segunda-feira, janeiro 29, 2007

O Nosso Culto Errado

Pr. Magno Paganelli

Há algum tempo venho me incomodando com algumas afirmações que pastores e pregadores em geral fazem nos cultos. Algo do tipo: "Receba hoje a sua vitória!" "Tome posse da sua bênção", "Declare a sua prosperidade" ou "Não saia daqui hoje sem levar a sua vitória".

Quando eu era novo convertido, recém saído do vício, ouvia uma coisa dessas e saía correndo pra casa acreditando encontrar um pacote de dinheiro sobre minha cama, e com ele pagar a dívida com os vendedores de droga. Até hoje nem uma "notinha".

Eu me decepcionava, de certa forma. E imagino que muitas das pessoas que ouvem essas declarações de "guerra" também se decepcionam no mesmo dia ao chegar em casa, ou alguns dias mais tarde.

Aí alguém pergunta: Mas Deus, ou Jesus, não nos deu autoridade? A nossa palavra não tem poder? Não somos filhos do dono do ouro e da prata? Um monte de perguntas podem ser feitas, mas não sem antes essa: Nós cultuamos como a Bíblia ensina?

Não. Definitivamente nosso culto nada tem a ver com a forma vista nos cultos descritos nas Escrituras. E já nos cultos do Antigo Testamento, com toda a aparente ignorância de alguns judeus, eles ganhavam de longe da nossa forma de cultuar.

Observe Davi num salmo onde ele declara sua profunda tristeza, o Salmo 13. Ele começa dizendo: "Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?" E termina declarando: "Mas eu confio na tua benignidade, na tua salvação meu coração se alegrará. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem".

Eu citei o Salmo 13, mas poderia ter sido qualquer outro salmo de Davi. Na maioria deles aquele rei, que teve uma vida não muito sossegada por causa dos inimigos de Israel, começa apresentando o problema a Deus e termina louvando-o, fazendo declarações de amor, exaltando a grandeza do Senhor.

Voltando um pouco mais no mesmo antigo Testamento, vemos Moisés quando convocava o povo a ofertar para a construção do Tabernáculo. Os hebreus que saíram do Egito, não é novidade, eram um povo problemático. No entanto, Deus manda trazerem ofertas, e a lista começa com ouro, prata e cobre (Ex 25.1-3).

Lá na frente lemos coisas assim: "E veio todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito VOLUNTARIAMENTE o excitou, e trouxeram a oferta alçada ao Senhor"; "E assim vieram homens e mulheres, TODOS DISPOSTOS DE CORAÇÃO; trouxeram..."; "E todo o homem que se achou com... os trazia"; "todo aquele que oferecia oferta alçada de prata ou de metal, a trazia";

"E todas as mulheres sábias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o fiado"; "E todas as mulheres cujo coração as moveu em sabedoria..."; "e os príncipes traziam pedras sardônicas..."; "Todo o homem e mulher, cujo coração VOLUNTARIAMENTE se moveu a trazer alguma coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moisés" (Ex 35.20-29).

É uma seqüência de dez versículos em que nove apontam para pessoas trazendo e se esforçando para fazer algo para trazerem diante de Deus conforme a sua solicitação.

Fato semelhante aconteceu quando Salomão, filho de Davi, disse que construiria um grande templo ao Senhor. Ele chegou a ponto de precisar mandar ao povo que parasse de trazer bens, pois já sobravam os recursos, de tanto que o povo se mobilizou.

Para resumir, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, seja no que diz respeito a coisas materiais ou espirituais, o povo da Bíblia se achegava a Deus para "doar". Não leia "doar" como trazer alguma oferta de dois ou três reais. Leia "doar" no sentido de "oferecer-se", "esforçar-se", de "dar-se" a Deus pelo que Ele é, pelo que Ele faz e pelo que Ele pode fazer.

A palavra "cultuar" não quer dizer "ir buscar algo de". Ao contrário, ela sugere a entrega que o homem faz ao seu Deus. Cultuar, ir ao culto, coisa que alguns só fazem aos domingos, subentende que você irá levar o seu corpo para prestar um culto ao Deus que te salvou, a quem você diz amar! E por incrível que pareça, até as pessoas que cultuam deuses mudos e surdos entendem assim.

Mas o que é que vemos nas igrejas? Pessoas que vão ao templo para resolverem seus problemas financeiros, de desemprego, de saúde, de ordem emocional e outras coisas. Vamos ao culto e alguns pastores nos incentivam a pedir, pedir, pedir. Decretar, decretar, decretar. Exigir, exigir e exigir.

Não é exagero afirmar que esse comportamento é antibíblico. A igreja não é balcão de atendimento, os pastores não são atendentes e Deus não é devedor a ninguém. Nós é que devemos a Ele todo o nosso louvor, adoração, gratidão.

Aí reside outro engano. Grande parte dos membros de igrejas imaginam que cantar é expressar a verdadeira adoração, e saem dos templos imaginando serem os verdadeiros adoradores a quem o Pai procura desesperadamente (João 4:23). Mas não.

O louvor, SE BEM FEITO, pode levar à adoração. Mas o simples cantar a letra projetada na parede pelo retroprojetor nada tem a ver com o que Jesus disse sobre adoração. Mas isso é assunto para outra mensagem.

Não quero que fique desapontado se você tem esse tipo de postura nos cultos que freqüenta. Talvez até mesmo eu tenha que mudar meu comportamento e intenção diante de Deus no momento do culto.

O importante é saber que há um imenso abismo entre a forma como entendemos culto e o modo que vemos esse culto acontecendo com os personagens bíblicos. É até o fato de dizer que o cuidado de Deus manifestou-se mais uma vez entre nós.

Por isso vamos cultuá-lo. Ele quer ser adorado, reconhecido como o único Deus, o único Salvador. Ele quer receber nossa gratidão pelo que tem feito, e não apenas saber o valor da nossa próxima conta a ser paga.

As bases da nossa relação com Deus devem ser todas revistas e novamente estabelecidas. E isso certamente nos trará saúde espiritual... e quem sabe o dinheiro para você e eu pagarmos a próxima conta, sem ter que exigir, decretar, e fazer declarações autoritárias diante daquele que detêm todo o poder.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Dúvida - O Pecado Que Deus Mais Odeia (Doubt - the hatest sin by God)

Por David Wilkerson

De
todos os pecados que podemos cometer, a dúvida é o mais odiado por Deus. De acordo tanto com Novo quanto com o Velho Testamento, nossa dúvida faz o Senhor sofrer, provoca-O, causa-Lhe muita dor. Vemos um excelente exemplo disso no Israel antigo, depois de Deus ter livrado Seu povo das mãos de Faraó.

O salmista lamenta: "Pecamos, como nossos pais; cometemos iniqüidade, procedemos mal. Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias e foram rebeldes junto ao mar, o Mar Vermelho" (Salmo 106:6-7).

O escritor está fazendo uma confissão aqui. Qual era o terrível pecado que Israel tinha cometido? Era a dúvida de que Deus também os livraria mais adiante, mesmo após ter realizado um incrível milagre para eles no Mar Vermelho.

O salmista nos pede para imaginar o povo de Deus se regozijando do lado vitorioso do mar. O Senhor acabara de fazer um dos maiores milagres da história da humanidade, livrando Israel dos poderosos egípcios. Todavia, como essas mesmas pessoas reagiram quando encararam dificuldades mais tarde? Elas duvidaram da fidelidade de Deus.

O escritor está dizendo, basicamente: "Dá para acreditar? Nosso Senhor se moveu de modo sobrenatural em nosso favor, livrando-nos do inimigo. Mas, mesmo depois desse incrível milagre, desconfiamos dEle. Como pudemos provocar a Deus dessa maneira?"

Foi uma história completamente diferente estando Israel do lado vitorioso do mar. Eles cantaram e dançaram ao ver o poderoso exército egípcio se afundar, destruído: "Repreendeu o Mar Vermelho, e ele secou; e fê-los passar pelos abismos, como por um deserto. Salvou-os das mãos de quem os odiava e os remiu do poder do inimigo. As águas cobriram os seus opressores; nem um deles escapou. Então, creram nas suas palavras e lhe cantaram louvor" (Salmo 106:9-12).

Os israelitas cantaram o cântico certo - um louvor de adoração ao Deus Todo-Poderoso - mas o cantaram do lado errado do mar. Qualquer um pode cantar e se alegrar depois de receber a vitória. Mas Israel falhou lamentavelmente enquanto estava no lado da provação no Mar Vermelho. Eles não confiaram em Deus nem um pouco lá.

Ora, depois que experimentaram um livramento maravilhoso do Egito, o salmista faz este chocante relato: "Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios... desprezaram a terra aprazível e não deram crédito à sua palavra" (Salmo 106:13, 24).

Você vê o que estava acontecendo aqui? Deus se revelou ao povo no Egito, fazendo incríveis sinais e maravilhas para eles. Em dez diferentes ocasiões Ele trouxe julgamento sobre o Egito, mas protegeu o Seu povo.

Todavia de acordo com o salmista, esses milagres não deixaram nenhuma impressão em Israel. Quando as dificuldades chegavam, o povo provavelmente olhava para trás e via aquelas maravilhas passadas como meras calamidades naturais. Moisés tentou convencê-los que tudo era Deus trabalhando em favor deles. Ele alegou: "O Senhor está usando todos esses milagres como instrumentos para o nosso livramento". Mas eles ainda duvidaram de Deus, considerando Seus poderosos feitos como algo de ocorrência natural.

É claro, nunca devemos edificar nossa fé somente em cima de milagres. Ao contrário, o Espírito Santo fortalece nossa fé no Senhor através de nossas provações e testes. Mas, ainda assim, Israel havia testemunhado dez sinais e maravilhas de sacudir a terra, como o mundo nunca tinha visto. Mas chegaram ao Mar Vermelho sem uma gota de fé em Deus.


Propositadamente Deus Pôs Israel
Numa Situação Impossível


Israel chegara ao lado vitorioso do Mar Vermelho. O lugar onde estavam era conhecido em hebraico como "entrada para o precipício íngreme". O nome também significava "à beira da crise". O povo de Deus estava literalmente pendurado à beira de um vasto deserto. Contudo o Senhor os guiou até lá porque tinha um plano em mente para eles.

Nos próximos dias, Deus iria de maneira sobrenatural cuidar de cada necessidade que o povo tivesse. Não havia supermercado no deserto, mas Israel seria alimentado com maná do céu. Não havia água, mas Deus faria jorrar fontes de uma rocha para saciar a sede. Não havia lojas, mas as roupas e os calçados do povo, milagrosamente, nunca se desgastariam. Deus não se esqueceu de um único detalhe.

Ele até mesmo os carregou de prata e ouro antes de tirá-los do Egito. Então, uma vez no deserto, Ele os capacitou com força sobrenatural. Não havia sequer uma pessoa fraca entre eles. Deus os protegeu do sol abrasador do deserto cobrindo-os com uma nuvem; à noite produzia fogo sobrenatural, aquecendo-os no frio do deserto, e confortando-os com o brilho que iluminava a escuridão.

À essas alturas, deixe-me perguntar: por que você pensa que Deus escolheu Israel como Seu povo? Afinal de contas, era uma pequenina nação, um povo insignificante. Que propósito Deus tinha ao tirá-los do Egito e estabelecê-los em Canaã? Seria para dar-lhes boas casas, vinhedos e muito leite e mel? Seria para dar-lhes uma vida de facilidades, para que pudessem sacrificar e adorar livremente, geração após geração?

Não. Esse grande livramento não era Deus levando o povo para onde pudessem continuamente mergulhar em bênçãos. Está claro que o Senhor estava tentando produzir algo em Seu povo através dessa experiência. Ele os trouxe bem para a beira da catástrofe, para encarar uma crise como nunca haviam tido antes.

Para simplificar, Deus queria treinar o povo para se tornarem Seus mensageiros para um mundo perdido. Veja, Seu propósito desde o começo tem sido o de alcançar uma humanidade perdida. Ele escolheu Israel para ser uma luz para as nações, um exemplo brilhante de Sua graça e amor; queria que o mundo soubesse que tem um coração amoroso para com cada nação, mesmo com as que pecaram contra Ele.

Os profetas de Israel sabiam disso. Eles profetizaram e profetizaram que a lei de Deus sairia de Jerusalém para o resto do mundo. E agora, aqui no deserto, Deus desejava moldar uma "primeira geração" que confiasse nEle totalmente. Ele queria provar às nações que há apenas um Deus, e que Ele opera Suas maravilhas através de um povo que crê.

Todavia, o Senhor não vai operar através de um povo cheio de dúvida e descrença. A Bíblia diz: "sem fé é impossível agradar a Deus" (Hebreus 11:6). Até mesmo Jesus foi impedido de operar maravilhas quando o povo não cria. "E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles" (Mateus 13:58).


Ainda Hoje, Deus Está Procurando
Um Povo Que Confie Nele Plenamente


Amado, o Senhor não nos salvou só para que pudéssemos deleitar-nos infinitamente em Sua bondade, misericórdia e glória. Ele tinha um propósito eterno escolhendo cada um de nós. E esse propósito vai além das bênçãos, da comunhão e da revelação. A verdade é que Deus ainda continua tentando alcançar a humanidade perdida. E está procurando um povo crente, confiante, que Ele possa transformar em Sua melhor ferramenta evangelística.

Nosso Senhor não usa anjos para testemunhar de Sua glória. Ele usa Seu povo. E deseja nos fazer geração "especial" (ver 1 Pedro 2:9). Ele quer cumprir Sua palavra em nossas vidas, para que o mundo possa crer nela quando a proclamarmos. Ele quer apresentar às nações descrentes um povo fiel, que tem sido abalado por tempos difíceis, quebrado por duras provações, e ainda continua a confiar nEle.

Vemos o Senhor procurando pessoas assim nos dias de Gideão. Quando Gideão convocou voluntários para lutar contra os midianitas, milhares de israelitas responderam. Mas o Senhor disse-lhe: "É demais o povo que está contigo, para eu entregar os midianitas nas suas mãos... apregoa, pois, aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for tímido e medroso, volte e retire-se" (Juizes 7:2-3).

Deus estava dizendo a Gideão: "Se alguém aqui está com medo, diga-lhe para ir para casa agora. Não vou permitir que meu exército seja contaminado pelo medo". Deus estava em verdade dispensando voluntários de Seu exército. A certo ponto, 22.000 que estavam em dúvida foram mandados embora. Finalmente, Gideão reduziu o número de voluntários para 10.000, mas Deus disse que ainda eram muitos. O Senhor finalmente fixou 300 soldados testados em batalha.

Isso deve nos dizer algo. Ao procurar mensageiros do evangelho que possa enviar ao mundo, Deus não vai recrutar igrejas cujos bancos estejam cheios de pessoas medrosas, com dúvidas, despreparadas. Ele não vai procurar organizações religiosas eficientes e poderosas, ou seminaristas altamente eruditos. Deus usa organizações e os letrados, mas em si, nenhum desses tem os recursos necessários para serem os mensageiros provados e testados de Deus.

Então, o que é necessário para alcançar um mundo perdido e ferido? Resposta: um pequeno exército que tenha entrado na escola das lutas e das provações. Deus procura os que querem ser testados. Então Ele alista todos que estejam dispostos a serem provados pelo fogo, cuja fé Ele possa refinar e transformar em ouro puro.

Em meus anos de ministério, tenho percebido um padrão na vida da maioria dos cristãos. Quase imediatamente após Deus nos salvar, Ele nos leva a um deserto de testes. Isso foi verdade até mesmo na vida de Jesus. Quando nosso Senhor saiu das águas batismais, foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi duramente provado (veja Lucas 4:1-2). O mesmo aconteceu com os israelitas. Não muito após serem livrados do Egito, foram levados à beira de uma crise no deserto.

Por que é assim? É porque Deus está procurando um povo que confie nEle perante todo o mundo em situações impossíveis. E pode ter certeza que o mundo está observando quando os servos de Deus enfrentam lutas e testes, agarrando-se na fé.

Vemos esse tipo de confiança demonstrada por Daniel. Os ciumentos príncipes armaram um complô contra ele, convencendo o rei Dario a proibir orações por trinta dias. Como seus espreitadores esperavam, Daniel desobedeceu o mandato e continuou orando três vezes ao dia. Embora o rei Dario respeitasse Daniel, foi forçado por seu próprio decreto a lançar esse consagrado homem à cova dos leões.

Daniel tinha plena consciência de que a pena para quem desobedecesse o decreto era a morte. Ainda assim, nunca parou de orar, porque confiava em Deus. Ele sabia que o Senhor o conduziria através da provação.

Durante toda essa experiência, o rei Dario observava Daniel ansiosamente. Ele tinha feito todo o possível para salvá-lo, mas simplesmente não conseguiu. Finalmente, um pouco antes de Daniel ser jogado aos leões, o rei lhe assegurou: "O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará" (Daniel 6:16). Mas, aquela noite, o rei não conseguiu dormir. As escrituras dizem: "E o rei foi para o seu palácio e passou a noite em jejum" (Daniel 6:18).

Se você diz ao mundo que Jesus é o seu Senhor - seu Salvador e curador, um Deus que pode fazer o impossível - ele observará como você reage em situações impossíveis. Os olhos do mundo estão colados em todos os que ostentam a bondade, o poder e a glória de Deus. E o diabo observa também, esperando que nossa fé venha a falhar.

O salmista escreve: "Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual usas, perante os filhos dos homens" (Salmos 31:19). O que é essa "grande bondade" que Deus reserva àqueles que confiam nEle? É um testemunho impenetrável e glorioso, perante o mundo, de que sua fé pode sobreviver à qualquer situação.

Como Deus respondeu à fé de Daniel? Ele fechou a boca dos leões famintos. No dia seguinte, o rei Dario estava de pé bem cedo, ansioso para ver se Deus tinha respondido as orações de Daniel. Ele correu rapidamente para a cova dos leões e "chamou por Daniel com voz triste... Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?" (Daniel 6:20).

Essa ainda é a pergunta do momento. Como Dario, o mundo deseja ardentemente testemunhos do poder protetor de Deus. E continuará perguntando-nos até Jesus voltar "Oh cristão! Tenho lhe visto servindo a Deus fielmente. Você jejua, ora e testifica de Sua glória e poder. Mas agora você está na grande prova de sua vida. Diga-me, o seu Deus está lhe sustentado nessa experiência difícil? Qual é o seu testemunho agora que você está na cova dos leões?"

Você pode imaginar a alegria de Dario quando ouviu Daniel clamar "Oh rei, vive para sempre! O meu Deus enviou seu anjo e fechou a boca dos leões para que não me fizesse dano" (Daniel 6:21-22). Daniel estava vivo e passando bem. Ainda assim, não acredito que esse servo de Deus tenha dormido calmamente à noite. Daniel não era um super-homem, não era mais do que somos hoje. E nosso Deus não espera que ajamos de maneira não natural quando encaramos crises assim. Nossos sentimentos de temor nesses momentos são normais.

Na minha opinião, Daniel vigiou e orou a noite toda. Toda vez que um leão bocejava, mostrando os dentes, Daniel deve ter dito baixinho: "Eu ainda confio, Senhor. Eu creio que Tu vais fechar a boca desses animais". Ele conservou a fé. E as escrituras nos dizem: "Nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus" (Daniel 6:23).

Um homem confiou em Deus diante dos olhos dos homens. E um reino inteiro foi impactado. A Bíblia diz: "O rei Dario escreveu a todos os povos, nações e gentes de diferentes línguas que moram em toda a terra... da minha parte eu farei um decreto pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e para sempre permanente, o seu reino não se pode destruir, o seu domínio é até ao fim. Ele livra e salva e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; Ele livrou Daniel do poder dos leões" (Daniel 6:25-27).

Vê o que Dario está dizendo aqui? Ele está exaltando a Deus não apenas por Suas maravilhas naturais, mas porque livrou Daniel da morte. Esse rei pagão viu pelo menos um crente que realmente cria no que pregava. E, por sua vez, diz: "Vi um homem que manteve testemunho de seu Deus. Ele nunca duvidou. E o Senhor o livrou dos poderes do inferno".


O Desejo De Deus Para Conosco
É Que Entremos Em Perfeito Descanso Com Ele


Existe um lugar em Cristo onde não há ansiedade sobre o futuro. Nesse lugar, não há medo de calamidades repentinas, de aflições, de desemprego. Não há medo do homem, de cair, de perder a alma. É um lugar de total confiança na fidelidade de Deus. O escritor aos hebreus chama-o de lugar de perfeito descanso.

Tal perfeito descanso foi oferecido a Israel. Mas as dúvidas e a incredulidade do povo mantiveram-no fora do descanso de Deus. "Aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas não entraram por causa da desobediência" (Hebreus 4:6). Os israelitas viviam com medo e sob constante terror, sempre esperando chegar a próxima crise. Como resultado, ficavam desolados nas provações.

Se Israel tivesse entrado nesse descanso, a obra de Deus em Seu povo teria sido completa. Mas porque não o fizeram, o Senhor continua procurando em cada geração um povo que entre: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus" (Hebreus 4:9).

Deus está dizendo: "Esta oferta de repouso é para vocês, hoje. Continua existindo em Mim um lugar onde toda a dúvida e o medo não mais existem. É um lugar onde você estará preparado para o que vier." Assim, Sua palavra encoraja: "Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado" (Hebreus 4:1).

Hoje, multidões no povo de Deus nada conhecem deste repouso em Cristo. Ao lerem as terríveis notícias nos jornais sobre tragédias, calamidades, mortes - eles se apavoram e morrem de medo. Sua constante oração é: "Oh, Deus, por favor não tire um dos meus amados. Eu não suportaria esse sofrimento".

Mas, se você estiver descansando no Senhor, não irá sucumbir diante do medo. Não vai entrar em pânico e nem se despedaçar quando for atingido por uma crise inesperada. E não vai ficar sem esperança, acusando Deus de lhe trazer os problemas. Sim, você suportará a dor que é comum a todo ser humano. Mas, em sua alma, estará em descanso, porque saberá que Deus está no controle de tudo que lhe diz respeito.

Minha esposa Gwen, tinha 34 anos quando lhe foi diagnosticado câncer pela primeira vez. Ficamos devastados quando recebemos a notícia. Tínhamos acabado de mudar com a família para Nova York, para que eu pudesse começar um ministério com gangues de rua. Agora, enquanto andava pelas ruas pregando para membros de gangues e viciados, eu tinha que conter as lágrimas de angústia e medo. Mas o Senhor continuamente me assegurava: "Sou fiel, David. Não abandonarei você e nem os seus amados." Deus caminhou comigo durante aquela assustadora experiência com o câncer, e todas as outras que se seguiram.

Todavia, o Senhor não quer que a vitória seja simplesmente uma experiência única. Seu objetivo não é que saíamos da crise dizendo: "Obrigado Deus. Mantive a fé durante toda a provação". Sim, você pode ter mantido-a durante esta provação. Mas, como o Israel vitorioso junto ao Mar Vermelho, outra provação virá com o tempo. E talvez seja um tipo de teste completamente diferente.

Viver no descanso de Deus é um modo de vida. Ele quer que sejamos sustentados por Sua paz e segurança em todos os nossos sofrimentos, sabendo que nosso Sumo Sacerdote é tocado pelos sentimentos de nossa fraqueza.

Não me entenda mal; não estou falando de se alcançar um insensível estado de nirvana. Muitos mestres da Nova Era dizem que o único jeito de agüentar crises futuras é endurecer o coração agora, e dizimar todo seu amor. Em resumo, se você simplesmente parar de se importar pelas pessoas, não sofrerá; portanto, deve se blindar contra as calamidades da vida.

Mas Deus nunca é glorificado quando seus servos paralisam a si próprios até chegar a um estado de insensibilidade. Seu descanso não é nada disso. É aprender a confiar em Sua promessa de ser fiel para conosco em todas as coisas.

Sou pai de 4 filhos e avô de 11 netos. E posso dizer honestamente: nunca houve um momento que consegui ficar parado, observando minha descendência sofrer, sem querer entrar no sofrimento com eles. Nessas horas, fiz tudo que podia para curá-los e livrá-los. Eu pergunto: quanto mais do que eu, nosso Pai Celestial nos ama, caminha conosco nas provações, e anseia por curar nossas feridas?


O Perfeito Descanso Em Cristo
Não Pode Ser Obtido por Esforço


Para entrar no descanso de Deus, temos que renunciar aos nossos próprios esforços e suor. Unicamente a fé nos faz entrar no descanso perfeito: "Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso" (Hebreus 4:3). Em resumo, temos que determinar em nossos corações que Deus é fiel para nos livrar em todas as circunstâncias, não importa quanto possa parecer impossível.

"Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas" (Hebreus 4:10). Quando estamos no descanso em Cristo, não tentamos mais fazer cara de corajosos na hora dos problemas. Não inventamos uma aceitação falsa da nossa crise. E não nos preocupamos que possamos nos submeter ao medo e começar a duvidar do amor de Deus. Em resumo, nossa "mentalidade lógica" pára de nos guiar. Agora aprendemos a simplesmente confiar no Senhor.

Como desenvolvemos uma confiança assim? Buscamos o Senhor em oração, meditamos em Sua palavra e andamos em obediência. Você pode se opor dizendo: "Mas todas essas coisas são obras". Eu discordo. Elas são todas atos de fé. Ao cumprir essas disciplinas, confiamos que o Espírito Santo está agindo em nós, construindo um reservatório de força para a hora de necessidade. Talvez não sintamos o fortalecimento de Deus acontecendo em nosso interior, ou Seu poder sendo construído em nós. Mas, quando nossa próxima provação vier, esses recursos celestiais se tornarão manifestos em nós.

Essa é a razão mais importante porque busco ao Senhor com diligência - jejuando, orando, estudando, procurando obedecer Seus mandamentos através do poder do Espírito Santo. Não é porque sou um ministro que quer dar o exemplo. Faço isso porque sei que ainda tenho muitas provas pela frente. Enquanto estiver servindo ao Senhor, o diabo nunca vai me dar sossego. Vou encarar guerra intensa, ataques surpresa. E, apesar de todas as vitórias e da paz que já experimentei, sempre precisarei dos recursos do céu para me ajudar a agüentar.

Quero ser um soldado inteiramente preparado para o campo de batalha. E sei que a vitória é ganha muito antes da luta começar. É ganha no treinamento, na preparação e no condicionamento. Quando o inimigo vier a mim de repente, vou precisar de toda munição disponível. E essa munição é fornecida pela poderosa palavra de Deus, ao guardá-la em meu coração. Então, da próxima vez que o diabo atacar, estou certo que terei reservas de onde sacar. Terei ganho a batalha sozinho com Deus, antes mesmo do campo de batalha.

Você é um soldado compromissado, que crê que Deus está lhe equipando neste instante? Se é assim, então você está preenchendo esses três requisitos:

1- Você é um leitor diligente da palavra de Deus. À medida que estuda as escrituras, você está começando a entender o quanto Deus o ama. Se não está convencido do amor absoluto que Ele tem por você, você não poderá suportar nenhuma crise que vier. E você só se convence de Seu amor devorando Sua palavra.

2- Você está cultivando intimidade com Deus diariamente, através da oração feita no melhor horário do seu dia. Nosso Senhor quer que clamemos por Ele em nossos tempos de crise. Mas oração na hora dos problemas não é suficiente. Temos de buscar nosso Pai também nas horas boas. Nossa fé não é para ser meramente de situações. Tem que vir de uma relação que esteja se desenvolvendo com o Senhor.

3- Você está confiando que Deus não lhe permitirá passar por nenhuma provação sem prover um modo de você suportá-la. Se lhe vier uma grande provação, não precisa se preocupar em se você será forte ou fraco. Nosso Pai dá a graça quando é necessário. E se você desenvolve junto à Ele uma relação íntima e de proximidade, Ele derramará Sua permanente graça quando você precisar.

Deus lhe convida a entrar em Seu descanso - hoje.

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segunda-feira, janeiro 15, 2007

Uma Fé Que Aumente Progressivamente (An Ever-Increasing Faith)

Por David Wilkerson

“Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé” (Lucas 17:5). Os homens que formavam o círculo próximo a Cristo pediam algo importante ao Mestre. Eles desejavam uma compreensão maior quanto ao significado e às obras da fé. Eles estavam dizendo basicamente: “Senhor, que tipo de fé desejas de nós? Dê-nos uma revelação do tipo de fé que Te agrada. Queremos ganhar o significado mais amplo da fé”.

Aparentemente, o pedido parecia elogiável. Contudo, acho que os discípulos perguntaram isso a Jesus porque estavam confusos. No capítulo anterior, Cristo havia lhes deixado perplexos dizendo: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito. Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza?” (16:10-11).

Jesus sabia que a carne dos Seus seguidores queria evitar o quê consideravam ser questões menores da fé. Por isso lhes disse: “Se forem fiéis nas coisas pequenas, nas questões fundamentais da fé, então serão nas coisas grandes também. Então, provem serem dignos de confiança nos requisitos básicos da fé. Caso contrário, como irão lhes confiar porções mais profundas?”.

Se formos honestos, admitiremos que somos muito parecidos com os discípulos de Jesus. Também queremos avançar direto para as áreas maiores da fé, obter o tipo de fé que move montanhas. E, como os discípulos, muitas vezes julgamos a fé pelos resultados visíveis.

Pense em todas as pessoas que achamos ter grande fé. A maioria delas conseguiu coisas para o reino que podem ser documentadas: programas de alimentos, ministérios aos pobres e necessitados, grandes igrejas, institutos bíblicos, programas missionários.

Lembramo-nos de George Muller, o homem que construiu orfanatos na Inglaterra e ajudou a fundar as Missões Para o Interior da China. Muller nunca pediu auxílio financeiro. Pelo contrário, ele orava por cada centavo em sua obra piedosa; altas somas que muitas vezes chegavam no último minuto. Muitos cristãos atualmente reconhecem Muller como sendo o epítome do homem de fé.

Também nos lembramos de Rees Howells, o homem conhecido como “O Intercessor”. A biografia de Howells está cheia de histórias de respostas milagrosas à sua oração intercessora. Esse homem adquiria imóvel após imóvel para serem usados para o reino de Deus, tudo pela fé. Como Muller, Howells orava por cada centavo, chegados “na última hora”. Alguns consideram sua grande obra como outra definição de fé.

Muitos visitantes da Igreja de Times Square sentem a mesma coisa em relação ao ministério de Deus aqui. Eles ficam espantados com os incríveis prédios que o Senhor tem concedido abrangendo um quarteirão inteiro na Broadway, e tudo sem dívidas. Vêem nosso Lar de Sara para mulheres, nosso programa de alimentos do Raven Truck, e outros trabalhos fiéis. E nos dizem: “Os seus líderes devem ser pessoas de muita fé. Vejam que resultados incríveis”.

O nosso ministério há pouco recebeu carta de um jovem penitenciário, que agora se tornou cristão, e está em nossa lista de correspondência. Ele me ouviu dizendo num sermão gravado: “Pode chegar o dia em que serei preso por pregar contra o homossexualismo”. O jovem me assegurou que se isso ocorrer, os presos cristãos de todo o país irão inundar o sistema penitenciário com cartas, numa campanha para me libertar. Ele diz que sou conhecido entre os presos como homem de muita fé, por ter desenvolvido o programa de recuperação de drogas do Desafio Jovem, e outros ministérios nos EUA, visando pessoas que tenham problemas, como ele próprio. Assim, ele argumenta, “O senhor é mais necessário fora das grades”.

Agradeço a Deus pelo Desafio Jovem e todas suas extensões: fazendas, ranchos, centros de assistência, institutos bíblicos. E sou grato por todos os outros ministérios centralizados em Deus, que o Senhor tem levantado e abençoado na terra. Contudo, quero que você saiba, nenhuma dessas obras grandes e visíveis representa a definição de Deus para fé. Em verdade nenhuma obra, não importa quão grande possa ser, tem qualquer valor para Deus a menos que os pontos menores e ocultos da fé estejam sendo cumpridos.

Pessoas brilhantes e espertas têm conseguido obras similares sem Deus. Sun Myung Moon e seus seguidores têm adquirido complexos de edifícios de milhões de dólares, fundado trabalhos gigantescos de caridade, e até adquirido serviço nacional de mídia. Contudo, nenhuma dessas coisas é a medida que Deus tem de fé.

A fé verdadeira, aos olhos de Deus, não tem nada a ver com o tamanho ou a extensão da obra que você planeja realizar. Antes, ela tem a ver com o enfoque e o sentido da sua vida. Veja, Deus não está tão interessado na grande visão que você tem, quanto naquilo no quê você está se tornando.

Você crê que o Senhor colocou em seu coração um sonho que exige um milagre para acontecer? Você foi desafiado para dar um passo numa nova direção que exija fé sobrenatural? Você precisa que Deus opere uma maravilha em seu lar - física, financeira ou espiritual?


Razão Número Um: Nossas Orações São Abortadas
Quando Não Estão de Acordo Com a Vontade de Deus.


Não temos liberdade de orar a esmo por tudo que nossas mentes egoístas possam conceber. Não temos permissão para entrar na Sua presença e dar vazão à nossas tolas idéias, e falatórios impetuosos. Se Deus assinasse todas as petições sem sabedoria que Lhe fazemos, Ele acabaria entregando Sua glória.

Existe uma lei da oração! É uma lei com o intuito de exterminar orações desprezíveis e egoístas - ao mesmo tempo, tornando possível aos que procuram com honestidade, o pedir com confiança. Em outras palavras - podemos orar por qualquer coisa que queiramos, desde que seja da Sua vontade.

"Se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve" (1 João 5:14).

Os discípulos não estavam orando de acordo com a vontade de Deus quando oravam com espírito de vingança, e retaliação. Fizeram um pedido a Deus da seguinte maneira: "Queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?" Jesus respondeu: "Vós não sabeis de que espírito sois" (Lucas 9:54,55).

Jó, em sua tristeza, implorou a Deus que lhe tirasse a vida. E se Deus tivesse atendido tal oração? Esse modo de orar era contrário ao desejo de Deus. A palavra nos previne: "Que sua boca não seja apressada em falar perante o Senhor".

Daniel orou da forma correta. Primeiro, foi às escrituras para pesquisar a mente de Deus. Tendo recebido instruções claras, e certo da vontade dEle, ele corre para o Seu trono com poderosa confiança. "Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração" (Daniel 9:3).

Sabemos muito sobre o que nós queremos e muito pouco sobre o que Ele quer.


Você Vai Encontrar Portas Fechadas e Fracasso
Enquanto Não Tratar com as Palavras de Jesus



“Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?” (Lucas 16:12). Jesus está dizendo, em outras palavras: “Você diz que quer uma revelação, algo que o capacite a fazer grandes coisas. Porém, como pode lhe ser confiado esse tipo de fé, se você não se mostra confiável nas coisas que os outros lhe deram?”.

As palavras de Jesus devem ter deixado os discípulos coçando a cabeça. O Mestre sabia que eles nada possuíam, muito menos algo dado por outrem. Eles haviam abandonado tudo para serem Seus discípulos; e O seguiam aplicando-se ao máximo. As palavras dEle simplesmente pareciam não se aplicar a eles.

Contudo, a questão é: o que Jesus quer dizer quando fala “do alheio” (16:12)? Ele está falando do nosso corpo e de nossa alma, que Ele comprou com Seu próprio sangue: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Coríntios 6:20).

Jesus está dizendo: “O seu corpo não lhe pertence mais. E se você não cuida desse corpo - ou seja, se você não Me deixa vê-lo por dentro, tratar com seu pecado, e lhe santificar - como você espera que Eu lhe confie algo maior? Primeiro reavalie, e veja o que fez com as coisas que já lhe confiei”.

Ora, como os discípulos pediram aumento de fé, Jesus tinha uma resposta pronta para eles: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá” (Lucas 17:6). Mais uma vez, o Senhor se concentra nos pontos menores da fé, referidos como um único grão de mostarda.

Esse versículo sobre a mudança da amoreira sempre me intrigou. Quando o lemos, imaginamos uma pessoa de muita fé ao lado da árvore ordenando: “Ide, remova-se daqui, seja plantada no mar, e cresça lá”. Aí vemos a árvore tendo a raiz retirada, saindo do solo, voando pelo ar até afundar nas ondas.

O quê poderia Jesus estar sugerindo com essa imagem? Uma amoreira não pode ser plantada no mar e viver; morreria imediatamente. Além disso, o nosso Deus não é showman. Ele não realiza ou sugere coisas para se mostrar. Contudo sabemos que toda palavra que Jesus proferiu é para a nossa instrução. Então, o que Ele quer dizer aqui?

Pode-se dizer: “Esse versículo quer dizer que o nosso Senhor é o Deus do impossível”. Discordo. Mesmo nos dias de Jesus, era possível para alguns homens tirar uma árvore, levá-la até o mar, e plantá-la lá. Hoje, esse trabalho é ainda menos difícil, com grandes máquinas aptas para remover árvores em segundos. Onde está a fé nisso?

Acredito que essa declaração se trata de arrancar as raízes em nosso coração. Jesus está falando das raízes do mal, das coisas escondidas com as quais temos de tratar como Seus seguidores. Ele está dizendo: “Antes de crer que Deus move montanhas, você precisa remover raízes. E você não precisa de uma fé grande apostólica para fazer isso. Só precisa de uma quantidade mínima de fé. Estou pedindo que você faça uma coisa muito básica: arranque suas raízes do pecado. Quero que você examine seu coração, e remova tudo que não é Meu”.


A Primeira Obra de Fé -
Aquilo que Devemos Fazer
Antes que Qualquer Outra Obra Possa Seguir-Se -
É Ser Fiel Àquilo que É de Deus


Simplesmente não podemos pensar em assumir qualquer trabalho em nome de Deus, se nossas raízes de pecado estão se aprofundando. E o desafio para arrancar raízes não é restrita a pastores, mestres e evangelistas. É função de todo cristão. Então, pergunte a si próprio: qual é a raiz de pecado que está encravada fundo em seu corpo e espírito? Seria pornografia, ganância, inveja, amargura, medo de rejeição, baixa auto-estima, sensação de inutilidade?

Jesus nos instrui: “se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o” (Marcos 9:47). É claro que essa ordem tem sentido espiritual. Sabemos que não são literalmente os nossos olhos que nos levam a pecar, mas sim os olhos do nosso coração cheio de desejo. Mas como podemos arrancar algo que se aprofundou tanto durante anos? Tais fortalezas exigem fé para serem arrancadas.

Na verdade, a mensagem de Jesus sobre o grão de mostarda é sobre isso. Ele nos fala que, pela fé, podemos arrancar toda raiz de pecado de nossa vida - até mesmo aquela com a qual Deus tem trabalhado conosco há anos.

É por isso que escrevi meu recente livro, The New Covenant Unveiled (A Nova Aliança Desvendada). Chegou uma hora em que me senti travado, me perguntando como ser capaz de arrancar o pecado. Ponderei sobre esse dilema uma noite durante as férias, ao caminhar por uma praia. Senti o Espírito Santo me dizendo: “David, veja lá em cima a constelação da Grande Concha. Em sua própria força, você tem tanta chance de remover o pecado de seu coração quanto tem de saltar por cima daquela fileira de estrelas”.

A Nova Aliança nos mostra que somos capazes de arrancar até a raiz mais profunda de pecado, mas só confiando no Espírito Santo. Por um único grão de fé, somos capacitados a orar, “Pai, Tu prometestes em Tua aliança vencer os meus pecados. Bem, Tu sabes tudo a respeito do meu pecado particular; o Senhor há anos vem tratando comigo por causa disso. Agora Te peço para cuidar dele. Odeio esse pecado, e quero que seja arrancado. Creio que Tu farás isso para mim, Senhor”.

Jesus diz que se declararmos tal fé nas promessas de aliança feitas por Deus, nossa raiz se irá: “e ela vos obedecerá” (Lucas 17:6). Nesse ponto, o Espírito Santo arranca a raiz maligna e a lança no mar do total esquecimento de Deus, para que nunca mais nos assombre.

Todos os piedosos servos que consideramos pessoas de grande fé - como George Muller, Rees Howells e outros - começaram por essa obra menor. Antes de se determinarem a atos de bravura para o reino, permitiram que Deus tratasse de suas raízes. Eles exercitaram uma pequena quantidade de fé, pedindo que o Espírito Santo lhes mostrasse tudo que fosse mal neles. E o Espírito fielmente erradicou seus pecados, despindo-os de tudo que fosse da carne,

No processo, esses homens descobriram-se frágeis, incapazes de praticar até a erradicação mais simples em sua própria força. Contudo, ao obedecerem à ordem de Jesus para arrancarem suas raízes pela fé na ação do Espírito Santo, revelações vieram, e sua compreensão da fé aumentou.


Pagamos um Preço Trágico
Se Desleixamos Erradicar Nosso Pecado


Se conscientemente permitirmos que uma raiz do mal permaneça em nós, perdemos o direito à todas as armas espirituais contra o diabo. Primeiro, perdemos a força de nossa espada. A seguir somos despojados de toda armadura. Finalmente, perdemos a vontade de lutar. Diga-me: como podemos destruir fortalezas se não temos mais armas? “Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas” (2 Coríntios 10:4).

Vemos um exemplo trágico disso em I Samuel 13. Num capítulo anterior, Saul e seu exército de 300.000 israelitas haviam vencido estrondosamente os amonitas em Jabesh-Gileade. A confiança de Israel aumentou por causa da grande vitória. Mesmo assim Deus lhes previne: “Se, porém, não derdes ouvidos à voz do Senhor, mas, antes, fordes rebeldes ao seu mandado, a mão do Senhor será contra vós outros, como o foi contra vossos pais” (I Samuel 12:15).

Agora, no capítulo 13, encontramos Saul e o povo andando em desobediência. Isso se iniciou quando Saul ofereceu um sacrifício proibido. O povo se alinhou com ele, dizendo: “Quem disser que Saul não deve ser nosso rei deverá ser morto”.

Quando o piedoso profeta Samuel chega ao local, contudo, ele profere estas terríveis palavras a Saul: “Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o Senhor, teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o Senhor confirmado o teu reino sobre Israel para sempre” (13:13).

Imediatamente, vemos o resultado da desobediência de Israel. Apenas quatro versos adiante, lemos: “Os saqueadores saíram do campo dos filisteus em três tropas” (13:17). Três unidades irromperam dentre o exército principal filisteu, se espalhando por Israel e atacando as aldeias. Esses saqueadores levaram espólios com toda facilidade, até mesmo as armas de Israel.

Por que o povo de Deus não se levantou contra os invasores? Afinal de contas, eles possuíam farto armamento (inclusive o dos amonitas, que haviam pego em batalha). A triste verdade é que os israelitas não tinham mais espírito de luta, devido ao pecado. Assim que viram o inimigo chegando, eles fugiram de medo.

Israel foi deixado só com forcados, arados e materiais do campo. Mas eles não podiam forjar esse material em armas porque não havia mais ferreiros: “Ora, em toda a terra de Israel nem um ferreiro se achava, porque os filisteus tinham dito: Para que os hebreus não façam espada, nem lança” (13:19).

A mensagem de Deus nesta passagem é clara: “Se vocês continuarem Me desobedecendo, não andarei mais com vocês. Vocês poderão parecer estar realizando a Minha obra; mas não terão a Minha presença, bênção ou poder”.

Fé é basicamente obediência, possuir poder para obedecer a palavra de Deus. E Satanás sabe disso. É por isso que ele deseja que você continue preso à essa remanescente raiz na alma. Ele sabe que isso irá lhe esvaziar todas as defesas, lhe roubar as armas e neutralizar seu espírito de luta.

Vejo isso acontecendo com ministros e leigos cristãos por todo o mundo. Eles possuem todas as ferramentas necessárias para realizar suas boas obras. E, ao olharem para os campos de trabalho, se congratulam pela grande colheita e pelo grande rebanho. Porém, o tempo todo, estão em perigo. Há um saqueador em seus corações, um pecado assediador com o qual eles não querem tratar. E isso está lhes espoliando, roubando sua vontade de luta. Mais tarde, quando Satanás invadir suas vidas, eles se renderão sem luta. Eles simplesmente não possuem defesa contra ele.

Como Saul, todos os crentes com raízes profundas de pecado acabam confusos, com a mente dividida, e com medo. As escrituras dizem o seguinte sobre eles: “Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga; mas o justo é intrépido como o leão” (Provérbios 28:1). Tais pessoas podem dizer a si mesmas: “Ainda tenho duas armas: a oração, e a fé na palavra de Deus”. É trágico, mas elas não têm. Davi declara: “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido” (Salmos 66:18).

Nós simplesmente precisamos declarar à nossas raízes do mal: “Seja arrancada”. E temos de crer que elas irão embora, segundo as promessas da aliança com Deus. Só então o nosso espírito de luta voltará. Empunharemos a espada de dois gumes de Deus mais uma vez. E veremos nossas orações rapidamente sendo respondidas. Finalmente, estaremos cheios de ousadia e alegria, levando os demônios a fugir.


Há um Outro Passo
No Recebimento de Um Aumento de Fé


Jesus respondeu o pedido de fé dos discípulos ainda de outra maneira. Ele lhes diz:

“Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à mesa? E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás?... Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lucas 17:7-8, 10).

Claramente, Cristo fala aqui de nós, Seus servos, e de Deus, nosso Senhor. Em resumo, Ele está dizendo que devemos alimentar a Deus. Você pode pensar: “Que tipo de alimento devemos oferecer ao Senhor? O que satisfaz Sua fome?”.

A Bíblia nos diz: “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). Simplificando, o prato mais delicioso para Deus é a fé. Esse é o alimento de que Ele gosta.

Vemos isso ilustrado em todas as escrituras. Quando um centurião pediu a Jesus para curar seu servo enfermo simplesmente proferindo uma palavra, Cristo se banqueteou com a vibrante fé desse homem. Ele replicou: “Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta” (Mateus 8:10). Jesus estava dizendo: “Cá está um estrangeiro, uma pessoa de fora, que está alimentando Meu espírito. Que refeição nutritiva a fé desse homem está Me dando”.

De igual maneira, Hebreus 11 serve um grande banquete ao Senhor. Esse famoso capítulo descreve a fé dos amados guerreiros de Deus em toda a história.

Em seguida, vejo nas palavras de Jesus uma declaração franca: “Você não come primeiro. Eu sim”. Em outras palavras, não devemos consumir nossa fé em nossos próprios interesses e necessidades. Pelo contrário, a nossa fé foi feita para satisfazer a fome de nosso Senhor: “Prepara-me a ceia... e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás” (Lucas 17:8).

O quanto nossa fé é consumida em nossos próprios interesses, em vez dos interesses de Deus? Quantas de nossas orações consistem de “Senhor, estou trabalhando fielmente em Tua seara, arando para Ti. E agora preciso disso ou daquilo de Ti, afim de continuar minha obra”.

Ao longo dos anos, grande número de pastores veio ao meu escritório para me visitar. A maioria entrou carregando não a Bíblia, mas algum grande plano. Tais homens eram consumidos por uma grande visão, contudo nunca falaram sobre Jesus. Só conseguiam pensar em seu sonho: a construção de uma igreja, um programa de alimentação, uma extensão do ministério.

Agradeço ao Senhor por sonhos e desejos vindos do céu. A maioria dos ministérios que exaltam a Deus atualmente são visões tornadas realidades, cumpridas através de inquietudes colocadas por Deus. Contudo, muitos crentes possuidores dessa inquietude não se conscientizam de que antes de um sonho se realizar, Deus muitas vezes faz anos de desnudamento, exposição, ruptura. É simplesmente a maneira dEle.

Jesus está nos dizendo: “Quero que Me alimentem, que Me dêem toda a rédea para que Eu os molde e refaça segundo a Minha imagem. Simplesmente Me tragam sua fé. Eu lhes mostrarei uma visão verdadeira”.


Podemos Conseguir Vitória Sobre Nossas Raízes,
Mas Podemos Esquecer
Que Foi a Misericórdia de Deus Que Obteve a Vitória Para Nós



Jesus continua, “Porventura, terá (o Senhor) de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado? Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lucas 17: 9-10).

A palavra inúteis aqui quer dizer sem mérito - nada merecendo pelo trabalho ou por si. Jesus está dizendo: “Depois de haver tratado de suas raízes do pecado pela fé, não diga: ‘Consegui. Eu venci’. Não, unicamente a graça do Pai o libertou”.

Alguns ficam orgulhosos quando ganham vitória sobre o pecado. Pensam, “Dei um jeito na vida. Deus deve ficar grato por ter em mim um vaso limpo”.

Mas Jesus replica, “Não, a verdade é que você está apenas iniciando o cumprimento do seu dever. Desde o dia em que foi salvo, lhe ordenei que abandonasse o pecado. Então, por que esperou cinco, dez, vinte anos para Me obedecer? Você não tem direito a se auto parabenizar”.

Conheço um irmão cristão cuja esposa o deixou por outro homem. Durante todo o transcorrer desse difícil período, ele se manteve moralmente puro. Mais tarde, alegou: “Conquistei minha justiça. Paguei um preço para isso”. Não, nunca. Não importa o quanto doa ou sejam difíceis nossas lutas, a nossa obediência nunca poderá fazer-nos justos. Trata-se simplesmente de nosso dever básico.

Contudo, até a mais simples das obediências é alimento ao nosso Senhor, porque é nascida da fé. É um banquete que O faz se alegrar, dizendo: “Você está Me alimentando, satisfazendo Minha fome”.


A Vitória Vem Quando Reconhecemos Nossas Raízes,
Nos Arrependemos,
e Confiamos nas Promessas de Deus na Nova Aliança



Você foi honesto com Deus, reconhecendo que suas raízes estão lhe destruindo? Você se arrependeu verdadeiramente, exercendo fé em Sua promessa de aliança para subjugar o pecado? Só então irá o Senhor lhe levar à vitória.

Durante minha vida, conheci dois líderes de seitas com grande número de seguidores. (Ambas seitas ainda existem). Eram homens visionários, cheios de carisma, ousadia e zelo. Eram evangelistas incansáveis, e ministravam aos pobres e necessitados. Construíram institutos bíblicos, edifícios, e enviaram missionários para todo o mundo. Seus devotos seguidores abandonaram tudo para ministrar com eles.

Mas ambos esses homens tão grandemente dotados possuíam raízes fundas de lascívia. E porque se recusaram a tratar de suas raízes, cada um deles se afundou em horríveis vícios sexuais.

Um deles viajava em um ônibus com equipamento especial. Ele uma vez me convidou a entrar, e assim que pus os pés lá, senti tremenda opressão demoníaca. Mais tarde, a terrível imoralidade deste ministério foi mostrada.

O outro líder de seita era um pregador de poder, com claro chamado para o evangelismo. Ele também era discipulador talentoso, atraindo centenas de jovens ao ministério e à obra de missões. Além disso, esse ministro era esposo dedicado e homem de família.

Mas era viciado em pornografia. E por não querer tratar com seu pecado, sua luxúria se tornou extravagante, levando a organização à loucura sexual. Ele fez uma regra de que toda jovem que se casasse tinha de passar sua primeira noite com ele. A seguir transformou algumas das mulheres em prostitutas, enviando-as para fazer o que chamava de “evangelismo do amor”.

Esse homem que no passado tinha unção, passou seus últimos dias andando de um lado para o outro em seu trailer, como um leão enjaulado. Suas raízes profundas o haviam tornado um louco depravado.

Esses dois homens tinham querido mover montanhas. Pregaram e ensinaram a fé. E centenas foram tocados através de seus ministérios. Contudo, eu lhe digo, Deus não tinha papel em seus trabalhos. Por que? Porque o zelo que tinham era da carne, porque se recusavam a arrancar seu pecado. Como resultado, suas grandes obras terminaram em completa destruição.

Jesus diz o seguinte sobre essas pessoas: “Muitos virão, dizendo: curamos os enfermos, expulsamos demônios, fizemos grandes obras. Mas Ele dirá: apartem-se de Mim, obreiros da iniqüidade. Nunca os conheci” (vide Mateus 7:22-23).

Jesus está falando com você sobre suas raízes? Se estiver, atenda à Sua voz, a qualquer preço. Ele insiste: “Esqueça o evangelismo no momento. Ponha de lado os sonhos e visões por algum tempo. Eu lhe confio um grão de fé. E quero que você seja fiel nessa pequena quantidade. Venha a Mim agora, e peça-Me para arrancar o seu pecado, pela fé. A seguir alimente-Me, pela sua obediência. Faça isso, e então verá a Minha visão santa acontecendo em sua vida”

Copyright © 2002 by World Challenge, Lindale, Texas, USA

terça-feira, janeiro 02, 2007

Alimentando Cristo (Feeding Christ)

Por David Wilkerson

Ao se dirigir Jesus para a Galiléia, chegou até ao poço de Jacó em Samaria. Cansado da viagem, parou ali para descansar, enquanto Seus discípulos foram comprar alimento. Nesse ínterim, uma mulher samaritana veio ao poço para tirar água. Jesus fez um simples pedido à ela: "Dá-me de beber" (João 4:7).

As palavras de Cristo à esta mulher deram início à uma longa conversa. Ela acabou falando demoradamente, e Jesus também. Durante a conversa, ela ficou admirada com as coisas que Ele lhe disse. Por final ela disse, "sei que há de vir o Messias, chamado Cristo: quando ele vier, nos anunciará todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo" (4:25-26).

Assim que Cristo revelou Sua identidade, os discípulos retornaram. Ficaram surpresos ao encontrar o mestre tão profundamente engajado em uma conversa com esta mulher samaritana. Ao sentarem para preparar a refeição, a mulher de olhos arregalados correu apressada para o povoado. Finalmente, quando o alimento estava pronto, disseram, "Mestre, come!" (4:31).

Jesus respondeu com esta declaração intrigante: "Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis" (4:32). Ele lhes dizia, em essência, "Eu já fui alimentado. Algo se passou enquanto não estavam aqui, e estou totalmente satisfeito. Vejam, há algo que vocês não perceberam a respeito de Mim. Meu alimento não é deste mundo".

Cristo explicou, "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra" (4:34). Bem, todos sabemos que o trabalho de Deus é semear e ceifar o evangelho, reunindo uma colheita de almas. Jesus diz no próximo versículo, "não dizeis vós, que ainda há quatro meses até a ceifa ... erguei os olhos, e vede os campos; pois já branqueiam para a ceifa" (4:35).

Em resumo, devemos estar envolvidos com o trabalho do reino de Deus, testemunhando, testificando e ganhando almas. Jesus realizou este trabalho com a mulher samaritana. A Bíblia diz que ela creu que Ele era o Messias, testificando, "Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura o Cristo?!" (4:29).

Ora, há um propósito por trás de todo nosso trabalho no reino. E este propósito vai além de uma grande colheita de almas. A vontade do Pai desde a criação - todo o Seu propósito antes do nascimento da humanidade - era criar um corpo de comunhão e companheirismo para seu Filho. E aqui, nesta cena no poço de Jacó, vemos a necessidade de Cristo por companheirismo sendo satisfeita.

Jesus disse aos discípulos, em essência, "Minha fome foi saciada por esta mulher. Eu só pedi um copo d´água. Mas ela me alimentou. Me trouxe um coração honesto e sedento. Quando Eu falava, ela escutava atentamente. Ela Me serviu, ouvindo cada palavra que Eu dizia. E guardou Minhas palavras, crendo e agindo de acordo com elas. Vocês precisam entender, este tipo de comunhão é alimento para Mim".

A Bíblia Fala da Necessidade de Comunhão do
Filho com o Homem Desde o Princípio.

A escritura diz que Cristo foi gerado antes do mundo ser criado: "Seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas coisas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1:2). "Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele nada do que foi feito se fez" (João 1:2-3).

Bem desde o início, vemos o Senhor procurar comunhão com o homem. Seu Espírito andava com Adão no Jardim do Éden, conversando ao cair do dia. Estes momentos íntimos eram alimento ao Senhor, agradáveis a Ele. Tal companheirismo era Seu plano desde o início. Mas quando Adão pecou, a comunhão foi quebrada.

Mais tarde em Gênesis, lemos de um homem chamado Enoque que foi tomado ao céu: "Andou Enoque com Deus: e já não era; porque Deus o tomou para si" (Gênesis 5:24). Enoque tinha tido comunhão com o Senhor por 365 anos. Todavia viveu só metade do ciclo de vida normal daquela época. Ao ponderar sobre isto, senti o Espírito de Deus perguntando: "Por que você acha que Eu trouxe Enoque para a glória tão cedo? Seus companheiros viveram em torno de setecentos e oitocentos anos. Por que Eu o tomaria na metade da vida?".

Eu não tive nenhuma resposta. O Espírito sussurou, "Comunhão é o Meu alimento, David. Minha Palavra diz que Enoque andava comigo. Isto significa que ele comungava comigo, Me servindo (alimento), aprendendo a conhecer a Minha voz. Escutava quando Eu abria o Meu coração para ele. Nosso companheirismo tornou-se tão íntimo, que quis tê-lo comigo aqui na eternidade, onde não há noite. Então o trouxe para o Meu lado, para comunhão interminável e ininterrupta".

O Senhor me fez a mesma pergunta sobre Moisés: "Por que chamei Meu servo amado, quando ele também estava no auge da vida?". Pode-se pensar, "é porque Moisés não deveria entrar na Terra Prometida." Mas o fato é que Israel não entrou em Canaã imediatamente. Moisés poderia ter vivido por mais tempo.

Ouço o Senhor dizendo, "Moisés manteve comunhão comigo como nenhum outro homem o fez. Por que você acha que ele voltou do monte com um brilho sobrenatural no rosto? A lei não poderia produzir aquele brilho. Era o efeito de estar em Minha presença, por quarenta dias e noites. Ele me alimentou quando estávamos face à face. Sim, Eu o instruí durante aquele tempo. Mas também tivemos doce companheirismo. Conversei com Moisés, e ele me ouviu. Mostrei como o Tabernáculo era uma ilustração de Mim, pleno de glória. Então, finalmente, quando tomei Moisés, era para tê-lo ao Meu lado, junto com Enoque".

A seguir veio a pergunta, "E Elias? Por que você acha que enviei uma carruagem para tomá-lo? Este profeta inflamável poderia ter vivido muito mais anos como testemunha fiel a Mim. Eu tinha acabado de lhe dar uma visão sobre o que é o verdadeiro ministério. Mas, contrariamente, quis trazer Elias à Minha presença. Ele tinha orado diante de Mim como poucos homens o fizeram. E Eu o quis ao Meu lado, para um comunhão ininterrupta por toda a eternidade".

Agora havia três servos íntimos ao Senhor. Isto traz um significado mais amplo às palavras de Jesus: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mateus 18:20). Em outras palavras: "Sempre que dois ou três de vocês estiverem juntos em comunhão, estou com vocês, conversando e comungando. E isso Me alimenta. Me delicia ser servido por vocês. Vocês ministram profundamente a Mim aguardando ouvir Minha voz; estão cumprindo o propósito inicial do Pai".

Agora quero levá-lo ao Monte da Transfiguração. Jesus conduziu três de Seus discípulos para lá, Pedro, Tiago e João. Repentinamente, diante de seus olhos, Cristo entrou no âmbito celestial: "Seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se branca como a luz" (17:2). Logo lemos, "E eis que apareceram Moisés e Elias, falando com ele" (17:3). A palavra grega para falando é "soon", que quer dizer união, comunhão. Moisés e Elias comungavam com Jesus, conversando de um lado para o outro.

Sobre o que era esta cena toda? Acredito que não teve nada a ver com o ministério de Jesus na terra. Nem tinha algo a ver com Seus discípulos. Após isso, Cristo instruiu-os, "A ninguém conteis a visão, até que o Filho de homem ressuscite dentre os mortos" (Mateus 17:9).

Não, acredito que Jesus, em Seu corpo glorificado, ansiava por uma última refeição. Ele sabia o que vinha adiante, e tinha fome daquele alimento "que vós não conheceis". Estava para encarar a cruz, pagar o preço que tinha concordado, redimir a humanidade do pecado. E agora queria um banquete com amigos íntimos, fortalecendo a alma para a provação que chegava. Em minha opinião, o encontro de Cristo com Moisés e Elias foi um presente do Pai. Deus quis dar um lembrete de Sua glória para o Filho, dizendo, "eis o alimento celestial que O espera".

Jesus Conta Uma Parábola em Lucas 17 Que Deve
Revolucionar Nossa Vida de Oração.

A seguinte parábola deve mudar a visão de todo cristão sobre comunhão:

"Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à mesa? E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás? Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado? Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer" (Lucas 17:7-10).

Sabemos que o mestre nesta parábola é Jesus. E o servo aqui representa cada crente. Claramente, esta parábola é sobre alimentar a Cristo. E, evidentemente, nosso Senhor vê esse ato como o nosso mais alto chamamento.

Você pode opor-se dizendo: "Pensei que nosso mais alto chamado fosse trabalhar nos campos de colheita". Isso verdadeiramente é um alto chamado. Mas Jesus diz que não é o mais alto. A "soberana vocação de Deus em Cristo Jesus", à qual Paulo se refere, é alimentá-Lo. Todo serviço deve nascer da comunhão e da intimidade com Cristo. Eu não entendia isto até que me coloquei no lugar do servo.

De repente sou aquele no campo, arando e alimentando ovelhas. Quando o trabalho termina, estou cansado, suado e faminto. Trabalhei duro e de modo fiel, e agora necessito alimento. Então vou à sala de jantar do mestre para ser alimentado. Ao entrar, espero ouvi-lo dizer: "Por favor, sente-se. Você precisa descansar". Então fico perto da mesa, com cara de faminto, com os olhos pedindo: "Estou precisando disso". Mas o mestre não diz, "Sente-se e coma". Contrariamente, Ele ordena, "Põe seu avental. Estou pronto para comer - então sirva-Me primeiro. Aí, depois de servir-Me, você comerá e beberá".

Aqui está a prova clara de que somos chamados para alimentar a Cristo. À primeira vista, esta ordem parece áspera e exigente. Porém nada poderia estar mais longe da verdade. O piedoso profeta Elias deu uma ordem semelhante, quando foi alimentado pela viúva. Elias disse, "Faz-me um bolo primeiro. Depois você pode comer". O que realmente está sendo dito em ambas passagens é, "Põe o Reino do Deus em primeiro lugar. Então tudo mais lhe será dado".

Quando vejo o que Jesus realmente está dizendo aqui, o meu coração se derrete. Ele já tinha dito aos Seus discípulos, "tenho-vos chamado amigos” (João 15:15). E agora diz, em essência: "Vocês são Meus servos, mas lhes chamo de amigos. E há uma necessidade em Mim que só a sua amizade pode satisfazer. Vocês estiveram no campo todo o dia, trabalhando para Mim, e estão cansados e famintos. Mas, antes de lhes alimentar, necessito que vocês façam algo para Mim. Quero que vocês venham sentar-se à Minha mesa, e Me deixem falar a vocês. Há tantas coisas no Meu coração que quero lhes dizer. Anseio por esse momento todos os dias, quando posso ter comunhão com vocês. Vistam-se agora, e sirvam-Me".

Não devemos imaginar este servo como um garçon correndo freneticamente da cozinha até a mesa. Não, o servo que Cristo apresenta aqui é a imagem de um amigo, alguém que é convidado para simplesmente sentar-se e escutar. O mestre está lhe dizendo, "Tinha saudade de você. Agora, alimente-Me, deixando que Eu desabafe Meu coração com você. Deixe-me falar à sua vida. Quero mostrar-lhe coisas do futuro".

Então, veja que, alimentar a Cristo não é um relacionamento de mão única, partindo de nós toda a conversa. Ao contrário, alimentamos nosso mestre regozijando-nos ao ouvir Sua voz. Ministramos alimento a Ele quando escutamos pacientemente. O Senhor descreve isso a Ezequiel: "Os filhos de Zadoque, que cumpriram as prescrições do meu santuário... eles se chegarão a mim para me servirem. ..eles entrarão no meu santuário, e se chegarão à minha mesa, para me servirem" (Ezequiel 44:15-16). Os sacerdotes de Zadoque tiveram o mais alto chamado entre o povo de Deus. O que o Senhor pediu deles? Ele os queria ministrando a Ele em Sua mesa. Fazemos isso hoje quando atentamos ao Senhor para ouvir Sua voz.

Jesus fala da mesma espécie de intimidade de mesa: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo" (Apocalipse 3:20). Cristo diz, em essência, "estou aqui, desejando entrar para uma conversa de mesa com você. Quero alimentá-lo, e deixá-lo alimentar-Me a Mim".

Você pode pensar, "Mas Jesus usa palavras tão frias nesta parábola, tais como 'dever' e 'servo inútil.' Soa tão sem amor. Isso não combina com o caráter de Deus". Em realidade, a palavra grega para inútil aqui significa sem mérito. E a palavra para dever significa benefício. Em resumo, todo servo fiel deve admitir: "Não há nenhum mérito no que fiz. Fiz só aquilo que me beneficia".

Jesus diz, em outras palavras: "Não saia da Minha presença pensando, 'Meu mestre tem que ser agradecido a mim. Dei-lhe o meu melhor tempo hoje. Agora Ele está me devendo.' Você sabe que a Minha graça não pode ser merecida. É um presente, livremente dado a você. E Meus mandamentos não são penosos. Pelo contrário, eles lhe beneficiam. Então, sempre que você Me alimenta, não o considere como boa obra com mérito. Tais atos não acumulam crédito contra o pecado".

Esta questão de alimentar a Cristo deve nos fazer profundamente humildes. Nós honestamente devemos nos perguntar, "Por que Jesus me quer próximo a Ele? Por que pede que eu demore em Sua presença? Sou tão fraco na fé, tão inclinado a cair. Mesmo assim diz que, quando O sirvo e escuto Sua voz, O alimento. Diz que é alimento para Ele eu ter fome de ouvi-Lo. Como pode ser isto?". Possam tais pensamentos manter-nos sempre humildes diante do Senhor.

Essa Mensagem Nasceu de Uma Tremenda
Experiência que Tive Enquanto Orava.

Quando oro, começo entrando na corte de Deus com louvor e ações de graças. Então gasto tempo adorando. Depois, tenho um tempo de petição, orando sobre os pedidos enviados ao nosso ministério. Eu também faço súplicas pelas viúvas, assim como pelos órfãos, desabrigados, pobres, idosos, doentes e aflitos. Finalmente, oro pela minha família, e pela direção deste ministério. Então sento-me calmamente, esperando o Senhor Jesus falar.

Recentemente, depois do meu tempo de oração, estava quase levantando para sair. Mas ouvi um sussuro, calmo e suave, "David, por favor não saia. Não Me deixe ainda. Tenho tanto mais para compartilhar com você. Há muito no Meu coração que desejo mostrá-lo, sobre as necessidades do mundo e a situação da Minha igreja. Você me alimenta escutando".

Em Lucas 24, encontramos uma cena tocante sobre o desejo de Cristo ser alimentado. Àquela altura, Jesus foi ressuscitado, tendo acabado Sua obra de redenção. Agora está em Seu corpo glorificado. É ainda um homem, tocado por sentimentos humanos, mas não é limitado por barreiras materiais. Pode aparecer ou desaparecer à vontade, e nenhuma porta ou parede pode pará-Lo.

Onde o Senhor foi primeiro? Tão logo depois de Sua ressurreição, algo mexia dentro do Seu ser glorificado. Tinha fome, queria aquele alimento “... que vós não conheceis" (João 4:32). Nós primeiro O vemos na estrada de Jerusalém para a cidade vizinha, Emaús. Repentinamente, apareceu a dois de Seus discípulos, que estavam abatidos por causa de Sua morte. A escritura diz, "Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e ia com eles. Os seus olhos porém estavam como que impedidos de o reconhecer" (Lucas 24:15-16).

Assim como fez com a mulher samaritana, Jesus puxou conversa com esses homens. Perguntou: "Sobre o que estão conversando? E por que estão tão tristes?". Eles ficaram perplexos, dizendo, "És o único porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?" (24:18).

Será que Jesus estava brincando com o sofrimento destes homens? Não, absolutamente não. Aliás, fez justamente o oposto, trazendo para fora as profundezas dos seus corações. Permitiu-os expor seus sentimentos reprimidos, até ao ponto de verbalizar a incredulidade. E Ele trata dessa incredulidade: "E começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras" (24:27). Fala-se tanto de aulas no seminário! Estes homens receberam tudo: profecias sobre a vinda de Cristo, o significado de Sua morte, sepultamento e ressurreição.

Naquela noite, os homens pararam numa estalagem para dormir. Àquele ponto, Jesus "fez menção de passar adiante" (24:28). Talvez o Senhor tenha dito, "Irmãos, vocês Me deram muito de seu tempo. E escutaram bem quando compartilhei Meu coração. Sem dúvida, estão cansados. Eu não os atrapalharei mais. Vou seguir e deixarei que descansem".

Isso podia ter sido o final da história. Aliás, para muitos crentes, é o fim. Estão satisfeitos com o único encontro que tiveram com Jesus há anos. Agora tudo que procuram é conhecimento bíblico. Eles não se preocupam em procurar intimidade com Ele. Testificam, "Sim, conheço Cristo. Tenho um conhecimento profundo sobre Ele". Mas não servem o Senhor, para alimentá-Lo. Eles não conhecem a Sua voz. E perdem a revelação pessoal de quem Ele é.

Mas os discípulos na estrada de Emaús não deixaram isso acontecer. Quando Jesus quis seguir adiante, "o constrangeram, dizendo: Fica conosco" (24:29). A palavra grega para constrangeram aqui significa forçaram. Para simplificar, eles não O deixaram ir. Lembre-se, eles ainda não tinham reconhecido o mestre. Mas seus corações queimavam com as palavras que Ele tinha lhes falado (veja 24:32). Agora insistiam, "Fica conosco".

Esta era a resposta que Jesus estava esperando. Tinha tanto mais para dizer a estes dois. E, depois, lemos umas das palavras mais doces em todas as Escrituras: "E entrou para ficar com eles" (24:29). Estes dois homens tinham alimentado Cristo ao escutar Seu coração. E agora Ele os levava à Sua mesa, onde os alimentou: "E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles" (24:30-31).

Graças a Deus, estes discípulos constrangeram Jesus a ficar. Senão, nunca teriam tido os olhos abertos para o Cristo vivo. Teriam retornado a Jerusalém com um depoimento de carta-morta: "Encontramos alguém no caminho de Emaús que nos ensinou profundamente a Palavra. Colocou fogo em nossos corações, e entendemos sobre Cristo como nunca antes". Os outros discípulos os teriam pressionado, perguntando, "Mas viram o Senhor? Vocês o tocaram? Descobriram onde Ele está? Vocês dizem que seus corações pegaram fogo. Mas, digam, Jesus está vivo?". Tristemente, eles não teriam sido capazes de responder.

Em vez disto, estes homens fiéis voltaram correndo para seus irmãos em Jerusalém, capacitados para dar este depoimento vibrante: "O Senhor apareceu para nós! Conversamos com Ele e comemos com Ele. É verdade, nós O vimos vivo. E Ele nos alimentou da Palavra de Deus com Sua própria boca. Sim, Ele está vivo e ótimo" (veja 24:33-35). Então, naquele mesmo momento, Jesus apareceu no meio deles.

Tragicamente, Muitos Cristãos Não Permanecem
Para Receber a Revelação Plena de Cristo.

Nem todos irão gastar tempo para servir (o alimento) ao Senhor. A maioria se satisfaz indo à igreja, ouvindo a pregação da Palavra, e crescendo só no conhecimento de Jesus. Às vezes, os seus corações podem queimar dentro deles ao ouvirem a Palavra de Deus. Mas eles não querem pagar o preço para ter intimidade com Cristo.

E Pedro nos diz, "Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pedro 3:18). Foi justamente isso que estes dois discípulos experimentaram na estrada de Emaús. Eles cresceram no conhecimento do Senhor, pelas Escrituras. Mas isso era só o fundamento; não era o trabalho acabado. Paulo sabia disso, e escreveu, "Cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Efésios 4:15 - a ênfase é minha).

Eis a questão, simples e clara: Jesus Cristo quer ser o tesouro mais importante de sua vida. Ele quer significar para você mais do que o seu trabalho, sua carreira, e até mesmo sua família. E quer tornar-se mais e mais precioso a você, com o passar dos dias.

Então, quão precioso é Jesus para você? Você pode declarar, "Ele é o de mais precioso em minha vida. Cristo é tudo para mim". Se isso for verdadeiro, você não ficará satisfeito com simples conhecimento intelectual sobre Ele. Ansiará ouvi-Lo falar a você. E seu desejo de servir (alimento) a Ele crescerá. Ouvir Sua voz mansa e suave será sua maior alegria. E você não deixará nada lhe impedir de dar a Ele o seu tempo. De fato, quanto mais tempo você gastar servindo-O, menos preocupado estará com as dificuldades desta vida.

Já fez aquele passeio com Cristo a Emaús? Já foi bem ensinado na Sua Palavra, com seu coração regozijando-se na verdade? Mais importante, você já se deliciou em servi-Lo e alimentá-Lo? Fique atento: há o perigo de se afastar de sua comunhão com Ele. Paulo fala sobre uma “apostasia" na igreja (2 Tessalonicenses 2:3). A palavra em grego aqui indica uma defecção ou divórcio. Em resumo, muitos deixarão o Senhor, abandonando o amor por Ele e divorciando-se de Seu companheirismo.

Contudo, quero lhe dar uma palavra de esperança. Aprendi algo que torna o Senhor ainda mais precioso para mim. Acredito que esta chave aumenta minha revelação sobre Ele, e pode me afastar da queda nos dias adiante. O que é esta chave? É algo que eu adicionei a meu tempo de oração. Deixe-me explicar.

Oro como de costume, da maneira que descrevi anteriormente. Porém, depois que acabo meu tempo de prece, permaneço no meu refúgio secreto de oração. Agora curvo-me diante do Senhor e digo, "Jesus, estou aqui só para Ti. Não trago nenhum pedido. Este é o Teu tempo, e somente Teu. Estou aqui para escutar o Teu coração". Simplesmente permaneço em Sua presença, amando-O, servindo-O. Sei que Ele virá a mim e comunicará Sua mente.

Na verdade, Ele falou isto ao meu coração: "Agora sei que você Me tornou o tesouro de sua vida, David. Sei que para você sou mais precioso do que a sua família, seu ministério e seu trabalho. Você Me quer mais do que qualquer outra coisa. E isso é alimento para Mim. Quero que continue vindo a Mim dessa maneira, e deixe abrir Meu coração a você. Se fizer isso, sempre estarei aqui para falar a você".

Então o Senhor deu-me uma última palavra, à Sua Igreja. Digo a você agora, com toda sinceridade: Jesus pede que O alimente, dando-Lhe o melhor tempo de seu dia, diariamente. Eu não me refiro ao tempo que você gasta lendo a Bíblia, e ora pelas necessidades. Isso deve ser feito no seu devido tempo.

Mas quando você acaba o trabalho do dia, venha á mesa do Mestre, para servi-Lo. Ele lhe pede simplesmente que espere em Sua presença até que você ouça Sua voz. Ele quer tempo para desvendar Seu coração para você. Então, faça do horário de servir a Ele um tempo sem limites. Sempre que você O serve, Ele promete falar a você.

Que privilégio, alimentar nosso precioso Senhor e Salvador.

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