "A caridade [amor] nunca falha". O amor humano falha. Mas aqui está um amor que é incondicional, que nunca desiste. Ele opõe-se e resiste à qualquer falta, a qualquer desapontamento. Ele não exulta com os pecados dos filhos de Deus; pelo contrário, sofre com estes pecados. E ele resiste a todos os argumentos de que somos mui pecadores e indignos para sermos amados. Em resumo, esse tipo de amor é implacável, e nunca pára em sua perseguição ao amado. Isso só pode descrever o amor do Deus Todo-Poderoso.

Veja como esse poderoso amor afetou Paulo. Em sua primeira carta aos coríntios, o apóstolo tinha todas as razões para desistir da igreja. Ele tinha vários motivos para estar zangado com eles. E ele poderia facilmente tê-los excluído, no desespero devido à infantilidade e à pecaminosidade deles. Ele poderia ter iniciado a carta desta maneira: "Lavo as mãos com vocês. Vocês são totalmente incorrigíveis. Esse tempo todo eu me desmanchei em favor de vocês; porém, quanto mais os amo, menos vocês me amam. Então é isso: eu os deixo a vontade. Vão em frente e briguem entre si. O meu trabalho com vocês está acabado".

Paulo nunca poderia ter escrito isso. Por que? Porque ele havia sido cooptado pelo amor de Deus. Em I Coríntios, lemos de ele entregar um homem a Satanás, para a destruição da carne desse homem. Isso soa áspero. Mas qual era o propósito de Paulo? Era que a alma desse homem pudesse ser salva (v. I Coríntios 5:5). Também vemos Paulo reprovando, corrigindo e admoestando duramente. Mas ele fez tudo isso em meio à lagrimas, com a ternura de uma ama.

Como os coríntios carnais reagiram à mensagem de Paulo que falava do amor triunfante de Deus? Eles se derreteram diante de suas palavras. Paulo posteriormente lhes disse: "vós...segundo Deus, fostes contristados!...agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação" (2 Coríntios 7:11, 9-10). Paulo estava dizendo: "Vocês se purificaram, ficaram indignados com seus pecados, e agora estão plenos do zelo e temor de Deus. Vocês se mostraram puros e limpos".

Digo-lhe o seguinte: esses coríntios foram transformados pelo poder do implacável amor de Deus. Ao lermos a segunda carta de Paulo para eles, descobrimos que o grande "Eu" nessa igreja havia desaparecido. O poder do pecado havia sido rompido, e o egoísmo tinha sido digerido pelo pesar piedoso. As pessoas não estavam mais amarradas em dons, sinais e maravilhas. A ênfase delas agora era dar em vez de receber. Elas juntaram ofertas para serem enviadas a crentes que haviam sido atacados por uma grande fome. E a mudança veio pela pregação do amor de Deus.

Eu pessoalmente me vejo convencido por essa verdade. Quando era mais jovem, eu pregava mensagens sobre o mal nas igrejas. Eu me desesperava diante do estado deplorável de tantos dentro o povo de Deus. E me dispus a corrigir essas coisas com uma espada e um martelo. Eu atacava as concessões e contemporizações, e esmagava tudo à vista. E no processo, coloquei sob condenação pessoas que nunca deveriam estar lá.

Se Paulo tivesse pregado desse jeito em Corinto, ele certamente teria esmagado a carnalidade, derrubado os fornicadores, e parado com o hábito de processarem uns aos outros na justiça. Mas aquela igreja teria se dissolvido. Não sobraria gente para Paulo reprovar. Uma pregação assim "na cara" é má direcionada pelo zelo humano. Freqüentemente é resultado de um pastor não ter tido íntima revelação pessoal do amor de Deus por ele.

3. Finalmente, Paulo se Concentra na Comunhão do Espírito Santo

A frase em grego que Paulo usa se traduz: "a comunhão do Espírito Santo". Inicialmente, os coríntios nada conheciam quanto à essa comunhão. O corpo da igreja explodia em individualismo. Paulo diz o seguinte deles: "Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo" (I Coríntios 1:12).

Esse individualismo caminhava com os dons espirituais das pessoas. Aparentemente, os coríntios vinham à igreja só para se edificarem a si próprios. Um vinha com o dom de línguas, outro com uma profecia, um outro com uma palavra de sabedoria - contudo estavam usando seus dons para servirem a si próprios. Todo mundo queria ir embora dizendo: "Dei uma palavra de profecia hoje", ou, "Falei poderosamente no Espírito". E isso estava causando desordem total. Paulo faz um chamado explícito à ordem, instruindo-os: "Aprendam a manter a paz. Deixem os outros falarem. Busquem edificar o corpo, e não só a vocês próprios".

A obra mais profunda do Espírito Santo trata com mais do que dons espirituais. Sinais, maravilhas e milagres são necessários, e têm o seu lugar. Mas a obra mais preciosa do Espírito de Deus é unir o corpo de Cristo. Ele procura estabelecer comunhão entre o povo de Deus, pelo Seu poder unificador. Contudo, freqüentemente hoje em dia, quando falamos da comunhão do Espírito Santo, ainda tendemos a pensar individualmente. Pensamos em termos de "eu e o Espírito Santo", dizendo, "O Espírito e eu desfrutamos intimidade em Cristo".

Paulo junta comunhão e unidade aos dois pontos que já mencionamos: a graça de Cristo e o amor de Deus. Ele diz, basicamente: "Para entender verdadeiramente estes dois pontos, eles têm de juntar essas partes na sua vida. É assim que você pode medir a graça de Cristo e o amor de Deus em sua vida. É determinado pela sua vontade de estar em plena unidade e unicidade com todo o corpo de Cristo".

O que quer dizer ter unidade e unicidade? Quer dizer remover toda inveja e competição, e deixar de se comparar aos outros. Em vez disso, cada um se alegrar quando o irmão ou irmã é abençoado. E todos estarem ansiosos para dar em vez de receber. Unicamente esse tipo de comunhão verdadeiramente revela a graça de Cristo e o amor de Deus.

Essa Mensagem Reduz-se a Um Ponto:
Eu Estou Querendo Mudar ?

A pergunta é: "Eu realmente quero deixar o Espírito Santo me mostrar onde preciso mudar?". Veja, há um propósito por trás do amor implacável de Deus. É esse: há poder no amor de Deus para solucionar todos os problemas através de sua transformação.

Se você me diz que é uma pessoa de bem - boa, caridosa, perdoadora, lavada no sangue de Cristo - eu respondo: o amor de Deus concede mais do que perdão. Você pode ser uma pessoa boa e perdoada, mas continuar governada e escravizada por sua natureza pecaminosa. Todos nascemos com a natureza de Adão, a tendência para o pecado. Em verdade, é essa natureza em nós que nos torna facilmente provocáveis, invejosos, lascivos, zangados, não perdoadores. Essa mesma natureza em nós é que ama o dinheiro, planta sementes de destruição, e não consegue se alegrar quando os outros são abençoados.

Se você tem lutado contra a sua natureza de pecado, está travando uma batalha perdida. Tal natureza não pode ser mudada. Ela sempre será carne e sempre resistirá ao Espírito Santo. A nossa natureza carnal está além da redenção, e portanto ela precisa ser crucificada. Isso significa admitir o seguinte: "Jamais conseguirei agradar a Deus por mim mesmo. Sei que a minha carne nunca poderá me auxiliar".

Todos temos de receber uma natureza nova, e essa natureza é exatamente a natureza de Cristo. Não se trata de refazer a nossa velha natureza, ou de uma re-elaboração da nossa carne. O que é velho tem de partir. Estou falando é do nascimento de uma natureza totalmente nova. E a Nova Aliança concede recursos para isso: "Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina" (2 Pedro 1:4).

O amor de Deus nos diz: "Quero lhe assegurar de sua posição em Cristo. Você precisa desistir de tentar mudar a natureza da sua carne, e me deixar lhe dar a natureza do meu Filho. Há senão uma condição para que isso ocorra: simplesmente crer. Essa transformação na natureza vem unicamente pela fé. Você precisa crer que serei Deus para você".

Amado, todo crente pode se tornar como Jesus tanto quanto ele ou ela deseje. Se você pode simplesmente dizer: "Creio que Deus me ama de verdade", está confessando que Ele lhe ofereceu poder para ser transformado.

Torne sua essa oração hoje: "Santo Espírito, sei que não tenho muito da graça sobre a qual Paulo fala. Mostre onde preciso mudar. Creio que o meu Pai me ama implacavelmente. E esse amor me deu recursos para que eu assuma a natureza dEle . Sei que me foi concedido o poder para ser transformado por Ti. Dê-me a Tua natureza, Jesus".

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quarta-feira, setembro 27, 2006

A Trilha Para o Trono

Por David Wilkerson

De acordo com Paulo, nós que cremos em Jesus fomos levantados da morte espiritual e assentados com Ele no reino espiritual. "Estando nós mortos em nossos delitos, (Deus) nos deu vida juntamente com Cristo... e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Efésios 2:5-6).

Então, onde é esse lugar celestial onde estamos assentados com Jesus? É nenhum outro senão a própria sala do trono de Deus - o trono da graça, a habitação do Todo-Poderoso. Dois versículos adiante, lemos como fomos levados a esse lugar maravilhoso: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (2:8).

Essa sala do trono é a moradia de todo poder e domínio. É de onde Deus governa sobre todos os principados e potestades, e reina nas coisas dos homens. Aqui da sala do trono, Ele monitora cada movimento de Satanás e examina todo pensamento do homem.

E Cristo está assentado à destra do Pai. As escrituras nos dizem: “Todas as cousas foram feitas por intermédio dele” (João 1:3), e, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Colossenses 2:9). Em Jesus reside toda a sabedoria e paz, todo poder e toda energia, tudo que é necessário para viver uma vida vitoriosa e frutífera. E nos é concedido acesso à todas essas riquezas que estão em Cristo.

Paulo está nos dizendo, “Tão certo quanto Cristo foi levantado dentre os mortos, nós fomos levantados com Ele pelo Pai. E, tão certo quanto foi levado para o trono de glória, fomos levados com Ele ao mesmo glorioso lugar. Porque estamos nEle, estamos também onde Ele está. Esse é o privilégio de todos os crentes. Quer dizer que estamos sentados com Ele no mesmo lugar celestial onde habita”.

É claro que o mundo tem todo o direito de questionar esse conceito. Como um cristão poderia estar vivendo no espaço celestial, assim como na terra? Mesmo crentes admitem que não compreendem o ensinamento de Paulo aqui. E confessam não experimentar essa verdade em suas vidas diárias.

Nem temos de olhar para o exemplo de uma igreja confusa e desesperada para vermos isso. Só temos de examinar o nosso próprio caminhar com Cristo. Multidões de cristãos estão derrubados e com medo; vão à igreja, cantam louvores a Deus, e testificam do poder vitorioso em suas vidas. Mas para muitos dentre estes mesmos cristãos, a vida é uma constante série de altos e baixos. Eles são aniquilados pelos cuidados e problemas do mundo; ao enfrentar provações são quebrados, e a fé some em um instante.

Eu lhe pergunto: isso reflete a vida celestial que Paulo descreve? Essa é a idéia que você tem em relação à vida do trono? Lemos que o próprio Cristo nos levou à uma posição celestial com Ele. Mas se é assim, então muitos cristãos estão vivendo muito abaixo das promessas concedidas por Deus. Pense nisso: se estamos efetivamente vivendo em Cristo, assentados com Ele na sala do trono celeste, então como algum crente pode ainda estar escravizado à carne? Recebemos uma posição nEle com um objetivo. Mas muitos no corpo de Cristo não a reivindicaram ou não se apropriaram dela.

Leia cuidadosamente as palavras de Paulo: “O qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as cousas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as cousas, o deu à Igreja” (Efésios 1:20-22).

A maioria dos cristãos não tem nenhuma dificuldade em crer que Cristo está lá. A gente prega: “Jesus está agora no trono. Está acima de toda potestade e poder, muito acima do alcance de Satanás”. Contudo achamos difícil aceitar a verdade que se segue: “E, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (2:6). Podemos crer que Cristo já está nesta posição celestial, assentado com o Pai. Mas não conseguimos aceitar que nós também estamos assentados lá, na mesmíssima sala do trono. No entanto, o próprio Jesus já nos disse: “Vou preparar-vos lugar” (João 14:2), não apenas na glória, mas agora mesmo.

Para muitos, isso soa como fantasia, uma ilusão teológica: “Você quer dizer que não tenho de viver uma vida quente e fria, um dia no alto, outro lá embaixo? Quer dizer que quando for abalado pela tribulação, não preciso hesitar? Que eu posso manter intacta a minha intimidade com Cristo?”.

Sim, exatamente. Paulo declara, “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). Note onde Paulo diz é concedida toda bênção espiritual: na sala do trono. Todas as riquezas de Cristo estão à nossa disposição lá: firmeza, poder, descanso, paz crescente.

Então, por que há tantos cristãos bem intencionados perdendo essas coisas? Seria porque não estamos ocupando a nossa posição no lugar celestial com Cristo? Será porque ouvimos tanta falação atualmente quanto à necessidade de avivamento? Seria porque multidões de crentes simplesmente não estão vivendo a vida ressurrecta?

Paulo deixa claríssimo: para ter as bênçãos de Cristo fluindo através de nós, temos de estar assentados com o Senhor na sala do trono nos céus.

Algo de Terrível Acontece Atualmente na Casa de Deus,
Um Problema que Vejo Como "Queda de Força”

Satanás está devastando a casa de Deus, e não está sendo desafiado. Pelo contrário, ele prossegue livre enganando muitos no corpo de Cristo, causando desespero e confusão, e trazendo ruína aos que serviram Deus por toda uma vida.

Um sociólogo agnóstico escreveu um livro sobre a situação da igreja. Ele conclui o seguinte em relação aos cristãos: “Longe de viverem no ‘outro mundo’ (céu), os fiéis são notavelmente iguais ao mundo secular... Na prática, não são do jeito que deveriam ser em sua teologia... A cultura os atropelou... A conversa sobre inferno, condenação e mesmo pecado foi substituída pela linguagem não condenatória da compreensão e da empatia”. C. S. Lewis disse algo parecido há décadas atrás: “O maior inimigo da igreja é o ‘mundanismo satisfeito’”.

Parece que a igreja desabou, cedendo aos problemas que estão em torno de nós. Em termos simples, deixamos de nos concentrar na vitória de Cristo ou em vivermos vida vitoriosa. Vejo sintoma disso na proliferação de conselheiros. Por que? Porque poucos cristãos crêem ser possível viver a vida celestial nesses tempos difíceis. Pelo contrário, correm atrás de aconselhamento, chorando, “Tive um dia terrível. Por favor, me dê algo que me ajude chegar até amanhã”.

Nos deparamos com o mesmo foco em muitas das pregações modernas. A maioria dos sermões de hoje se concentra em atender às necessidades das pessoas, ao invés da vida vitoriosa que temos em Cristo. Os pastores oferecem três passos para sobrevivência para mais um dia, um plano do tipo “Como aprender a” - para simplesmente se ir levando. Essas mensagens negligenciam completamente a sala do trono, e o posicionamento celestial que nos foi dado em Cristo.

A verdade é: esse mundo sempre foi complicado. Sempre esteve sob a ameaça de tragédias, à beira do colapso. Tal tem sido a mentalidade de piedosos pastores durante séculos. A minha biblioteca em casa contém poderosas mensagens pregadas por ministros Puritanos do século 17. Eles advertem quanto à bebedeira, à delinqüência juvenil, à fornicação, à bestialidade, à agitação política, aos transtornos familiares desenfreados. Resumindo, eles falaram há centenas de anos atrás sobre todas as coisas que vemos acontecendo hoje. E alguns deles achavam que Deus não teria como suportar tanta corrupção por outros cinqüenta anos.

Em 1860, um pastor cheio do poder em Nova Jersey prevenia quanto à “amplidão das trevas” que estavam envolvendo o país. Ele pregava sermões flamejantes gritando contra a apatia e o mundanismo da igreja. Esse homem também escreveu um livro chamado “The Millenial Experience” onde descrevia doutrinas e cultos falsos que brotavam por todo lado. Ele, também, pregou sobre as mesmas coisas que vemos tendo lugar hoje.

O povo de Deus sempre enfrentou um inimigo que ataca de todos os lados. As coisas hoje podem estar bem piores do que no tempo dos Puritanos, mas enfrentamos o mesmo diabo. E aqueles mesmos pastores ensinavam que toda bênção profetizada para o futuro estava disponível então ao povo de Deus. Não importa se vemos a corrupção aumentando em torno de nós. Segundo Paulo, a graça de Deus nos vem muito maior do que essa.

Então, por que não crer em Deus visando hoje essas mesmas bênçãos espirituais? Por que deixamos de crer que Ele nos responde antes de pedirmos? Se estamos em Cristo - se Ele ao mesmo tempo está dentro de nós, e à destra do Pai - por que as nossas vidas não refletem isso?

Há uma Necessidade no Corpo de Cristo
Daquilo que Denomino "Grande Despertamento”

O que quero dizer com grande despertamento? Estou falando a respeito do que Paulo descreve como revelação e iluminação: “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” (Efésios 1:17-19).

Paulo está dizendo aos Efésios: “Oro para que Deus lhes dê uma renovada revelação, que abra os seus olhos para o chamado que lhes tem enviado. Peço que dê a vocês nova compreensão quanto à vossa herança, às riquezas de Cristo que lhes pertencem. Há um poder arrebatador que Deus deseja liberar em vocês. É o mesmo poder que estava em Jesus. Sim, o mesmo poder que está no Cristo celestial entronizado, está em vós agora mesmo”.

Segundo Paulo, o tremendo poder de Deus “o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à Sua direita nos lugares celestiais” (1:20), corresponde à mesma “suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” (1:19). Por essa razão, Paulo exorta: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé” (2 Coríntios 13:5).

Como devemos nos examinar? Fazemos isso medindo-nos em relação às impressionantes promessas de Deus. Devemos nos perguntar: “Eu recorro e valho-me dos recursos de Cristo para resistir ao diabo? Eu acesso o Seu poder para vencer o pecado? Eu vivo continuamente na alegria, na paz e no descanso que Jesus prometeu a todo crente sem exceção?”.

Amado, a vida do trono não é fantasia. Não se trata de um ilusionismo teológico qualquer. É uma provisão tornada possível a nós através da cruz de Cristo. Logo, se algum crente não possuir essa vida do trono, ele só pode concluir uma coisa: “Eu ainda não me apropriei da posição celestial que me foi dada com Cristo. Se não posso ver Seu gigantesco poder em ação em mim, então não assumi o meu lugar nEle”.

O seu “grande despertamento” pessoal chega no dia em que você olha para a sua vida e clama:

“É preciso haver mais do que isso na vida em Cristo. Todos os planos que eu tinha foram desmanchados, os meus sonhos destruídos. Vivo como um escravo dos meus medos e dos desejos da carne. Mas não agüento mais isso”.

“Sei que o Senhor me chamou para mais do que essa vida de derrota. E não serei hipócrita. Oh, Deus, há de verdade um jeito de Tu me concederes a força para eu viver em vitória? Tu estás verdadeiramente querendo me tornar mais do que vencedor em minhas provações? É mesmo verdade que Tu tens como me conceder perfeita paz em meio às batalhas?”

“Seria realmente possível eu ter contínua intimidade contigo? Seria verdade eu não ter mais de escorregar para a apatia, ou ter de lutar para Lhe agradar? Será que há mesmo um lugar de descanso em Ti onde nunca mais precisarei de avivamento - pelo fato da minha fé estar constante e leal?”

Você está preste a despertar quando admite: “Amo Jesus, mas não estou experimentando a vida do trono da qual Paulo fala”. Esse é o momento em que você está sendo direcionado à revelação e à iluminação. O próprio Deus o escolheu - não para viver uma vida sem alegria e em desespero sob a pressão do inimigo, mas para ter uma posição celestial. E chegou a hora de você olhar para o alto e reivindicar esse lugar em Cristo.

Há Senão Uma Trilha Para o Trono

Não se chega a esse lugar celestial pelo choro. Não dá para entrar lá por meio do estudo ou de obras. Não, o único caminho em direção à vida do trono é por meio de um sacrifício vivo: “Apresentei os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rom. 12:1).

Paulo está falando aqui por experiência própria. Eis aqui um homem que foi rejeitado, tentado, perseguido, surrado, aprisionado, vítima de naufrágio, apedrejado. Paulo também tinha sobre si todos os cuidados da igreja. Mesmo assim, testifica: “Em todas as situações vivo em contentamento”.

Agora ele está nos dizendo: “Então, você quer saber como eu cheguei ao conhecimento desse caminhar celestial? Quer saber como cheguei ao contentamento seja qual for a situação na qual eu esteja, ou como consegui encontrar descanso verdadeiro em Cristo? Eis a trilha, eis o segredo para se apropriar de sua posição celestial: apresente o seu corpo como sacrifício vivo ao Senhor. Cheguei ao contentamento unicamente pelo sacrifício de minha própria vontade”.

A raiz grega para “vivo” aqui sugere “por toda a vida”. Paulo está falando de um comprometimento de união, um sacrifício feito de uma vez por todas. Contudo, não se engane: esse não é um sacrifício que tenha a ver com a propiciação pelo pecado – o sacrifício de Cristo na cruz é a única propiciação válida: “Agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hebreus 9:26).

Não, Paulo está falando de um tipo diferente de sacrifício. Mas ainda assim, não se engane: Deus não tem prazer no sacrifício fabricado pelo homem no Velho Testamento. Hebreus nos diz: “Não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado” (10:6). Por que tais sacrifícios não eram agradáveis ao Senhor? Colocando em termos simples: porque não exigiam coração.

Mas o sacrifício que Paulo descreve é do tipo no qual Deus tem grande prazer, precisamente porque envolve o coração. Que sacrifício é esse? É o sacrifício da morte da nossa vontade, de pôr de lado a nossa auto-suficiência, e do abandono de nossas ambições.

Quando Paulo exorta: “Apresentei os vossos corpos”, está dizendo basicamente, “Chegue-se ao Senhor”. Mas, o que isso significa exatamente? Significa nos aproximar de Deus com o propósito de ofertar-nos inteiros a Ele. Significa ir a Ele não em nossa própria suficiência, mas como filho ressurrecto, como santificado na retidão de Jesus, como aceito pelo Pai através de nossa posição em Cristo.

O próprio Jesus ofereceu Sua vida como sacrifício vivo. Não estou falando do sacrifício que Ele fez por nossos pecados na cruz. Não, houve dois aspectos em relação ao sacrifício de Cristo. Primeiro, houve a Sua propiciação pelo pecado. E então houve o abandono de Sua vontade ao Pai. Para resumir, Jesus se deu não só como sacrifício por nossos pecados, mas como sacrifício vivo para ser usado como instrumento pelo Pai. Veja o Seu testemunho:

“Eis aqui estou...para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hebreus 10:7). “Não vim porque eu, de mim mesmo, o quisesse, mas aquele que me enviou é verdadeiro” (João 7:28). “Nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai e ensinou. E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada” (8:28,29). “Eu falo das cousas que vi junto de meu Pai” (8:38).

Todo crente é chamado a participar desse aspecto do sacrifício de Cristo. Devemos nos apresentar a Deus, submeter nossa vontade a Ele, e ingressarmos numa vida inteiramente dependente dEle. Devemos ir a Ele dizendo: “Senhor, renuncio à minha vontade em favor de Ti. Troco a minha vontade pela Tua. Estou me comprometendo a nunca mais dizer ou fazer qualquer coisa a menos que me dirijas a isso”.

É claro que Jesus é o nosso exemplo nisso. Ele não agiu segundo a Sua vontade, mas falou e agiu apenas segundo o direcionamento do Pai. E fez tudo isso com um propósito: conduzir “muitos filhos à glória” (Hebreus 2:10). Em resumo, Cristo nos mostrou a trilha para o trono. Estava dizendo: "Siga-me, pondo de lado a tua vontade, teus planos, os teus sonhos. Comprometa-se com uma vida totalmente dependente do Pai. Então a tua vida trará glória para Ele".

Quero Oferecer uma Definição de Glória:
É a Plenitude de Deus em Cristo

Eis aqui a glória à qual todo cristão é escolhido a cumprir. Veja, muitos são chamados como filhos do Pai, com todos os privilégios de filiação - mas nem todos caminham nessa glória, mesmo tendo nós sido destinados a apropriarmo-nos dela. Bem, uma incrível glória será manifesta quando Cristo voltar para levar Seus servos. Mas há também uma glória direcionada para ser manifesta na igreja de Deus aqui na terra. Estou falando da glória de estar em Cristo onde Ele está agora: "Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu" (Hebreus 2:13).

Essa glória espera o servo que vai ao altar para apresentar seu corpo como sacrifício vivo. Ele abandonou todos os seus planos e ambição, porque experimentou as terríveis conseqüências de caminhar segundo sua própria vontade. Ele está esgotado de tanto lutar para acertar seus problemas. E não agüenta mais ver planos fracassarem, sonhos ficarem travados. Então ele vai ao altar para resolver a questão de uma vez por todas: submeter-se inteiramente à vontade de Deus.

Tal é o sacrifício que todo crente deve fazer se quiser conhecer a mente de Deus. O Senhor nunca compartilha Seus planos com os que se agarram aos próprios esquemas. Por que Ele irá direcionar alguém que esteja determinado a fazer o que já resolveu? Eu conheço um pouco os dois lados dessa trilha. Em várias ocasiões, segui minha própria vontade. Mas eu também conheço a liberdade que vem por se poder declarar, de uma vez por todas: “Nada tenho a fazer senão cumprir a vontade de Cristo. Não tenho necessidade de levantar um grande trabalho. E não preciso estar envolvido em coisas boas, a menos que Ele me leve a isso. Não tenho de provar nada a ninguém. Eu só quero é confiar em Jesus e depender inteiramente dEle”.

Posso dizer por experiência própria: esse ponto de quebrantamento e confiança é que lhe leva a encontrar o despertamento e o iluminar do qual Paulo fala: “Todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rom. 8:28). Você desiste de enfrentar as durezas da vida com sua própria força. Você já teve o suficiente de hesitação na fé, de medo que não sai, de nunca ter certeza quanto ao quê fazer. Então você leva tudo ao altar – o seu ego, seu orgulho, seus planos – e vai a Jesus com espírito quebrantado e coração contrito. Você chegou ao ponto em que confia unicamente nEle para que tudo coopere para o bem.

No momento que você renuncia à sua vontade para a dEle, o sacrifício foi feito. Acontece quando você simplesmente desiste de lutar para tentar agradar a Deus por si. Você não consegue ter méritos para Lhe agradar através de uma vida correta ou praticando boas obras. Não, você está compromissado simplesmente a confiar nEle. E quando apresenta seu sacrifício vivo a Jesus, eis a resposta dEle: “Sim, venha e arrazoemos. Se você sacrificou sua vontade, não é razoável você vir e assumir o seu lugar comigo pela fé?”.

Na verdade, esse ato de fé é o “culto racional” ao qual Paulo se refere: “Apresentei os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rom. 12:1). Trata-se de confiar nEle com a nossa vontade, crendo que Ele concederá todas as bênçãos que necessitamos.

Pense nisso: deixa de ser racional abrir mão de sua vontade - mas não crer que pode ingressar na plenitude de Cristo. Ele lhe chamou para tomar a vontade dEle, pela fé: “Se tu queres a Minha vontade – se queres viver uma vida na qual poderá sacar da Minha paz, do Meu descanso, da Minha sabedoria o tempo todo – então venha à sala do trono pela fé. Aqui, tu estás em Mim. Quando orar, será como se Eu estivesse orando através de ti. Tu estarás onde Eu estou”.

Você Está Pronto Para Desistir de Tua Vida de Lutas,
de Medo do Futuro, de Altos e Baixos,
de Nunca Achar que Está Agradando ao Senhor?

Se você está cansado de lutar, está na hora de se perguntar: estou pronto para me oferecer no altar, como sacrifício vivo? Está pronto para dizer: “Não seja feita a minha vontade, Jesus, mas a Tua. Cansei de tentar dirigir minha própria vida.

Eu a destrocei completamente. Agora estou pronto para confiar em Ti totalmente.Tu apenas possuis o poder, a autoridade, as orientações que preciso. Então, vou a Ti pela fé. E confio que falarás a mim fielmente, dizendo, ‘Eis o caminho, andai por ele’”.

Se isso lhe descreve, então você está pronto para pegar seu lugar celestial com Cristo. Mas fique avisado: Satanás fará tudo que puder para tentar abalar sua postura de retidão. Os seus problemas e sofrimentos não vão acabar simplesmente porque está assentado com Cristo. Em verdade, podem aumentar. Mas agora possuirá os recursos interiores para enfrentar suas dores, porque o poder de Deus está operando em você. E você pode informar ao diabo:

“Oh vil serpente, fique sabendo: eu não estou mais no endereço velho. Não moro mais na rua do Desespero. Eu assumi uma nova posição, na sala do trono de Deus. E estou residindo em um novo lugar, nas regiões celestiais com Cristo. Então, se você quiser me atingir, terá de fazê-lo aos cuidados do Deus Todo-Poderoso. Ah, eu também atendo por um nome novo. Agora você pode me chamar de ‘príncipe vencedor com Deus’”.

Prezado santo, a sala do trono agora lhe está aberta. Aceite o que Cristo fez, e ousadamente assuma a sua posição com Ele, pela fé. Ele aceita a renúncia de sua vontade. Agora, peça que Ele abra os olhos do seu entendimento. E confesse, “Creio naquilo que o Senhor diz a respeito de mim: que sou um príncipe de conquistas. Também creio que estou onde Ele diz que estou: na sala do trono dos céus. Estou assentado com Ele num lugar de autoridade sobre toda obra de Satanás. Aleluia, Ele me mostrou o caminho para o Seu trono. E agora a minha habitação diária é nEle”.

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terça-feira, setembro 26, 2006

Aqui Está Quem É Maior do Que Salomão

Por David Wilkerson

Segundo Jesus, uma certa testemunha aparecerá no dia do Juízo oferecendo testemunho condenatório contra a geração atual. A rainha de Sabá subirá ao banco das testemunhas, e suas palavras condenarão: "A rainha do Sul se levantará no juízo com essa geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão" (Mateus 12:42).

A rainha se dirigirá à nossa geração, a nós que vivemos exatamente nos últimos dias. E sua condenação será assim: ela vai descrever todo o esforço, toda a agonia e as dificuldades que suportou para obter sabedoria de Salomão. Veja, quando viva, essa mulher se desesperava em busca de uma verdade que a libertasse. E no juízo ela vai testificar: "Eu vim dos confins da terra, e viajei para ganhar a sabedoria de Salomão. Vocês, por outro lado, estão saciados pela verdade do evangelho. Vocês têm Alguém muito maior do que Salomão em seu meio; porém cerram os olhos e os ouvidos a Ele".

Quem era exatamente essa Rainha de Sabá? E por que foi tão importante a ponto de aparecer no dia do Juízo? Os estudiosos dizem que ela era uma líder árabe, e que reinava sobre a região hoje conhecida como Iêmen. Era uma cultura que ao longo dos séculos se envolvia com enigmas e adivinhações. O perfil mental árabe constantemente levantava questões, sem dar respostas.

Essa importante mulher poderia estar tendo conflito de alma pelo fato de todas as grandes questões da vida - sobre Deus, o futuro, a morte - não terem respostas. Ela queria sabedoria para ajudá-la a aprender a viver, a governar e ajudar os outros. Porém, riqueza nenhuma, ou fama ou conselhos podiam responder os gritos de sua alma. As carências mais profundas do seu ser continuavam não atendidas.

Aí então ela ouviu a respeito do rei Salomão. Por todo o mundo, ele tinha reputação de possuir incrível sabedoria. As escrituras dizem de a rainha ter "ouvido a fama (dele)" (I Reis 10:1), talvez por meio de comerciantes ou navegadores que houvessem viajado até Jerusalém. Segundo seus informes, o rei de Israel compreendia a natureza humana como ninguém; era capaz de responder qualquer pergunta, e resolver todo problema, não importando a complexidade.

A rainha deve ter raciocinado assim: "Quem é este homem que declara tanta sabedoria, e responde as perguntas difíceis da vida?”. Os próprios deuses dela não falavam, ouviam ou conversavam. Então ela resolveu: "Preciso chegar até Salomão a qualquer custo. Preciso resolver essas questões que ardem dentro de mim. Se ele pode resolver os enigmas da vida, então é capaz de responder aos meus anseios".

Ela ordena que uma caravana a leve a Jerusalém, a cerca de 2.400 quilômetros. A viagem em si iria levar aproximadamente 75 dias - ou seja, 150 dias para locomoção de ida e volta - quase meio ano. E seria através de um deserto quentíssimo, capaz de assar uma pessoa ao sol. Enfrentariam saqueadores, terras improdutivas sem nenhum conforto. Teriam de passar por noites terrivelmente frias. No entanto nada podia impedir que a rainha conseguisse uma audiência com Salomão.

Ela tinha de ter a companhia de soldados, oficiais, servos, cozinheiros e intérpretes. Os camelos teriam de ser carregados com alimentos, água, e presentes de jóias e especiarias. Juntando tudo, a caravana compreendia uma "mui grande comitiva" (10:2). Imagine o quadro desse grande conjunto chegando a Jerusalém, após meses de tempestades de areia, de calor atroz e tremendas dificuldades... Agora, ao se aproximar da capital, os serviçais de Salomão correm para se encontrar com a rainha, dizendo: "Que viagem difícil vocês tiveram. Por favor, refresquem-se. O rei lhes concedeu o uso de suas grandes salas de banho".

Posteriormente, a rainha é apresentada à corte de Salomão. E ela não desperdiça tempo ao lhe fazer todas as perguntas que a confundiam. "Veio prová-lo com perguntas difíceis... compareceu perante Salomão e lhe expôs tudo quanto trazia em sua mente” (10:1,2). A rainha despeja tudo sobre ele.

E ela não se desapontou. As escrituras dizem: "Salomão lhe deu resposta a todas as perguntas; e nada lhe houve profundo demais que não pudesse explicar" (10:3). Salomão generosamente lhe responde com verdades incríveis e iluminadoras. Ele não deixa um único ponto sem resposta. Eu visualizo o rosto da rainha se iluminando a cada resposta, e compreendendo: "Então, é assim que é". Imagine a paz que invadiu sua alma quando as perguntas de toda uma vida foram sendo resolvidas, uma a uma.

Mais tarde, ela foi levada em passeio pelo reino de Salomão. Pessoalmente ela vê a ordem, a beleza e a prosperidade que a sabedoria de Salomão havia trazido à nação. Ela contempla "a casa que edificara, e a comida da sua mesa, e o lugar dos seus oficiais, e o serviço dos seus criados, e os trajes deles, e seus copeiros, e o holocausto que oferecia na Casa do Senhor" (10:4,5). Foi tão aterrador que, "ficou como fora de si". Ou seja - ela ficou sem fôlego.

Após ter absorvido tudo isso, ela diz a Salomão: "Foi verdade a palavra que a teu respeito ouvi na minha terra e a respeito da tua sabedoria. Eu, contudo, não cria naquelas palavras, até que vim e vi com meus próprios olhos. Eis que não me contaram a metade: sobrepujas em sabedoria e prosperidade a fama que ouvi. Felizes os teus homens, felizes estes teus servos, que estão sempre diante de ti e que ouvem a tua sabedoria! Bendito seja o Senhor, teu Deus...para te colocar no trono de Israel...para executares juízo e justiça" (10:6-9).

Após o passeio, a rainha oferece a Salomão todos os presentes que havia trazido na caravana. Por sua vez, ele abre seus depósitos e armazéns a ela, que fica maravilhada com as vastas riquezas: "O rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo quanto ela desejou e pediu, afora tudo o que lhe deu por sua generosidade real" (10:13).
Ao Se Referir a Esta Rainha,
Ele Estava se Dirigindo aos Escribas e Fariseus


Os líderes religiosos do tempo de Jesus estavam familiarizados com a história da rainha. Eles a haviam ensinado nas sinagogas, e sabiam tudo do desespero dela para encontrar Salomão. Agora Cristo usava a história dela para adverti-los: "Esta mesma rainha do sul lhes condenará diante do Pai. Ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que alguém maior do que Salomão está na sua frente agora".

Em verdade, aquela rainha perguntará aos fariseus: "Como puderam ser tão cegos? Vocês traziam todas as perguntas difíceis ao rei - até perguntas capciosas para fazê-lo tropeçar. Porém Jesus Cristo é o Deus onisciente encarnado, Aquele que deu sabedoria a Salomão. Ele esteve no meio de vocês e solicitou perguntas suas, insistindo em que Lhe abrissem o coração. Ele até morreu por vocês. Mas vocês fecharam a Ele os seus olhos, e cerraram os ouvidos à Sua verdade. Preferiram viver nas trevas, pois os seus atos eram maus".

Eu me pergunto: será que essa rainha acusará a nossa geração do mesmo pecado? Será que dirá:

"Vi e ouvi a sabedoria de um homem que viveu no meu tempo, e suas palavras mudaram a minha vida. Eu tive uma única conversa com ele, e ele respondeu tudo que havia no meu coração. Ele conheceu todas as perguntas e preocupações da minha vida, e a sua verdade curou o meu caos interior...

...Mas chegou a hora em que tive de sair da presença deste homem. Não foi assim com vocês. Vocês tiveram Alguém que vivia no seu meio, e tinham acesso à Sua sabedoria o tempo todo. Além disso, o Rei Jesus é infinitamente maior que Salomão. E Ele tem uma palavra para lhes falar a respeito de tudo em sua vida. Ele quer que essa palavra lhes traga abrandamento da dor, das buscas - e lhes forneça paz e alegria...

...Assim Ele continuamente os convida à Sua mesa de banquete. Vocês não têm de viajar 2.400 quilômetros para chegar lá. Ele vai até vocês, e não pede presentes e jóias. Tudo que lhes pede é que levem a Ele os seus fardos. Ele deseja ouvir as suas preocupações, assumir os seus interesses, responder às suas ansiedades. O único incenso que deseja de vocês é a oração e o louvor...

...Quando eu estava no palácio de Salomão, eu vi o quanto os seus servos eram felizes. Eles iam diariamente à mesa do rei, e alegremente absorviam sua sabedoria. Ouviam cuidadosamente cada palavra dele, com grande respeito. E ao irem ao templo para adoração, possuíam temor santo. Foi uma visão tão gloriosa, que perdi o fôlego. Eu havia ouvido grandes coisas sobre Salomão, mas nada me preparou para o quê experimentei em sua presença...

...Com a sua geração, é outra história. Vocês falam tanto sobre o Rei. Têm acesso à maravilhosa sabedoria dEle, à Sua justiça e santidade - mas O ignoram dia após dia. Como podem se satisfazer com essas vidas tão afundadas e amedrontadas? Vocês têm em seu meio a Fonte das respostas. Ele é muito maior do que Salomão!".

Quero lhe perguntar o seguinte: quando foi a última vez que você teve uma experiência tremenda com Jesus? Quando foi que ficou tão encantado com Sua sabedoria fornecedora de paz - que ficou sem fôlego? Quando disse pela última vez: "Nada que foi ensinado sobre Jesus me preparou para essa experiência com Ele. Ele solucionou as minhas dúvidas, e me trouxe toda a alegria do mundo"?

Jesus Está Nos Dizendo Nessa Passagem:
"Se Você Professa Ser Meu Seguidor,
Então Precisa Fazer a Si Mesmo Uma Certa Pergunta"

Todos temos de responder a uma fundamental pergunta atualmente: "Se Alguém maior do que Salomão está no meu meio, haveria a possibilidade de Ele me deixar confuso? Se a sabedoria dEle está sempre à disposição, será que eu a busco tão apaixonadamente quanto a rainha buscou a sabedoria de Salomão?".

Acho que a rainha está nos perguntando: "Se Salomão quis ouvir todas as minhas perguntas, será que o seu Rei estaria um pouquinho que seja, menos interessado em ouvir as suas? Se Salomão foi tão paciente em responder aos meus anseios, será que o seu onisciente Senhor não iria muito mais levar os teus fardos? Como poderia Jesus estar menos desejoso em falar contigo, lhe dar Sua sabedoria e orientação?".

A verdade é que Deus ainda fala ao seu povo hoje. E fala tão claramente quanto no Velho Testamento, para os apóstolos, ou para a igreja primitiva. Contudo temos de entender uma coisa: Deus escolhe falar só com os que têm ouvidos para ouvir. Vou ilustrar.
Marcos 4 diz que Cristo "lhes ensinava muitas cousas por parábolas" (4:2). Nessa passagem, Jesus conta a parábola do semeador, um homem que planta a semente no campo. Mas quando terminou a história, a multidão se viu perdida. Se perguntaram: "Quem é o semeador que Ele está descrevendo? E o quê a semente representa? E toda essa conversa de pássaros, diabos, solos com espinhos, solo bom - do que se trata?".

Jesus não explicou à multidão. Antes, as escrituras registram: "E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (4:9). Só os discípulos e um outro pequeno grupo remanescente queriam respostas. Então foram até Jesus mais tarde, e perguntaram o significado da parábola: "Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas" (4:10). Então Cristo gastou um tempo para responder à todas as suas questões (v. 4:14-20).

Você vê o quê está acontecendo nessa cena? Jesus havia trazido revelação da verdade à multidão, uma palavra vinda diretamente da boca de Deus, mas isso os intrigou. Você pode dizer: "Por que Jesus não explicou a parábola com mais clareza?". Achamos uma pista adiante no mesmo capítulo: "E sem parábolas não lhes falava" (Marcos 4:34). Eu creio que Jesus estava dizendo o seguinte: "Se vocês querem compreender a minha palavra, terão de ir ao meu encalço para obtê-la. E terão de vir como a rainha de Sabá: com fome pela verdade libertadora. Eu lhes darei toda a revelação que precisarem. Mas terão de vir a mim com ouvidos inquisitórios e atentos".

Imagine o que aconteceu com a maioria da multidão depois que foram para casa. Vizinhos se juntaram em torno deles, ansiosos para saber o que Jesus tinha dito: "Que mensagem Ele trouxe? Diga tudo que você aprendeu?". Os que O haviam ouvido podem ter sido capazes de repetir Suas parábolas. Mas suas palavras teriam sido mortas, sem vida, sem poder de impacto ou de transformação de vidas.

Eu acho que a mesma coisa acontece na igreja de Cristo hoje. A palavra que vem de alguns púlpitos é letra morta; vem sem revelação do Espírito Santo ou sem poder para livrar do pecado. Aí, quando as pessoas vão para casa, muitos meramente repetem a palavra que ouviram - sem a vida do Espírito. Que contraste com os discípulos famintos e outros que continuaram seguidores de Cristo nesse cenário. Essas pessoas representam todo aquele que tem fome pela palavra de Deus, e perseguirá Jesus a qualquer custo para obtê-la. Elas são a "Turma da Rainha de Sabá", servos que querem a revelação de Cristo - verdade que transforma vidas.

O que Jesus responde aos que vão a Seu encalço? Ele diz, "A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas" (4:11). A palavra em grego para mistério aqui significa segredo. Em resumo, Cristo revela os Seus segredos só para os que têm fome pela verdade transformadora de vida. Ele está dizendo: "Se você quer respostas para as tuas perguntas difíceis, venha atrás de mim. Gaste tempo comigo. Eu lhe revelarei a minha palavra, e mostrarei verdades que outros não vêem".

Então, quem são os "de fora" (4:11)? Jesus está se referindo às multidões que não estão querendo esperar nEle. Pessoas que não vão desistir do conforto, e fazer o necessário para treinar os ouvidos para a Sua voz. Elas podem ir regularmente à igreja, e buscar o Senhor em favor de suas necessidades humanas - mas não estão interessadas em conhecer a voz de Deus no que vai além da capacidade dEle em lhes conceder coisas. A verdade libertadora que provém dEle lhes permanece frustrante e inútil, uma série de enigmas fechados.

A Guerra de Satanás Contra o Povo de Deus Neste Momento
Concentra-se Contra a Nossa Fé

A ameaça atual do diabo contra a igreja vai além da torrente de imundície sendo lançada sobre a terra. Vai além do materialismo, dos vícios ou de intensas seduções. A nossa guerra é a guerra da fé. Quanto mais você dispõe o seu coração para buscar Jesus, mais tremendos se tornam os ataques de Satanás contra a sua fé.

Nos últimos meses, tenho ouvido confissões de piedosos santos falando de horríveis ataques contra as suas mentes. Têm sido infestados de flechas de dúvidas e questões perturbadoras em relação à fidelidade de Deus. Eles ficam se perguntando se Deus chega a se preocupar com o ministério deles que está estagnado, com seus problemas conjugais, com o fato de seus filhos estarem se desviando. Muitos estão apenas se equilibrando, hesitantes na fé, e achando: “Eu não sei se vou agüentar”.

Então li a carta de uma querida senhora de 81 anos, que nos escreveu. Ela diz: “O meu marido está sendo devorado pelo câncer ósseo. Enquanto isso, o meu filho está morrendo de AIDS. E eu lentamente estou me consumindo pela diabetes”. Lendo tudo que essa família está enfrentando, balancei a cabeça e me perguntei: “Como é possível ela se manter com essa alegria? É muita coisa para alguém agüentar. Certamente Deus irá levar isso em consideração caso ela hesite na fé.

Mas aí li o parágrafo final da carta dela: “Apesar de tudo, Deus é fiel. Ele jamais falhou em qualquer palavra que nos tenha prometido. Deixamos nosso filho nas mãos de Jesus. E agora estamos esperando o dia de vermos nosso bendito Senhor face a face”.

Sim, a batalha toda gira em torno da fé. Vemos isso ilustrado em Marcos 8, quando Jesus tinha acabado de alimentar 4.000 pessoas com sete pães e alguns peixes. Mais tarde, Ele entrou num bote com os discípulos e foi para o outro lado:

“Ora, aconteceu que eles se esqueceram de levar pães e, no barco, não tinham consigo senão um só. Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes. E eles discorriam entre si: É que não temos pão. Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido? Tendo olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais de quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam: Sete! Ao que lhes disse Jesus: Não compreendeis ainda?” (Marcos 8:14-21).

Jesus estava lhes lembrando, “Vocês não estão se lembrando de quem sou? Vocês acabaram de me ver multiplicando uns tantos pães e peixes para alimentar multidões. Como podem ter esquecido de um milagre destes? Lhes disse que Um maior do que Salomão estava em seu meio. Quando vai entrar em suas cabeças que Deus está presente convosco em todas as horas, em toda crise? Vocês têm olhos, mas não vêem”.

O quanto entristecemos o coração do Senhor quando esquecemos Suas vitórias passadas em nossas vidas, todos os Seus milagres de libertação. Ele nos chama amigos (v. João 15:15), contudo nas crises muitas vezes nos esquecemos de Sua amizade fiel. É por isso que Jesus preveniu os discípulos sobre o fermento dos fariseus. Ele lhes diz basicamente: “Se vocês me trazem perguntas difíceis, não esperem que eu responda caso tenham coração de incredulidade. Vocês devem vir até mim com confiança e fé, crendo que sou Alguém maior do que Salomão”.

Em outra cena em Marcos 4, os discípulos estavam novamente atravessando um lago. Desta vez, “levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água” (Marcos 4:37). Uma torrente de ondas inunda o bote, e os discípulos agitados correm para jogar fora a água que sobe. Eram pescadores experientes, e logo viram que suas vidas corriam perigo. Então rapidamente acordam Jesus, que estava dormindo no fundo do barco, e gritam, “Mestre, estamos afundando!”.

Ao ver Jesus sendo despertado, a minha carne deseja que Ele encoraje os discípulos assim: “Estou muito feliz por terem me acordado. A coisa é séria. Pobres irmãozinhos, sinto tê-los deixado enfrentando essa tempestade sozinhos tanto tempo. Perdão por eu não ter agido antes. Que bom que vocês não acharam que não me interesso por suas crises”.

Não, a reação de Jesus foi exatamente o oposto. Ele repreendeu os discípulos! “Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé?” (4:40). Imagine o quê aqueles homens pensaram na hora: “Será que Jesus está realmente esperando que a gente fique com a água subindo pela cintura, e não tenha medo? É a pior tempestade que já vimos; as ondas estão enchendo o barco, e estamos quase afundando. Será que a gente tem de praticar a fé numa situação tão desesperadora?”.

A resposta é: sim, certamente! Jesus estava testando a fé deles. Ele queria saber: “Será que estes meus seguidores vão confiar em mim diante da morte? Eles se agarrarão à sua crença em mim?”. Humanamente, Cristo podia estar dormindo. Mas Ele também é Deus, e o Senhor nunca dorme: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Salmo 121:4).

Nesse momento, o seu barco pode estar sendo inundado, e inexiste qualquer esperança. A tempestade que se agita e lhe cerca o atemoriza como nunca na vida. Mas Ele ainda é Deus, e você tem Alguém maior do que Salomão presente consigo. Ele é Senhor sobre toda tempestade, e usará esta tempestade para testá-lo. Ele está permitindo sua crise para ver o que está em seu coração.

Você pode pensar: “Mas e se o meu barco realmente afundar? O quê acontece?”. Veja o exemplo de Paulo em Atos. O seu barco afundou, e ele não perdeu a vida. Em verdade, ele se agarrou à palavra de Deus a ele no meio da tempestade: “O barco afundará, mas Eu lhe darei a vida de todos a bordo”. Quando a tempestade cessou, Deus foi glorificado por Sua fidelidade. E grandes milagres seguiram-se, acompanhados por um impressionante avivamento (v. Atos 28:1-10).

Sim, o Senhor pode permitir que você experimente algo que lhe pareça absolutamente desastroso. Mas você sobreviverá – e também sua fé – se confiar nEle. O seu navio pode afundar, mas Deus lhe dará a força para nadar até a praia, como fez com Paulo. Tudo que poderá perder é o que é material, e Deus pode facilmente repor isso. Ele possui barcos maiores e melhores, e é capaz para lhe abençoar com mais de qualquer coisa que possa ter perdido.

Tenho de admitir - ao ler a repreensão de Jesus aos discípulos, eu penso: “Senhor, isso não é justo. Recebo cartas de pessoas hoje que estão enfrentando os seus próprios desastres. Estão perdendo seus lares, seus empregos, seus queridos. Com certeza Tu não esperas que eles se mantenham plenos de fé”.

Então o Espírito Santo me faz lembrar de alguns lugares atacados pela pobreza que visitei. Vi pessoas que vivem em barracos e dormem sobre terra batida, e contudo possuem uma alegria que nunca testemunhei em nenhum outro lugar. Elas se rejubilam na fidelidade diária de Deus para consigo, e isso faz com que sua fé abunde, a despeito de todas as lutas.

Há Hoje Um Grande Distanciamento da Fé e da Confiança
Naquele Que é Maior do Que Salomão

Essa grande apostasia é profetizada nas escrituras. Paulo previne: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isso não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia” (2 Tess. 2:3).

No Velho Testamento, o Senhor nos dá um exemplo do que acontece com os que se distanciam da fé no poder de Deus, poder existente em favor deles. Em 2 Crônicas 14, o rei Asa enfrenta um exército de um milhão de etíopes. Mas o rei tinha muita fé: “Clamou Asa ao Senhor, seu Deus, e disse: Senhor, além de ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco; ajuda-nos, pois, Senhor, nosso Deus, porque em ti confiamos e no teu nome viemos contra essa multidão. Senhor, tu és o nosso Deus” (2 Cr. 14:11).

O quê aconteceu então? “O Senhor feriu os etíopes diante de Asa” (14:12). Que enorme fé Asa possuía! Depois disso, por muitos anos “Não houve guerra até ao trigésimo quinto ano do reinado de Asa” (15:19). Por anos, Asa andou em fé diante do Senhor, e isso trouxe o favor de Deus a Judá. Uma grande paz caiu sobre toda a terra, e essa paz se tornou um testemunho para o mundo. Logo pessoas famintas das nações em torno encheram Judá, porque sabiam que Asa andava com Deus.

Aí, no trigésimo sexto ano de seu reinado, Asa enfrentou outra crise. O rei de Israel se levantou contra Judá, capturando Ramá num esforço para bloquear todo comércio que ia ou provinha de Jerusalém. O plano era levar Judá à submissão pela fome. Asa foi deixado totalmente vulnerável, mas desta vez ele não dependeu do Senhor durante a crise. Em vez de orar em busca da direção e do conselho de Deus, ele se voltou para o rei da Síria. Em troca da ajuda da Síria, Asa descerrou o tesouro da nação, esvaziando todo o ouro e a prata do país.

E então Judá foi livrada do inimigo, mas não pelo Senhor. Essa glória foi para o exército estrangeiro da Síria. E agora o testemunho de Judá diante do mundo se foi. Um justo profeta foi até Asa com uma palavra de censura: “...Confiaste no rei da Síria e não confiaste no Senhor, teu Deus...quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostra-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele; nisto procedeste loucamente; por isso, haverá guerras contra ti” (16:7,9).

Estou convencido de que hoje muitos cristãos estão complicados pelo mesmo motivo de Asa. Eles têm guerra na alma, pois trocaram a fé pela auto-suficiência. Mas o fato é o seguinte: não há como um seguidor de Jesus pôr a fé em qualquer outra fonte, e não ter problemas.

O aviso de Cristo é simples e claro: Alguém maior do que Salomão está entre nós. E devemos crer nEle, confiar totalmente nEle, e nos entregar inteiramente aos Seus cuidados. Ele lutará nossas batalhas e tratará com os nossos inimigos. Então não haverá mais guerras, pois as resolverá para nós: “Ele põe termo à guerra” (Salmo 46:9).

Um maior do que Salomão se mostrará forte a seu favor, se você confiar nEle.

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quinta-feira, setembro 21, 2006

A Grande Responsabilidade dos Que São Perdoados

Por David Wilkerson

Em Mateus 18, Jesus usa uma parábola para ensinar aos discípulos como é o reino dos céus. Como em muitas das parábolas, tudo no relato se relaciona a Cristo e Sua igreja.

Jesus começa descrevendo um rei que chama seus servos para prestarem contas. As escrituras registram: "E (o rei), passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos" (Mateus 18:24). Cá estava um servo com uma tremenda dívida. Ele devia ao rei o equivalente a centenas de milhões de dólares, quantia que nunca poderia pagar.

Jesus não conta como esse homem caiu numa dívida tão incrível. Algumas versões da parábola dizem que ele era um escravo, e que a dívida era um empréstimo não pago. Contudo, tudo que sabemos do evangelho de Mateus é que ele teve acesso a grandes recursos, e os esbanjara.

Quero mostrar duas coisas importantes relacionadas a esta parábola. Primeiro, os servos representam crentes, os que trabalham no reino de Deus; assim o servo endividado aqui não era estranho ao trabalho do rei. Segundo, descobrimos mais adiante (em Mateus 25) que o propósito de Deus ao dar talentos ao Seu povo é produzir frutos. Todos os que recebem talentos do Pai são ordenados a investi-los. Deus não dá talentos simplesmente de modo indiscriminado. Ele espera colher fruto dos investimentos que faz no Seu povo.

Evidentemente, o rei em Mateus 18 estava tratando com servos que haviam sido denunciados por haverem cometido crimes. E o servo com grande dívida foi um dos primeiros ofensores a serem levados até ele. Esse servo provavelmente era um homem muito talentoso, do qual muito se esperava. (Caso contrário, não teria tido acesso a tudo que esbanjou.) Porém quando foi chamado a prestar contas, viu-se que ele não tinha "porém, com que pagar" (Mateus 18:25). Então "ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga" (18:25).

Esse homem não tinha nada de valor que pudesse usar para seu débito criminal; não tinha dinheiro, bens, nada de mérito a oferecer. Então, o quê fez? Ele "prostrando-se reverente rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei" (18:26).

É importante saber o significado de "reverente" aqui. Em grego quer dizer "bajulando ou curvando-se servilmente; beijando como o cão lambendo as mãos do dono". Esse homem não estava ajoelhado se arrependendo; ele estava bajulando, tentando adular o senhor; não estava pedindo perdão ao rei, mas paciência. Ele queria outra chance, rogando: "Me dê um pouco de tempo. Posso compensar pelo meu pecado, e satisfazer todas as suas exigências".

A verdade é: não havia possibilidade de o servo pagar pelo crime. Ele jamais iria conseguir o necessário para repor os fundos que havia usado mal, ou esbanjado. Eu assemelho a atitude dele à do cristão que é pego em adultério. Quando o seu pecado é mostrado, a primeira reação é a de uma dor falsa, bajuladora. Ele chora: "Ó Deus, não deixe que eu perca o meu casamento, a minha família. Não acabe com a minha carreira; não me leve à falência. Tenha paciência comigo. Preciso só de mais uma oportunidade". Aí ele suplica ao cônjuge: "Por favor, me dê apenas uma chance". Porém em realidade, esse homem nunca poderá compensar pelo que fez. É simplesmente impossível.

O Servo da Parábola Foi Perdoado da Grande Dívida
Baseado Unicamente na Compaixão e na Misericórdia


Jesus continua a parábola: "E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida" (Mat. 18:27). Por que o rei iria se compadecer por um bajulador? O servo não estava arrependido. Em verdade, não tinha noção da extensão de sua pecaminosidade. Descobrimos isso mais adiante na parábola, quando se revela que o coração dele é duro e sem compaixão.

Esse homem era um ator, sem intenção de mudar. E certamente o rei discerniu isso; afinal, ele aqui representa o próprio Cristo. Ele tinha de saber que o servo estava tentando trabalhar com as emoções, provocar dó. No entanto, a despeito disso, o rei se compadeceu dele. Por que? Não foi por causa das lágrimas falsas. E não foi porque o servo suplicou por paciência e mais tempo. Não, o rei se compadeceu por causa da terrível enfermidade que grassava no coração e na mente daquele homem.

Veja, só um terrível delírio poderia levar este servo a acreditar que poderia realmente pagar a dívida ao senhor. A atitude dele refletiu o quão insignificante ele achava ter sido o seu pecado. Para ele, era apenas um pequeno engano que precisava de tempo para ser resolvido; estava convencido de que se trabalhasse o suficiente, poderia usar suas habilidades para equilibrar os balanços financeiros. Mas o rei entendia de outra forma: nenhuma quantidade de mérito ou de força de vontade poderia resolver o enorme débito no qual esse homem havia incorrido.

Você está entendendo a mensagem? Segundo Jesus, não estamos realmente arrependidos enquanto não nos conscientizarmos da impossibilidade de nós mesmos realizarmos a expiação de nossos próprios pecados. Jamais poderemos reembolsar ou restituir a Deus por nossas transgressões - seja pela oração, consagração ou boas intenções. A Nova Aliança deixa isso claro. No Velho Testamento, o adultério foi declarado como pecado a ser punido severamente. Contudo Jesus viu o pecado do adultério de modo ainda mais sério. Ele diz que se uma pessoa sequer olhar à outra com cobiça, já cometeu adultério. Em resumo, sob a Nova Aliança, as exigências de Deus quanto à santidade se tornam maiores.

Ora, o rei na parábola de Jesus sabia o quanto eram graves as conseqüências dos pecados do servo. E podia ver que se entregasse aquele homem a tais conseqüências, este estaria perdido para sempre. Afinal, tal homem já estava cego aos horrores do seu pecado. E se não fosse perdoado, se tornaria ainda mais endurecido. Iria se aprofundar progressivamente na desesperança, se tornando mais duro para o resto da vida. Então o rei decidiu perdoá-lo. Ele declarou o homem livre e limpo, liberando-o de qualquer dívida.

Quero dizer uma breve palavra aqui sobre arrependimento. Esse conceito é geralmente definido como uma "conversão". Fala de uma meia-volta, de um retorno de 180 graus do caminhar de uma pessoa. Diz-se também que o arrependimento é acompanhado por uma dor piedosa.

Porém, mais uma vez, a Nova Aliança torna um conceito do Velho Testamento ainda mais amplo. Arrependimento é muito mais do que meramente se afastar dos pecados da carne. Ele envolve mais do que a dor pelo passado, e a tristeza por haver entristecido ao Senhor. De acordo com a parábola de Jesus, arrependimento se relaciona ao afastamento da doença mental que nos permite achar podermos, de algum modo, compensar pelos nossos pecados.

Essa doença afeta milhões de crentes. Toda vez que esses cristãos caem em pecado, eles pensam: "Posso acertas as coisas com Deus. Vou trazer-Lhe lágrimas sinceras, mais oração séria, mais leitura da Bíblia. Resolvi que vou compensá-Lo pelo que fiz". Mas isso é impossível. Esse tipo de raciocínio leva à seguinte posição: desespero profundo. Essas pessoas ficam para sempre lutando e sempre caindo. E acabam se estabilizando em uma falsa paz. Elas possuem uma falsa santificação feita por elas mesmas, convencendo-se a si próprias de uma mentira.

É por isso que Jesus nos deu essa parábola. Ele está exibindo a nós o exemplo de um homem de confiança e de talentos, que de repente se revela o maior dos devedores. Eis alguém sem méritos, cheio de motivações erradas, indigno de qualquer compaixão. Contudo o senhor o perdoa graciosamente - assim como Jesus fez com você e comigo.

Diga-me, o quê salvou você? Foram as suas lágrimas, e suas sinceras súplicas? A profunda dor por entristecer a Deus? Sua sincera decisão de sair do pecado? Não, não foi nenhuma destas coisas. Foi somente a graça que o salvou. E como o servo na parábola, você não a mereceu. O fato é que você ainda não é digno dela, não importa o quão piedoso seja o seu caminhar.

Eis uma definição simples para arrependimento real. Quer dizer: "Deixo de lado, de uma vez por todas, qualquer idéia de que eu possa algum dia restituir a Deus pelo que devo. Jamais poderei fazer algo para conseguir de Sua boa graça. Logo, nenhum esforço ou boa obra de minha parte pode pagar pelo meu pecado. Eu simplesmente tenho de aceitar a Sua misericórdia. É o único caminho para a salvação e a liberdade".

Ao Ser Perdoado Unicamente pela Graça,
O Servo Recebeu uma Grande Responsabilidade


O rei subestimou o pecado do servo? Ele fez vista grossa à dívida dele, e simplesmente a desculpou? Não, em absoluto. O fato é o seguinte: ao perdoá-lo, o rei pôs sobre este homem uma pesada responsabilidade. E essa responsabilidade foi ainda maior que o peso da dívida. Em verdade, o servo agora devia ao senhor mais do que nunca. Como? Ele seria responsável para perdoar e amar os outros, assim como o rei havia feito com ele.

Que tremenda responsabilidade é essa. E ela não pode ser separada de outros ensinamentos de Cristo sobre o reino. Afinal, Jesus disse: "Se... não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas" (Mat. 6:15). O ponto é claro: "Se você não perdoar os outros, não o perdoarei". Essa palavra não é opcional, é uma ordem. Jesus está nos dizendo basicamente: "Fui paciente contigo; te tratei com amor e misericórdia. E o perdoei unicamente por minha bondade e misericórdia. Igualmente, você deve ser amoroso e misericordioso com seus irmãos e irmãs. Você deve perdoá-los graciosamente, exatamente como te perdoei. Você deve ir para o seu lar, sua igreja, seu trabalho, às ruas, e mostrar para todos a graça e o amor que lhe mostrei".

Paulo se refere à ordem de Jesus, dizendo: "Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós" (Colossenses 3:13). Ele então expõe como prosseguir na obediência a essa ordem: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem... acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição" (3:12-14).

Então, o que quer dizer suportar? Em grego significa: "tolerar". Isso sugere suportar coisas que não gostamos. É nos dito que devemos tolerar os defeitos dos outros, agüentar modos que não entendemos.

Então, como o servo perdoado respondeu à graça e ao perdão do senhor? A primeira coisa que fez foi atacar outro servo que lhe devia dinheiro. Ele agarrou o homem, prendeu-o pelo pescoço, e exigiu ser pago imediatamente. É incrível - a quantia era uma ninharia, menos que a paga de três dias de trabalho. Mesmo assim o servo ameaçou o devedor, gritando "Quero o pagamento já!". O homem nada tinha, então se prostrou, suplicando paciência. Mas o servo responde: "O seu tempo acabou".

Digo-lhe o seguinte: esse é um dos pecados mais abomináveis da Bíblia. Primeiro, é perpetrado por um servo de Deus. Diga-me, que tipo de pessoa iria agir assim tão sem piedade? Que coração poderia ser tão ingrato, tão desprovido de um pingo da misericórdia que lhe havia sido mostrada?

Está nos sendo dado um vislumbre das trevas que, o tempo todo, estavam no coração deste servo. Em Romanos 2, Paulo descreve essas trevas: "Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias cousas que condenas...Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais cousas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da sua bondade, a tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?" (Romanos 2:1, 3-4).

O que Paulo quer dizer quando diz que tal pessoa despreza a riqueza da bondade de Cristo? A palavra "despreza" aqui significa: "Ela não acha ser possível". Em outras palavras, esse crente diz: "Tamanha graça e misericórdia são impossíveis. Não dá para se aprofundar nisso". Tal não se ajusta à teologia dele. Então, ao invés de aceitar essa riqueza, dispõe sua mente contra ela.

Por que o servo ingrato não pôde aceitar a graça do rei? Há uma razão: ele não levou a sério a enormidade do seu pecado. Ele estava muito resolvido, convencido de que poderia sobrepujar o seu débito. Porém o rei já havia dito: "Você está livre. Inexiste mais culpa, cobranças, liberdade condicional ou cumprimento de tarefas. Daqui para frente, você só precisa se concentrar na bondade e na tolerância as quais lhe mostrei".

Tragicamente, uma pessoa que não aceita amor não é capaz de amar outra. Antes, se torna condenatória quanto aos outros. É isso que aconteceu com esse servo. Ele não conseguiu atinar com a misericórdia do rei por ele. Veja, a tolerância e o perdão imerecido da parte de Deus têm um único objetivo: nos levar ao arrependimento. Paulo diz: ignoras "que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?" (Rom. 2:4). Paulo sabia disso por experiência própria, tendo se declarado o maior de todos os pecadores.

Está claro a partir da parábola que essa é a razão de o senhor perdoar o servo. Ele queria que esse homem, o qual fora digno de confiança, se afastasse de suas obras na carne para repousar na incrível bondade do rei. Este repouso iria lhe liberar, por sua vez, para amar e perdoar os outros. Mas em vez de se arrepender, o servo foi embora duvidando da bondade do senhor. Ele não conseguia tirar da cabeça a idéia de que o rei poderia mudar de opinião. Então, resolveu ter um plano de contingência. E, desprezando as misericórdias do rei, tratou os demais com atitude condenatória.

Dá para você imaginar a torturada mente dessa pessoa? Este homem deixou uma situação de perdão, onde experimentou a bondade e a graça do senhor, e ao invés de se alegrar, desprezou a idéia de uma liberdade tão farta. Digo-lhe o seguinte: todo crente que acha que a bondade de Deus é impossível, se abre a qualquer mentira de Satanás. Sua alma não descansa; a mente se agita o tempo todo. E ele fica continuamente com medo do juízo.

Fico imaginando: quantos cristãos vivem hoje essa existência torturante? Será por isso que há tanta contenda, tantas divisões no corpo de Cristo? É por isso que tantos ministros estão em divergências, que tantas denominações se recusam a ter comunhão com as outras?

O espírito de julgamento dentro da igreja é muito pior do que qualquer julgamento que ocorra no mundo. E isso é um tapa na frase de Jesus: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (João 13:35). Eu lhe pergunto: há alguma possibilidade de o mundo reconhecer o povo de Deus por esse padrão? Será que os não-crentes dizem: "Essas pessoas realmente são discípulas dEle. Eu nunca as vejo brigando. Elas realmente se amam" ?

Tenho ficado totalmente chocado com as profundas divisões que tenho testemunhado na igreja. Vi isso pessoalmente em uma conferência de pastores num país estrangeiro. Quando cheguei, vários ministros proeminentes me avisaram: "Não coopere com o Reverendo Fulano. Ele tem toda aquela coisa esquisita de adoração, e todo tipo de bobagem carismática. Acho que você não deve dar a ele nenhuma função importante nos cultos". Até os companheiros pentecostais desse homem me disseram para evitá-lo.

Mas quando encontrei o pastor e o conheci, eu vi Cristo nele. Uma ocasião alguém me cochichou: "Este homem é um dos maiores homens de oração do país; ele passa dois dias inteiros por semana só orando". Em verdade, achei o pastor bondoso, gentil e amoroso - exatamente os frutos que Jesus disse que todos devemos ter.

Ao pregar, convidei esse ministro ao púlpito comigo, junto com outros. Isso ofendeu a muitos, e depois vários pastores zombaram de mim. A única coisa que eu podia pensar foi: "Esses homens sabem o quê quer dizer ser perdoado de uma grande dívida. Contudo, entre todos, tais líderes da igreja de Deus se recusam a tolerar um colega pastor a quem nem conhecem".

Em uma outra conferência, testemunhei várias denominações cooperando alegremente. Havia um maravilhoso senso de unidade entre batistas, pentecostais, luteranos e episcopais. A cada noite, o líder de uma denominação diferente dirigia a reunião. Uma noite, um bispo pentecostal fez a abertura do culto; foi seguido por um grupo pentecostal de louvor. Os jovens do grupo estavam cheios de alegria, batendo palmas ao dirigir a jubilosa adoração. Mais tarde soube que alguns deles haviam sido libertos do vício das drogas, e estavam gratos simplesmente por poderem estar presentes.

Mas quando olhei para o bispo, o seu rosto estava ficando vermelho. Ele estava fechando a cara e começando a ferver. Entendi então que a sua denominação não acreditava em adoração impetuosa. E eu havia aderido livremente. Depois do culto, o bispo veio com passos largos até mim e declarou: "Aquilo foi uma vergonha, totalmente da carne. Como você permitiu isso? Vou deixar a conferência, e estou levando todos os 200 pastores comigo". Eu fiquei estarrecido, sem fala. Eu tinha passado semanas ajoelhado em oração, preparando-me para essas reuniões. Mas agora me perguntava o quê havia feito de errado. A verdade é que eu estava sendo sufocado pela raiva daquele homem. Era como a cena da parábola: ele havia me pegado pela garganta, e me fazia cobranças com raiva. Felizmente, o bispo mudou seu coração e não abandonou a conferência. Mas o quê possuiria de tal modo um ministro de Deus, a ponto de se recusar a tolerar um companheiro servo de Cristo? Não houve paciência, nem misericórdia, nem amor por outros possuidores de igual preciosa fé.

Durante anos, o bispo de uma certa denominação me convidou ao seu país para dirigir reuniões. Ele dizia: "Esse país precisa ouvir o quê Deus tem lhe falado". Finalmente, o Senhor me liberou para ir, mas só sob a condição de todas as denominações terem permissão de tomar parte nos cultos. Quando o bispo ouviu isso, se recusou a participar. E proibiu todos os seus ministros de comparecerem. Eles tinham se separado das outras denominações há anos. Um associado deste bispo me ligou explodindo, e disse "Que vergonha! Como um homem de Deus pode cooperar com essa gente?".

Quem, exatamente, eram as pessoas de quem ele estava falando? Como descobri, eram: um bispo luterano que estava pleno de Jesus... um grupo de humildes bispos pentecostais... e um bispo batista que ficara preso sob o comunismo, onde havia lido uma versão copiada à mão do meu livro, A Cruz e o Punhal. Todos estes líderes estavam ansiosos para adorarem juntos, como um em Cristo. Você poderia imaginar qualquer outro líder cristão se recusando a ter comunhão com um grupo destes?

O que há por trás desta rivalidade condenatória? Por que servos de Deus, a quem tanto foi perdoado pessoalmente, tratam mal seus irmãos e se recusam a ter comunhão com eles? Remontando às origens chega-se ao mais doloroso dos pecados: desprezo pela bondade de Deus.

Eu só cheguei a essa conclusão pesquisando o meu próprio coração em busca de uma resposta. Recordei a minha própria luta para aceitar a misericórdia e a bondade de Deus por mim. Por anos, eu havia vivido e pregado sob uma escravidão legalista. Eu me esforçava para corresponder aos padrões que eu acreditava levavam à santificação. Mas eram em sua maioria apenas uma lista dizendo: faça isso, não faça aquilo.

A verdade é que eu me sentia mais confortável no monte Sinai, na companhia de profetas trovejantes, do que na cruz onde a minha necessidade se expunha nua. Eu pregava a paz, mas eu nunca a experimentara plenamente. Por que? Porque eu estava inseguro do amor do Senhor, e de Sua paciência com minhas falhas. Eu me via tão fraco e mal, que me tornava indigno do amor de Deus. Em resumo, eu tornava os meus pecados maiores que a Sua graça.

E porque eu não sentia o amor de Deus por mim, eu julgava todo mundo. Eu enxergava os outros do mesmo modo que eu percebia a mim mesmo: como transigentes. Isso afetou a minha pregação. Eu me irava contra o mal presente nos outros, ao senti-lo crescer em meu próprio coração. Tal como o servo ingrato, eu não havia crido na bondade de Deus por mim. E por não ter me apropriado de Sua amorosa paciência comigo, eu não a tinha pelos demais.

Finalmente, a pergunta real ficou clara para mim. Deixou de ser: "Por que há tantos cristãos duros e não perdoadores?". Agora eu perguntava: "Como conseguir cumprir o mandamento de Cristo para amar os outros como Ele me amou, se não estou convencido de que Ele me ama?".

Volto agora a pensar no bispo que ficou bravo com a adoração impetuosa. Eu creio que aquele homem agiu sob o medo. Ele viu a unção de Deus sobre aqueles cantores, ele ouviu o meu sermão, que ele sabia ser do trono de Deus - e isso ameaçou as suas tradições. Ele estava agarrado a uma doutrina mais do que ao amor de Cristo. E essa doutrina havia se tornado uma parede que o alienava de seus irmãos e irmãs em Cristo.

Paulo admoesta: "Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou" (Efésios 4:31-32).

Jesus Termina a Parábola Com Uma Terrível Advertência

Precisamos levar a sério essa palavra da parábola de Cristo: "Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda... não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?" (Mateus 18: 32,33).

Ninguém foi mais perdoado de pecados do que eu. Sou um daqueles que foi purificado de pecados "que se elevam acima de minha cabeça", iniqüidades da carne e do espírito muito numerosas para serem contadas. Fui desobediente à palavra de Deus, limitei a Sua obra em minha vida, fui impaciente em relação às pessoas, julguei aos outros sendo eu mesmo culpado. E o Senhor me perdoou de tudo isso.

A pergunta para mim agora - e na verdade, para todo cristão - é essa: "Será que eu tenho paciência com os irmãos? Será que os suporto? Eu efetivamente tolero as suas diferenças?". Se me recusar a amá-los e perdoá-los, como fui perdoado, Jesus me chama de "servo malvado".

Não entenda mal: isso não quer dizer que devamos fazer concessões. Paulo pregou ousadamente a graça, mas instruiu Timóteo: "Corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2 Timóteo 4:2). Devemos ser ousados guardiões da sã doutrina.

Contudo não devemos usar as doutrinas para construir paredes entre nós. Esse foi o pecado dos fariseus. A lei dizia: "Santifique o sábado". Mas o mandamento em si não era suficiente para a carne deles. Eles acrescentaram suas próprias salva-guardas, múltiplas regras e regulamentos que permitiam o mínimo possível de movimentos no sábado. A lei também dizia: "Não tome o nome de Deus em vão". Mas os fariseus construíram ainda mais paredes dizendo: "Nem sequer mencionaremos o nome de Deus. Assim não poderemos tomá-lo em vão". Em algumas seitas judaicas, essas paredes ainda estão em vigor hoje. Mas são paredes de feitura do homem, não de Deus. Logo, é uma escravidão.

Hoje, o Senhor nos diz: "Sede santos, porque eu sou santo" (I Pedro 1:16). Mas os homens pegaram esse mandamento e o usaram para edificar paredes. Eles redigiram códigos quanto a vestimentas, códigos que restringem comportamentos e atividades, padrões impossíveis que nem eles conseguem cumprir. Tais paredes têm levantado fortalezas invisíveis, e só os que estão dentro delas são considerados santos. Todos os que estão fora das paredes estão condenados e devem ser evitados.

Digo-lhe o seguinte: isso é corrupção do pior tipo. A parábola de Jesus deixa isso claro. Tais pessoas estão agarrando os outros pela garganta e exigindo: "Vai ter de ser do meu jeito, e só". Mas nenhum dos mandamentos do Senhor foi feito para ser transformado em parede de alienação.

Qual foi a resposta do rei à ingratidão do servo na parábola de Jesus? As escrituras dizem: "Indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida" (Mateus 18:34). Em grego a tradução é: "levado até o fundo para ser atormentado". Não consigo deixar de pensar que Jesus aqui está falando do inferno.

Então, o quê essa parábola nos diz? Como Jesus resumiu a mensagem aos discípulos, Seus companheiros mais íntimos? "Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão" (18:35).

Eu estremeço ao ler essa parábola. Ela faz eu querer me dobrar sobre minha face, e pedir a Jesus um batismo de amor para com os demais servos como eu. Eis a minha prece; eu encorajo-o a torná-la a sua oração:

"Deus, me perdoe. Eu com tanta facilidade me sinto provocado pelos outros, e tantas vezes reajo com raiva. No entanto, não sei onde estaria a minha própria vida sem a Tua graça e a Tua paciência. Fico perplexo com o Teu amor. Por favor, me ajude a entender e aceitar o Teu amor por mim inteiramente. Essa será a única maneira pela qual algum dia serei capaz de cumprir o Teu mandamento para amar. Então serei capaz de ter paciência e tolerância com os meus irmãos, em Teu espírito de amor e misericórdia". Amém.

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