domingo, abril 11, 2010

A Grandeza de Cristo Neste Momento

David Wilkerson

Quero que você avalie a prece que Paulo expressa em favor da igreja de Jesus Cristo. Ele ora, "Que Deus possa lhe revelar não apenas a grandeza passada de Cristo - mas a Sua grandeza neste momento".

Eis a oração específica de Paulo: "Para saberdes... qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder" (Efésios 1:18-19).

A igreja de hoje tem uma grande reverência pelo Jesus que caminhou sobre a terra. Estou me referindo ao galileu, o filho de Maria, o mestre e operador de milagres. Nunca nos cansamos de ouvir e de contar da grandeza de Jesus Cristo de Nazaré.

Amamos recordar como Jesus afugentou demônios e se manteve forte contra todas as tentações; abriu os olhos dos cegos, destampou os ouvidos dos surdos, fez os paralíticos andar, restaurou braços ressecados e curou leprosos. Transformou água em vinho, alimentou multidões com apenas uns poucos pães e peixes, e em mais de uma ocasião ressuscitou mortos.

Porém, à certa altura da história, os cristãos começaram a limitar o poder atual de nosso grande Salvador e operador de milagres; a igreja desenvolveu uma teologia que tornou Cristo o Deus do espiritual - mas não do natural.

Dou lhe um exemplo. Nos dias atuais, cremos que Jesus pode perdoar nossos pecados e remover a culpa. Cremos que Ele pode nos conceder paz e alegria e até nos dar vida eterna. E Ele faz tudo isso no mundo espiritual, invisível.

Mas não muitos de nós conhecemos Jesus como o Deus do mundo natural no qual vivemos. Muitas vezes não O conhecemos como Senhor sobre as coisas de nosso dia a dia, como o Deus do nosso lar, de nossos filhos, de nosso casamento, de nosso trabalho e contas.

Paulo está nos dizendo que necessitamos de uma revelação do poder de Jesus desde o tempo em que Cristo foi ressuscitado dos mortos. E nesse instante Jesus está à destra de Deus, sendo lhe dado todo o poder nos céus e na terra. "(Deus) pôs todas as cousas debaixo dos seus pés" (Efésios 1:22).

Lendo essa passagem agora, o Espírito Santo desperta o meu coração para uma verdade poderosa: "Jesus nunca foi mais poderoso do que está sendo agora". E mais, segundo Paulo, Cristo está "acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro" (Efésios 1:21).

Se verdadeiramente cremos nisso, as implicações para nós são tremendas. Veja, o Cristo da Galiléia nunca desistiu dos mortos; em realidade, não há maior evidência do poder de Jesus sobre a terra do que ter conquistado a morte. Ele demonstrou vez após vez que tem todo o poder sobre a morte.

"Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer" (João 5:21). Jesus não só afirma ter poder sobre a morte, dizendo "Eu sou a Ressurreição e a Vida"; Ele prova isso!

Temos a ousadia de crer no que Jesus diz a respeito da vida ressurrecta?

"Vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo" (João 5:25-26, itálicos meus).

Quando Jesus disse estas palavras, não estava se referindo apenas à ressurreição final. Ele estava nos mostrando o Seu poder no momento atual para levantar o que morreu - e nos inundar com vida.

A verdade é que todos temos um cemitério secreto em nossas vidas. Estou falando de alguém ou de algo que deixamos há muito tempo. Nós o enterramos, colocamos uma lápide por cima e escrevemos nela a data da morte.

Lembro-me de uma pessoa querida que contou à minha mulher e a mim a respeito da festa de formatura de seus filhos. É uma senhora cujo marido a deixou anos atrás para ficar com outra mulher. Na formatura, ele e sua nova esposa apareceram, junto com todos os parentes dele.

Como foi difícil para ela. Àquela altura, o casamento anterior de nossa amiga estava além da ressurreição. Mesmo assim ao se assentar a poucos metros do ex esposo e de sua nova mulher, Deus fê-la retornar ao túmulo de seu casamento. E ela começou a orar pela salvação de seu antigo marido, bem como de sua esposa.

Por quê ela faria isso? Ela o queria ressuscitado da morte do pecado. Veja, por conhecer a Cristo, ela se recusa a desistir dos mortos. Ela sabe que Jesus tem poder de ressurreição no dia de hoje para trazer vida sobre a morte.

Jesus nunca desiste dos mortos

O nosso Senhor traz vida sobre a morte. A única coisa necessária é a Sua palavra, o Seu sopro, e subitamente o que parece morto, sem esperança, vem à nova vida.

Conheço um pai que sofre pela filha de dezesseis anos que está presa ao crack. Ela antes era muito inocente e amorosa, e gostava de longas caminhadas com o pai em conversas profundas sobre a fé. Mas ela agora fica pelas ruas, vendendo o corpo para sustentar o vício; está emagrecida e de certo modo mais morta do que viva. O pai a ama profundamente, e chora sobre as fotos dela do tempo de ginásio. Estes dias ele perdeu a esperança. Ele aguarda um tenebroso telefonema quando a voz de um estranho lhe perguntará: "O senhor é o pai de...? Por favor venha ao necrotério".

Mas Jesus nunca desiste dos mortos! Ele tem todo o poder para salvar essa garota da sepultura das drogas. Milhares como ela têm sido ressuscitados de todos os tipos de vícios.

Um pai em sofrimento chamado Jairo uma vez foi até Jesus para a cura da filha que estava morrendo. Sua garotinha estava à beira da morte. "Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá. Jesus foi com ele. Grande multidão o seguia, comprimindo-o" (Marcos 5:22-24).

Claramente, Jairo tinha uma grande medida de fé. Ele insiste com Jesus, "Venha, imponha as mãos sobre ela, e ela ficará curada". Que tremenda afirmação de fé, revelando a profunda convicção de Jairo: "A minha filha só precisa do toque de Jesus. Ele tem todo o poder. Ele pode tirá-la da morte".

Creio que a atitude de Jairo representa a maioria dos cristãos de hoje. Quando estamos em crise profunda, sabemos que Jesus é a única esperança. E então corremos precisando dEle, caindo a Seus pés e buscando Sua misericórdia e socorro.

Jesus respondeu à fé de Jairo indo com ele. Dá para imaginar a grande esperança que deve ter enchido o coração deste homem que sofria tanto? Mas, ao mesmo tempo, acho que um pensamento terrível deve ter atacado Jairo: "E se chegarmos muito tarde? É maravilhoso ter Jesus ao meu lado. Mas precisamos de tempo. A cada passo que damos em direção à minha casa, mais a vida está se esvaindo de minha filha".

Nas crises, a maioria de nós diz a mesma coisa: "Preciso de Ti, Jesus. Mas o tempo está acabando". Houvera Jairo sabido quem Jesus é - a Ressurreição e a Vida - e então ele teria tido paz no coração. Ele poderia ter reassegurado a seu espírito conturbado, "Jesus existe fora do tempo. Não precisamos de tempo. Apenas precisamos dEle!".

Jesus permitiu que o tempo acabasse para Jairo

O Senhor quer mais de nós do que uma fé que se estenda apenas até as portas da morte. Jesus deseja fé em Seu poder ressuscitador. Estou falando de um poder que alcance além da morte, além da desesperança.

Os crentes nominais da família de Jairo tinham uma fé limitada. Eles criam apenas às portas da morte. Enquanto houvesse um pouquinho de vida na menina, um pouquinho de esperança, Jesus era desejado e necessário. A súplica deles era, "Cremos que Jesus é o grande médico que cura. Mas precisamos que Ele se apresse. A nossa criança pode morrer a qualquer momento. Depois disso não vamos precisar dEle!".

Eu pergunto: que tipo de fé é essa? É a fé só até chegar no ponto do desespero. Ela crê só até o túmulo. E isso não é fé de modo algum.

A filha de Jairo realmente morreu. Eu vejo alguém tomando o pulso da garotinha e declarando-a morta. Fosse qual fosse a pouca fé daquelas pessoas, ela agora cessara. E a primeira coisa a fazer era notificar o médico de que Ele não precisava mais vir. Eles mandaram a seguinte mensagem a Jesus: "Chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?" (Marcos 5:35, itálicos meus).

As palavras pareciam definitivas: "Tua filha já morreu". Me diga, há palavras parecidas soando em seus ouvidos a respeito de algo que tenha morrido em sua vida? "O teu casamento já morreu. Não adianta procurar Deus". "O teu ministério já morreu. Não adianta orar". "O teu filho já está morto no pecado. Esqueça". "O teu relacionamento com a pessoa que você ama já morreu. Deixe pra trás".

Não! Todas estas palavras temíveis não significam absolutamente nada para Jesus. Ele nunca desiste dos mortos. Estou falando da morte espiritual. Ele é a vida ressurrecta para o quê achamos estar morto.

Como Jesus reagiu à notícia sobre a filha de Jairo? A melhor tradução diz, "Não fazendo caso do que eles disseram, Jesus disse ao dirigente da sinagoga: 'Não tenha medo; tão somente creia'" (v. 5:36). Veja o contraste disso com a finalidade da mensagem trazida pelos da casa de Jairo: "Não precisa mais incomodar o Mestre!". Em outras palavras, "Por que ficar persistindo se já acabou? Agora já era. Deixe quieto". Mas com Jesus nunca acaba.

Se Jairo tivesse ouvido essas dúvidas, como você acha que teria respondido a Jesus? "Obrigado, Senhor, eu sei que tivestes boa vontade. Talvez ela tivesse vivido se não fôssemos atrasados por aquela mulher com fluxo de sangue que tocou Tuas vestes. Em verdade eu realmente tive fé. Acreditei que se chegássemos em casa enquanto ela ainda respirava, ela teria vivido".

Quando Jesus foi chamado para curar Lázaro, Ele enfrentou o mesmo tipo de fé limitada. "Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido" (João 11:32). A passagem prossegue para mostrar que Maria e seus amigos tinham fé apenas até chegar às portas da morte. "Mas alguns objetaram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer que este não morresse?" (11:37).

Para eles, Jesus era necessário só até a beira da morte. Nem Maria, nem Marta e nem pessoa alguma junto àquele túmulo tinha fé em Cristo como ressurreição e vida.

Quando leio o relato do que aconteceu quando Jesus chega à casa de Jairo, fico estupefato

Era uma cena terrível. Havia confusão total, dúvidas, medo e choro. "Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito" (Marcos 5:38).

Quando Jesus chegou, as pessoas lá agiam como se Ele fosse só uma das visitas que se lamentavam, e tinham vindo dar pêsames. Posso ouvi-los cochichando, "Pelo menos Ele teve a decência de vir ao funeral. Antes tarde do que nunca".

Você se pergunta por que há tanta comoção na vida de muitos de nós cristãos? Por quê tanto sofrimento e choro? É porque não cremos que Jesus possa ressuscitar o que parece morto. Se formos honestos, muitos de nós admitiremos que há vezes em que não cremos que Jesus saiba o quê está fazendo. Não acreditamos que Ele tem um plano de concessão de vida para conosco. Achamos que Ele se atrasou, que a hora boa já foi.

Tal atitude se mostrou quando Jesus disse aos familiares de Jairo para terem esperança. "Lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme" (5:39). Eis a reação dos que choravam: "E riram-se dele" (5:40, itálicos meus).

Ao visualizar tais pessoas que duvidam, quero perguntar: "Do quê estão rindo? Por que desistiram? Fiquem firmes! Confiem nEle. Ele pode levantá-la. Este é o plano dEle o tempo todo".

Pense: estas eram as mesmas pessoas que oravam e esperavam em fé que Jesus chegasse. Apenas uma hora antes elas declaravam: "Jesus é a nossa resposta. Ele é a solução para o nosso problema. Vão buscá-Lo!". Agora estes mesmos crentes riam dEle com desdém. Estando a garotinha morta, eles simplesmente O ignoravam; para eles Ele era apenas mais um homem.

Hoje, muitos de nós somos tão culpados quanto aquela multidão que duvidava e chorava

Isso não é uma realidade com muitos de nós igualmente? Clamamos a Deus quando estamos em dificuldades. Pedimos que Ele nos responda antes que seja tarde. Aí, quando a resposta não chega em tempo, começamos a murmurar - trememos diante do poder do Diabo, como se os demônios tivessem vencido a batalha. Concluímos: "Jesus perdeu a guerra. No fim o Diabo venceu".

Lhe digo que não é suficiente amar, servir e adorar Cristo só até chegar o momento quando acaba a esperança. Por quê não confiamos nEle havendo toda esperança acabado? Pergunto isso a mim mesmo. Por quê não confiamos nEle quando parece que nunca conseguiremos emprego - quando nos parece humanamente impossível continuar?

Pergunto o seguinte: como seria se Jesus entrasse dentro da sua situação de momento? O que Ele iria achar? Você ainda iria chorar por sua situação? O seu coração estaria na mesma agitação como os que choravam na casa de Jairo?

Ou, você diria a Jesus, "Senhor, parece que não há solução. Eu estava quase desistindo. Mas Tu és o mesmo hoje como eras na casa de Jairo. Tu podes curar esse problema. Tu és a ressurreição e a vida. Tu podes produzir vida na morte!".

Note o que Jesus fez na casa de Jairo: "Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava" (Marcos 5:40).

Jesus reuniu junto a Si senão "os que vieram com ele". Isso significa os que criam nEle: Seus discípulos bem como os pais crentes da menina. Todos estavam lá para vê-Lo produzir vida na morte.

Note também que Cristo não estava interessado em mostrar o Seu poder aos incrédulos. Em verdade, após ter trazido a garotinha de volta à vida, Ele diz aos que O rodeavam que "ninguém o soubesse" (5:43). Em outras palavras, "Não contem aos outros o que viram. O milagre é entre nós nesse quarto".

Diga, prezado santo, quando Jesus opera o seu milagre, como fez para Jairo, e para Maria e Marta, você está no quarto junto aos que crêem nEle? Ou está do lado de fora? Eu quero estar dentro quando Jesus produz vida. Quero estar do lado da fé!

Jesus nunca esteve mais desejoso de mostrar o Seu poder de ressurreição quanto neste momento

A nossa fé simplesmente precisa ir além do momento da morte. Precisamos olhar para o rosto de tudo que está morto e proclamar: "Jesus jamais desiste do que parece estar morto". Necessitamos de uma fé que se recuse a desistir de qualquer um ou de qualquer coisa, não importa o quanto a situação pareça desesperadora.

Cristo irá nos maravilhar pelo Seu poder. Na verdade, se você se mantiver em fé inabalável, estará adentrando à uma manifestação gloriosa da Sua vida ressurrecta. Somente você e o Senhor irão conhecer toda a operação íntima do Seu milagre. E irá lhe assombrar e emocionar ao mostrar a Sua grande glória.

As escrituras dizem que nos foi concedida a mesma vida ressurrecta vigorosa que está em Cristo: "Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita" (Romanos 8:11). Ele infunde os nossos corpos mortais com força física através da energia do próprio Deus.

"A vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele" (Colossenses 2:13). "Mas Deus... por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo" (Efésios 2:4-5). "O espírito é o que vivifica" (João 6:63). "O último Adão... é espírito vivificante" (I Coríntios 15:45).

Tito fala do "lavar regenerador do Espírito Santo" (Tito 3:5). "De sorte que a tua mocidade se renova como a da águia" (Salmo 103:5).

Esta mensagem está muito clara para nós: o Espírito Santo habita em nós para promover a Sua vida constante. Essa é a grandeza de Cristo neste momento. Creia nEle.

A SUA SITUAÇÃO NÃO É DESESPERADORA. CONSERVE A FÉ!

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domingo, abril 04, 2010

A Vitória da Cruz de Cristo (O Poder Purificador e Curativo do Seu Sangue)

David Wilkerson

Era a noite anterior à crucificação de Cristo. Jesus havia reunido os discípulos em um cenáculo para prepará-los para a Sua partida da terra. Após compartilharem de uma refeição juntos, o Senhor pegou uma toalha e prosseguiu lavando os pés daqueles homens.

Naquela noite, Jesus disse a estes consagrados seguidores que Ele seria “elevado” (significando crucificado) pelas mãos de homens ímpios. Ao lhes dizer isso, estava prevenindo-os quanto ao que estava por vir.

Jesus encerra a mensagem lhes dizendo, “Vim do Pai e entrei no mundo; todavia, deixo o mundo e vou para o Pai” (João 16:28).

A isso, os discípulos responderam, “Agora é que falas claramente e não empregas nenhuma figura. Agora, sabemos que sabes todas as cousas... por isso, cremos que, de fato, vieste de Deus” (16: 29-30).

Os discípulos estavam comunicando a Jesus que haviam compreendido inteiramente o que lhes havia dito. Porém, mais importante, note as suas palavras no último versículo: “Agora, sabemos... cremos...”.

Parecia que uma grande fé havia se apossado de suas almas. Esses homens estavam declarando a Jesus, “Agora sim estamos enxergando, Jesus. Agora entendemos. Agora cremos!”.

Tudo isso parece sugerir que os discípulos estavam preparados para os horrendos e sangrentos dias que estavam à frente.

Jesus responde aos discípulos com uma pergunta: “Credes agora?” (João 16:31)

Quando Cristo propôs essa questão, estava lhes perguntando, em outras palavras:

“Vocês compreendem o que está por vir? Vocês são capazes de beber do cálice que vou beber? Estão prontos para crer, quando amanhã me virem pendurado indefeso numa cruz?”

“Vocês ainda crerão quando parecer que não tenho nenhum poder sobre homens ou demônios? A sua fé se manterá quando virem que o Pai Me deixou na mãos dos inimigos por um tempo? A sua confiança se manterá inabalável então?”

“A sua fé irá persistir quando virem o Meu aspecto desfigurado até quase não Me reconhecerem? O que acontecerá com a tua fé naquela hora, quando o seu Salvador parecer não ter poder para salvar nem mesmo Ele próprio?”

“Digam, credes agora? Vocês realmente crêem?”.

“Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só” (João 16:32).

A hora da provação havia chegado

Essa hora da provação veio imediatamente no rastro de muitas horas ternas de amorosa comunhão. Pense que apenas poucas horas antes, Jesus havia mansamente lavado os pés dos discípulos; só poucas horas antes Ele os prevenia sobre o sofrimento e a dor que jaziam à frente com Sua crucificação.

Mas durante a hora da provação, rapidamente se tornou claro que os discípulos não compreendiam de modo algum tudo que Jesus tinha lhes ensinado. Que cantoria deve ter havido no inferno quando essa hora veio. Em tão pouco tempo, Pedro foi da jactação de sua fé à negação de Cristo. Todos os discípulos abandonaram Jesus, bem com Ele previra, “cada um para sua casa” (João 16:32), fugindo em busca de proteção.

Antes de julgarmos estes homens, contudo, imaginemos que nós também tivéssemos ficado perto da cruz aquele dia. Como seria se você tivesse ouvido Jesus clamando, “Pai, por que Me abandonastes?”. Que pensamentos teriam passado por sua mente? Suspeito que você teria tido o mesmo raciocínio dos discípulos. Como eles, você também poderia ter se perguntado:

“Onde está a mão de Deus em toda essa dor e sofrimento? Onde está o Pai nesse momento? Por que Ele permite essa coisa terrível acontecendo, depois de tudo que Jesus prometeu sobre o Seu reino?”.

Foi esse tipo de pensamento que carregou os discípulos diretamente ao abismo do desespero. Eles devem ter tremido, pensando, “Pensávamos que Ele fosse a nossa esperança”. Agora viam sua esperança sendo estraçalhada diante deles.

É exatamente nessa hora de aparente perda da esperança que ganhamos um vislumbre da vitória da cruz

Satanás provavelmente teve exultação maligna nessa hora. Ele pode ter pensado estar vendo um padrão no povo de Deus, a seu favor. Eu o imagino pensando, “Isso é um retrato do que está por vir. Os seguidores de Cristo vão se dobrar ao passarem por dor e sofrimento. Vão cair fora assim que complicar. Uma vez tendo pego a própria cruz, vão lançar fora a fé”.

Em verdade, a cena no calvário não tinha aspecto de vitória. Mas havia algo agindo naquele dia a respeito do qual Satanás não sabia. É algo que o Diabo jamais irá compreender em relação ao nosso bendito Salvador. Estou falando da imperscrutável misericórdia de Deus em Cristo!

Algo incrível acontece uma vez a pessoa tendo recebido Jesus como Senhor. Uma vez tendo abandonado o mundo e O seguido, a pessoa para sempre está amarrada ao Senhor com cordões inquebráveis de amor. Veja a descrição que Paulo faz dessa insondável misericórdia:

“Quem nos separará do amor de Cristo? ... Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:35, 38-39).

A despeito do vergonhoso fracasso dos discípulos, a misericórdia de Deus estava plenamente em ação neles através do Espírito Santo. E essa misericórdia determinou a vitória após o dia negro da cruz. Uma semente de fé havia sido implantada nos seguidores de Jesus, e suas casas haviam sido construídas sobre uma rocha. Suas casas foram abaladas certamente quando tempestades satânicas se chocaram contra as paredes, e poderosas ondas socaram os alicerces. Mas passada a tempestade, aquelas casas permaneceram.

A semente de fé não estava morta. Estava plenamente viva! As orações de Jesus haviam prevalecido. A fé dos Seus seguidores não fracassou.

Quero me concentrar em uma das várias vitórias da cruz

Ninguém pode enumerar todas as ternas misericórdias de Cristo e as múltiplas bênçãos do Seu sangue derramado. Mas quero me gloriar em uma vitória em particular: o perdão de todos os pecados passados.

“Se andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado ... Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:7; 9).

É imperativo que todo seguidor de Jesus se apodere dessa verdade gloriosa. Apropriar-se dela tem tudo a ver quanto à manutenção ou não de uma fé vitoriosa em meio às horrendas aflições. Na realidade, em dias de incerteza, esse ponto de descansar no perdão de Cristo é crucial.

Muitos de nós que temos servido a Jesus fielmente ao longo dos anos, nos tornamos confiantes de que a nossa fé pode suportar qualquer fornalha ardente; como os discípulos, testificamos, “Agora estou enxergando, Senhor. Agora eu creio”. Agradecemos a Deus por Cristo haver aberto os nossos olhos para Seus eternos propósitos.

Então de repente somos confrontados com uma crise tremenda e esmagadora. Entendemos que entramos numa fornalha sete vezes mais quente do que qualquer coisa que já tenhamos conhecido. Ficamos cara a cara com uma batalha tão dolorosa, um combate tão desgastante, que a nossa casa começa a ser abalada. E logo ela começa a submergir com pressões e temores.

Veja o testemunho de um piedoso e antigo pastor Puritano

Esse próprio pastor havia experimentado grandes sofrimentos na vida. Ele se dirigia à multidões de pessoas quando escreveu, “A primeira coisa que muitos perguntam é, 'O que foi que eu fiz? Deus, será que falhei contigo?'”.

Isso é ilustrado em uma carta que recebi de uma querida irmã em Cristo. Ela diz o seguinte em relação às suas lutas:

“Parece que o sofrimento não vai cessar, e nem fazer pausa para descanso. Não sei se isso é correção vinda do Senhor.

Me pergunto se os problemas da minha família seriam devidos à vida que tive antes de ser salva; sempre pergunto ao Pai se esse é o caso. Mas simplesmente não sei.

Às vezes penso que se é assim, então a minha punição é maior do que posso suportar certas vezes. Eu iria preferir receber eu mesma o castigo, do que os membros de minha família sofrerem devido aos meus pecados de antes.

Eu tenho o Senhor, e me afastar dEle não é opção para mim. Ele é a minha vida. Mas recentemente senti que teria sido melhor se eu nunca tivesse nascido. Então os meus filhos não estariam aqui para sofrer.

Também às vezes sinto que gostaria simplesmente de partir para estar com Jesus. Mas isso é egoísmo porque os meus filhos precisam de mim.

Por favor, se o senhor puder fazer algum comentário que poderia acertar a minha cabeça em relação a isso, eu gostaria muito de tê-lo”.

Digo a você o mesmo que eu diria à essa mulher. Ouça as palavras do apóstolo Paulo. Ele diz: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Romanos 3:24-25, itálicos meus).

Através da fé no sangue derramado por Cristo, todos os pecados passados são cobertos

Somos absolvidos aos olhos de Deus por Seu perdão imerecido. Toda culpa, todo temor e condenação são revogadas. Todas as acusações passadas são retiradas!

Em resumo, Deus não mantém mais aqueles pecados passados contra você. Ele lhe reconciliou com Ele próprio, sem inimizade alguma da parte dEle. Surpreendentemente, o Senhor fez provisão para essa reconciliação enquanto você estava ainda em pecado. Eu lhe pergunto, o quanto mais essa reconciliação se aplica agora que você confiou na vitória da cruz?

De acordo com Paulo, “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Romanos 5: 8-10).

Finalmente, Paulo nos diz, “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (8:1). O pecado perdeu todo o seu poder de condenar. E isso aconteceu na cruz de Cristo.

Permanece o fato de que há consequências ao pecado

Algumas consequências do pecado podem ser causadas por hábitos passados. Igualmente, correção do Senhor muitas vezes acompanha o pecado. Contudo como filho de Deus você precisa definir uma coisa em sua mente, de uma vez por todas: Deus jamais corrige Seus filhos com raiva.

“Porque o Senhor corrige a quem ama,e açoita a todo o que recebe por filho. É para disciplina que suportais a correção; Deus vos trata como a filhos” (Hebreus 12: 6-7).

Você nunca é mais amado do que quando está sendo punido ou castigado pelo Senhor. O fato é que o processo de purificação inteiro tem a ver com o desejo de Deus por você. O objetivo todo é levá-lo ao conhecimento e à glória dEle próprio.

Porém, não se engane: a Bíblia chama estes tempos de dolorosos; de modo algum são alegres. “Nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo” (12:11). Contudo, aprendemos que, “depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ela tem sido exercitados” (mesmo verso).

Ao longo dos anos tenho tido de debelar muitos dos dardos e mentiras de Satanás. Hoje proclamo com segurança, “Deus não está com raiva de mim. E, querido seguidor de Jesus, Ele não está com raiva de ti. Logo, silencie tudo que o Diabo disser nesse sentido!”.

Essa é a vitória da cruz: paz com Deus e a íntima paz de Deus

Na cruz, a misericórdia e a paz assumiram um rosto. Foi uma face humana – Jesus Cristo. Ao longo da história, toda vez que um filho de Deus confiou inteiramente no poder purificador e curativo do sangue de Cristo, a paz foi prometida. É a própria paz de Cristo, a própria paz que governa o paraíso.

As palavras de Paulo quanto a esse assunto foram ditas para que todo crente as aplique em seu próprio caminhar:

E a paz de Deus, para a qual fostes chamados em um só corpo, domine em vossos corações” (Colossenses 3:15, itálicos meus).

Prezado santo, eis a nossa esperança em todas as batalhas: que a paz de Deus domine o seu coração pelo descanso nas promessas de Deus. “O próprio Senhor da paz lhes dê a paz em todo o tempo e de todas as formas” (2 Tessalonicenses 3:16).

Que a seguinte oração de Paulo se torne também a nossa, nestes dias de incerteza:

“Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo” (Romanos 15:13).

Graças a Deus por Sua alegria e paz! Amém.

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