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segunda-feira, maio 07, 2012

Boas Notícias Para os Mornos

Gary Wilkerson

Você está achando que suas tentações estão mais fortes, que sua resistência está mais fraca, que suas afeições por Cristo estão estranhamente se ofuscando? Você está vivendo um período quando a palavra de Deus parece desinteressante e a sua vida de oração anda fraca e anêmica? Por acaso há o temor de lentamente estar se tornando morno?

Se for assim, essa mensagem é para você. Há esperanças para o crente que está caindo na mornidão espiritual. Há poder disponível para você – e há um Salvador operando a seu favor para arrancá-lo do embotamento de espírito e lhe trazer o fogo do avivamento.

A maioria de nós conhece as famosas palavras de Jesus a respeito dos cristãos mornos. Em Apocalipse 3, quando Ele se dirige às sete igrejas, não parece haver muita notícia boa para tais pessoas. Na verdade, parece que as notícias são todas muito más.

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio, ou quente! Assim, porque és morno, e nem és frio nem quente, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Apocalipse 3: 15,16).

Cristo está falando especificamente a respeito da igreja de Laodicéia. Evidentemente tal igreja havia se tornado muito complacente em sua fé. Essa passagem do Apocalipse se tornou tão conhecida que a palavra “laodicéia” aparece realmente no dicionário. Significa alguém medíocre, dividido, que não está inteiro naquilo que faz.

Essa é uma das passagens mais poderosas das Escrituras

Realmente, esses versículos declaram um alerta claro a todas as gerações da igreja. Os que são descritos aqui como mornos são pessoas que alegam ter a natureza de Deus sem viver uma vida que reflita tal natureza.

Os mornos afirmam ser do círculo íntimo de Deus, mas não se preocupam em obedecer a Seus mandamentos. Quando Jesus diz, “Conheço as tuas obras” (Apocalipse 3: 15), Ele está falando do modo pelo qual tais pessoas vivem. Os mornos citam a Bíblia, contudo agem do jeito do mundo. Eles querem os benefícios de ser identificados com Jesus, mas não querem submeter-se ao que Ele pretende deles.

Tais pessoas não são “frias” de modo algum. Pessoas de coração frio vivem vidas mundanas sem qualquer desculpa; elas caem na farra, bebem, e isso não surpreende, pois não têm lealdade a Deus. Pessoas “frias” são exatamente o que parecem ser – e elas não fingem ser o que não são.

Mas as pessoas mornas levam vidas fraudulentas, que é como prejudicam o evangelho. Declaram-se de Deus, mas são levadas por apetites mundanas. Isso se torna um testemunho ruinoso – pior do que a pessoa fria que admite “Não dou bola para Deus”.

Por favor, não me entenda mal: não estou dizendo que inexista perdão para os pecados do morno. Jesus torna disponível Sua provisão de purificação não apenas para os quentes, mas também aos mornos e frios. Ele está disponível para lavar os pecados de qualquer um de nós. A ira de Deus contra o pecado foi plenamente satisfeita na cruz, nos libertando de qualquer culpa.

Mas nós não somos apenas perdoados. Jesus também imputa Sua retidão e justiça a nós. Ele coloca o Seu Espírito dentro de nós, dando-nos justo poder sobre o pecado. Contudo, os crentes mornos não permitem que a justiça de Deus os afete – e esta é a sua tragédia.

Veja, os mornos experimentaram o fogo purificador e consumidor da presença de Deus. Ouviram a respeito de Cristo satisfazendo a ira através de Seu sangue derramado. Mas aceitam essas verdades gloriosas com um bocejo. Cristo olha para eles e diz, “A tua mornidão está mais distante do Meu coração do que qualquer frieza”.

Todo cristão que lê esta mensagem deve examinar se há mornidão em seu coração

Em meus anos de pastor tenho observado vários sinais nos crentes que se tornam mornos. Todos estes sinais podem parecer muito familiares a você, mas leia-os à luz das palavras de Jesus quanto a “conhecer as tuas obras”, e veja se algum deles se relaciona a você:

Falta de oração. Há uma brincadeira entre pastores de que a maneira mais fácil de fazer um cristão se sentir culpado é perguntar de sua vida de oração. Mas em verdade uma vida de oração dividida revela algo em qualquer crente. As obras de tal pessoa – ou a falta delas – refletem a condição de seu coração. A oração é uma obra piedosa que brota de um coração cheio do Espírito. E é uma das primeiras coisas que começa a faltar quando um coração está morno.

Não ser mexido pela palavra de Deus. A leitura da palavra de Deus é para despertar, nos mover e incitar. Porém algumas vezes quando lemos as escrituras é como se estivéssemos lendo qualquer outro livro. Ou nos interessa ou não, e se estamos chateados deixamos de lado.

Um encontro com a palavra viva de Deus não é para ser uma evasão, um escape - como qualquer outra leitura comum. Tem o efeito oposto: ela leva à transformação. O coração que se abre ao poder da palavra de Deus é transformado. Mas o coração morno não é transformado porque nunca se permite ser examinado.

Desobediência à palavra de Deus. Como é trágico quando um coração morno finalmente tem um vislumbre da verdade santa. O Espírito Santo irrompe e convence o coração crente, que revolve, “Chega de ser morno. Voltei inteiro para o Senhor”.

O crente morno tem reação diferente. Ele é como o homem descrito na epístola de Tiago: ele se olha no espelho e enxerga a sua situação – mas quando se afasta rapidamente esquece o que tinha visto. Ele convenientemente ignora que ser chamado para Cristo é uma paixão consumidora.

Pouca atenção para os que se perdem. Quando mostram ao crente morno notícias dos perdidos e dos que estão em desespero – seja no seu quintal ou em outros países – ele se mantém intacto. Mesmo quando se lembra de seus queridos não salvos ele não se preocupa.

Há um grito em sua alma por seus conhecidos que estão vagando nas trevas? A luz de Cristo surge em suas horas de oração lhe mostrando a verdadeira situação deles? Quando você vê as necessidades prementes dos excluídos de outras nações uma aspiração espiritual desperta em você? Você tem um fogo para ver os perdidos, os cegos, os destituídos conhecerem o amor de Jesus?

Reuniões irregulares com outros crentes. O crente morno vai à igreja não para ser transformado, mas porque serve para ele ir. Reuniões com outros crentes para a glória de Deus não têm significância para ele. Ele escolhe ir tendo em mente apenas sua conveniência.

Mas Davi compreendeu o significado de estar na casa de Deus em meio ao Seu povo. Ele declara que um único dia na presença de Deus é melhor do que mil em outro lugar. Davi até diz que ficaria alegre em servir como porteiro só para estar lá. Isso deveria significar algo para nós. Foi dito por um homem com autoridade sobre dezenas de milhares!

Indiferença diante da apatia na igreja. Um cristão morno não se preocupa caso seus irmãos ou irmãs estejam mornos, também. Ele se satisfaz em cantar louvores com eles e em ouvir sermões não permitindo que nada se aprofunde. Se fosse por ele, coisa alguma em sua igreja jamais iria mudar. Pouco se preocuparia em ela se tornar um corpo de serviços à comunidade.

Lendo estes traços da mornidão, algo desperta em você? Sente-se tocado por estas coisas que podem descrever sua vida? Todos temos de invocar a Deus para que nos agite quanto aos interesses dEle. Ele está pronto e desejoso de restaurar nossas paixões piedosas.

Se soubesse de algo que pudesse transformar sua vida para a glória de Deus, você a buscaria?

Minha mulher e eu temos uma brincadeira que fazemos de vez em quando. É assim: imagine que você possa receber cinco pessoas para o jantar, sejam pessoas do passado ou do presente. Você faz as escolhas sabendo que estas pessoas poderiam ter uma influência em sua vida como nenhumas outras. Você iria conhecer seus corações, e deixar que falassem ao seu. Se isso pudesse acontecer, quem você escolheria?

Ao longo dos anos as nossas listas incluíram muitas pessoas grandemente espirituais (apesar de que eu também incluiria um ou dois esportistas!). Não seria incrível, ou seja, beber profundamente do poço daqueles que poderiam ajudar sua vida a se amoldar à própria semelhança de Cristo?

Você fez a lista e enviou os convites, e agora todos os convidados dizem que poderão vir. Então você começa a planejar aquela refeição perfeita e a perfeita atmosfera na qual a servirá. Você vai ficando entusiasmado por entender que está prestes a viver um dos momentos mais significativos de sua vida.

Porém à medida que a noite especial se aproxima algo em você resiste. Outros desejos começam a brotar em sua cabeça, como “Realmente tenho de acabar aquele livro incrível que estou lendo. Só tenho de ver o que vai acontecer”. Finalmente, a sua ânsia de desviar a atenção desse assunto fica tão forte que você resolve faltar ao jantar. Mais tarde enquanto seu cônjuge recebe os convidados, você fica à toa na outra sala, ausentado de algo que poderia ter transformado a sua vida.

É exatamente isso que o coração morno faz. Ele mata a paixão genuína! Ele supera qualquer zelo “quente” que tenhamos pelas coisas de Deus.

É exatamente disso que trata a advertência de Jesus aos laodicenses. Não é uma mensagem de condenação, mas de esperança, amor, graça e poder. Ele está dizendo, “Tenho uma notícia boa para você. Sim, sua situação se tornou repulsiva para Mim – mas nesse momento estou lhe desafiando a sair da mornidão. Te dou todo o poder para fazer isso acontecer”.

Isso mesmo – Cristo não estava excluindo os mornos. Ele os estava advertindo a fim de trazê-los de volta para Si – para reacender o relacionamento deles consigo.

Qual é exatamente a boa notícia de Jesus aos mornos?

A primeira parte da boa notícia de Jesus aos de Laodicéia está resumida na frase: “Quem dera fosses frio, ou quente!” (Apocalipse 3: 15, itálicos meus). Algumas traduções desta frase dizem, “Oxalá foras frio ou quente!”.

Pode-se dizer, “Isso soa como mera sugestão”. Nada mais longe da verdade. Jesus é o Senhor do universo – e está expressando o Seu desejo; quando diz, “Quem dera fosses...” podemos saber que Ele está recorrendo a todos os recursos possíveis a nosso favor. Se Ele quer que o nosso coração morno entre em chamas para Si de novo, Ele irá liberar um conjunto de operações multi-abrangentes para ver acontecer. E os planos de Jesus não falham.

“Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Apocalipse 3: 16). Jesus tem repugnância por nossa mornidão. É como vinagre em Sua boca, um queimor azedo tão horrível que causa reflexo de por para fora. Se persistirmos em nossa mornidão, esse gosto azedo O fará nos vomitar.

Mas essa não é a palavra final nesta passagem. A seguir lemos: “Eu repreendo e disciplino a todos quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-te” (3:19). É o amor de Cristo que O leva a nos falar nesses termos. É o evangelho da graça alcançando até os mais mornos dentre nós.

Em termos simples, Jesus está nos dizendo que mesmo quando nos tornamos mornos o Seu amor é levado a agir. Sua repreensão é redentora, Seu objetivo com a disciplina é restauração. O amor de Jesus pode despertar o desempenho mais medíocre. E nos oferece isso: “Aqui estou! Estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com essa pessoa, e ela comigo” (vide 3: 20).

Os pais da igreja chamavam este aspecto da natureza divina de “tolerância”. E a razão para Sua tolerância é o amor. Porém Jesus tem ainda mais a dizer aos mornos. Ele oferece uma recompensa a todos que queiram responder a Seu alerta: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci, e me sentei com meu Pai no seu trono” (3: 21).

Ouça o que o seu Salvador está dizendo a você: Ele deseja a sua afeição inteira. Ele deseja que os Cantares de Salomão sejam a história do seu relacionamento com Ele. Ele deseja que você O anseie ardentemente quando Ele pareça estar longe e se deleite quando está perto. Ele deseja lhe encher tanto com o Seu amor, que você seja levado à ação – a fazer Suas obras alegremente e com um coração pleno.

Esse tem sido o coração de Deus desde o Velho Testamento. Ele então declara, “Não é Meu desejo que nenhum seja lançado fora ou que se perca”. E agora no Apocalipse Ele está nos lembrando, “Planejo modos de trazer de volta todos os que estão mornos”.

Poderia haver alguma notícia melhor para os crentes mornos? Para aqueles que nós tão facilmente julgamos estarem com corações divididos? Jesus não para em expor o pecado deles – Ele lhes dá o remédio. “Pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de cousa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas” (Apocalipse 3: 17-18).

Note o conselho de Jesus para nós aqui. Ele diz que tem “ouro refinado pelo fogo” – e que devemos comprá-lo dEle. Está nos dizendo, “Sei que você não tem poder para restaurar a chama fervente de Deus no seu coração. Isso farei Eu em você. Agora, deixe que Eu opere a Minha obra no teu coração”.

Porém há também uma seriedade terrível no alerta de Jesus aqui. Em resumo: não entenda como já aceita esta oferta de Deus. Sonde o seu coração – não espere que o pastor ou seus amigos o abordem. Um cristão morno pode aos outros parecer estar fervendo para Cristo, porque ele cultua e mostra afeição externamente por Jesus. Sua desobediência passa despercebida a todos menos ao Senhor.

Você se tornou morno? Há falta do “quero” que a paixão piedosa seja restaurada? Tenho duas palavras para você: simplesmente bata à porta. E aí continue a bater. O seu coração é precioso para Ele – Ele já disse isso – e prometeu lhe levar de volta a Si mesmo. Ele declarou Seu amor por você mesmo em seu estado morno. E a advertência para você é o sinal mais seguro de Seu amor.

Que essa mensagem o desperte. Que abra seus ouvidos ao convite: “Entre pela porta que abri para você. Tenho tudo de que você precisa. E quero que você se assente ao Meu lado e desfrute da Minha glória”.

Que essa gloriosa verdade o desperte no espírito – reaviva seu coração – e lhe dê a paixão para cumprir Suas boas obras de novo. Amém.

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terça-feira, julho 12, 2011

Correndo Mais Rápido do que Carruagens

Gary Wilkerson

Elias havia acabado de operar um milagre. Sozinho ele havia enfrentado os 400 sacerdotes de Baal e os vencera. Deus havia dado ao Seu profeta uma vitória poderosa. Elias estava vendo coisas incríveis do céu sendo supridas para a sua vida e ministério.

Então algo aconteceu. Em I Reis 18 Elias ora para que a chuva venha sobre a terra desolada pela seca. Sentado no topo da montanha enquanto orava, Elias olhava para ver se seu clamor estava sendo atendido. Mas não havia evidência de uma resposta de Deus. Então Elias orou de novo. Mas não viu nuvem alguma. Orou outra vez, outra vez e mais uma vez, mas mesmo assim não aparecia nem uma nuvem.

Talvez você esteja familiarizado com esta experiência. Houve vezes em que você teve grandes vitórias em Cristo. Mas aí você precisou de algo desesperadamente e orou por isso. Mas não teve resposta. Você foi ouvir tapes, buscar conselho com o pastor, continuou orando. Mas nada de Deus.

O que Elias fez durante seu confuso período de necessidade? As escrituras dizem que ele cobriu a cabeça com um manto. Elias estava dizendo na realidade, "Senhor, estou excluindo o mundo ao meu redor porque preciso de uma palavra Tua. Precisamos desesperadamente de água em cima desta terra seca. Se ela não vier, estamos acabados".

Então algo aconteceu. Ao levantar a cabeça Elias viu uma pequena formação no céu distante. Era uma nuvem pequeníssima, não maior que a palma da mão de uma pessoa. Agora Elias sabia que Deus o havia ouvido. Ele grita, "Pronto! Deus respondeu minha oração!".

O profeta mandou seu servo Geazi levar uma mensagem ao rei Acabe: "Sobe e dize a Acabe: Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva não te detenha" (I Reis 18:44, itálicos meus). Elias estava dizendo ao rei em verdade, "Eu te encontro em Jezreel. Mas é melhor você se apressar em tua cintilante carruagem, ou vai atolar no barro. E chego mais cedo na cidade do que você".

Deus tem uma mensagem importante para o Seu povo através da historia de Elias. E tem a ver com carruagens.

Ao longo do Velho Testamento as carruagens tinham um papel importante na economia

Jezreel era conhecida como a cidade das carruagens. Ela tinha vantagens na guerra devido à vasta frota de veículos de ferro feitos para movimentos ligeiros em batalha. Na história de Elias, as carruagens representam a força do homem. Significam vitalidade para saltar à frente com grande agilidade, competência para cumprir objetivos através de um recurso poderoso e dominador.

Hoje há um "estilo de vida carruagem" – um estilo de conforto e tranqüilidade, com todas as necessidades atendidas. Se precisamos de algo, fazemos um cheque. Se queremos algo, vamos em frente e o fazemos. O estilo carruagem é bom porque temos acesso a todos os recursos necessários para tudo que quisermos.

Claro que para o cristão, o estilo carruagem pode atrair muito. Olhando o padrão de sucesso no mundo vemos "carruagens" e "garanhões". São os recursos, a riqueza material que concedem tranqüilidade e segurança às pessoas. Tais pessoas têm tudo que necessitam para sair à frente da tempestade e se manter seguras o tempo todo.

Mas o servo de Deus não busca tais coisas primeiramente; antes, ele busca obedecer à voz do Mestre e os interesses do Seu reino. O cristão aprende cedo em seu caminhar de fé que seguindo primeiramente o Senhor, "todas as demais coisas lhe serão acrescentadas" (Mateus 6:33).

Porém esse mesmo crente pode se vir em falta às vezes. Ele não tem os recursos para fazer certas coisas à sua família. Não vê o seu chamado ou ministério sendo cumprido. Então é tentado a pensar, "Os recursos existem, e o mundo os utiliza com grandes resultados. Mas não tenho nenhum destes recursos. Preciso deles para realizar a obra de Deus. Como farei para me apropriar deles?".

Elias tinha coisa melhor a fazer do que olhar para os recursos do mundo. Imagine a cena quando ele mandou mensagem ao rei Acabe. Lá estava o rei empoleirado no alto de sua brilhante carruagem elevando-se sobre o humilde profeta. Porém Elias fala ousadamente com Acabe: "Tu tens o maior poderio da terra, comandando uma enorme frota de carruagens levadas por poderosos garanhões. Mas nem mesmo as tuas velozes carruagens são páreo para o Senhor. É melhor você começar a se mexer, Acabe. Deus vai me fazer chegar a Jezreel antes de você".

A seguir lemos, "O poder do Senhor veio sobre Elias, e ele, prendendo a capa com o cinto, correu à frente de Acabe por todo o caminho até Jezreel" (I Reis 18:46). O homem de Deus correu (a pé) mais rápido do que a carruagem! E a distância era de vários quilômetros. Como Elias conseguiu isso? A frase "prendendo a capa com o cinto" quer dizer basicamente "cingindo o lombo". A única coisa que Elias fez foi "cingir o lombo", significando, ele se preparou.

I Pedro 1:13 nos diz para "cingir o nosso entendimento" ("estar com a mente preparada")

O apóstolo Paulo diz que fomos chamados por Deus para disputar uma corrida. Pedro se refere a essa corrida também quando manda-nos cingir o entendimento. Ele está dizendo que precisamos nos preparar para a competição reforçando a fé e a confiança no Senhor.

Veja, todos temos um chamado do céu predeterminado por Deus. Talvez o Espírito Santo tem lhe dado uma visão em relação ao que seja o seu chamado. Mas há uma grande distância entre o alto chamamento e o seu cumprimento. Às vezes essa distância pode lhe incitar ao desespero. É exatamente por essa razão que Pedro lhe diz para cingir o entendimento – se recordar de certa verdade a respeito do seu Deus. A história de Elias nos dá essa verdade:

"Quando você vir carruagens na sua frente, levando rapidamente as pessoas a seus objetivos, não desespere. Não desanime diante do poder que elas têm, e você não tem. Deus tem um caminho diferente para você. Quando você coloca os olhos no Pai e deixa que a Sua poderosa mão vá sobre você, você pode correr mais rápido do que carruagens."

Davi conhecia essa verdade em relação ao Pai celestial. Ele usa a mesmíssima imagem para transmitir o desejo de Deus em suprir o Seu povo: "Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus" (Salmo 20:7).

Agora mesmo, você pode parecer estar em falta. Contudo Deus diz que você poderá fazer mais do que as pessoas que têm tudo. Como? Deus deseja ardentemente se mostrar forte com aquele cujo coração é inteiramente d'Ele.

O Senhor está lhe dizendo, "Você pode achar que não tem o que precisa. Mas você não precisa dos recursos do mundo. Você não necessita da velocidade da carruagem, porque a Minha velocidade é mais rápida. Se você confiar em Mim para que Eu cumpra o Meu propósito para a tua vida, você verá isso acontecendo mais rápido do que imagina. Farei isso de um modo mais poderoso, com mais autoridade – e serei glorificado através da tua vida".

Imagine Elias correndo a pé mais rápido do que Acabe de carro, para Jezreel. E ele tinha confiança suficiente para se gabar disso – até antes de acontecer! Se formos honestos, vamos admitir que a maioria de nós pode apenas fingir ter este tipo de confiança.

Vou ilustrar contando algumas "histórias de carruagem" nas quais a minha mulher e eu estamos. A nossa família é como a maioria. Precisamos de dois carros para estar em todos os lugares onde precisamos estar. Isso muitas vezes significa minha mulher e eu acabando no mesmo lugar, em dois carros. Quando isso acontece, uma competição não declarada se levanta entre nós: quem vai chegar primeiro em casa?

Não desobedecemos a lei, mas ambos pisamos fundo indo para casa, usando todos os atalhos para economizar tempo.

Ela me passa numa lombada, e depois eu a ultrapasso bocejando como se não estivesse prestando atenção. Adoro chegar antes dela. Saio correndo do carro, vôo para fora da garagem, me lanço pela cozinha e pela sala. Ligo a TV, abro o jornal, ponho os pés no descanso. Mesmo estando completamente sem ar, ajo de maneira desinteressada quando ela entra e digo, "Oi, finalmente você chegou!".

É bem assim que eu acho que Elias reagiu quando Acabe chega a Jezreel. O rei tinha fustigado seus cavalos como Ben Hur. Mas mesmo assim na hora que ele despenca na cidade lá está Elias despreocupadamente lendo um pergaminho. Elias olha para cima, abafa um bocejo e diz, "Oh, finalmente você chegou!".

Eis a mensagem desta cena: você verá as promessas de Deus se cumprindo porque Ele lhe dá poder para isso – não por causa de uma carruagem do mundo.

O que teria acontecido caso Elias tivesse tido acesso a uma carruagem de verdade? O veículo dele não seria páreo para o de Acabe. Com tanta chuva caindo ele iria atolar. E ficaria parado lá por haver confiado no uso da carruagem. Ele teria deixado passar o chamado principal do Senhor – que é o de depender exclusivamente d'Ele.

Ageu descreve uma experiência enfrentada por muitos cristãos que perseguem uma visão lhes dada por Deus

Em Ageu 2:15-16 os filhos de Israel estavam tendo dificuldades em construir um prédio. O grito deles era: "Precisamos de umas 50 unidades de material para revestir o edifício. Mas só temos 20".

Talvez isso descreva a sua própria vida ou chamado. Você necessita de algumas "unidades" para conseguir o que Deus pôs diante de si, mas só tem parte disso. Você espera certa quantidade, mas recebe uma menor.

Deus tem uma mensagem para você através da história de Elias. É essa: Ele deseja nos conceder aquilo que sozinhos não conseguimos obter. Na verdade, Jesus diz que o Pai anseia dobrar a nossa colheita. Em João 4:35 Jesus e os discípulos caminhavam em meio a campos de cultivo de grãos. Ele aponta para os campos e diz aos Seus seguidores: "Os campos estão prontos para colheita. Então, não digam, 'Em quatro meses a partir de agora, colheremos'. Elevem os olhos. A safra já está pronta para ser colhida".

Mas os discípulos ficaram perplexos. Eles viam que as plantas tinham crescido só a metade. Eles pensaram, "Qualquer pessoa de bom senso vê que os campos não estão nem um pouco prontos para serem colhidos". Mas claro, Jesus estava falando da colheita de almas para o reino de Deus.

A lição da colheita tem igualmente um sentido mais amplo para as nossas vidas. Para nós, tem a ver com os propósitos do reino de Deus em nossas vidas. Jesus está dizendo, "Você não precisa esperar quatro meses para se santificar. Você não precisa aguardar até sobrepujar o pecado ou até ter uma paixão fervente por Mim. Torno todas estas coisas disponíveis para você agora mesmo. Isso pode lhe parecer impossível. E é na sua própria força ou capacidade. Mas estou acelerando as coisas. Não pode haver desculpas dentre os que Me seguem. Estabeleço todas as coisas diante de ti para você pegar!".

Tenho uma pergunta a fazer a todo estudante ou a todo jovem trabalhador que esteja lendo isso. Você se pergunta, "Vou esperar me formar para parar de beber"? Ou, "Vou esperar até ficar mais velho para parar de dormir por aí e me acertar no casamento"? Ou, "Só quero experimentar um pouco mais do mundo antes de eu me dar inteiro a Jesus"?

A lição de Jesus nos campos de colheita diz não a tudo isso. Ele declara a todos os que O seguiriam: "O momento é agora". Essa lição da colheita é endereçada a todas as desculpas humanas: "Inexiste espera no Meu reino. Se você aguardar quatro meses, a colheita vai te ignorar. Não deixe que nenhuma desculpa te desvie. No Meu reino, o dia é hoje. A hora de Me seguir é agora. Agora é o tempo para que o chamado que fiz a você seja cumprido".

Se isso é verdade em você, ofereço um desafio. Escreva a sua desculpa num pedaço de papel. Leia-a pela última vez. Aí amasse esse papel e jogue-o no lixo. Diga, "Estou deixando essa desculpa para trás. Não tenho mais desculpas. Jesus diz que a colheita d'Ele na minha vida está madura nesse momento!".

O profeta Amós também fala de uma dupla ceifa para o povo de Deus nos últimos dias: "'Dias virão', declara o Senhor, 'em que a ceifa continuará até o tempo de arar, e o pisar das uvas até o tempo de semear. Vinho novo gotejará dos montes e fluirá de todas as colinas'" (Amós 9:13). Na verdade Amós está dizendo, "Não só os campos estão maduros quatro meses mais cedo. O que ara ultrapassará aquele que colhe!".

Mais uma vez, a mensagem foi incompreensível para os ouvintes de Amós. Eles sabiam que primeiro vinha o sulcar, o arar a terra; depois o plantar das sementes, e depois a colheita. Além disso, era fisicamente impossível àquele que ara e para o que colhe trabalharem no mesmo lugar ao mesmo tempo. Mas é exatamente isso que Amós está descrevendo. Ele estava sugerindo duas safras numa só estação – algo totalmente impossível! Mas Deus queria promover uma dupla colheita em Israel.

Então, qual é a dupla colheita na sua vida? De qual assunto ou situação Deus está lhe falando? Seria uma questão financeira? Seria do seu casamento, dos filhos, assuntos familiares, do seu chamado? Não importa qual seja, Ele reservou para você uma colheita dupla – da Sua presença, da Sua graça, dos Seus recursos, de todas as coisas que você precisa para a vida.

A palavra d'Ele nos pergunta: "A coisa parece impossível? Parece inalcançável? Talvez você esteja desanimado porque precisa de 20. Muito bem, vou lhe dar 40. Você acha que precisa 100? Receberá 200". Simplificando, não devemos olhar para o mundo em busca de recursos. O nosso Pai celestial conhece-os todos. E Ele deseja nos favorecer com o Seu poder, com a Sua glória, com a Sua capacidade sobrenatural.

Talvez você esteja pensando: "Tudo isso soa bem – força para a jornada, destreza para ultrapassar uma carruagem, uma dupla colheita. Mas como vou conseguir isso para a minha vida?".

Eliseu, o sucessor de Elias, proporciona o nosso exemplo

Eliseu herda de Elias o papel de profeta na terra. Em 2 Reis 4, Eliseu encontra um de seus primeiros grandes testes. Ele foi abordado por um casal sunamita cujo filho havia acabado de morrer. Desesperada, a mãe diz a Eliseu, "Orei, jejuei, chorei e pedi. Mas não tive nada do Senhor. Sem meu filho, não tenho forças para prosseguir. Simplesmente não entendo o que Deus está fazendo. Está acima de mim suportar".

Eliseu respondeu fazendo algo incomum. "Então Eliseu disse a Geazi (seu servo): 'Ponha a capa por dentro do cinto'" (2 Reis 4:29). Em outras palavras, "Cinge os teus lombos". E aí disse, "Pegue o meu cajado e corra. Se você encontrar alguém, não o cumprimente e, se alguém o cumprimentar, não responda. Quando lá chegar, ponha o meu cajado sobre o rosto do menino".

Geazi fez como Eliseu instruiu. Ele foi à casa da família, e pôs o cajado sobre o rosto da criança morta. Mas não houve sinal de vida. Então Geazi retornou a Eliseu dizendo, "A criança não despertou".

Aqui está a minha pergunta para você: o que você faz quando a sua equipe não trabalha? A que você recorre quando todo esforço que você aplica não consegue o propósito? Do que você lança mão quando tudo que você tenta não traz resultado algum?

Chega uma hora em que não há nenhum outro recurso senão unicamente Jesus. Ele é a nossa solução. E nessa história Eliseu é um tipo de Cristo. Ele foi até a família sunamita e deitou-se sobre o corpo do menino morto. E quando face a face, pé com pé, mão com mão sobre a criança, ele respirou dentro dela.

O que aconteceu então? As escrituras dizem que o garoto espirrou sete vezes. Ele estava vivo!

Diga-me, o que trouxe essa vida? O próprio Jesus respirou dentro da situação. Quando não temos esperança, recursos, capacidade, Cristo sopra a Sua vida sobrenatural para dentro da nossa circunstância. Precisamos que Ele se deite sobre o nosso problema e sopre a Sua vida ressurreta dentro dele.

Você ainda procura confiar nas poderosas carruagens do mundo?

Talvez todo este tempo você tenha tido os olhos em cima de uma carruagem de ferro de algum tipo. A sua vida de oração tinha como alvo Deus concedendo isso a você. Mas o seu Pai pode estar lhe dizendo, "Você não precisa dessa carruagem. Vou te conceder tudo que você necessita. Vou lhe dar poder não apenas para as 20 medidas que você acha que precisa, mas para as 50 medidas que Eu quero que você tenha".

Torne sua essa oração, "Senhor, nada tenho – mas Tu tens todas as coisas. Nenhuma fonte de recursos deste mundo pode se comparar a Ti ou ao Teu poder. E preciso de Ti agora. Se tu não respirares vida dentro do meu problema, não terei solução. Não tenho saída, mas Tu tens, Senhor. Contigo, consigo correr mais rápido do que carruagens!".

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